{"id":223009,"date":"2021-12-01T15:38:15","date_gmt":"2021-12-01T15:38:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=223009"},"modified":"2021-12-01T15:39:11","modified_gmt":"2021-12-01T15:39:11","slug":"saber-aprender-a-sobreviver-no-mundo-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-sobreviver-no-mundo-real\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A sobreviver no mundo real"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os humanos est\u00e3o condenados \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. \u00c9 esta a opini\u00e3o do paleont\u00f3logo e bi\u00f3logo evolucionista Henry Gee que num <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/humans-are-doomed-to-go-extinct\/\">artigo<\/a>; para a <em>Scientific American<\/em><\/p>\n<p>argumenta como a degrada\u00e7\u00e3o da nossa casa comum, a baixa varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e o decl\u00ednio da fertilidade est\u00e3o a encaminhar o ser humano para o colapso. \u00c9 curioso que esta opini\u00e3o surja no momento em que nos Estados Unidos, o aborto volta \u00e0s not\u00edcias com a decis\u00e3o do Supremo Tribunal a 1 de setembro de permitir ao estado do Texas que banisse a maior parte dos abortos. Se a nossa esp\u00e9cie est\u00e1 \u00e0 beira do colapso, n\u00e3o \u00e9 isso sinal suficiente para tornar o aborto e outros atentados \u00e0s vida como absolutamente absurdos?<\/p>\n<figure id=\"attachment_223010\" aria-describedby=\"caption-attachment-223010\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-223010\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"729\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-1080x608.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/julien-tromeur-EOSHmMbjT8g-unsplash-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-223010\" class=\"wp-caption-text\">Foto de julien Tromeur em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>O excesso de popula\u00e7\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o dos anos 1960, mas 50 anos depois, apesar de termos duplicado, o conforto que a maioria dos seres humanos possui n\u00e3o diminuiu. O que est\u00e1 a diminuir \u00e9 a capacidade de renova\u00e7\u00e3o da nossa esp\u00e9cie. E de acordo com os estudos dos paleont\u00f3logos, uma das condi\u00e7\u00f5es para a esp\u00e9cie humana evoluir \u00e9 a variabilidade gen\u00e9tica. Por\u00e9m, al\u00e9m da diminui\u00e7\u00e3o da fertilidade das mulheres com as incurs\u00f5es da mentalidade contraceptiva, tamb\u00e9m a diminui\u00e7\u00e3o do valor humano da maternidade em compara\u00e7\u00e3o com o valor associado ao sucesso profissional, s\u00e3o raz\u00f5es para a baixa variabilidade gen\u00e9tica que compromete a sobreviv\u00eancia da nossa esp\u00e9cie. Talvez existam sinais de que o desejo de variabilidade de experi\u00eancias de vida (em vez de variabilidade gen\u00e9tica) tenha entrado no \u00e2mbito da evolu\u00e7\u00e3o cultural atrav\u00e9s da tecnologia, o que pode comprometer ainda mais a nossa sobreviv\u00eancia. Sinais como o <em>Meta<\/em>.<\/p>\n<p>Mark Zuckerberg mudou o nome do Facebook para <em>Meta<\/em> que afirma ser um novo cap\u00edtulo nas conex\u00f5es sociais. Quando estimulamos relacionamentos entre as pessoas jovens, levando-as a constituir fam\u00edlia, aumentamos a variabilidade gen\u00e9tica que garante a sobreviv\u00eancia da nossa esp\u00e9cie, mas a orienta\u00e7\u00e3o do <em>Meta<\/em> \u00e9 diferente. <em>Meta<\/em> \u00e9 o nome curto do <em>metaverso<\/em> que pretende digitalizar os relacionamentos entre as pessoas, abdicando da presen\u00e7a real como uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao desenvolvimento desses relacionamentos. Nas palavras de Zuckerberg \u2014 <em>\u00abir\u00e1s sentir realmente que est\u00e1s ali com a outra pessoa. Ver\u00e1s as suas express\u00f5es faciais e a linguagem corporal.\u00bb<\/em> \u2014 E quando quisermos fazer um intervalo nesta nova realidade virtual, podemo-nos <em>\u00abteleportar para a bolha privada para estarmos s\u00f3s.\u00bb<\/em> Com o Facebook como a maior fonte de desinforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria humana capaz de mudar a mente das pessoas com falsidades, o que poder\u00e1 este passo representar para a nossa esp\u00e9cie?