{"id":224367,"date":"2021-12-19T09:31:53","date_gmt":"2021-12-19T09:31:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224367"},"modified":"2021-12-18T20:19:57","modified_gmt":"2021-12-18T20:19:57","slug":"o-problema-nao-e-adocao-as-familias-e-que-precisam-de-ajuda-sandra-anastacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-problema-nao-e-adocao-as-familias-e-que-precisam-de-ajuda-sandra-anastacio\/","title":{"rendered":"\u00abO problema n\u00e3o \u00e9 ado\u00e7\u00e3o. As fam\u00edlias \u00e9 que precisam de ajuda\u00bb \u2013 Sandra Anast\u00e1cio"},"content":{"rendered":"<p><em>Centro de acolhimento, em Lisboa, d\u00e1 colo, carinho e casa a beb\u00e9s e crian\u00e7as desprotegidas<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Desde que abriu portas, h\u00e1 quase 24 anos, j\u00e1 acolheu mais de 400 crian\u00e7as, dos 0 aos 3 anos, em situa\u00e7\u00e3o de risco ou abandono. Em outubro inaugurou uma nova casa, j\u00e1 com capacidade para receber crian\u00e7as mais velhas e a necessitar de cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_224369\" aria-describedby=\"caption-attachment-224369\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224369 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ajuda-berco-2021-a_lusa-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224369\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a decorrer a campanha solid\u00e1ria \u2018darcolo.ajudadeberco.pt\u2019, que tem ajudado a \u201cencher\u201d a nova casa que se situa em Benfica. Este j\u00e1 vai ser um Natal diferente?<\/em><\/p>\n<p>Infelizmente, ainda n\u00e3o. Acabamos a constru\u00e7\u00e3o da casa, de facto, e inauguramo-la em outubro, mas \u00e9 importante agora mobili\u00e1-la. H\u00e1 uma parte que j\u00e1 conseguimos fazer, a parte dos escrit\u00f3rios, que vai ser ocupada pelos adultos; desta vez, tamb\u00e9m gostar\u00edamos muito que as crian\u00e7as, para al\u00e9m da casa nova, tamb\u00e9m tivessem as coisas que v\u00e3o usar, como as camas \u2013 e algumas destas camas s\u00e3o especiais, porque s\u00e3o camas-articuladas, para as crian\u00e7as doentes. E que fossem coisas novas. Portanto, \u00e9 essa a campanha que estamos a fazer, est\u00e1 a correr bem, mas ainda est\u00e1 longe de se conseguir mobilar a casa.<\/p>\n<p>Estamos a fazer agora est\u00e1 for\u00e7a aqui, dos \u00faltimos dias do Natal, para ver se o Menino Jesus nos d\u00e1 um aconchego maior e em janeiro, fevereiro, conseguimos estar todos na casa nova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A ideia ser\u00e1 ficar a funcionar em pleno j\u00e1 no arranque de 2022\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Tamb\u00e9m depende da licen\u00e7a da C\u00e2mara, que ainda n\u00e3o aconteceu, e da autoriza\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia da Seguran\u00e7a Social, mas eu estou otimista, acho que no primeiro trimestre estaremos na casa nova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com a nova casa v\u00e3o dar resposta a uma realidade tamb\u00e9m nova, que \u00e9 cuidar de crian\u00e7as que sofrem de doen\u00e7as cr\u00f3nicas ou agudas e precisam de cuidados de sa\u00fade. \u00c9 um passo em frente e um grande desafio em rela\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 faziam?<\/em><\/p>\n<p>Na verdade, esta n\u00e3o \u00e9 uma realidade nova, a Ajuda de Ber\u00e7o, ao longo dos anos, tem tido esta aud\u00e1cia de ficar com as crian\u00e7as \u2013 costumamos dizer assim -, as crian\u00e7as mais dif\u00edceis, as crian\u00e7as que ningu\u00e9m quer, aquelas que t\u00eam mais problemas de sa\u00fade, e que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de abandono.<\/p>\n<p>Acontece que, ao longo destes 23 anos, n\u00f3s n\u00e3o temos conseguido ter tanta resposta para este tipo de crian\u00e7as. Temos, nas nossas casas, sempre duas, tr\u00eas crian\u00e7as nestas circunst\u00e2ncias, porque s\u00e3o aquelas a quem n\u00f3s, com a equipa que temos e com as casas que existiam at\u00e9 agora, conseguir\u00edamos dar uma resposta de qualidade.