{"id":224392,"date":"2021-12-24T08:00:05","date_gmt":"2021-12-24T08:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224392"},"modified":"2021-12-17T14:37:27","modified_gmt":"2021-12-17T14:37:27","slug":"nao-existe-coisa-mais-triste-que-uma-comunidade-que-nao-canta-diretor-da-capela-musical-pontificia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-existe-coisa-mais-triste-que-uma-comunidade-que-nao-canta-diretor-da-capela-musical-pontificia\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o existe coisa mais triste que uma comunidade que n\u00e3o canta\u00bb &#8211; diretor da Capela Musical Pontif\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p><em>Mons. Marcos Pavan, sacerdote brasileiro, defende a import\u00e2ncia da m\u00fasica na liturgia e na vida comunit\u00e1ria<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_224385\" aria-describedby=\"caption-attachment-224385\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224385 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1282\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-1280x855.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0028-1-480x321.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224385\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Perna\/Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) e Ricardo Perna (Fam\u00edlia Crist\u00e3)<\/em><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que a m\u00fasica se cruzou na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tive a sorte de ser musicalizado j\u00e1 na escola prim\u00e1ria, onde estudava em S\u00e3o Paulo, no Brasil. Desde os sete anos j\u00e1 cantava num grupo coral de crian\u00e7as na minha escola. A paix\u00e3o continuou. Comecei a tocar piano, teoria musical e depois, no liceu, fui estudar com os padres beneditinos. A\u00ed conheci o canto gregoriano. Fiquei apaixonado pelo canto gregoriano, comecei a estud\u00e1-lo. E depois veio o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E como veio para Roma?<\/strong><\/p>\n<p>Quem me trouxe aqui foi a Provid\u00eancia. Eu vim a Roma para estudar Filosofia e Teologia, fazer os estudos seminar\u00edsticos. Eu no Brasil tinha estudado Direito. Quando terminei os estudos, estava a especializar-me em Direito Can\u00f3nico, houve a necessidade de encontrar um maestro para as vozes brancas [crian\u00e7as] do coro aqui da Capela Sistina, e como eu tinha muita experi\u00eancia de canto, de canto gregoriano, e j\u00e1 colaborava no escrit\u00f3rio das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas do Papa, pediram-me que eu ficasse a preparar as crian\u00e7as, pelo menos para o Jubileu do Ano 2000. Eu comecei em 1998. Fiquei at\u00e9 ao ano 2000. Pediram-me que continuasse e fiquei at\u00e9 ao ano passado, quando o Santo Padre me nomeou maestro diretor do coro. Mas s\u00e3o 23 anos que estou a trabalhar aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Assumimos muitas vezes o patrim\u00f3nio como algo apenas que se pode tocar. Mas a m\u00fasica constitui um patrim\u00f3nio pr\u00f3prio, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Vaticano II, que deve ser o farol para todos n\u00f3s agora nessa atualiza\u00e7\u00e3o da reforma lit\u00fargica, diz que o canto pr\u00f3prio da Igreja de rito latino \u00e9 o canto gregoriano. Em segundo lugar, a polifonia sacra do s\u00e9culo xvi, aquela que conhecemos como Palestrina, Victoria, tudo isso. Logicamente os modelos n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para imitar, mas para nos inspirar no momento de novas composi\u00e7\u00f5es. No nosso caso, continuamos a cantar o canto gregoriano, continuamos a fazer a polifonia cl\u00e1ssica. Mas, obviamente, em alguns momentos em que \u00e9 mais apropriado. Essas duas formas t\u00eam o limite que \u00e9: devem ser em Latim. Nas celebra\u00e7\u00f5es, deve haver um lugar privilegiado tamb\u00e9m \u00e0 l\u00edngua vern\u00e1cula. Por\u00e9m, o gregoriano e a polifonia t\u00eam caracter\u00edsticas espirituais e musicais que podem inspirar novas formas musicais para a atua\u00e7\u00e3o da reforma lit\u00fargica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando falamos do uso da m\u00fasica na liturgia, \u00e0s vezes, parece que estamos a falar de coisas sobrepostas. H\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o e a determinada altura surge a m\u00fasica. O Conc\u00edlio entende a m\u00fasica na liturgia de outra forma.