{"id":223887,"date":"2021-12-12T09:30:21","date_gmt":"2021-12-12T09:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=223887"},"modified":"2021-12-11T17:47:58","modified_gmt":"2021-12-11T17:47:58","slug":"migracoes-portugal-papa-francisco-e-um-grande-mobilizador-diz-alta-comissaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-portugal-papa-francisco-e-um-grande-mobilizador-diz-alta-comissaria\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es\/Portugal: Papa Francisco \u00e9 um \u00abgrande mobilizador\u00bb, diz Alta Comiss\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>No rescaldo da viagem do Papa ao Chipre e \u00e0 Gr\u00e9cia em que Francisco voltou a apelar ao acolhimento dos refugiados e pediu para que se acabe com \u201ceste naufr\u00e1gio de Civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, S\u00f3nia Pereira, Alta-Comiss\u00e1ria para as Migra\u00e7\u00f5es, conversa com a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_223889\" aria-describedby=\"caption-attachment-223889\" style=\"width: 1315px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-223889 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n.jpg\" alt=\"\" width=\"1315\" height=\"978\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n.jpg 1315w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-350x260.jpg 350w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-1024x762.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-768x571.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-1080x803.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-1280x952.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-980x729.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/247415052_4425814684170869_5175052367826702068_n-480x357.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1315px) 100vw, 1315px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223889\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ACM<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia<\/em>)<\/p>\n<p><em>Estamos a poucos dias de celebrar o Dia Internacional das Migra\u00e7\u00f5es (18 de dezembro), que este ano procura combater os estere\u00f3tipos que reduzem os migrantes a r\u00f3tulos. \u00c9 importante ver em cada pessoa mais do que \u201cs\u00f3 um migrante\u201d? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o que j\u00e1 cont\u00e9m a resposta: todas as pessoas devem ser consideradas como pessoas, independentemente da fase da vida em que se encontram \u2013 pode ser em momentos particulares uma fase de migra\u00e7\u00e3o, por raz\u00f5es diversas. Temos de considerar as pessoas na sua globalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A integra\u00e7\u00e3o deve ser um caminho dois sentidos, de quem chega e de quem acolhe. H\u00e1 esta consci\u00eancia na sociedade portuguesa<\/em>?<\/p>\n<p>A sociedade portuguesa, em geral, \u00e9 uma sociedade bastante acolhedora e favor\u00e1vel \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, mesmo sem um entendimento completo do que s\u00e3o os processos migrat\u00f3rios ou da dimens\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o. Muitas vezes pensa-se que \u00e9 muito maior do que aquela que \u00e9, na realidade. Sempre que h\u00e1 tentativas de estudar perce\u00e7\u00f5es relativamente \u00e0 migra\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum verificar-se que o entendimento daquilo que \u00e9 a realidade migrat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 claro, muitas vezes as pessoas pensam que existem muito mais migrantes do que aquilo que \u00e9 a realidade.