{"id":22437,"date":"2007-01-22T20:35:15","date_gmt":"2007-01-22T20:35:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/22\/a-diaconia-da-igreja-e-o-servico-da-caridade\/"},"modified":"2007-01-22T20:35:15","modified_gmt":"2007-01-22T20:35:15","slug":"a-diaconia-da-igreja-e-o-servico-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-diaconia-da-igreja-e-o-servico-da-caridade\/","title":{"rendered":"A \u00abdiaconia\u00bb da Igreja e o servi\u00e7o da Caridade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Solenidade de S\u00e3o Vicente <!--more--> Homilia proferida na Solenidade de S\u00e3o Vicente, Padroeiro Principal do Patriarcado de Lisboa S\u00e9 Patriarcal, 22 de Janeiro de 2007   \t1. Celebramos, mais uma vez, a Solenidade de S\u00e3o Vicente, Di\u00e1cono e M\u00e1rtir, padroeiro principal do Patriarcado e especial protector da Cidade de Lisboa, que logo a seguir \u00e0 reconquista crist\u00e3, acolheu com devo\u00e7\u00e3o as suas rel\u00edquias e sempre o honrou com a presen\u00e7a de s\u00edmbolos vicentinos no escudo da Cidade. \tS\u00e3o Vicente di\u00e1cono: Sa\u00fado, hoje de modo particular, todos os di\u00e1conos da nossa Diocese, que encontram em S\u00e3o Vicente o modelo e o protector. Desde a sua institui\u00e7\u00e3o, o minist\u00e9rio diaconal \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que a caridade \u00e9 express\u00e3o constitutiva da Igreja. Bento XVI escreveu na sua primeira Enc\u00edclica: \u201cPara a Igreja, a caridade n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de actividade de assist\u00eancia social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence \u00e0 sua natureza, \u00e9 express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia\u201d (BENTO XVI, Carta Enc\u00edclica \u201cDeus Caritas est\u201d, n\u00ba 25). \tIsto \u00e9 assim porque a caridade, nome crist\u00e3o do amor, tem uma dimens\u00e3o transcendente. Como dizia Santo Agostinho, \u201cse v\u00eas a caridade, v\u00eas a Trindade\u201d. Depois da efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a for\u00e7a que leva o crist\u00e3o a amar n\u00e3o \u00e9, apenas, a capacidade da sua natureza, mas o pr\u00f3prio amor trinit\u00e1rio, que jorra da Igreja e do cora\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o como \u201crios de \u00e1gua viva\u201d.  \tO amor marca toda a ac\u00e7\u00e3o da Igreja enquanto sacramento de salva\u00e7\u00e3o. \u201cO Esp\u00edrito \u00e9 a for\u00e7a interior que harmoniza os seus cora\u00e7\u00f5es com o cora\u00e7\u00e3o de Cristo e os leva a amar os irm\u00e3os como Ele os amou, quando Se inclinou para lavar os p\u00e9s dos disc\u00edpulos (cf. Jo 13,1-13) e, sobretudo, quando deu a sua vida por todos (cf. Jo 13,1; 15,13). O Esp\u00edrito \u00e9 tamb\u00e9m for\u00e7a que transforma o cora\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial, para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma \u00fanica fam\u00edlia, no seu Filho. Toda a actividade da Igreja \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o dum amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangeliza\u00e7\u00e3o por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes her\u00f3ico nas suas realiza\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas; e procura a sua promo\u00e7\u00e3o nos v\u00e1rios sectores da vida e da actividade humana. Portanto, \u00e9 amor o servi\u00e7o que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e \u00e0s necessidades, mesmo materiais, dos seres humanos\u201d (n\u00ba 19). A ac\u00e7\u00e3o da Igreja assenta numa trilogia, composta pelas tr\u00eas grandes express\u00f5es da caridade: o an\u00fancio da Palavra, os sacramentos, celebra\u00e7\u00e3o e an\u00fancio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, a pr\u00e1tica concreta do amor, a que desde o in\u00edcio se chamou \u201cdiaconia\u201d. Para lhes garantir a sua fonte divina, o Senhor dotou a Igreja de minist\u00e9rios baseados numa especial consagra\u00e7\u00e3o, a que hoje chamamos \u201cminist\u00e9rios ordenados\u201d: o sacerd\u00f3cio e o diaconado. Embora aqueles tr\u00eas