{"id":223364,"date":"2021-12-05T09:30:20","date_gmt":"2021-12-05T09:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=223364"},"modified":"2021-12-04T17:17:19","modified_gmt":"2021-12-04T17:17:19","slug":"voluntariado-assistencialismo-pode-ser-um-entrave-ao-desenvolvimento-mariana-baptista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-assistencialismo-pode-ser-um-entrave-ao-desenvolvimento-mariana-baptista\/","title":{"rendered":"Voluntariado: \u00abAssistencialismo pode ser um entrave ao desenvolvimento\u00bb &#8211; Mariana Baptista"},"content":{"rendered":"<p><em>Regressada de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, onde esteve um ano em miss\u00e3o com os Leigos para o Desenvolvimento, jovem volunt\u00e1ria conta que a experi\u00eancia lhe mudou a forma de ver e estar na vida, considerando que o mais importante \u00e9 ajudar as comunidades locais a serem protagonistas da mudan\u00e7a<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_223367\" aria-describedby=\"caption-attachment-223367\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-223367 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223367\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Regressou recentemente desta miss\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o com os Leigos para o Desenvolvimento. Como \u00e9 que foi dedicar um ano da sua vida a este trabalho volunt\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>As pessoas gostam muito de perguntar como \u00e9 que foi e se correu tudo bem, e eu respondo sempre que &#8216;foi um ano inteiro&#8217;, tudo acontece num ano. E depois devolvo a pergunta: &#8216;ent\u00e3o e o teu ano, como \u00e9 que foi?&#8217;.<\/p>\n<p>N\u00e3o,\u00a0n\u00e3o correu tudo bem, e que bom que foi assim, \u00e9 assim que se cresce. Mas, foi muito intenso, foi um grande privil\u00e9gio, um tempo de convers\u00e3o, de aprender tamb\u00e9m a viver uma vida mais simples, conhecer uma realidade nova, aprender a cuidar de um mundo que \u00e9 t\u00e3o grande que tem realidades e pessoas t\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Em S\u00e3o Tom\u00e9 esteve onde e em que projetos?<\/em><\/p>\n<p>Os Leigos t\u00eam uma abordagem territorial, instalam-se numa comunidade, e eu estava na cidade de S\u00e3o Tom\u00e9, no bairro da Boa Morte, na periferia da cidade&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que \u00e9 bastante populoso?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tem cerca de 7000 pessoas. Os Leigos para o Desenvolvimento t\u00eam l\u00e1 tr\u00eas grandes projetos, al\u00e9m de acompanharem a comunidade no seu dia a dia. Mas, o projeto que eu estava a acompanhar \u00e9 o projeto \u00e2ncora dos outros dois, \u00e9 o Grupo Comunit\u00e1rio da Boa Morte. \u00c9 um grupo que re\u00fane regularmente &#8211; quando eu estava l\u00e1 era quinzenalmente, mas \u00e0s vezes \u00e9 mensalmente, vai mudando -, e o objetivo \u00e9 que numa mesa-redonda, onde se juntam l\u00edderes da comunidade, representantes de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es formais e n\u00e3o formais, v\u00e1rias entidades, todos juntos vamos identificando problemas e procurando construir solu\u00e7\u00f5es em conjunto, com os recursos que existem na comunidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Pelo que lemos sobre o projeto, esta zona, apesar de ser muito populosa, pobre e com os problemas naturais de ser uma zona perif\u00e9rica da capital, \u00e9 tamb\u00e9m muito din\u00e2mica em termos culturais?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tem muitos grupos culturais, tem o Tchiloli &#8211; um grupo muito famoso, \u00a0\u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural s\u00e3o-tomense muito conhecida l\u00e1, mas que tamb\u00e9m vai sendo conhecida no mundo -, grupos de dan\u00e7a, grupos musicais, muitas manifesta\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O vosso projeto de voluntariado n\u00e3o vai impor, propriamente, propostas de fora, mas integra-se e procura trabalhar com aquilo que as pessoas j\u00e1 v\u00e3o fazendo?