{"id":22342,"date":"2007-01-18T11:51:42","date_gmt":"2007-01-18T11:51:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/18\/a-situacao-ecumenica-em-mudanca\/"},"modified":"2007-01-18T11:51:42","modified_gmt":"2007-01-18T11:51:42","slug":"a-situacao-ecumenica-em-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-situacao-ecumenica-em-mudanca\/","title":{"rendered":"A situa\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica em mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Estamos a viver hoje um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es em quase todos os sectores da vida; portanto, n\u00e3o nos podemos admirar se isto incide tamb\u00e9m sobre a vida da Igreja e sobre os relacionamentos entre os crist\u00e3os.  Todavia, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer desde o princ\u00edpio que, apesar da presen\u00e7a de mudan\u00e7as de situa\u00e7\u00f5es, de sensibilidades e de problem\u00e1ticas, contudo a finalidade do movimento ecum\u00e9nico permanece imut\u00e1vel: a unidade vis\u00edvel da Igreja. Como se sabe, o Conc\u00edlio Vaticano II considerou como uma das suas principais inten\u00e7\u00f5es o restabelecimento da plena unidade entre todos os crist\u00e3os (cf. Unitatis redintegratio, 1). Tamb\u00e9m eu tenho esta inten\u00e7\u00e3o. \u00c9 de bom grado que aproveito esta oportunidade para reiterar e confirmar, com renovada convic\u00e7\u00e3o, aquilo que j\u00e1 afirmei no in\u00edcio do meu minist\u00e9rio sobre a C\u00e1tedra de Pedro: \u201cO seu [de Pedro] sucessor actual \u2013 disse ent\u00e3o \u2013 assume como compromisso priorit\u00e1rio, o de trabalhar sem poupar energias pela reconstitui\u00e7\u00e3o da unidade plena e vis\u00edvel de todos os seguidores de Cristo. Esta \u00e9 a sua ambi\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o seu dever urgente\u201d. Sucessivamente, acrescentei: \u201cO actual sucessor de Pedro deixa-se interpelar pessoalmente por esta interroga\u00e7\u00e3o e est\u00e1 disposto a fazer tudo o que puder para promover a causa fundamental do ecumenismo\u201d (Insegnamenti, vol. I, 2005, p\u00e1g. 11).  Na verdade, desde o Conc\u00edlio Vaticano II at\u00e9 hoje deram-se muitos passos rumo \u00e0 plena comunh\u00e3o. Tenho diante dos meus olhos a imagem da Sala do Conc\u00edlio, onde os Observadores delegados das outras Igrejas e Comunidades eclesiais estavam atentos, mas silenciosos. Nas d\u00e9cadas sucessivas, esta imagem cedeu lugar \u00e0 realidade de uma Igreja em di\u00e1logo com todas as Igrejas e Comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente. O sil\u00eancio transformou-se em palavras de comunh\u00e3o. Um trabalho enorme realizou- se tanto a n\u00edvel universal como local. A fraternidade entre todos os crist\u00e3os foi redescoberta e restabelecida como condi\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo, de coopera\u00e7\u00e3o, de ora\u00e7\u00e3o comum e de solidariedade. \u00c9 quanto o meu Predecessor Papa Jo\u00e3o Paulo II, de feliz mem\u00f3ria, p\u00f4s em evid\u00eancia na Carta Enc\u00edclica sobre o compromisso ecum\u00e9nico onde, entre outras coisas, afirmou de maneira expl\u00edcita que o \u201cfruto precioso das rela\u00e7\u00f5es entre os crist\u00e3os e do di\u00e1logo teol\u00f3gico que eles realizam, \u00e9 o crescimento da comunh\u00e3o. De facto, tais iniciativas tornaram os crist\u00e3os conscientes dos elementos de f\u00e9 que t\u00eam em comum\u201d (Ut unum sint, 49). Esta Enc\u00edclica ressaltava os frutos positivos das realiza\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas entre os crist\u00e3os, tanto do Oriente como do Ocidente. [&#8230;]  Todavia, na realidade temos que reconhecer que ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer. Sob muitos aspectos, a situa\u00e7\u00e3o mudou desde o Conc\u00edlio Vaticano II[&#8230;]. As r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es no mundo tiveram as suas repercuss\u00f5es tamb\u00e9m sobre o ecumenismo. Na \u00e9poca do Conc\u00edlio, muitas das veneradas Igrejas do Oriente viviam em condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, perpetrada por regimes ditatoriais. Hoje, elas recuperaram a liberdade e est\u00e3o comprometidas num vasto processo de reorganiza\u00e7\u00e3o e de revitaliza\u00e7\u00e3o. Estamos pr\u00f3ximos delas atrav\u00e9s dos nossos sentimentos e da nossa ora\u00e7\u00e3o. A parte oriental e a parte ocidental da Europa est\u00e3o a aproximar-se; isto estimula as Igrejas a coordenarem os seus esfor\u00e7os relativos \u00e0 salvaguarda da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e do an\u00fancio do Evangelho \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Tal colabora\u00e7\u00e3o torna-se particularmente urgente em virtude da situa\u00e7\u00e3o de avan\u00e7ada seculariza\u00e7\u00e3o, sobretudo do mundo ocidental. Felizmente, depois de um per\u00edodo de diversificadas dificuldades, o di\u00e1logo teol\u00f3gico entre a Igreja cat\u00f3lica e as Igrejas ortodoxas adquiriu um renovado impulso. A Comiss\u00e3o mista internacional de di\u00e1logo p\u00f4de encontrar-se positivamente em Belgrado, onde foi hospedada com generosidade pela Igreja ortodoxa da S\u00e9rvia. Nutrimos grande esperan\u00e7a pelo caminho futuro, que ser\u00e1 percorrido no respeito pelas leg\u00edtimas variedades teol\u00f3gicas, lit\u00fargicas e disciplinares, em vista de alcan\u00e7ar uma comunh\u00e3o cada vez mais completa, de f\u00e9 e de amor, em que seja poss\u00edvel um interc\u00e2mbio cada vez mais profundo entre as riquezas espirituais de todas as Igrejas.  