<\/p>\n<p>Em 1992, Neal Stephenson publicou uma obra de fic\u00e7\u00e3o intitulada <em>Snow Crash<\/em> onde <em>Metaverso<\/em> corresponde ao nome de um mundo virtual onde um magnata procura controlar as pessoas atrav\u00e9s da realidade virtual. Ali\u00e1s, depois de atrair massas de pessoas para o metaverso, esse magnata lan\u00e7a um v\u00edrus neuro-lingu\u00edstico que lhes retira a capacidade de usar a linguagem, causando o colapso cerebral. Ser\u00e1 Stephenson vision\u00e1rio? Ou a maior parte das pessoas acha que isso n\u00e3o passar\u00e1 de fic\u00e7\u00e3o? Por que raz\u00e3o ter\u00e1 Zuckerberg escolhido como nome para esta iniciativa algo h\u00e1 anos associado com uma distopia e insanidade mental das massas?<\/p>\n<p>Recentemente, um grupo de investigadores canadianos publicou um <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10055-020-00440-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>; onde concluiu que os jogos em realidade virtual s\u00e3o potenciais impulsionadores de respostas negativas emocionais que podem causar danos \u00e0s pessoas se n\u00e3o forem geridos com aten\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o respons\u00e1vel do Facebook pelo Metaverso <a href=\"https:\/\/californianewstimes.com\/how-will-facebook-keep-its-metaverse-safe-for-users\/590165\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reconheceu<\/a>; que essa gest\u00e3o emocional \u00e9 virtualmente imposs\u00edvel. Logo, por um lado, este projecto sacia a nossa sede de vivermos mundos imagin\u00e1rios com relacionamentos virtuais desprovidos de alguns dos nossos sentidos, mas por outro, esse \u201cjogo de realidade virtual\u201d apresenta um enorme perigo para as nossas emo\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar um desfecho dist\u00f3pico. Falta a dimens\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>Se as emo\u00e7\u00f5es que a realidade virtual despertam nas pessoas s\u00e3o negativas, n\u00e3o podemos esperar nada mais contr\u00e1rio \u00e0 mensagem do Evangelho. Depois, muitas destas tecnologias est\u00e3o apenas acess\u00edveis aos que mais recursos t\u00eam, deixando de lado uma parte significativa da humanidade, aumentando o fosso entre os que pretendem manter o seu estilo de vida consumidor de energia e os que gostariam de ter a energia suficiente para sobreviver. Das iniciativas descontroladas e desinformativas do <em>Meta<\/em> podemos esperar mais divis\u00e3o, mal-estar e menos mansid\u00e3o. Aquela que Jesus procurava testemunhar e convida-nos a viver a todo o momento.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da f\u00e9 coloca o \u00f3nus das nossas escolhas na vida profunda. E devido ao aumento do consumo de gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, tudo parece trivializar-se, diminuindo o tempo necess\u00e1rio entre uma novidade e a pr\u00f3xima. Ora, dado que a realidade virtual oferece mundos infind\u00e1veis e ilimitados como a nossa imagina\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia para darmos corpo \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em filmes como o <em>Real Player One<\/em>, ou outros em que vivemos conectados \u00e0 rede e desligados do mundo, \u00e9 elevada.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que para muitas pessoas que vivem distantes, a possibilidade de se encontrarem virtualmente com algum realismo \u00e9 apelativa. Falo por mim que por motivos profissionais vivo regularmente uma situa\u00e7\u00e3o dessa natureza na fam\u00edlia. Ou se pensar na necessidade de moderar as presen\u00e7as em tempo de pandemia, poder ver o outro, nem que seja atrav\u00e9s desta realidade virtual, seria uma lufada de ar fresco. Mas alguma vez pensaram na raz\u00e3o por vivermos ainda a frase de S. Jo\u00e3o de que \u201ca Deus nunca ningu\u00e9m o viu\u201d? \u00c9 preciso ver para sobreviver? O que diria o cego?<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da f\u00e9 abre a nossa experi\u00eancia de vida \u00e0 possibilidade de construir relacionamentos reais apesar das dist\u00e2ncias que vivemos entre n\u00f3s. A dimens\u00e3o da f\u00e9 estimula a nossa criatividade para encontrar os modos mais imaginativos de nos fazermos presentes, seja por uma carta, um presente, ou um gesto. A dimens\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 o que nos ajuda a saber aprender a reconhecermos a realidade e a verdade no meio de tanta virtualidade e desinforma\u00e7\u00e3o. A dimens\u00e3o da f\u00e9 abre-nos o espa\u00e7o de confian\u00e7a de que o futuro da nossa esp\u00e9cie \u00e9 incorporado, em vez de desincorporado; e nessa dimens\u00e3o intu\u00edmos a import\u00e2ncia da viv\u00eancia de uma profunda comunh\u00e3o entre n\u00f3s e com o ambiente que nos rodeia para sabermos aprender a sobreviver no mundo real.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-223009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223009\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}