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Eu acho que\u00a0um dos grandes entraves para o desenvolvimento \u00e9 o assistencialismo e n\u00f3s irmos impor a nossa realidade, e aquilo que eu encontrei na proposta dos Leigos para o Desenvolvimento &#8211; e por isso \u00e9 que tamb\u00e9m me identifiquei &#8211; \u00e9 que n\u00f3s somos quase como um espelho, no sentido em que vamos ajudar a comunidade a ver aquilo que tem de rico, de valioso, de belo, e aprender a aproveit\u00e1-lo, olhar para as suas feridas e aprender a cuidar delas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que import\u00e2ncia t\u00eam esses projetos na vida da popula\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>O mais poderoso de tudo &#8211; mais do que paredes erguidas, ou grandes projetos &#8211; \u00e9 a capacidade de cada pessoa e de cada comunidade sonhar e perceber aquilo que pode ser se se juntarem, se trabalharem em conjunto, perceber que podemos pedir ajuda e ajudar outros. Acho que o mais poderoso de tudo \u00e9 isso, \u00e9 as pessoas reconhecerem-se como comunidade, reconhecerem o seu valor, poderem sonhar aquilo que podem ser individualmente e como comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_223369\" aria-describedby=\"caption-attachment-223369\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-223369\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223369\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Este Grupo Comunit\u00e1rio do Bairro da Boa Morte j\u00e1 atua h\u00e1 alguns anos. J\u00e1 t\u00eam no\u00e7\u00e3o dos objetivos cumpridos ao longo destes anos?<\/em><\/p>\n<p>Desde 2011. N\u00e3o foi um percurso linear, mas o grande orgulho do Grupo Comunit\u00e1rio tem sido um projeto que tem sido desenvolvido, e que tamb\u00e9m temos acompanhado, que \u00e9 o projeto Bairro Limpo.<\/p>\n<p>No Grupo Comunit\u00e1rio surgiu o problema do lixo como um problema que devia ser priorizado, porque \u00e9 um problema enorme em S\u00e3o Tom\u00e9, que n\u00e3o tem uma solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, mas o Grupo Comunit\u00e1rio decidiu &#8216;aqui, na nossa comunidade, vamos abrir caminho e tentar construir alguma solu\u00e7\u00e3o, pelo menos para minimizar o problema\u2019. E \u00e9 um projeto que o Grupo foi desenvolvendo, um modelo comunit\u00e1rio de recolha de res\u00edduos, para n\u00e3o depender de ajudas de fora, da c\u00e2mara, de minist\u00e9rios, do governo, mas ser uma coisa autossustent\u00e1vel, dependendo s\u00f3 da comunidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Ao todo quantos volunt\u00e1rios \u00e9 que esses projetos envolvem?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento est\u00e1vamos tr\u00eas, na cidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mais as pessoas da comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, as pessoas tamb\u00e9m s\u00e3o volunt\u00e1rias, e isso tem os seus desafios.<\/p>\n<p>Isto do voluntariado acaba por ser um luxo, ou um grande teste \u00e0 nossa generosidade e \u00e0quilo em que acreditamos, porque as pessoas sobrevivem dia a dia, e arranjarem tempo para trabalhar pela comunidade, \u00e9 mesmo porque acreditam, e isso faz com que os projetos sejam sustent\u00e1veis e as coisas sejam sinceras.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma zona muito pobre. Tamb\u00e9m d\u00e3o apoio a esse n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o damos coisas. No fundo, acompanhamos estes projetos para ajudar a trazer algum dinamismo \u00e0 comunidade, para eles pr\u00f3prios conseguirem resolver os seus pr\u00f3prios problemas uns com os outros, pedindo eventualmente ajudas de fora.<\/p>\n<p>O Grupo Comunit\u00e1rio servia tamb\u00e9m para resolver pequenos problemas: por exemplo, \u00e9 preciso arranjar a torneira do chafariz onde toda a gente vai buscar \u00e1gua; ou queremos saber o que \u00e9 que se passa com o Posto M\u00e9dico, que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o h\u00e1 anos e que nunca mais se resolve, e vamos tentar ter uma reuni\u00e3o no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e perceber o o que \u00e9 que est\u00e1 a acontecer. N\u00e3o resolvemos problemas, mas ajudamos a abrir caminhos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Ajudam a resolver, e a resposta at\u00e9 pode ser mais duradoura no tempo, dado que \u00e9 a comunidade que a promove?