{"id":224000,"date":"2021-12-13T11:48:09","date_gmt":"2021-12-13T11:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224000"},"modified":"2021-12-13T11:48:09","modified_gmt":"2021-12-13T11:48:09","slug":"promover-o-desenvolvimento-sustentavel-para-eliminar-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/promover-o-desenvolvimento-sustentavel-para-eliminar-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel para eliminar a pobreza"},"content":{"rendered":"<p><em>Maria Isabel Ribeiro, <\/em><em>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-202865 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/isabel-ribeiro-braganca-miranda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ser pobre \u00e9 estar \u00e0 margem da Sociedade. \u00c9 n\u00e3o ter acesso a bens considerados essenciais a qualquer ser humano. \u00c9 n\u00e3o ter as mesmas oportunidades. \u00c9 ser excluso. \u00c9 n\u00e3o fazer parte do \u201cn\u00f3s\u201d e ser \u201celes\u201d. \u00c9 por vezes perder a dignidade quando j\u00e1 pouco ou nada se tem. Ningu\u00e9m \u00e9 pobre por op\u00e7\u00e3o! No entanto, se a pobreza fosse uma escolha o custo de oportunidade para as Economias seria gigantesco, j\u00e1 que o desenvolvimento sustent\u00e1vel, das pessoas e do planeta, come\u00e7a onde acabam a pobreza, a fome e as desigualdades sociais<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Em Portugal ser pobre significa viver abaixo do limiar de pobreza, isto \u00e9, usufruir de um rendimento monet\u00e1rio liquido inferior a 540 \u20ac\/m\u00eas ou 6480 euros\/ano. Em 2020 existiam 2058 milh\u00f5es de residentes em Portugal em situa\u00e7\u00e3o de pobreza ou exclus\u00e3o social (20% da popula\u00e7\u00e3o) com agravamento entre os cidad\u00e3os com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos com intensidade laboral muito reduzida<sup>2<\/sup>. Neste contexto, destacam-se as fam\u00edlias numerosas, os estudantes, as crian\u00e7as, os indiv\u00edduos que vivem s\u00f3s e as mulheres, sendo que as crian\u00e7as continuam a ser as mais vulner\u00e1veis em situa\u00e7\u00f5es de pobreza. Em 2018, 9% das crian\u00e7as viviam em fam\u00edlias que n\u00e3o tinham capacidade para comprar alimentos que permitissem fazer refei\u00e7\u00f5es completas e saud\u00e1veis; e, 3,1% das crian\u00e7as sentiram fome, mas n\u00e3o comeram por falta de dinheiro. Em 2019, 29% das crian\u00e7as, com menos de 12 anos, eram pobres. Destas, 62% n\u00e3o tinham acesso a computador e apenas 52% tinham liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet.<sup>3-5<\/sup> Cerca de 25% das crian\u00e7as, em Portugal vivem numa habita\u00e7\u00e3o com problemas de infiltra\u00e7\u00f5es e humidade, 9% n\u00e3o t\u00eam ilumina\u00e7\u00e3o suficiente, 15,5% vivem em casas sobrelotadas e 6,5% vivem em bairros com elevadas taxas de criminalidade, viol\u00eancia ou vandalismo<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>A crise pand\u00e9mica agravou, na generalidade, o acesso \u00e0 sa\u00fade, mas foram os mais vulner\u00e1veis, idosos, desempregados e mulheres, os mais desproporcionalmente afetados<sup>6<\/sup>. O cancelamento de tratamentos, o adiamento de cirurgias e consultas exp\u00f4s as debilidades de um Servi\u00e7o que h\u00e1 muito reivindica mais investimento em capital e em recursos humanos especializados. Como consequ\u00eancia, a exist\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f3nicas ou problemas de sa\u00fade prolongados aumentou, em 2020, contrariamente, ao que vinha sucedendo desde 2018<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>A n\u00e3o distribui\u00e7\u00e3o de forma equitativa da riqueza gerada na Economia, a gest\u00e3o ineficiente e ineficaz dos recursos p\u00fablicos, a falta de investimentos em pol\u00edticas sociais, o falhan\u00e7o ou lentid\u00e3o na implementa\u00e7\u00e3o das politicas sociais existentes, a corrup\u00e7\u00e3o, a doen\u00e7a, as depend\u00eancias (\u00e1lcool e subst\u00e2ncias il\u00edcitas) e o desemprego, s\u00e3o algumas das causas que legitimam a exist\u00eancia da pobreza e das desigualdades sociais em Portugal. Embora, ter um emprego n\u00e3o signifique estar livre da pobreza. Em 2019, cerca de 10% dos empregados portugueses eram pobres<sup>3-4<\/sup>.