{"id":22447,"date":"2007-01-23T11:39:35","date_gmt":"2007-01-23T11:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/23\/onde-esta-o-inimigo-principal\/"},"modified":"2007-01-23T11:39:35","modified_gmt":"2007-01-23T11:39:35","slug":"onde-esta-o-inimigo-principal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/onde-esta-o-inimigo-principal\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e1 o inimigo principal?"},"content":{"rendered":"<p>Quem chegasse de fora e seguisse os nossos Media, pensaria que nos encontramos em estado de alerta para qualquer coisa. C\u00e1 por dentro percebemos que se vive um momento de debate sobre o aborto e se prepara um referendo. Na nossa vida democr\u00e1tica j\u00e1 vimos e ouvimos muitos discursos dramatizados nas proximidades da vota\u00e7\u00e3o. Temos presente a imagem de pol\u00edticos e partidos que se apresentaram \u00e0s urnas como inquestion\u00e1veis ganhadores e, no dia seguinte \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, tanto vencidos como vencedores reconheceram a teatralidade dos com\u00edcios como encena\u00e7\u00e3o hiperb\u00f3lica de quem dramatiza, tendo presente a dist\u00e2ncia e o desconto entre o discurso inflamado e a realidade. Os pol\u00edticos j\u00e1 se conhecem no campo de luta e em seguida na partilha do croquete diplom\u00e1tico e de encena\u00e7\u00e3o civilizada. Caminhamos nessa direc\u00e7\u00e3o. Os argumentos de um e outro lado &#8211; sim e n\u00e3o ao aborto &#8211; ganham o ponto de inflama\u00e7\u00e3o duma normal campanha pol\u00edtica com o empolgamento das raz\u00f5es dum e doutro lado a ultrapassarem o somat\u00f3rio t\u00e9cnico de argumentos para se votar no dia exacto numa ou noutra proposta. Mas desta vez n\u00e3o h\u00e1 muitos partidos para eleger. Nem muitas op\u00e7\u00f5es para seleccionar. H\u00e1 o sim e o n\u00e3o ao aborto. Por muito que se diga, em argumentos cient\u00edficos, t\u00e9cnicos, sentimentais ou morais, coloca-se em jogo abrir \u00e0 sociedade a l\u00f3gica de praticar o aborto como acto individual apoiado pelo colectivo, ou como atitude colectiva de recusa ao aborto no respeito pelo drama que cada casal (\u00e9 disso que se trata) possa viver na escolha que faz sobre o ser que gerou. Para quem defende o aborto, o inimigo \u00e9 uma pessoa em forma\u00e7\u00e3o. A gesta\u00e7\u00e3o, nascimento e evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o o obst\u00e1culo que, segundo os que defendem o aborto, legitima a suspens\u00e3o violenta do seu crescimento e chegada \u00e0 luz na vida. Aqui est\u00e1 o cerne do sim ou do n\u00e3o. O resto &#8211; aparentes toler\u00e2ncias, compaix\u00f5es, apoios e gestos liberais para quem expulsa do caminho da vida um ser humano &#8211; s\u00e3o aconchegos de linguagem para a via mais f\u00e1cil de resolver o grave problema da vida com um gesto apressado de morte. Aqui esbarra a consci\u00eancia de qualquer ser humano &#8211; ateu, amoral, de \u00e9tica estreita ou larga, de humanidade escrupulosa ou permissiva. Est\u00e1 escrito no ser, n\u00e3o legislado por qualquer moral de circunst\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 muito por onde fugir. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem chegasse de fora e seguisse os nossos Media, pensaria que nos encontramos em estado de alerta para qualquer coisa. C\u00e1 por dentro percebemos que se vive um momento de debate sobre o aborto e se prepara um referendo. Na nossa vida democr\u00e1tica j\u00e1 vimos e ouvimos muitos discursos dramatizados nas proximidades da vota\u00e7\u00e3o. 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