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0Eu acho que o problema do assistencialismo \u00e9 um entrave, no sentido em que as comunidades sentem que s\u00f3 s\u00e3o capazes se tiverem ajuda de fora, e o que Leigos para o Desenvolvimento procuram \u00e9 mostrar o contr\u00e1rio, \u00e9 que a pr\u00f3pria comunidade \u00e9 capaz.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que foi fazer este ano de miss\u00e3o num contexto de pandemia?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_223368\" aria-describedby=\"caption-attachment-223368\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-223368\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223368\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p>L\u00e1 as coisas estavam mais suaves do que aqui. O impacto nas miss\u00f5es come\u00e7ou logo em mar\u00e7o de 2020, eu ainda estava a fazer a forma\u00e7\u00e3o. Com o fecho de fronteiras, e o pouco que se sabia ainda sobre o v\u00edrus, os Leigos para o Desenvolvimento decidiram fazer regressar os volunt\u00e1rios que estavam em S\u00e3o Tom\u00e9 e em Angola. Logo a\u00ed, as miss\u00f5es ficaram interrompidas, e este acompanhamento ficou um bocadinho &#8216;coxo&#8217;. No meu caso, estava a fazer a forma\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m sabia: ser\u00e1 que se vai retomar, ser\u00e1 que n\u00e3o? Quem \u00e9 que vai? Isso neste discernimento tamb\u00e9m pesou, afinal eu estou a investir em forma\u00e7\u00e3o &#8211; que s\u00f3 por si valeu muito -, mas ser\u00e1 para qu\u00ea?<\/p>\n<p>Depois acabei por ir. Eu queria era ir, isto fazia-me todo o sentido. Se calhar, se fosse doente de risco n\u00e3o teria esta coragem, mas n\u00e3o foi, de todo, impedimento para ir. Depois l\u00e1, nota-se as dificuldades socioecon\u00f3micas da pandemia, mas n\u00e3o existem conceitos como o teletrabalho ou telescola, e o confinamento, para pessoas que vivem dia a dia, \u00e9 uma coisa que n\u00e3o faz sentido\u2026<\/p>\n<p>Depois, com o pouco acesso a testes&#8230; n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o haja, mas as pessoas n\u00e3o v\u00e3o fazer, n\u00e3o acreditam muito neste v\u00edrus, os n\u00fameros n\u00e3o correspondem ao medo que se faz sentir l\u00e1, por isso, n\u00e3o se nota tanto o impacto, mas nota-se nas dificuldades socioecon\u00f3micas e na indisponibilidade das pessoas para trabalhar connosco.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve indisponibilidade, mas quando a vida aperta, as pessoas n\u00e3o t\u00eam tanto tempo para dar gratuitamente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que mais a marcou neste ano, se tiver de eleger uma coisa, um aspeto?<\/em><\/p>\n<p>Eu\u00a0cheguei h\u00e1 um m\u00eas e meio, por isso, acho que ainda estou a processar tudo. \u00c9 um presente que vou desembrulhando ao longo da vida. Mas,\u00a0sem d\u00favida que o que mais me marcou foram as pessoas, e o que estes encontros nos transformam.<\/p>\n<p>Conheci pessoas extraordin\u00e1rias, com hist\u00f3rias extraordin\u00e1rias, e acho que foi um tempo de grande convers\u00e3o, de aprender a ser mais simples, a ligar-me ao essencial, de aprender a levar uma vida &#8216;mais leve, leve&#8217;, como se diz em S\u00e3o Tom\u00e9. E &#8216;leve, leve&#8217;, n\u00e3o no sentido de me encostar, mas de saborear aquilo que \u00e9 gratuito e n\u00e3o reger a minha vida por princ\u00edpios como a produtividade, a efic\u00e1cia, a rapidez, que acabam por n\u00e3o ser os crit\u00e9rios \u00faltimos da nossa vida&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E acabam por desumanizar, muitas vezes\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. E acho que aprendi tamb\u00e9m a saborear aquilo que \u00e9 gratuito, os encontros, as rela\u00e7\u00f5es, a natureza maravilhosa que se pode contemplar em S\u00e3o Tom\u00e9.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que o voluntariado entrou na sua vida?