{"id":224073,"date":"2021-12-14T10:19:39","date_gmt":"2021-12-14T10:19:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224073"},"modified":"2021-12-14T10:24:55","modified_gmt":"2021-12-14T10:24:55","slug":"a-cruz-escondida-167","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-167\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria triste de um casal crist\u00e3o for\u00e7ado a sair da sua aldeia na S\u00edria<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-224077\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/siria-fais-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4>\u201cNem pod\u00edamos ir \u00e0 igreja\u2026\u201d<\/h4>\n<p>A guerra na S\u00edria dura h\u00e1 uma d\u00e9cada. Moufida e Mousa s\u00e3o um exemplo de como um casal crist\u00e3o, j\u00e1 idoso, s\u00f3 consegue sobreviver gra\u00e7as \u00e0 ajuda da Igreja. Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria que nos vai levar at\u00e9 \u00e0 cidade de Alepo numa viagem por v\u00e1rios anos, entre explos\u00f5es, bombas e viol\u00eancia sem fim\u2026<\/p>\n<p>Viviam em Idlib, na S\u00edria, quando a guerra se tornou total. Praticamente n\u00e3o havia ent\u00e3o um \u00fanico palmo de terra que n\u00e3o fosse disputado, que n\u00e3o fosse palco de combates, de viol\u00eancia e morte. Moufida Jallouf e o marido Mousa Ogzan viviam em Idlib quando a guerra chegou, h\u00e1 10 anos. Nem a aldeia onde moravam escapou \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o dos grupos jihadistas que queriam transformar toda a S\u00edria num imenso califado. Mas os combates foram apenas o pren\u00fancio do mal que estava ainda para vir. Moufida e Mousa vivem hoje em Alepo. N\u00e3o conseguiram resistir muito tempo \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da aldeia pelos terroristas, pelos radicais mu\u00e7ulmanos. \u201c<a href=\"https:\/\/youtu.be\/cI9vYisTgPo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Grupos isl\u00e2micos armados entraram na nossa aldeia e impuseram a lei isl\u00e2mica, a \u2018sharia\u2019<\/a>\u201d. H\u00e1 um lamento na voz de Moufida. \u00c9 ela que fala para a Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u00c9 ela que conta a hist\u00f3ria. Mousa fica em sil\u00eancio, curvado sobre as suas pr\u00f3prias dores, como se tudo o que pudesse dizer fosse j\u00e1 insignificante. H\u00e1 tamb\u00e9m uma enorme revolta nas palavras de Moufida. Ela recorda tudo o que aconteceu, mas n\u00e3o se conforma. \u201cNem pod\u00edamos ir \u00e0 igreja, n\u00e3o pod\u00edamos estar \u00e0 porta nem \u00e0 janela\u2026 Por outras palavras, n\u00e3o pod\u00edamos ser vistos.\u201d O reino de terror chegou sem ser anunciado. Aos poucos, a vida tornou-se insuport\u00e1vel. Os jihadistas n\u00e3o chegaram apenas \u00e0 aldeia de Moufida e Mousa. Instalaram-se por todas as aldeias em redor e entraram nas casas das pessoas, invadindo, roubando, levando tudo o que teria algum valor. \u201cPessoas sem piedade roubaram o nosso dinheiro e ficaram com a nossa casa.\u201d Tornou-se imposs\u00edvel continuar por ali. A guerra estava j\u00e1 no seu auge. Al\u00e9m de Moufida e Mousa havia outras fam\u00edlias crist\u00e3s na mesma situa\u00e7\u00e3o. Todos tinham apenas uma ideia em mente: partir. Era preciso deixar tudo, casa, objectos, mem\u00f3rias. Era preciso partir para salvar a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>A \u00faltima vez<\/h4>\n<p>Naqueles dias, com o pa\u00eds transformado num imenso campo de batalha, era perigoso viajar. As pessoas eram alvo de \u2018snipers\u2019, ningu\u00e9m estava seguro em lugar algum. Foi preciso organizar um corredor humanit\u00e1rio para tirar as pessoas da aldeia, para as libertar do inferno da guerra. Foi a \u00faltima vez que Moufida e Mousa viram a sua casa. \u201cViemos de ambul\u00e2ncia at\u00e9 Alepo.\u201d De novo, as palavras cheias de amargura. Palavras impotentes de quem j\u00e1 n\u00e3o se sente dono do seu destino. \u201cComo pessoas idosas, torn\u00e1mo-nos deslocados internos\u201d, lamenta Moufida. \u201cSomos como que refugiados no pr\u00f3prio pa\u00eds.\u201d Agora vivem em Alepo. Vivem numa casa emprestada, numa rua nova, numa cidade que n\u00e3o lhes pertence. Como se n\u00e3o bastasse isso, a sa\u00fade fr\u00e1gil trouxe ainda mais debilidade ao casal. Mais do que refugiados, Moufida e Mousa sentem-se como estrangeiros no pr\u00f3prio pa\u00eds. \u201cDesde que aqui cheg\u00e1mos que a nossa sa\u00fade piorou. Desde que aqui cheg\u00e1mos que ainda n\u00e3o sa\u00edmos de casa\u2026\u201d Nestes dez anos de viol\u00eancia, Moufida e Mousa perderam tudo o que tinham. Perderam tudo menos a f\u00e9. Esse foi o tesouro que os jihadistas n\u00e3o conseguiram roubar. Agora, em Alepo, sabem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. \u201cA Igreja est\u00e1 sempre connosco. Continuamos a rezar e a ir \u00e0 Missa. A nossa f\u00e9 em Deus ainda \u00e9 forte, apesar do que pass\u00e1mos. Agradecemos \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, que est\u00e1 a apoiar a nossa par\u00f3quia, a Igreja de Nossa Senhora da Anuncia\u00e7\u00e3o, e o nosso p\u00e1roco, que nos ajuda para que possamos continuar a viver\u2026\u201d Faltam j\u00e1 poucos dias para o Natal. Da S\u00edria, da cidade de Alepo, chega-nos o lamento de Moufida Jallouf e do marido Mousa Ogzan, a quem lhes foi roubado tudo o que possu\u00edam por serem crist\u00e3os. Vamos ajudar este casal idoso a viver um Natal com mais esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_49760\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cI9vYisTgPo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria triste de um casal crist\u00e3o 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