<\/p>\n<p>Esta casa vai permitir acolher 15 crian\u00e7as com estas carater\u00edsticas. O desafio \u00e9 este, dar uma resposta mais eficaz, mais qualitativa e quantitativa a crian\u00e7as com estas carater\u00edsticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta casa era um sonho antigo da vossa institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quanto tempo \u00e9 que perceberam que tinham de dar resposta a estes casos? Recebiam pedidos nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p>Sim, porque uma casa que tem a miss\u00e3o que tem e que tem os valores que tem \u2013 quando nos fundamos, em 1998, t\u00ednhamos por base esta m\u00e1xima da Madre Teresa de Calcut\u00e1, ficar com as crian\u00e7as que ningu\u00e9m queria.<\/p>\n<p>Infelizmente, as crian\u00e7as que ningu\u00e9m quer s\u00e3o estas, que est\u00e3o mais fr\u00e1geis, mais vulner\u00e1veis, e que t\u00eam mais problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As crian\u00e7as ficam mais desprotegidas \u00e0 medida que crescem? H\u00e1 menos solu\u00e7\u00f5es para essas faixas et\u00e1rias?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um facto, n\u00f3s temos muito medo da bagagem que as crian\u00e7as trazem. Quer dizer, as pessoas t\u00eam a ilus\u00e3o de que quando adotam uma crian\u00e7a beb\u00e9, que ela n\u00e3o tem bagagem e tem na mesma<\/p>\n<p>Uma crian\u00e7a com seis, sete, oito anos j\u00e1 tem uma bagagem mais pesada \u2013 de abandono ou de maus-tratos , mas sobretudo de abandono, da ferida de abandono \u2013 e isso \u00e9 uma coisa que n\u00f3s assusta a todos, muito. Mas eu gosto sempre de ver as coisas ao contr\u00e1rio: quem quer fazer a diferen\u00e7a na vida de uma crian\u00e7a, \u00e9 nestas crian\u00e7as que est\u00e3o mais desprotegidas e vulner\u00e1veis. S\u00e3o o verdadeiro desafio e as que precisam mais do nosso amor e da nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_224389\" aria-describedby=\"caption-attachment-224389\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-224389\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224389\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Est\u00e1 prevista para esta nova val\u00eancia a colabora\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos de sa\u00fade, como m\u00e9dicos, enfermeiros e terapeutas. Isso j\u00e1 est\u00e1 assegurado?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e3o assegurados dois ou tr\u00eas t\u00e9cnicos da \u00e1rea da enfermagem e terapeutas. M\u00e9dicos n\u00e3o encontramos necessidade disso, porque estas crian\u00e7as &#8211; as que j\u00e1 est\u00e3o na Ajuda de Ber\u00e7o e as que vamos querer acolher \u2013 s\u00e3o crian\u00e7as que, numa situa\u00e7\u00e3o normal, viveriam numa casa de fam\u00edlia. A Ajuda de Ber\u00e7o \u00e9 exatamente a mesma coisa, n\u00e3o \u00e9 um hospital, elas n\u00e3o precisam de estar internadas nem de cuidados hospitalares \u2013 quando forem precisos, recorre-se a esse tipo de institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dou sempre o exemplo da diabetes, que \u00e9 uma doen\u00e7a com alguns cuidados, mas que n\u00e3o s\u00e3o cuidados de enfermagem. S\u00e3o alguns cuidados de sa\u00fade, que nestas crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de abandono, comprometem a sua integra\u00e7\u00e3o numa fam\u00edlia, ou de ado\u00e7\u00e3o ou na fam\u00edlia de origem, que devido a todas as vulnerabilidades, n\u00e3o consegue fazer face \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de cuidados de que a diabetes precisa.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito comum, mas posso falar tamb\u00e9m da paralisia cerebral: estas crian\u00e7as podem, perfeitamente, viver numa casa de fam\u00edlia, se for poss\u00edvel, nas fam\u00edlias biol\u00f3gicas ou nas fam\u00edlias de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A nova casa vai receber os beb\u00e9s que est\u00e3o no centro de acolhimento da Avenida de Ceuta, e ter esta nova val\u00eancia, para crian\u00e7as mais velhas. Qual \u00e9 a capacidade?