Tamb\u00e9m com as Comunidades eclesiais do Ocidente mantemos v\u00e1rios di\u00e1logos bilaterais, abertos e amistosos, que denotam progressos no conhecimento rec\u00edproco, na supera\u00e7\u00e3o de preconceitos, na confirma\u00e7\u00e3o de algumas converg\u00eancias e na pr\u00f3pria identifica\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica das aut\u00eanticas diverg\u00eancias. Gostaria de mencionar, sobretudo, a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o conjunta sobre a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o\u201d, alcan\u00e7ada no di\u00e1logo com a Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial, e o facto de que a esta Declara\u00e7\u00e3o o Conselho Metodista Mundial por sua vez deu o pr\u00f3prio consentimento. Entretanto, surgiram v\u00e1rias importantes problem\u00e1ticas, que exigem um aprofundamento e um acordo. Subsiste, acima de tudo, a dificuldade de encontrar uma concep\u00e7\u00e3o comum sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Evangelho e a Igreja e, a este prop\u00f3sito, sobre o mist\u00e9rio da Igreja e da sua unidade, assim como sobre a quest\u00e3o do minist\u00e9rio da Igreja. Sucessivamente, manifestaram-se outras dificuldades no campo \u00e9tico, com a consequ\u00eancia que as diferentes posi\u00e7\u00f5es assumidas pelas Confiss\u00f5es crist\u00e3s, sobre as correntes problem\u00e1ticas, reduziram a sua incid\u00eancia orientativa diante da opini\u00e3o p\u00fablica. Precisamente deste ponto de vista, \u00e9 necess\u00e1rio um aprofundado di\u00e1logo sobre a antropologia crist\u00e3, mas tamb\u00e9m acerca da interpreta\u00e7\u00e3o do Evangelho e da sua aplica\u00e7\u00e3o concreta. De qualquer maneira, o que deve ser promovido prioritariamente \u00e9 o ecumenismo do amor, que deriva de forma directa do novo mandamento legado por Jesus aos seus disc\u00edpulos. Acompanhado por gestos coerentes, o amor suscita a confian\u00e7a, fazendo abrir os cora\u00e7\u00f5es e os olhos. Por sua pr\u00f3pria natureza, o di\u00e1logo da caridade promove e ilumina o di\u00e1logo da verdade: com efeito, \u00e9 na verdade completa que se realizar\u00e1 o encontro definitivo, ao qual conduz o Esp\u00edrito de Cristo. Sem d\u00favida, n\u00e3o \u00e9 o relativismo ou o f\u00e1cil e falso irenismo que resolve a investiga\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica. Pelo contr\u00e1rio, eles deturpam-na e desorientam-na. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso intensificar a forma\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica, partindo dos fundamentos da f\u00e9 crist\u00e3, ou seja, do an\u00fancio do amor de Deus, que se revelou no rosto de Jesus Cristo e, contemporaneamente, em Cristo tamb\u00e9m desvelou o homem ao pr\u00f3prio homem, levando-o a compreender a sua excelsa voca\u00e7\u00e3o (cf. Gaudium et spes, 22). Estas duas dimens\u00f5es essenciais s\u00e3o sustentadas pela colabora\u00e7\u00e3o concreta entre os crist\u00e3os, que \u201cexprime vivamente aquela uni\u00e3o que j\u00e1 existe entre eles, e p\u00f5e em luz mais plena a face de Jesus Cristo [servo]\u201d (Unitatis redintegratio, 12). Para concluir estas minhas palavras, desejo confirmar a import\u00e2ncia totalmente especial do ecumenismo espiritual. Portanto, justamente o Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os compromete-se em tal ecumenismo, alicer\u00e7ando-se na ora\u00e7\u00e3o, na caridade e na convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, tendo em vista uma renova\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria.  <i>Bento XVI,<\/i> Discurso aos participantes na sess\u00e3o plen\u00e1ria do Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os (17 de Novembro de 2006)  <b>NOTA: Tradu\u00e7\u00e3o da Pax Christi Portugal. Consultar Dossier sobre a unidade dos crist\u00e3os em http:\/\/blogdapax.blogspot.com<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos a viver hoje um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es em quase todos os sectores da vida; portanto, n\u00e3o nos podemos admirar se isto incide tamb\u00e9m sobre a vida da Igreja e sobre os relacionamentos entre os crist\u00e3os. 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