<\/strong><\/p>\n<p>L\u00f3gico. A liturgia \u00e9 cantada. A liturgia cat\u00f3lica, como a liturgia oriental, nasce como uma liturgia cantada. Ela funda as ra\u00edzes na liturgia da sinagoga. Penso que Nosso Senhor cantou a ora\u00e7\u00e3o de agradecimento, que depois vai desembocar na nossa ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica no pref\u00e1cio. A nossa liturgia nasce como canto, porque todos os povos antigos reconhecem o canto como uma forma privilegiada de, em primeiro lugar, unificar a pessoa: emo\u00e7\u00e3o, sentimento, raz\u00e3o, corpo e esp\u00edrito porque o canto tamb\u00e9m envolve a participa\u00e7\u00e3o cultural. O homem \u00e9 uma unidade. N\u00e3o \u00e9 uma dicotomia corpo e alma. E a liturgia cat\u00f3lica nunca fez exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os Padres da Igreja tiveram um pouquinho de preocupa\u00e7\u00e3o. Tiveram medo que com a m\u00fasica chegasse tamb\u00e9m alguma influ\u00eancia pag\u00e3. Mas logo essa influ\u00eancia foi superada, porque viu-se que a m\u00fasica \u00e9 parte integrante da celebra\u00e7\u00e3o. A primeira coisa \u00e9 que se canta a liturgia. A come\u00e7ar pelo celebrante, que devia cantar sobretudo as partes principais da missa nas celebra\u00e7\u00f5es mais solenes. Depois todos os sujeitos envolvidos na celebra\u00e7\u00e3o, a assembleia, o coro, os outros ministros, cada um tem o seu lugar e o seu momento. Mas devia come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio celebrante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para envolver a comunidade?<\/strong><\/p>\n<p>L\u00f3gico, porque faz parte da linguagem da liturgia, que \u00e9 a linguagem do simb\u00f3lico. A m\u00fasica ajuda nessa unidade da pessoa humana, corpo e alma e na unidade com Deus, na liturgia. A m\u00fasica \u2013 n\u00e3o posso dizer que ela \u00e9 da ess\u00eancia da liturgia no sentido de dizer que se n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica n\u00e3o h\u00e1 liturgia \u2013 \u00e9 insubstitu\u00edvel. Quando n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica n\u00e3o h\u00e1 nada que a substitua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos meses, a pandemia teve um grande impacto nas nossas celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, desde o limite nas celebra\u00e7\u00f5es \u00e0s mudan\u00e7as quando elas voltaram a ser poss\u00edveis. Isso tamb\u00e9m teve impacto na m\u00fasica na liturgia?<\/strong><\/p>\n<p>Para n\u00f3s tiveram impacto muito grande. A It\u00e1lia foi o pa\u00eds que primeiro sofreu todos esses problemas da pandemia aqui na Europa. O nosso coro \u00e9 composto de adultos e meninos, que s\u00e3o a sec\u00e7\u00e3o de vozes brancas, e as escolas foram fechadas de um dia para o outro em mar\u00e7o de 2020. Ent\u00e3o n\u00e3o vimos as nossas crian\u00e7as nunca mais. Os ensaios de canto n\u00e3o podiam ser feitos. As celebra\u00e7\u00f5es do Santo Padre foram suspensas, como todas as outras. Quando voltaram as celebra\u00e7\u00f5es na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, volt\u00e1mos com um coro com apenas oito cantores adultos separados dois metros um do outro. Mesmo assim n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_224386\" aria-describedby=\"caption-attachment-224386\" style=\"width: 389px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-224386 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-389x260.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-1280x855.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1-480x321.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/20211007_abertura_sinodo_0036-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224386\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Perna\/Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Retomar o trabalho normal e as celebra\u00e7\u00f5es foi sinal de esperan\u00e7a para as comunidades?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil ser crist\u00e3o sozinho. Ali\u00e1s, \u00e9 imposs\u00edvel. At\u00e9 os eremitas est\u00e3o em contacto com a Igreja. Mas os eremitas t\u00eam uma voca\u00e7\u00e3o particular de viver essa comunh\u00e3o na solid\u00e3o. Quem n\u00e3o tem essa voca\u00e7\u00e3o particular sente falta da comunidade. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver sem comunidade crist\u00e3. N\u00e3o existe coisa mais triste que \u00e9 uma comunidade que n\u00e3o canta. N\u00e3o s\u00f3 na Igreja, mas em qualquer lugar. Faz parte. Os pa\u00edses t\u00eam os seus hinos nacionais. As escolas t\u00eam os seus cantos. E a Igreja tem a sua liturgia cantada. Espero que as pessoas tenham sentido essa falta e que agora, voltando, se deem conta de como \u00e9 importante participar, cantando, preparando bem a liturgia. \u00c9 muito triste ter de ficar isolado dos irm\u00e3os durante tanto tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em Portugal, temos sempre o prazer de ouvir nas celebra\u00e7\u00f5es do Vaticano do dia de Natal o <em>Adeste fideles<\/em>, tamb\u00e9m chamado <em>Hino Portugu\u00eas<\/em>, que h\u00e1 quem atribua ao rei D. Jo\u00e3o IV. \u00c9 uma obra que marca uma mem\u00f3ria e assinala estarmos mesmo a celebrar o Natal.