{"id":223998,"date":"2021-12-13T11:39:15","date_gmt":"2021-12-13T11:39:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=223998"},"modified":"2021-12-21T21:02:46","modified_gmt":"2021-12-21T21:02:46","slug":"auschwitz-birkenau-grita-nao-se-esquecam-do-vosso-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/auschwitz-birkenau-grita-nao-se-esquecam-do-vosso-passado\/","title":{"rendered":"Auschwitz-Birkenau grita: \u201cN\u00e3o se esque\u00e7am do vosso passado!\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_167647\" aria-describedby=\"caption-attachment-167647\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-167647 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-167647\" class=\"wp-caption-text\">Padre Miguel Neto<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando se passa aquele port\u00e3o de ferro pela primeira vez somos impelidos ao silencio. Por ningu\u00e9m. Por toda a Humanidade que, ali, verdadeiramente soube que tem a capacidade de se autodestruir, que tem a capacidade de acabar com a sublime obra da cria\u00e7\u00e3o divina: o homem. Nesse momento, pensamos que n\u00e3o h\u00e1 nada mais aterrador, mas ali ao lado est\u00e1 o que resta de uma alta ind\u00fastria de destrui\u00e7\u00e3o, pela qual simples seres humanos eram incinerados, como se fossem lixo sem qualquer utilidade, ou at\u00e9 altamente toxico. Pensava que seria diferente da segunda vez. N\u00e3o foi. Provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 na terceira, nem quarta, nem em todas aquelas em que l\u00e1 entrar. O silencio n\u00e3o sai. Fica. E vem connosco, permanecendo durante muito tempo como a \u00fanica resposta, o \u00fanico sentido que conseguimos dar ao que est\u00e1 subjacente a tudo aquilo. Nem que seja para lembrar quem est\u00e1 por detr\u00e1s de todo o sofrimento que se viveu em t\u00e3o poucos metros quadrados, sem saber porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Para quem ainda precise de revela\u00e7\u00e3o, relato o que vivi quando entrei no complexo de campos de concentra\u00e7\u00e3o e extermino nazi de Auschwitz-Birkenau, na Pol\u00f3nia. H\u00e1 muitos outros campos de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio nazi, mas sem d\u00favida e infelizmente, este ser\u00e1 o complexo mais conhecido, o nome que todos associamos ao horror. E est\u00e1 na Polonia. Para que a Humanidade n\u00e3o se esque\u00e7a que se pode aniquilar.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, se h\u00e1 terra que presenciou sofrimento, morte, exterm\u00ednio, persegui\u00e7\u00e3o \u00e9, precisamente, a Pol\u00f3nia. Sem entrar em debates hist\u00f3ricos anteriores, aquela terra (a designa\u00e7\u00e3o de pa\u00eds pode levar a equ\u00edvocos, uma vez que os limites fronteiri\u00e7os foram alterados com conhecida pol\u00e9mica) assistiu, para al\u00e9m da dor e morte do pr\u00f3prio povo, \u00e0 dor e morte de judeus, ciganos, homossexuais e todos os demais que n\u00e3o eram dignos de existir, segundo o crit\u00e9rio nazi. Ap\u00f3s a II Guerra Mundial seguiu-se uma dolorosa persegui\u00e7\u00e3o a todos os que contrariavam a ditadura comunista, procuravam n\u00e3o ser escravizados pelo estado e lutavam pela democracia, na qual pudessem pensar e viver livremente. Para sobreviver a tudo isto, s\u00f3 mesmo com a ajuda de Deus e seguindo o exemplo de Jesus Cristo. Compreende-se, pois, porque \u00e9 que a Polonia \u00e9 o pa\u00eds mais cat\u00f3lico da Europa. Foi o catolicismo que ajudou este povo a resistir e a ter for\u00e7a para superar mais de 50 anos de dor e morte, sempre presentes na sua hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, est\u00e1 na altura da Pol\u00f3nia se lembrar da par\u00e1bola do bom samaritano, de se lembrar e perguntar como o Doutor da Lei (Lc 10, 25-37) a Jesus, fazendo da presen\u00e7a dos seus famosos campos de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio, n\u00e3o uma t\u00e9nue lembran\u00e7a do seu passado, explorada turisticamente, mas um sinal eficaz de que somos iguais aos olhos de Deus, TODOS SOMOS IGUAIS AOS OLHOS DE DEUS, porque somos o pr\u00f3ximo de algu\u00e9m. \u00a0O Papa Francisco cita, no documento de Abu Dabi, o aiatola al-Sistani, numa frase que resume tudo isto: \u00abOs homens s\u00e3o ou irm\u00e3os por religi\u00e3o, ou iguais por cria\u00e7\u00e3o\u00bb. Como podem os cat\u00f3licos polacos, entre eles os seus governantes, perseguir aqueles que, chegando \u00e0 sua fronteira em busca de comida, bebida, de ref\u00fagio, pedem ajuda? Como podem os cat\u00f3licos polacos defender a constru\u00e7\u00e3o de muros nas suas fronteiras?!&#8230; Esqueceram-se do que sofreram e viram sofrer. Auschwitz-Birkenau est\u00e3o ao seu lado, cheios de um eloquente sil\u00eancio, que grita para que ningu\u00e9m se esque\u00e7a do valor que cada vida humana tem, independentemente de qualquer etnia, origem ou condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo compreender como os cat\u00f3licos tradicionalistas polacos, em outubro do ano passado, em plena pandemia COVID-19, lan\u00e7aram uma campanha p\u00fablica contra a comunh\u00e3o na m\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas. Ser\u00e3o, agora, os mesmos que est\u00e3o na linha da frente contra o acolhimento dos refugiados, na fronteira deste pa\u00eds com a Bielorr\u00fassia\u2026 O mesmo Senhor que esta presente na Sagrada Eucaristia, que tanto apregoaram defender, est\u00e1 presente no irm\u00e3o que nos chega em sofrimento. Est\u00e1 presente, tamb\u00e9m, naquele que d\u00e1 aux\u00edlio, ajuda, acolhimento. Foi esse o exemplo que Jesus Cristo nos deu e narrou na par\u00e1bola do bom samaritano, que serve de inspira\u00e7\u00e3o \u00e0 enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em>, do Papa Francisco.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos crist\u00e3os cat\u00f3licos se n\u00e3o recebermos quem chega \u00e0 nossa casa e precisa de ref\u00fagio e de uma vida digna.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ICuyQOKsyu\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comentario-ao-artigo-auschwitz-birkenau-grita-nao-se-esquecam-do-vosso-passado\/\">Coment\u00e1rio ao artigo: \u00abAuschwitz-Birkenau grita: \u201cN\u00e3o se esque\u00e7am do vosso passado!\u201d\u00bb<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Coment\u00e1rio ao artigo: \u00abAuschwitz-Birkenau grita: \u201cN\u00e3o se esque\u00e7am do vosso passado!\u201d\u00bb&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comentario-ao-artigo-auschwitz-birkenau-grita-nao-se-esquecam-do-vosso-passado\/embed\/#?secret=CHWE5lH2u0#?secret=ICuyQOKsyu\" data-secret=\"ICuyQOKsyu\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":167647,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-223998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}