{"id":224033,"date":"2021-12-14T09:00:56","date_gmt":"2021-12-14T09:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224033"},"modified":"2021-12-13T15:24:13","modified_gmt":"2021-12-13T15:24:13","slug":"lusofonias-contra-o-naufragio-da-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-contra-o-naufragio-da-civilizacao\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Contra o naufr\u00e1gio da civiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-224035\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021.jpeg 800w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lusofonias-Naufragiocivilizacao-17-12-2021-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco pisou Atenas 20 anos depois de Jo\u00e3o Paulo II. No discurso \u00e0s autoridades e ao povo, definiu a Gr\u00e9cia como terra onde abundam a espiritualidade, a cultura e a civiliza\u00e7\u00e3o: \u2018sem Atenas e sem a Gr\u00e9cia, a Europa e o mundo n\u00e3o seriam o que s\u00e3o; seriam menos s\u00e1bios e menos felizes\u2019. Recordou que os Evangelhos foram escritos em grego e que, em Atenas, \u2018o olhar, al\u00e9m de ser impelido para o Alto, \u00e9-o tamb\u00e9m para o outro\u2019, pois \u00e9 uma cidade \u2018ponte entre os povos\u2019, ber\u00e7o da democracia. Esta est\u00e1 em crise na Europa e noutras partes do mundo, dando lugar a populismos e autoritarismos. H\u00e1 que investir mais na boa pol\u00edtica que convida \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos como \u2018arte do bem comum\u2019, que presta uma aten\u00e7\u00e3o especial aos mais fr\u00e1geis. Citando o Juramento de Hip\u00f3crates, feito pelos m\u00e9dicos, o Papa pediu respeito por todas as vidas e alertou para os custos humanos da covid 19, que mostrou ao mundo que todos s\u00e3o fr\u00e1geis e necessitados uns dos outros.<\/p>\n<p>Ao olhar as oliveiras que enchem a paisagem grega, o Papa fez um apelo \u00e0 pr\u00e1tica de uma ecologia integral que ame os pobres e defenda a terra das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Citando Homero, condenou os que dizem uma coisa e fazem outra. O Papa repetiu o pedido de acolhimento fraterno e humano aos refugiados que ali chegam em grande n\u00famero: \u2018segundo as possibilidades de cada pa\u00eds, sejam acolhidos, protegidos, promovidos e integrados em pleno respeito dos seus direitos humanos e da sua dignidade\u2019. Sendo \u00e1rvores de longevidade, as oliveiras, neste ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o, chamam a aten\u00e7\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes fortes, valorizando a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo ecum\u00e9nico, num pa\u00eds de maioria absoluta Ortodoxa, foi tema central, marcado por dois encontros entre o Patriarca Jer\u00f3nimo II e o Papa Francisco, primeiro no Arcebispado\u00a0 Ortodoxo da Gr\u00e9cia e, depois, na Nunciatura Apost\u00f3lica. Sem ter medo de p\u00f4r dedos em feridas da hist\u00f3ria, disse o Papa: \u2018venenos mundanos contaminaram-nos, a ciz\u00e2nia da suspeita aumentou a dist\u00e2ncia e deixamos de cultivar a comunh\u00e3o\u2019. Por isso, o Papa pediu perd\u00e3o pelas culpas das Igreja Cat\u00f3lica na divis\u00e3o entre os crist\u00e3os. H\u00e1-de ser o Esp\u00edrito a gerar a comunh\u00e3o, segundo o modelo da Sant\u00edssima Trindade. O Esp\u00edrito \u00e9 \u2018azeite de comunh\u00e3o, de sabedoria e de consola\u00e7\u00e3o\u2019. As Igrejas n\u00e3o podem ficar paralisadas pelas \u2018coisas negativas e preconceitos de outrora, mas a olhar a realidade com olhos novos\u2019.<\/p>\n<p>O Papa Francisco encontrou respons\u00e1veis cat\u00f3licos na Catedral de S. Dion\u00edsio, em Atenas, onde escutou testemunhos em primeira pessoa. Definiu a Gr\u00e9cia como um laborat\u00f3rio para a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e reflectiu a partir do texto da interven\u00e7\u00e3o de Paulo no are\u00f3pago de Atenas, onde ele teve que responder \u00e0s perguntas dif\u00edceis e aos ataques dos intelectuais presentes. Viveu uma situa\u00e7\u00e3o inc\u00f3moda igual \u00e0 de todas as minorias e de quem anuncia o Evangelho em contextos de persegui\u00e7\u00e3o ou indiferen\u00e7a. H\u00e1 que confiar na presen\u00e7a actuante do Esp\u00edrito e olhar para a par\u00e1bola do gr\u00e3o de mostarda que fornece uma grande li\u00e7\u00e3o de vida e apela \u00e0 persist\u00eancia e \u00e0 confian\u00e7a em Deus. H\u00e1 que aceitar ser minoria sem ser insignificante.<\/p>\n<p>O momento mais simb\u00f3lico foi a visita, repetida cinco anos depois, \u00e0 Ilha de Lesbos onde se encontram milhares de refugiados, com o sonho de viver na Europa. O Papa confessou que pouca coisa mudou. No Centro de Acolhimento em Mitilene, saudou muitas pessoas, prometendo continuar a lutar para ajudar a resolver este drama. Disse: \u2018Sim, a emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema mundial, uma crise humanit\u00e1ria que diz respeito a todos\u2019. O mundo est\u00e1 muito preocupado com\u00a0 a pandemia, menos com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u00a0 e muito pouco com as migra\u00e7\u00f5es. Afirmou: \u2018os vosso rostos, os vossos olhos pedem-nos para n\u00e3o vos virarmos as costas, n\u00e3o renegarmos a humanidade que nos irmana, para assumirmos as vossas hist\u00f3rias e n\u00e3o esquecermos os vosso dramas\u2019. \u00c9 urgente que \u2018superemos a paralisia do medo e a indiferen\u00e7a que mata\u2019. Agradeceu \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais e \u00e0s autoridades o esfor\u00e7o no apoio a quem ali chega sem nada. Condenou o uso de meios financeiros para construir muros e arame farpado (evocando raz\u00f5es de seguran\u00e7a e soberania), em vez de os aplicar no apoio \u00e0s pessoas. O Mar que uniu os povos est\u00e1 a tornar-se um imenso cemit\u00e9rio. \u00c9 urgente parar \u2018este naufr\u00e1gio de civiliza\u00e7\u00e3o\u2019. \u00c9 preciso trabalhar ao estilo de Deus: \u2018proximidade, compaix\u00e3o e ternura\u2019.<\/p>\n<p>Na Eucaristia (que vem de uma palavra grega), o Papa apresentou a corajosa figura de Jo\u00e3o Baptista que prega no deserto, lugar \u00e1rido e perigoso, a convers\u00e3o: \u2018com Deus, as coisas mudam, Ele cura os nossos medos, sara as nossas feridas, transforma os lugares \u00e1ridos em nascente de \u00e1gua\u2019.<\/p>\n<p>O Papa escutou testemunhos de jovens e apelou a um caminho de f\u00e9 que n\u00e3o se deixe encantar pelas \u2018sereias de hoje\u2019 nem tenha medo das d\u00favidas, mas que viva sempre na aten\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o ao \u2018espanto\u2019, que est\u00e1 na origem da Filosofia e no in\u00edcio do di\u00e1logo com Deus, que nos convida a abandonar o sof\u00e1, a fazer-se ao mar, e a servir os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony 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