<\/p>\n<p>Conscientes da import\u00e2ncia deste facto, da necessidade de dar mais informa\u00e7\u00e3o e de contrariar um pouco aquilo que s\u00e3o as perce\u00e7\u00f5es equivocadas relativamente \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, o Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es, no \u00e2mbito do lan\u00e7amento do relat\u00f3rio anual dos indicadores de integra\u00e7\u00e3o deste ano, dedica um painel exclusivamente a esta quest\u00e3o, precisamente: os mitos e os factos no \u00e2mbito da migra\u00e7\u00e3o. Felizmente, j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios projetos que se debru\u00e7am sobre esta quest\u00e3o e procuram contribuir com mais informa\u00e7\u00e3o, precisamente para que haja um entendimento mais pr\u00f3ximo da realidade \u2013 o que \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o, quem s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o envolvidas nestes processos -, contribuindo para a aproximar de todos n\u00f3s. Sabemos, tamb\u00e9m, que no caso do nosso pa\u00eds, a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade bastante pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Conversamos ainda com as imagens da recente visita do Papa ao Chipre e na Gr\u00e9cia na nossa mem\u00f3ria, em particular \u00e0 ilha de Lesbos. Francisco disse que pouco mudou em cinco anos, apesar dos esfor\u00e7os de muitas institui\u00e7\u00f5es, e que falta uma resposta conjunta da Uni\u00e3o Europeia para esta crise. \u00c9 um alerta importante<\/em>?<\/p>\n<p>\u00c9 um alerta ainda importante, face ao que deve ser e \u00e9 o esfor\u00e7o da Comiss\u00e3o Europeia de convocar os Estados-membros, para que possam ser solid\u00e1rios com os pa\u00edses que, nas fronteiras, est\u00e3o mais sujeitos a press\u00f5es migrat\u00f3rias \u2013 como \u00e9 o caso da Gr\u00e9cia, de uma forma muito intensa. \u00c9 importante essa mensagem, que n\u00f3s sabemos que pode ter muito impacto.<\/p>\n<p>Sabemos que, em Portugal, as entidades que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas da Igreja Cat\u00f3lica respondem de forma muito eficaz aos apelos do Papa. \u00c9 um grande mobilizador de entidades e de acolhimento, na sociedade civil e em grupos de cidad\u00e3os pr\u00f3ximos da Igreja, que se identificam com estes valores humanistas que o Papa Francisco tem procurado divulgar.<\/p>\n<p>No caso portugu\u00eas, temos procurado corresponder a estes apelos de solidariedade, participamos ativamente no mecanismo de recoloca\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de menores, crian\u00e7as e jovens n\u00e3o acompanhados, que se encontravam na Gr\u00e9cia, em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade. Portugal foi um dos primeiros pa\u00edses a participar neste mecanismo volunt\u00e1rio, assim como tamb\u00e9m participa no processo de recoloca\u00e7\u00e3o de pessoas que s\u00e3o resgatadas do Mediterr\u00e2neo e que se encontram, primeiramente, acolhidas em Malta e It\u00e1lia. Nesse sentido, temos participado neste compromisso e neste esfor\u00e7o de solidariedade, como outros Estados-membros, mas sabemos que \u00e9 mais dif\u00edcil, para pa\u00edses que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o sujeitos a press\u00e3o migrat\u00f3ria desenvolver os mecanismos de resposta que s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>No caso da Gr\u00e9cia, a necessidade \u00e9 mais urgente, \u00e9 mais imediata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na Gr\u00e9cia, precisamente, o Papa deixou uma mensagem muito forte e pergunto-lhe se existe mesmo um risco de \u201cnaufr\u00e1gio\u201d da pr\u00f3pria Europa, dos seus valores, nesta crise do Mediterr\u00e2neo<\/em>?<\/p>\n<p>A resposta da Europa \u00e0 crise do Mediterr\u00e2neo, na sequ\u00eancia de 2015, mostrou que havia uma dire\u00e7\u00e3o, de alguma forma, uma orienta\u00e7\u00e3o. O novo pacto de asilo e migra\u00e7\u00f5es procura refor\u00e7ar essa mensagem. Talvez \u201cnaufr\u00e1gio\u201d seja um pouco forte, porque existe uma orienta\u00e7\u00e3o, um esfor\u00e7o, h\u00e1 Estados-membros muito comprometidos com este processo, apesar de haver Estados discordantes, como sabemos, a v\u00e1rios n\u00edveis da pol\u00edtica europeia, com diferentes vozes e perspetivas. O conjunto de pa\u00edses que, no \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia, se mant\u00e9m comprometido com este esfor\u00e7o de solidariedade, incluindo Portugal, \u00e9 muito importante para mostrar que h\u00e1 um n\u00facleo que vai imprimir este cunho de solidariedade \u00e0 Europa e vai garantir que estes mecanismos de prote\u00e7\u00e3o continuem a fazer parte deste processo, deste compromisso comunit\u00e1rio. Portanto, n\u00e3o