<\/em><\/p>\n<p>A casa tem capacidade para 35 crian\u00e7as e o nosso objetivo \u00e9 transferir os 20 beb\u00e9s que est\u00e3o na casa da Avenida de Ceuta, porque j\u00e1 n\u00e3o apresenta condi\u00e7\u00f5es dignas para acolher crian\u00e7as \u2013 est\u00e1 muito estragada, \u00e9 uma casa com 23 anos, na altura n\u00e3o havia as exig\u00eancias que hoje h\u00e1, no que diz respeito \u00e0s infraestruturas de acolhimento de crian\u00e7as. Depois, tem uma val\u00eancia com 15 vagas para estas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>T\u00eam, ainda, a nova casa de Monsanto. Ao todo quantas crian\u00e7as acolhem nas v\u00e1rias casas, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Em Monsanto est\u00e3o 20 crian\u00e7as e este acolhimento tamb\u00e9m ir\u00e1 manter-se, s\u00e3o crian\u00e7as mais crescidas. A partir dos 3 anos, at\u00e9 aos 14. N\u00f3s, atualmente, temos as crian\u00e7as misturadas entre os dois centros de acolhimento; de futuro pretendemos \u00e9 ter, na casa nova, os beb\u00e9s que transitam da Avenida de Ceuta para Benfica, com a val\u00eancia das 15 crian\u00e7as com doen\u00e7a cr\u00f3nica, em situa\u00e7\u00e3o de abandono; e, em Monsanto, crian\u00e7as mais crescidas, sem problemas de sa\u00fade e que esteja a ser estudado o seu projeto de vida \u2013 ou integra\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia biol\u00f3gica ou encaminhamento para ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>As crian\u00e7as que recebem s\u00e3o encaminhadas pelos tribunais ou seguran\u00e7a social. S\u00e3o sempre situa\u00e7\u00f5es muito complicadas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. As crian\u00e7as que entram na Ajuda de Ber\u00e7o e em qualquer centro de acolhimento tempor\u00e1rio, em qualquer casa de acolhimento residencial, a designa\u00e7\u00e3o de hoje em dia, s\u00e3o crian\u00e7as que t\u00eam um processo judicial em tribunal de fam\u00edlia e de menores. \u00c9 este que decreta a retirada da crian\u00e7a, quase sempre para que seja estudada a fam\u00edlia e ajudada. Depois de provada na Justi\u00e7a a incapacidade da fam\u00edlia, \u00e9 decretada a integra\u00e7\u00e3o numa fam\u00edlia de ado\u00e7\u00e3o ou numa fam\u00edlia de acolhimento.<\/p>\n<p>A admiss\u00e3o das crian\u00e7as na Ajuda de Ber\u00e7o \u00e9 feita sempre atrav\u00e9s da Seguran\u00e7a Social, da gest\u00e3o de vagas \u2013 assim se chama o servi\u00e7o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nestes mais de 20 anos j\u00e1 acolheram mais de 400 crian\u00e7as, dos 0 aos 3 anos, um per\u00edodo fundamental para o desenvolvimento, muitas est\u00e3o j\u00e1 na idade adulta. Mant\u00eam contacto? H\u00e1 algum caso de sucesso que queira aqui lembrar?<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 muitos casos de sucesso, mantemos contacto com algumas, embora diga sempre que manter contacto com as crian\u00e7as, se isso n\u00e3o for para elas, n\u00e3o fazemos quest\u00e3o que aconte\u00e7a. Tem de fazer sentido para as crian\u00e7as. Agora, d\u00e1-nos muita alegria, como nesta altura do Natal, ver crian\u00e7as que v\u00eam \u00e0 Missa ou simplesmente desejar-nos um Bom Natal, passam s\u00f3 para fazer uma visita, lembrar o quarto onde cresceram, isso \u00e9 sempre muito compensador. \u00c9 sinal de que o tempo que estiveram aqui, embora n\u00e3o tenha sido por bons motivos, lhes deixou, no m\u00ednimo, boas mem\u00f3rias dos cuidados que aqui tiveram. De facto, isso muito satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portugal foi um de 9 pa\u00edses europeus onde decorreu este ano a campanha \u2018Primeiros anos, a nossa prioridade\u2019 (First Years First Priority), e no caso portugu\u00eas um dos problemas detetados foi o elevado n\u00famero de crian\u00e7as institucionalizadas, nomeadamente beb\u00e9s. Isto revela que o poder pol\u00edtico n\u00e3o tem olhado como devia para esta quest\u00e3o, n\u00e3o agilizando por exemplo os processos de ado\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 que est\u00e1 a falhar em sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que o problema n\u00e3o est\u00e1 nos processos de ado\u00e7\u00e3o, o problema est\u00e1 nas dificuldades das fam\u00edlias. De facto, a maior parte das crian\u00e7as que est\u00e3o institucionalizadas n\u00e3o s\u00e3o encaminhadas para ado\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias \u00e9 que precisam de ajuda.