<\/p>\n<p>O legado da pobreza e das desigualdades sociais \u00e9 demasiado pesado com efeitos terr\u00edveis e viciosos, nomeadamente, problemas de sa\u00fade f\u00edsica e mental, mortalidade, exclus\u00e3o, criminalidade, racismo, viol\u00eancia, injusti\u00e7a, tr\u00e1fico de seres humanos para explora\u00e7\u00e3o laboral e sexual, entre outros. Neste sentido, torna-se priorit\u00e1rio \u201c\u2026 promover sociedades pac\u00edficas, justas e inclusivas, livres do medo e da viol\u00eancia. N\u00e3o pode haver desenvolvimento sustent\u00e1vel sem paz e n\u00e3o pode haver paz sem desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d<sup>7<\/sup>. Garantir as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o atual sem comprometer as gera\u00e7\u00f5es futuras e afian\u00e7ar o acesso igualit\u00e1rio \u00e0s oportunidades, que proporcionem o exerc\u00edcio em pleno da cidadania, deve ser um trabalho conjunto. Todos somos convidados a participar! \u201cA imensid\u00e3o da tarefa, a par da sua urg\u00eancia, n\u00e3o dispensa ningu\u00e9m\u201d<sup>8<\/sup>. \u00c9 fundamental que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s!<\/p>\n<p>_________<br \/>\n1. Costa, G. (1\/out\/2015). O desenvolvimento sustent\u00e1vel come\u00e7a onde acabam a pobreza e a fome. <a href=\"https:\/\/www.ver.pt\/o-desenvolvimento-sustentavel-comeca-onde-acabam-a-pobreza-e-a-fome\/\">https:\/\/www.ver.pt\/o-desenvolvimento-sustentavel-comeca-onde-acabam-a-pobreza-e-a-fome\/<\/a><br \/>\n2. EUROSTAT (15\/out\/2021). Number of people at risck of poverty or social exclusion. Commission European. <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/web\/products-eurostat-news\/-\/edn-20211015-1\">https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/web\/products-eurostat-news\/-\/edn-20211015-1<\/a><br \/>\n3. INE (2021). Rendimento e Condi\u00e7\u00f5es de Vida. Gabinete de estrat\u00e9gia e Estudos.<br \/>\n4. Peralta, S., Carvalho, B. P., &amp; Esteves, M. (2021). Portugal, Balan\u00e7o Social 2020. Nova School of Business and Economics. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.34619\/LLCR-OTR2\">https:\/\/doi.org\/10.34619\/LLCR-OTR2<\/a><br \/>\n5. Peralta, S. (2021). Portugal e a crise de s\u00e9culo: o terramoto da desigualdade. Penguin Random House Group Editorial.<br \/>\n6. Serapioni, M. &amp; Nunes, A., J. (2020). Desigualdades sociais em sa\u00fade, Palavras para l\u00e1 da pandemia: cem lados de uma crise. <a href=\"https:\/\/ces.uc.pt\/publicacoes\/palavras%20pandemia\/?\">https:\/\/ces.uc.pt\/publicacoes\/palavras pandemia\/?<\/a><a href=\"https:\/\/ces.uc.pt\/publicacoes\/palavras-pandemia\/?lang=1&amp;id=30109\">lang=1&amp;id=30109<\/a><br \/>\n7. United Nations (21\/out\/2015). Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. <a href=\"https:\/\/sdgs.un.org\/2030agenda\">https:\/\/sdgs.un.org\/2030agenda<\/a><br \/>\n8. Martinho, E. (8\/fev\/2010). Combater a pobreza: compaix\u00e3o ou com paix\u00e3o? Jornal de Not\u00edcias. <a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/nacional\/dossiers\/ano-europeu-de-combate-a-pobreza\/opiniao---combater-a-pobreza-compaixao-ou-com-paixao-1489186.html\">https:\/\/<\/a><a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/nacional\/dossiers\/ano-europeu-de-combate-a-pobreza\/opiniao---combater-a-pobreza-compaixao-ou-com-paixao-1489186.html\">www.jn.pt\/nacional\/dossiers\/ano-europeu-de-combate-a-pobreza\/opiniao&#8212;combater-a-pobreza-compaixao-ou-com-paixao-1489186.html<\/a><\/p>\n<p><em>Maria Isabel Ribeiro<\/em><br \/>\n<em>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Isabel Ribeiro, Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de 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