me parece que haja um naufr\u00e1gio, mas devemos estar alerta, temos de continuar a trabalhar para que este esfor\u00e7o seja uma realidade, se v\u00e1 implementando e n\u00e3o fique esquecido. \u00c9 um trabalho que temos de construir diariamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas continuamos a navegar com tempestade \u00e0 vista\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, enquanto houver press\u00e3o migrat\u00f3ria, enquanto assistirmos a estes fluxos que obrigam \u00e0 solidariedade e prote\u00e7\u00e3o internacional, teremos de continuar a trabalhar nas respostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A opini\u00e3o p\u00fablica foi particularmente sens\u00edvel \u00e0 crise no Afeganist\u00e3o e assiste agora \u00e0 chegada de milhares de migrantes nas fronteiras que separam a Bielorr\u00fassia da Pol\u00f3nia e da Litu\u00e2nia. Como v\u00ea o aproveitamento destas pessoas numa guerra pol\u00edtica, por assim dizer<\/em>?<\/p>\n<p>Aquilo que aconteceu, no caso do Afeganist\u00e3o, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de solidariedade extraordin\u00e1ria e isso deve deixar-nos a todos bastante orgulhosos, por termos conseguido \u2013 numa situa\u00e7\u00e3o de extrema urg\u00eancia e necessidade \u2013 implementar respostas t\u00e3o c\u00e9leres e imediatas. N\u00e3o havia outra forma de lidar com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, a situa\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es \u00e9 muitas vezes instrumentalizada, do ponto de vista pol\u00edtico, entre Estados que t\u00eam em disputa outas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es, \u00e0 forma como trabalhamos no compromisso de integra\u00e7\u00e3o, gostaria de real\u00e7ar toda a colabora\u00e7\u00e3o, ao n\u00edvel dos servi\u00e7os centrais, que tem existido para se articularem estas respostas t\u00e3o urgentes, assim como tamb\u00e9m com as entidades da sociedade civil, os munic\u00edpios e outros atores locais, que garantiram que estas respostas fossem colocadas em marcha e ativadas de acordo com aquilo que \u00e9 a capacidade do nosso pa\u00eds, tendo em conta os valores de solidariedade e prote\u00e7\u00e3o que fazem parte da nossa forma de atuar. Isso \u00e9 a nossa forma de nos posicionarmos, do ponto de vista pol\u00edtico, nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Relativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o afeg\u00e3; o Governo revelou que Portugal j\u00e1 recebeu 500 refugiados e que pode receber mais. At\u00e9 onde podemos ir? <\/em><\/p>\n<p>Tudo aquilo que n\u00f3s estamos a fazer neste momento com o acolhimento de refugiados resulta de um compromisso muito forte do nosso pa\u00eds, com este acolhimento. J\u00e1 \u00e9 em esfor\u00e7o, mas \u00e9 um esfor\u00e7o que resulta tamb\u00e9m do compromisso com este processo de acolhimento, e felizmente tivemos recentemente indica\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Europeia de que haver\u00e1 mecanismos financeiros que poder\u00e3o apoiar este processo de prote\u00e7\u00e3o e solidariedade, de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o. Mas foi necess\u00e1rio colocar todas estas respostas em implementa\u00e7\u00e3o antes ainda de se ter confirmado esse apoio. E h\u00e1 um limite para esta capacidade, mas muitas vezes aquilo que n\u00f3s percebemos que pode ser o limite, na pr\u00e1tica quando \u00e9 necess\u00e1rio dar essa resposta damos, e fazemos o que \u00e9 necess\u00e1rio para que as pessoas que se encontram em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade maior &#8211; e neste caso com risco de vida tamb\u00e9m muito imediato pelos relatos que temos ouvido e que nos chegam- tem sido poss\u00edvel colocar as respostas necess\u00e1rias no terreno e desenvolv\u00ea-las com os recursos que n\u00f3s temos. E acho que n\u00e3o existe o risco de haver um processo que esteja para al\u00e9m daquilo que \u00e9 a nossa capacidade, principalmente neste momento com a confirma\u00e7\u00e3o do financiamento que ser\u00e1 disponibilizado a n\u00edvel europeu, mas, implica um grande esfor\u00e7o, um grande compromisso de todos, e \u00e0s vezes tamb\u00e9m estabelecer prioridades e perceber o que \u00e9 que conseguimos fazer. Estamos atentos e somos sens\u00edveis \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia que tamb\u00e9m se est\u00e1 a viver e temos procurado fazer todos os esfor\u00e7os no sentido da promo\u00e7\u00e3o de um acolhimento digno e que possa dar a resposta poss\u00edvel, tamb\u00e9m atendendo \u00e0 capacidade e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. Como sabemos muitas vezes em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia as respostas n\u00e3o s\u00e3o as ideais, n\u00e3o s\u00e3o aquelas que gostar\u00edamos de ter, mas precisamente por serem respostas de emerg\u00eancia s\u00e3o muitas vezes as respostas poss\u00edveis e s\u00e3o melhores do que n\u00e3o ter resposta.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados que j\u00e1 acolheu 260 pessoas do Afeganist\u00e3o denuncia a exist\u00eancia de dificuldades no arrendamento. Chegam-lhe relatos semelhantes com este tipo de dificuldades?<\/em><\/p>\n<p>Sim, como n\u00f3s sabemos a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dificuldade estrutural no nosso pa\u00eds, e nesse sentido tudo o que tem a ver com acolhimento de pessoas que v\u00eam de fora e que necessitam de habita\u00e7\u00e3o s\u00e3o impactadas pela debilidade do nosso pa\u00eds nessa dimens\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 aqui nenhum segredo. A habita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o dif\u00edcil estruturalmente no nosso pa\u00eds e afeta necessariamente as quest\u00f5es relacionadas com o acolhimento designadamente de refugiados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco do pacto para as migra\u00e7\u00f5es e asilo da Comiss\u00e3o Europeia; este pacto previa procedimentos mais r\u00e1pidos e mais eficazes, e eu pergunto-lhe que balan\u00e7o \u00e9 que faz deste processo?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o deste pacto, mas parece-me que tudo o que foi conquistado nomeadamente na recoloca\u00e7\u00e3o a partir da Gr\u00e9cia, quer das crian\u00e7as e jovens menores n\u00e3o acompanhadas, quer das fam\u00edlias com necessidades m\u00e9dicas especiais ou situa\u00e7\u00f5es de extrema vulnerabilidade que a Comiss\u00e3o Europeia mobilizou juntamente com as autoridades gregas, com o apoio de organiza\u00e7\u00f5es internacionais como a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es, o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados e com a colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios Estados membros j\u00e1 \u00e9 um sinal importante de que \u00e9 poss\u00edvel atuar no contexto da Uni\u00e3o Europeia com mecanismo de solidariedade em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia quando eles s\u00e3o necess\u00e1rios. Talvez n\u00e3o com a dimens\u00e3o que seria desej\u00e1vel principalmente do ponto de vista da Gr\u00e9cia que tem que lidar com esta press\u00e3o no seu territ\u00f3rio, mas de qualquer forma com um grande compromisso de v\u00e1rios Estados-membros.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Assistimos ainda a um ressurgimento de discursos populistas que se alimentam da diaboliza\u00e7\u00e3o de migrantes e refugiados, amea\u00e7ando a pr\u00f3pria democracia. \u00c9 um risco tamb\u00e9m para Portugal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um risco maior hoje do que era h\u00e1 uns anos atr\u00e1s quando n\u00e3o t\u00ednhamos com assento parlamentar um partido que defende esse tipo de discurso, mas compete-nos a n\u00f3s que somos cidad\u00e3os com voz pol\u00edtica e atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no nosso pa\u00eds, contrariar esses discursos e essas abordagens que alguns partidos &#8211; n\u00e3o s\u00f3 em Portugal &#8211; em v\u00e1rios pa\u00edses europeus fazem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que \u00e9 preciso fazer mais para combater isso, no nosso pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que eu mencionei antes, do trabalho que tem sido desenvolvido por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es em parceria e com o contributo do Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es de entender melhor e conhecer melhor o que \u00e9 emigra\u00e7\u00e3o, como ela faz parte da nossa vida, o impacto que tem nas nossas sociedades, o contributo e a riqueza que traz aos nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portugal tem uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com as migra\u00e7\u00f5es, cuja reflex\u00e3o n\u00e3o temos tempo para falar agora, mas no nosso pa\u00eds o impacto da pandemia foi particularmente sens\u00edvel nas popula\u00e7\u00f5es migrantes. Ali\u00e1s, tivemos um caso muito medi\u00e1tico em Odemira. H\u00e1 uma maior preocupa\u00e7\u00e3o com estas situa\u00e7\u00f5es, que estavam relativamente escondidas da sociedade, em geral?<\/em><\/p>\n<p>Como muitas vezes acontece com os fen\u00f3menos medi\u00e1ticos, o mediatismo gera alguma preocupa\u00e7\u00e3o, mas frequentemente quando sai do foco noticioso a preocupa\u00e7\u00e3o reduz-se. Do ponto de vista de quem acompanha estas mat\u00e9rias de forma mais pr\u00f3xima, o trabalho para as respostas e para as respostas adequadas, continua a fazer-se, mesmo sem o foco medi\u00e1tico. E a verdade \u00e9 que por vezes s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es de maior crise e de emerg\u00eancia que permitem trazer alguma celeridade a processos que acabam por muitas vezes ser morosos, que n\u00e3o d\u00e3o as respostas no tempo que n\u00f3s considerar\u00edamos serem desej\u00e1veis e muitas vezes nestas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia ganha-se algum foco e alguma celeridade nas respostas. Ao n\u00edvel da opini\u00e3o publica h\u00e1 sempre maior movimenta\u00e7\u00e3o quando saem algumas not\u00edcias. N\u00e3o me parece que tenha tido um impacto, por exemplo naquilo que est\u00e1vamos h\u00e1 pouco a falar de uma vis\u00e3o mais abrangente, uma perspetiva mais lata daquilo que \u00e9 o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio em Portugal. E Portugal mantem-se um pa\u00eds essencialmente favor\u00e1vel \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, acolhedor, sens\u00edvel \u00e0s quest\u00f5es da prote\u00e7\u00e3o internacional e dos direitos humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esteve em Beja, para a assinatura de um protocolo com a C\u00e2mara Municipal, que instalou recentemente o Centro Nacional de Apoio \u00e0 Integra\u00e7\u00e3o de Migrantes. Que objetivos assume este projeto?<\/em><\/p>\n<p>Dando continuidade aquilo que j\u00e1 \u00e9 a nossa abordagem nos outros tr\u00eas centros nacionais de apoio \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de migrantes que temos em Portugal, no Porto, em Lisboa e em Faro, pareceu-nos que a regi\u00e3o do Baixo Alentejo pela concentra\u00e7\u00e3o de migrantes essencialmente na atividade agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m tur\u00edstica, restaura\u00e7\u00e3o, hotelaria, etc., requeria tamb\u00e9m uma abordagem equivalente aquela que oferecemos nos tr\u00eas grandes centros urbanos. E tamb\u00e9m a possibilidade, atrav\u00e9s da articula\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os que j\u00e1 est\u00e3o nesses territ\u00f3rios, podermos promover uma resposta mais integrada e mais local com uma presen\u00e7a mais forte dos nossos servi\u00e7os especializados naquela regi\u00e3o. Portanto, \u00e9 uma extens\u00e3o do trabalho que j\u00e1 est\u00e1vamos a desenvolver nos grandes centros urbanos; sens\u00edveis tamb\u00e9m \u00e0 altera\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es e \u00e0 forma como se est\u00e3o a comportar no nosso territ\u00f3rio, alargar esta resposta tamb\u00e9m ao Baixo Alentejo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No rescaldo da viagem do Papa ao Chipre e \u00e0 Gr\u00e9cia em que Francisco voltou a apelar ao acolhimento dos refugiados e pediu para que se acabe com \u201ceste naufr\u00e1gio de Civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, S\u00f3nia Pereira, Alta-Comiss\u00e1ria para as Migra\u00e7\u00f5es, conversa com a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia 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