<\/strong><\/p>\n<p>O <em>Adeste fideles<\/em> est\u00e1 no inconsciente de todos aqui no Ocidente. \u00c9 sin\u00f3nimo de Natal. Repito: n\u00f3s temos de evitar os extremos. Quem quer mudar tudo e come\u00e7ar <em>ex novo..<\/em>. Isso n\u00e3o \u00e9 evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 um corte radical. Ent\u00e3o vai afundar as ra\u00edzes onde? N\u00f3s temos ra\u00edzes. Para que a planta cres\u00e7a verde e frondosa as ra\u00edzes tamb\u00e9m t\u00eam de ser s\u00e3s. Ent\u00e3o, com equil\u00edbrio e muito bom senso, n\u00f3s temos de manter o que temos de melhor na tradi\u00e7\u00e3o, apresent\u00e1-lo nos momentos certos. No momento certo da missa, no momento certo do ano lit\u00fargico. A partir da\u00ed, tamb\u00e9m apresentar coisas novas. Logicamente que quando a polifonia apareceu era uma novidade. N\u00e3o podemos ser fechados \u00e0s novidades. Agora: ela apareceu fazendo polifonia sobre o qu\u00ea? Sobre os temas gregorianos. \u00c9 dessa continuidade que vem tanta qualidade. Come\u00e7ar do zero n\u00e3o existe. \u00c9 preciso conhecer a tradi\u00e7\u00e3o, valorizar a tradi\u00e7\u00e3o e a partir disso partir para o novo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No Vaticano n\u00e3o vemos violas, <em>jamb\u00e9.<\/em> Poder\u00edamos ver? Ou n\u00e3o interessam \u00e0 liturgia?<\/strong><\/p>\n<p>Na quest\u00e3o dos instrumentos, diz o Conc\u00edlio, o primeiro lugar \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o de tubos. A liturgia tem de ser encarnada na comunidade. Eu venho de uma diocese no Brasil, que \u00e9 na periferia de S\u00e3o Paulo, que tem tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas e n\u00e3o tem nenhum \u00f3rg\u00e3o de tubos. Para come\u00e7ar \u00e9 logo imposs\u00edvel tocar \u00f3rg\u00e3o de tubos. Algumas igrejas t\u00eam \u00f3rg\u00e3o eletr\u00f3nico. Todas as outras usam viol\u00e3o e essas coisas. N\u00e3o \u00e9 nem sequer uma quest\u00e3o de escolha. \u00c9 uma quest\u00e3o de necessidade.<\/p>\n<p>A liturgia do Papa \u00e9 uma outra coisa. Temos outros meios, outra tradi\u00e7\u00e3o, tudo isso. Mas isso n\u00e3o quer dizer excluir nada. Porque um viol\u00e3o bem tocado pode ser muito bonito. Pode at\u00e9 lembrar os instrumentos\u2026 O rei David n\u00e3o tocava a lira? Isso n\u00e3o quer dizer nada. \u00c9 como se toca. A pessoa est\u00e1 preparada? Sabe m\u00fasica, tem bom gosto? O \u00f3rg\u00e3o de tubos mal tocado tamb\u00e9m \u00e9 insuport\u00e1vel. Se a pessoa quer fazer m\u00fasica, deve fazer com amor, bem feito, deve preparar-se. N\u00e3o deve ser uma coisa improvisada na comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Muitas vezes, temos a anima\u00e7\u00e3o na liturgia como uma coisa deixada para \u00faltimo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Exato. Isso \u00e9 errado. A prepara\u00e7\u00e3o da liturgia entra no cora\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3. O Conc\u00edlio Vaticano II diz que a Eucaristia \u00e9 o cume, o \u00e1pice e a fonte da vida crist\u00e3, e nesse \u00e1pice e fonte est\u00e3o a liturgia e a m\u00fasica lit\u00fargica. N\u00e3o pode ser um lugar secund\u00e1rio. Tem de ser um lugar central. Mas tem de ser preparado. Os senhores bispos, os senhores padres, t\u00eam que se preocupar tamb\u00e9m com a forma\u00e7\u00e3o musical dos seus fi\u00e9is. Escolas diocesanas de m\u00fasica sacra&#8230; Isso \u00e9 muito importante. Agora no Brasil tenho not\u00edcia que est\u00e3o a aparecer essas escolas. A prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial. Ningu\u00e9m vai p\u00f4r algu\u00e9m a ler que n\u00e3o sabe ler ou que gagueja. Porque \u00e9 que tem de p\u00f4r a cantar algu\u00e9m que n\u00e3o sabe cantar? Tudo tem de ser uma quest\u00e3o de bom senso. Se \u00e9 uma comunidade que tem muito boa vontade, mas n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que consiga fazer melhor, ent\u00e3o a coisa j\u00e1 est\u00e1 resolvida. Mas se \u00e9 poss\u00edvel melhorar, se \u00e9 poss\u00edvel educar\u2026 a m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de educar. N\u00f3s temos aqui uma escola com 60 meninos. A m\u00fasica educa n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista crist\u00e3o mas tamb\u00e9m humano, o esfor\u00e7o, a disciplina. Tanto assim \u00e9 que a m\u00fasica faz parte da educa\u00e7\u00e3o desde a cultura e educa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, no Trivium [forma de educa\u00e7\u00e3o da Antiguidade Cl\u00e1ssica com gregos e romanos] havia m\u00fasica. A m\u00fasica educa o ser humano. Tamb\u00e9m nas comunidades crist\u00e3s deveria haver uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o dos agentes da m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mons. 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