<\/em><\/p>\n<p>Foi muito naturalmente, talvez. Eu fui sempre participando, a primeira vez que fiz qualquer coisa de voluntariado foi no 9\u00ba ano, mas depois fui participando em v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es. A mais significativa foi fazer parte da associa\u00e7\u00e3o Gambuzinos, tamb\u00e9m ligada \u00e0 Companhia de Jesus, que promove encontros entre crian\u00e7as e jovens de realidades muito diferentes, atrav\u00e9s de campos de f\u00e9rias e atividades ao longo do ano. A l\u00f3gica acaba por ser a mesma que encontrei nos Leigos para o Desenvolvimento, este encontro com realidades diferentes que nos transformam. Todos ganham quando estas realidades diferentes se encontram.<\/p>\n<p>Acho que foi muito natural, no sentido em que me fui sentindo muito privilegiada por aquilo que fui recebendo ao longo da vida, e que n\u00e3o fiz nada para merecer. E isso responsabiliza-me muito diante de um mundo que precisa de ser cuidado, diante de realidades que est\u00e3o feridas, diante de pessoas que precisam de ser valorizadas, amadas, por isso, isso faz com que eu queira sair de mim e ir ao encontro dos outros.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Partir para longe era uma ambi\u00e7\u00e3o e um sonho? Ou nunca tinha pensado nisso a s\u00e9rio?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_223365\" aria-describedby=\"caption-attachment-223365\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-223365\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Mariana-Baptista-5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223365\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o. Eu ia pensando, e j\u00e1 conhecia os Leigos para o Desenvolvimento h\u00e1 muitos anos, por isso ia pensando\u2026<\/p>\n<p>As pessoas \u00e0s vezes querem ir para fora por esta ideia muito rom\u00e2ntica e ex\u00f3tica dos outros pa\u00edses\u2026 claro que isso \u00e9 espetacular, mas acho que foi a realidade diferente, o sair da minha zona de conforto, o ir conhecer este mundo que somos chamados a cuidar. Conhecer outras realidades, para tamb\u00e9m abrir horizontes e poder conhecer melhor este mundo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>J\u00e1 disse que chegou h\u00e1 pouco tempo, mas a ideia de um dia voltar a fazer uma miss\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o ficou?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei. Acho que ainda estou a processar tudo isto, ainda tenho muito para digerir&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Mas, para quem esteja a acordar para esta realidade: \u00e9 uma experi\u00eancia que muda substancialmente a forma de olhar o mundo?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. N\u00e3o tenho como passar ao lado, s\u00f3 se fosse fechada e indispon\u00edvel. Mas, quando nos lan\u00e7amos para isto, \u00e0 partida vamos dispostos a transformar-nos, e \u00e9 inevit\u00e1vel, s\u00e3o realidades diferentes, s\u00e3o pessoas diferentes, que vivem de forma diferente. N\u00f3s pr\u00f3prios estamos dispostos a uma vida diferente, mais simples. Claro que nunca vamos viver como as pessoas que nos recebem, mas procuramos assemelhar o nosso estilo de vida ao deles, vivemos em comunidade, a vida de ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem outra intensidade, e por isso, tudo isto nos transforma, \u00e9 muito forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A dimens\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 importante neste tipo de miss\u00e3o e de voluntariado?<\/em><\/p>\n<p>Sim,\u00a0n\u00e3o somos s\u00f3 volunt\u00e1rios, somos volunt\u00e1rios mission\u00e1rios. Logo a\u00ed, \u00e9 porque nos sabemos enviadas por algu\u00e9m, e porque queremos dar testemunho da alegria e da esperan\u00e7a crist\u00e3, de um amor que nos acolhe sempre, mas que nos sonha sempre melhor. Isso \u00e9 o pano de fundo. Depois tamb\u00e9m a for\u00e7a que vamos precisando, a coragem e o \u00e2nimo que v\u00e3o sendo necess\u00e1rios, n\u00e3o v\u00eam de n\u00f3s, n\u00e3o depende s\u00f3 da nossa boa vontade, do nosso voluntarismo\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>No dia a dia isso faz a diferen\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Claro. Porque s\u00e3o tantos os imprevistos, as exig\u00eancias. N\u00f3s n\u00e3o controlamos nada, aquilo que escrevemos na agenda, nada disso acontece, acontecem outras coisas, mas precisamos de ir \u00e0 fonte, de ir ao sentido, \u00e0quilo que nos move, para podermos continuar a ser fi\u00e9is \u00e0quilo para que fomos, \u00c0quele por quem fomos. A for\u00e7a e o \u00e2nimo n\u00e3o podiam vir de n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Com a pandemia come\u00e7\u00e1mos a perceber e a valorizar mais os projetos de voluntariado, o impacto que t\u00eam na sociedade e na capacidade de resposta \u00e0 crise, que j\u00e1 \u00e9 muito severa, mas que provavelmente ainda se vai agravar. Por esta experi\u00eancia de voluntariado, fica claro que uma resposta a uma crise como a da Covid-19 implica esta capacidade de sair de si e dar ao outro de forma volunt\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>Sim.\u00a0N\u00e3o d\u00e1 para todos sermos volunt\u00e1rios a tempo inteiro, mas sem d\u00favida\u2026<\/p>\n<p>Eu\u00a0acho que n\u00e3o merecemos a maior parte das coisas que temos, e se n\u00e3o nos dispomos a ser sens\u00edveis ao outro, a sair de n\u00f3s, a dar de gra\u00e7a aquilo que recebemos de gra\u00e7a, o mundo fica muito mais pobre e ficamos mais isolados uns dos outros. Era isso que eu dizia tamb\u00e9m sobre o desenvolvimento, s\u00f3 faz sentido se nos envolvermos todos. N\u00f3s dizemos isso muitas vezes: o desenvolvimento \u00e9 o envolvimento de todos, e acho que para superar crise, isto \u00e9 muito gritante.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Estas miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o t\u00eam sempre uma prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via?<\/em><\/p>\n<p>De quase um ano. Um ano letivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Faz diferen\u00e7a para quem vai?<\/em><\/p>\n<p>Sim, porque\u00a0no caso dos Leigos a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 sobretudo um processo de discernimento, em que vamos conhecendo a proposta dos Leigos, mas tamb\u00e9m nos vamos conhecendo melhor a n\u00f3s pr\u00f3prios, para no final podermos tomar a decis\u00e3o o mais livre poss\u00edvel. E a melhor decis\u00e3o pode ser dizer &#8216;n\u00e3o, o meu caminho n\u00e3o passa por ir em miss\u00e3o com Leigos, mas passa por outra coisa qualquer&#8217;. Ou passa por ir em miss\u00e3o com os Leigos. N\u00f3 vamos notando como a forma\u00e7\u00e3o nos foi preparando, quando estamos no terreno vamos percebendo isso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 importante esse testemunho, porque est\u00e3o a decorrer as sess\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ano, e ainda \u00e9 poss\u00edvel haver inscri\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Sim, as sess\u00f5es j\u00e1 come\u00e7aram. \u00c0s vezes h\u00e1 muita pressa para ir: &#8216;eu quero ir em miss\u00e3o, mas \u00e9 tanto tempo de forma\u00e7\u00e3o, que chatice, n\u00e3o tenho tempo para isso&#8217;. Mas, de facto, se n\u00e3o houver este tempo, fica dif\u00edcil\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Neste Dia Internacional do Voluntariado, quer deixar alguma mensagem a quem \u00e9 volunt\u00e1rio, e a quem nunca foi, mas pode vir a ser?<\/em><\/p>\n<p>For\u00e7a, coragem!\u00a0Acho que o voluntariado nos p\u00f5e no nosso lugar, neste sentido em que nos apercebemos do quanto recebemos gratuitamente, e quanto n\u00e3o somos merecedores da maior parte das coisas que temos na nossa vida.\u00a0Por outro lado, vem p\u00f4r em causa aquilo em que acreditamos. N\u00f3s s\u00f3 fazemos gratuitamente aquilo em que acreditamos.\u00a0Deixem-se questionar, e for\u00e7a, \u00e2nimo e coragem!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regressada de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, onde esteve um ano em miss\u00e3o com os Leigos para o Desenvolvimento, jovem volunt\u00e1ria conta que a experi\u00eancia lhe mudou a forma de ver e estar na vida, considerando que o mais importante \u00e9 ajudar as comunidades locais a serem protagonistas da mudan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":223367,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-223364","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223364"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223364\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}