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica que atravessamos, h\u00e1 d\u00e9cadas \u2013 porque n\u00e3o podemos dizer que isto \u00e9 fruto da pandemia de Covid-19, n\u00e3o \u00e9, h\u00e1 d\u00e9cadas que Portugal atravessa uma profunda crise econ\u00f3mica e de habitabilidade, de trabalho. As pessoas com filhos n\u00e3o conseguem fazer face \u00e0s dificuldades. Associa-se quase sempre a isto: a algumas adi\u00e7\u00f5es, alguns problemas de sa\u00fade mental. E enquanto n\u00f3s n\u00e3o formos \u00e0 base do problema, que s\u00e3o as fam\u00edlias, a sa\u00fade, a habita\u00e7\u00e3o, o trabalho, vamos ter sempre crian\u00e7as a sofrer, em Portugal ou no resto do mundo.<\/p>\n<p>Isto, para mim, \u00e9 que \u00e9 o verdadeiro problema, n\u00e3o \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o, esta surge depois, quando as crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia biol\u00f3gica capaz de tratar delas. Ora, n\u00f3s temos de ir \u00e0 fam\u00edlia biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 consensual que nos primeiros anos se joga o futuro. A \u2018Ajuda de Ber\u00e7o\u2019 tem tido as ajudas necess\u00e1rias para dar resposta adequada \u00e0s crian\u00e7as que acolhe?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A Ajuda de Ber\u00e7o depende h\u00e1 23 anos da sociedade civil e o povo portugu\u00eas tem sido de uma generosidade enorme \u2013 na verdade, a generosidade \u00e9 para as crian\u00e7as que a Ajuda de Ber\u00e7o acolhe, \u00e9 assim que a coisa fica bem dita. E somos um povo muito solid\u00e1rio, muito preocupado com o pr\u00f3ximo, esta \u00e9 uma verdade irrefut\u00e1vel, para mim. O bom seria que n\u00e3o fosse necess\u00e1rio nada disto\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 discuss\u00e3o na sociedade portuguesa sobre a melhor forma de enquadrar as crian\u00e7as nas situa\u00e7\u00f5es de risco \u2013 se a via da institucionaliza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 a melhor resposta, ou se se deve apostar no enquadramento familiar. Que apoios concretos faltam \u00e0s fam\u00edlias?<\/em><\/p>\n<p>Sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o e trabalho. S\u00e3o estas tr\u00eas vari\u00e1veis. Temos problemas s\u00e9rios de sa\u00fade mental, problemas ser\u00edssimos, e finalmente, gra\u00e7as \u00e0 pandemia, come\u00e7amos a olhar para a sa\u00fade mental das pessoas, em particular, das fam\u00edlias, em conjunto, e das institui\u00e7\u00f5es. Sem isto, n\u00e3o h\u00e1 nada.<\/p>\n<p>Depois, vem a falta de trabalho e as duas coisas est\u00e3o ligadas; e a falta de habita\u00e7\u00e3o, a maior das pessoas em Portugal precisa de recorrer a este apoio institucional \u00e9 porque n\u00e3o tem uma casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A ideia ser\u00e1 sempre que o foco da quest\u00e3o esteja no trabalho com as fam\u00edlias de origem\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. N\u00e3o podemos olhar para as crian\u00e7as \u2013 como n\u00e3o podemos olhar para os idosos, para os sem-abrigo \u2013 sem a fam\u00edlia. E o problema \u00e9 que n\u00f3s nunca olhamos para a fam\u00edlia. N\u00f3s olhamos para o problema de uma crian\u00e7a abandonada, uma crian\u00e7a negligenciada, mas esta crian\u00e7a vem de uma fam\u00edlia, representa uma fam\u00edlia. E eu gosto muito de dizer que quando falo de 425 crian\u00e7as que a Ajuda de Ber\u00e7o j\u00e1 acolheu, na verdade estou a falar de 425 fam\u00edlias onde a Ajuda de Ber\u00e7o interveio. E isto \u00e9 muito s\u00e9rio, quando falamos nestes termos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_224390\" aria-describedby=\"caption-attachment-224390\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-224390\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IMG_20211013_165917.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224390\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A \u2018Ajuda de Ber\u00e7o\u2019 funciona como fam\u00edlia de acolhimento?