{"id":222856,"date":"2021-11-29T15:44:03","date_gmt":"2021-11-29T15:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=222856"},"modified":"2021-11-29T15:44:56","modified_gmt":"2021-11-29T15:44:56","slug":"a-cruz-escondida-165","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-165\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>Majed, um jovem crist\u00e3o s\u00edrio \u201crefugiado como o Menino Jesus\u201d\u2026<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4>\u201cAinda estamos vivos\u2026\u201d<\/h4>\n<p>Tem 12 anos e vive com os pais em Zaleh, no Vale de Bekaa. \u00c9 um refugiado s\u00edrio no L\u00edbano. \u00c9 apenas um entre os cerca de milh\u00e3o e meio de s\u00edrios que passaram a fronteira para o L\u00edbano, fugindo de um pa\u00eds em guerra onde sobreviver todos os dias \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil. Mas o L\u00edbano est\u00e1 tamb\u00e9m em profunda crise\u2026<\/p>\n<p>A fronteira entre o L\u00edbano e a S\u00edria separa dois pa\u00edses mas n\u00e3o a trag\u00e9dia que desespera pessoas, fam\u00edlias. De ambos os lados da fronteira h\u00e1 relatos semelhantes de pobreza, fome, de mis\u00e9ria absoluta. Se para os libaneses a vida se transformou num tormento, com a economia destru\u00edda, que leva j\u00e1 fam\u00edlias a procurar comida at\u00e9 nos caixotes do lixo, imagine-se como ser\u00e1 para os refugiados s\u00edrios que procuraram abrigo neste pa\u00eds\u2026 Nos \u00faltimos 10 anos, desde que come\u00e7ou a guerra na S\u00edria, calcula-se que cerca de milh\u00e3o e meio de pessoas passaram a fronteira. Fizeram-no em desespero, depois de terem visto o seu pa\u00eds mergulhado numa guerra, com grupos terroristas entrincheirados em discursos de \u00f3dio, matando, destruindo, perseguindo as minorias religiosas como os crist\u00e3os. O L\u00edbano era o pa\u00eds mais pr\u00f3ximo, o caminho mais curto para muitas fam\u00edlias que partiram muitas vezes apenas com a roupa que traziam vestida. A cidade de Zaleh, no vale de Bekaa, tornou-se numa p\u00e1tria emprestada para os crist\u00e3os s\u00edrios. Foi a\u00ed que Basman Abbout se abrigou com o filho e a mulher. O filho, Majed, tinha apenas tr\u00eas anos quando fugiram. Praticamente n\u00e3o tem mem\u00f3rias disso. Apenas conhece da S\u00edria aquilo que os pais lhe contam. No entanto, Majed j\u00e1 ouviu vezes sem conta o pai contar como foram aflitivos os \u00faltimos dias antes de se terem feito ao caminho, apenas com a certeza de que se ficassem em casa sucumbiriam aos bombardeamentos, \u00e0s bombas lan\u00e7adas pelos jihadistas. Basman Abbout conta sempre as mesmas hist\u00f3rias. A sua mem\u00f3ria est\u00e1 presa a esses dias, a essas semanas e meses de terror. \u201cAtacaram-nos com armas, apesar de estarmos completamente indefesos. Mataram quinze jovens e incendiaram cinco casas. Corremos, juntamente com todos os outros, sem levar nada connosco, excepto as roupas que traz\u00edamos vestidas. Sa\u00edmos a correr das nossas casas e fugimos\u2026\u201d<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_18799\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UlmpB4eFgeU?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<h4>Pedir para sobreviver<\/h4>\n<p>Quando chegaram ao Vale de Bekaa devem ter estranhado o sil\u00eancio, a aus\u00eancia do estralejar das balas, das bombas, o cheiro da p\u00f3lvora, os gritos de dor\u2026 Os refugiados s\u00edrios, os crist\u00e3os que fugiram para o L\u00edbano levaram as m\u00e3os vazias. Sem nada, as suas vidas teriam de recome\u00e7ar. Majed era apenas uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos de idade. N\u00e3o se apercebeu certamente da afli\u00e7\u00e3o dos pais. Foram \u00e0 procura de um parente, refugiado como eles, que tinha chegado ao L\u00edbano meses antes. Abriram-lhes a porta de uma casa. Era um abrigo para 15 pessoas. Dormiam por turnos, pois n\u00e3o havia quartos que chegassem, nem camas, nem cadeiras, nada. Era inverno. Nem sequer tinham casacos com se embrulhassem fintando o frio. Foi ent\u00e3o que ouviram falar no apoio que a Igreja Cat\u00f3lica estava a prestar aos refugiados. \u201cO que nos teria acontecido sem esta ajuda da diocese?\u201d, pergunta o pai de Majed. Ao fim de algum tempo, de alguns meses, Basman Abboud conseguiu trabalho e levou a fam\u00edlia para uma casa pequena, de dois quartos. Mas o dinheiro n\u00e3o chegava para tudo\u2026 De novo, a ajuda da Igreja revelou-se providencial. O projecto \u201ca Mesa da Miseric\u00f3rdia de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d, promovido com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o AIS, oferece refei\u00e7\u00f5es a refugiados s\u00edrios que vivem no L\u00edbano e agora tamb\u00e9m a fam\u00edlias libanesas que ca\u00edram na mais absoluta pobreza. \u201cEstamos vivos e estamos gratos por todos os que t\u00eam sido t\u00e3o bons para n\u00f3s\u201d, diz Basman Abboud, sabendo que a sua fam\u00edlia est\u00e1 outra vez numa encruzilhada. \u201cSe os Libaneses n\u00e3o t\u00eam trabalho e enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil, ent\u00e3o o que se pode dizer de n\u00f3s?\u201d Majed tem agora 12 anos. Refugiado no L\u00edbano, ele pr\u00f3prio pode agora contar agora a sua hist\u00f3ria quase com as palavras emprestadas ao pai. N\u00e3o fala de guerra como ele mas sim de uma vida de inferno. Tem 12 anos e j\u00e1 sabe o que \u00e9 pedir para sobreviver. Falta menos de um m\u00eas para o Natal. Majed sabe que os tempos est\u00e3o dif\u00edceis mas n\u00e3o desistiu. A esperan\u00e7a \u00e9 mesmo a \u00faltima a morrer. \u201cTornei-me um refugiado, tal como o Menino Jesus, que tamb\u00e9m teve de fugir com os pais. O meu desejo para o Natal \u00e9 que as pessoas pensem em fam\u00edlias como a minha e ajudem os refugiados a ter esperan\u00e7a num futuro melhor. Feliz Natal a todos\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Majed, um jovem crist\u00e3o s\u00edrio \u201crefugiado como o Menino Jesus\u201d\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-222856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}