{"id":223030,"date":"2021-12-02T10:45:10","date_gmt":"2021-12-02T10:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=223030"},"modified":"2021-12-02T10:45:10","modified_gmt":"2021-12-02T10:45:10","slug":"uma-palavra-e-uma-promessa-que-converte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-palavra-e-uma-promessa-que-converte\/","title":{"rendered":"Uma palavra e uma promessa que converte"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-213729 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Neste m\u00eas t\u00e3o belo, tocado pelas quentes cores outonais e marcado por uma espiritualidade de grata mem\u00f3ria por todos aqueles que nos precederam e nos antecederam na f\u00e9 e nos fizeram quem n\u00f3s somos, onde as lareiras nos juntam e nos congregam e onde os Semin\u00e1rios voltam \u00e0 nossa ora\u00e7\u00e3o e ao nosso cora\u00e7\u00e3o, colectiva e emocionalmente, a reflex\u00e3o sobre a voca\u00e7\u00e3o, sobre o nosso prop\u00f3sito e sobre o nosso sentido existencial.<\/p>\n<p>Por isso, a pergunta que se nos coloca \u00e9: o que \u00e9 \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d, o que se entende por \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d? O \u00e9timo \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d prov\u00e9m do termo latina \u201cvocare\u201d que significa chamamento, um chamar fora de mim que me projecta para um plano integral e integrante, transformador e edificador. Por outras palavras, \u00e9 escutar a voz vinda de fora de mim, que me centra e me projecta para al\u00e9m de mim, me conduz a um prop\u00f3sito existencial. \u00c9 uma Palavra que acompanha sempre uma Promessa.<br \/>\nA escuta desta voz implica sempre que se fa\u00e7a o processo de descoberta do nosso pr\u00f3prio eu, ou seja, saber quem sou, saber o que quero, saber de onde venho e para onde quero ir. Por\u00e9m, h\u00e1 o risco de ficarmos, apenas e s\u00f3, pela dimens\u00e3o humana em detrimento da dimens\u00e3o divina. Para evitar este risco, devemos recordar sempre que somos criados e projectados para Deus para uma promessa de futuro, de esperan\u00e7a e de felicidade.<\/p>\n<p>Kierkegaard, no seu existencialismo crist\u00e3o, antecedendo o existencialismo niilista e materialista de Sartre, recorda que o homem n\u00e3o vive do nada nem para o nada, nem que a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia (como afirma Sartre), mas antes est\u00e1 empenhado e projectado para o \u00faltimo est\u00e1gio da exist\u00eancia humana, isto \u00e9, o est\u00e1gio religioso.<br \/>\nVejamos como alguns, que apesar de terem tudo, viverem tudo e comprarem tudo, chegam ao limite da sua exist\u00eancia completamente vazios de sentido, vivendo numa bolha, numa imagem que n\u00e3o \u00e9 sua, numa vida que n\u00e3o \u00e9 sua. Em muitas situa\u00e7\u00f5es de limite humano e de sentido, o homem perdido em si mesmo e perdido na sua matriz identit\u00e1ria, recorre frequentemente a mecanismos e a meios de aliena\u00e7\u00e3o que lhe permite esquecer ou fugir do problema que se imp\u00f5e sobre ele. S\u00f3 Deus traz sentido, traz paz, traz prop\u00f3sito, traz vida e esperan\u00e7a. \u00c9 urgente recordar que o sentido da vida n\u00e3o est\u00e1 nas criaturas nem nas coisas criadas. A alma grita pelo seu Criador, grita por se envolver pelas coisas sagradas, grita para se unir hipostaticamente a Deus.<br \/>\nO medo de perder a vida, de n\u00e3o a dar, de n\u00e3o a gastar, de n\u00e3o a oferecer e de n\u00e3o a entregar leva-nos ao risco de n\u00e3o viver e, pior, passar pela vida sem que a vida passe por n\u00f3s, sem que nos transforme, sem que nos modele no amor pleno e \u00fanico e sem fazer na vida do outro, do irm\u00e3o e do pr\u00f3ximo, espa\u00e7o de sentido, de luz e de esperan\u00e7a. Por conseguinte, a obedi\u00eancia e convers\u00e3o exige sair de n\u00f3s mesmos, de nos libertarmos da mentalidade mundana e encontrarmos, finalmente, a voca\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o projecto de felicidade que Deus tem para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 Deus quem chama, quem nos quer conduzir aos \u201cprados verdejantes\u201d e nos quer levar \u201c\u00e0 terra onde corre leite e mel\u201d. Deixo como sugest\u00e3o a leitura do epis\u00f3dio b\u00edblico do Livro dos G\u00e9nesis, cap\u00edtulo 22, vers\u00edculos 1-19. Aqui, veremos uma palavra, uma decis\u00e3o, uma confian\u00e7a e uma promessa que implica sempre a obedi\u00eancia. Escutar implica inevitavelmente a obedi\u00eancia. Voltamos \u00e0 etimologia: obedi\u00eancia prov\u00e9m do latim \u201coboedire\u201d que significa \u201cescutar com aten\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, a fus\u00e3o de \u201cOB\u201d (\u201caten\u00e7\u00e3o\u201d) + AUDIRE (\u201cescutar\u201d).<\/p>\n<p>Neste sentido, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a obedi\u00eancia, a escuta com aten\u00e7\u00e3o a uma palavra que me precede e antecede, que me ama primeiro e, neste primeiro amor, me ensina a amar, a ter um prop\u00f3sito, um sentido, uma raz\u00e3o, que nos conduz \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do meu ego, do meu mundo e do meu umbigo. Neste processo de escuta e de obedi\u00eancia \u00e0 Palavra e \u00e0 Promessa, inicia-se uma sequ\u00eancia sustentada e alimentada na ora\u00e7\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com Deus, n\u00e3o fora da comunh\u00e3o da Igreja e da comunidade, mas sempre em comunh\u00e3o e em uni\u00e3o com a comunidade orante e com a Santa Igreja. S\u00f3 assim haver\u00e1 convers\u00e3o, pois voca\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre uma convers\u00e3o, uma mudan\u00e7a \u00f4ntica e existencial, em que os \u201cporqu\u00eas da vida\u201d se assumem e os \u201ccomos da vida\u201d se autojustificam.<\/p>\n<p><em>Manuel Ribeiro, Padre<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213729,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-223030","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223030\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}