<\/em><\/p>\n<p>A Ajuda de Ber\u00e7o pretende que as crian\u00e7as se sintam numa casa de fam\u00edlia. Mas a Ajuda de Ber\u00e7o n\u00e3o \u00e9 uma fam\u00edlia, \u00e9 uma casa de acolhimento residencial, que defende e promove um ambiente familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 afirmou que \u2018ningu\u00e9m \u00e9 m\u00e3e de substitui\u00e7\u00e3o\u2019, e assume-se como cuidadora. \u00c9 uma grande responsabilidade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, \u00e9 a responsabilidade maior de todas: naquele tempo provis\u00f3rio da vida de uma crian\u00e7a, temos de cuidar dela, como se m\u00e3e f\u00f4ssemos, mas garantindo \u00e0quela crian\u00e7a que a m\u00e3e ainda est\u00e1 para vir ou que a m\u00e3e vai estar pronta daqui a um tempo (14:50). E a responsabilidade de todos n\u00f3s, da Ajuda de Ber\u00e7o, das institui\u00e7\u00f5es que trabalham em articula\u00e7\u00e3o com a Ajuda de Ber\u00e7o, \u00e9 olhar para esta m\u00e3e que, neste momento, n\u00e3o o consegue ser \u2013 estou a falar da m\u00e3e, mas estou a falar tamb\u00e9m do pai, os av\u00f3s, os tios, at\u00e9 a fam\u00edlia alargada, porque muitas destas crian\u00e7as podem ser apoiadas por essa fam\u00edlia alargada. A Ajuda de Ber\u00e7o e os cuidadores da Ajuda de Ber\u00e7o s\u00e3o s\u00f3 isto, cuidadores que t\u00eam de ser muito competentes, muito cautelosos e muito exigentes no trabalho que fazem.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que no Natal procuram levar colo e afeto a estas crian\u00e7as desprotegidas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu digo sempre que o Natal na Ajuda de Ber\u00e7o \u00e9 todos os dias, o Natal para n\u00f3s s\u00f3 se torna diferente, este m\u00eas de dezembro, porque as pessoas olham mais para n\u00f3s e s\u00e3o mais solid\u00e1rias para com as crian\u00e7as. O Natal na Ajuda de Ber\u00e7o faz-se todos os dias, o pres\u00e9pio est\u00e1 ali presente sempre: a fragilidade, a vulnerabilidade, a pobreza e a disponibilidade de quem abra\u00e7a estes Meninos Jesus que chegam \u00e0 Ajuda de Ber\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A institui\u00e7\u00e3o trabalha em parceria e articula\u00e7\u00e3o com outras institui\u00e7\u00f5es que ajudam a reerguer as fam\u00edlias. H\u00e1 boa colabora\u00e7\u00e3o a este n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, quem faz as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o as pessoas. Hoje em dia, a interven\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica j\u00e1 tem um n\u00edvel de exig\u00eancia bastante bom e, portanto, h\u00e1 um foco muito importante na articula\u00e7\u00e3o entre estas institui\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 uma exig\u00eancia que n\u00f3s, t\u00e9cnicos, nunca podemos deixar cair. N\u00e3o basta que a Ajuda de Ber\u00e7o fa\u00e7a um bom trabalho, \u00e9 preciso que a Seguran\u00e7a Social fa\u00e7a um bom trabalho, uma associa\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0s m\u00e3es, aos pais, aos sem-abrigo, aos toxicodependentes, porque s\u00e3o apoios fundamentais para estas fam\u00edlias. A comunica\u00e7\u00e3o aqui, as m\u00e3os dadas, s\u00e3o muito importantes; o problema \u00e9 quando alguma destas institui\u00e7\u00f5es fica mais preocupada consigo pr\u00f3pria, com o seu umbigo, o seu sucesso, e se esquece da articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 falamos da campanha \u2018dar colo\u2019, destinada a equipar a nova casa da Ajuda de Ber\u00e7o, e que pode ser acompanhada nas redes sociais. Como \u00e9 que se pode apoiar a institui\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Desde j\u00e1, atrav\u00e9s destas campanhas nas redes sociais, que no fundo \u00e9 um contributo em dinheiro. Depois, espero que brevemente possamos receber outra vez volunt\u00e1rios e o voluntariado \u00e9 uma forma de ajudar. E quem n\u00e3o tem capacidade de poder ajudar, pode divulgar a campanha. Tamb\u00e9m se pode ajudar, fornecendo a lista de produtos que nos v\u00e3o fazendo falta, que vamos sempre divulgando. Se as pessoas estiverem atentas \u00e0s nossas redes sociais \u2013 e hoje quase todos temos acesso a elas \u2013 \u00e9 muito f\u00e1cil perceber a forma de ajudar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de acolhimento, em Lisboa, d\u00e1 colo, carinho e casa a beb\u00e9s e crian\u00e7as desprotegidas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":224368,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-224367","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224367\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}