elementos sejam insepar\u00e1veis, porque cada um exige os outros, desde a \u00e9poca apost\u00f3lica que o minist\u00e9rio sacerdotal est\u00e1 especialmente orientado para o an\u00fancio da Palavra e para a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, e o minist\u00e9rio dos di\u00e1conos para a pr\u00e1tica da caridade. \u00c9 esta especificidade dos minist\u00e9rios que justifica a institui\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio diaconal e a escolha dos primeiros sete di\u00e1conos (cf. Act. 6,5-6). O Papa Bento XVI refere-se, assim, a esse momento da vida da primeira Igreja: \u201cDe facto, na Igreja primitiva tinha-se gerado, na distribui\u00e7\u00e3o quotidiana \u00e0s vi\u00favas, uma disparidade entre a parte de l\u00edngua hebraica e a de l\u00edngua grega. Os Ap\u00f3stolos, a quem estavam confiados antes de mais a \u00abora\u00e7\u00e3o\u00bb (Eucaristia e Liturgia) e o \u00abservi\u00e7o da Palavra\u00bb, sentiram-se excessivamente sobrecarregados pelo \u00abservi\u00e7o das mesas\u00bb; decidiram, por isso, reservar para eles o minist\u00e9rio principal e criar, para a outra miss\u00e3o, tamb\u00e9m ela necess\u00e1ria na Igreja, um organismo de sete pessoas. Mas este grupo n\u00e3o devia realizar um servi\u00e7o meramente t\u00e9cnico de distribui\u00e7\u00e3o: deviam ser homens \u00abcheios do Esp\u00edrito Santo e de sabedoria\u00bb (cf. Act 6, 1-6). Quer dizer que o servi\u00e7o social que tinham de cumprir era concreto sem d\u00favida alguma, mas, ao mesmo tempo, era tamb\u00e9m um servi\u00e7o espiritual; tratava-se, na verdade, de um of\u00edcio verdadeiramente espiritual, que realizava um dever essencial da Igreja, o do amor bem ordenado ao pr\u00f3ximo\u201d (n\u00ba 21).  2. Nos primeiros s\u00e9culos, o rosto vis\u00edvel da Igreja que interpela a sociedade \u00e9 este servi\u00e7o da caridade, onde sobressaem grandes figuras de di\u00e1conos, como S\u00e3o Louren\u00e7o, da Igreja de Roma e S\u00e3o Vicente da Igreja de Sarago\u00e7a. A prop\u00f3sito do di\u00e1cono S\u00e3o Louren\u00e7o escreve Bento XVI: \u201cAp\u00f3s a pris\u00e3o dos seus irm\u00e3os na f\u00e9 e do Papa, a ele, como respons\u00e1vel pelo cuidado dos pobres de Roma, fora concedido mais algum tempo de liberdade, para recolher os tesouros da Igreja e entreg\u00e1-los \u00e0s autoridades civis. Louren\u00e7o distribuiu o dinheiro dispon\u00edvel pelos pobres e, depois, apresentou-os \u00e0s autoridades como sendo o verdadeiro tesouro da Igreja\u201d (n\u00ba 23). N\u00e3o foi por acaso que o Conc\u00edlio Vaticano II, ao pretender revitalizar a Igreja, retomando o vigor dos primeiros s\u00e9culos, restaurou o diaconado como minist\u00e9rio permanente. Creio que ainda n\u00e3o est\u00e1 conseguido, na sua inser\u00e7\u00e3o real na ac\u00e7\u00e3o da Igreja, esta primazia do servi\u00e7o da caridade. O minist\u00e9rio da Palavra e a Liturgia n\u00e3o est\u00e3o exclu\u00eddos, mas eles s\u00e3o ordenados para o servi\u00e7o dos irm\u00e3os. Que S\u00e3o Vicente nos guie neste caminho a percorrer, pois esta especificidade do minist\u00e9rio deve presidir aos crit\u00e9rios da sua escolha e da sua forma\u00e7\u00e3o.  3. S\u00e3o Vicente M\u00e1rtir, \u00e9 para todos n\u00f3s testemunho de total entrega, no dom da pr\u00f3pria vida aos irm\u00e3os, para gl\u00f3ria de Deus. No seu mart\u00edrio ele sentiu a for\u00e7a da consola\u00e7\u00e3o de Deus, porque o Senhor n\u00e3o nos abandona, sobretudo nos momentos de tribula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, hoje, outras as express\u00f5es da radicalidade crist\u00e3. Para al\u00e9m daquelas que o imponder\u00e1vel dos acontecimentos acarreta, precisamos da sua intercess\u00e3o para a radicalidade do dom e do abandono confiante. \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Solenidade de S\u00e3o Vicente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,144,206,246,294,325],"class_list":["post-22437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-familia","tag-liturgia","tag-sacramentos","tag-vicentinos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}