{"id":22272,"date":"2007-01-16T11:10:04","date_gmt":"2007-01-16T11:10:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/16\/aborto-legalizar-nao-resolve\/"},"modified":"2007-01-16T11:10:04","modified_gmt":"2007-01-16T11:10:04","slug":"aborto-legalizar-nao-resolve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aborto-legalizar-nao-resolve\/","title":{"rendered":"Aborto: legalizar n\u00e3o resolve"},"content":{"rendered":"<p>Maria do Ros\u00e1rio Carneiro defende que a legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o atenua nem retira o drama \u00e0 decis\u00e3o de morte de outro <!--more--> O drama do aborto clandestino n\u00e3o deve nem pode ser resolvido pela legaliza\u00e7\u00e3o proposta pelo referendo.  A legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o atenua nem retira o drama \u00e0 decis\u00e3o de morte de outro, torna-a absoluta, poss\u00edvel, legal, cooperada. A proposta de legaliza\u00e7\u00e3o, para resolver o drama do aborto clandestino, parte do princ\u00edpio que at\u00e9 \u00e0s 10 semanas de gravidez existe um \u00fanico bem a ser protegido \u2013 a mulher gr\u00e1vida. Assim entendido, deve ent\u00e3o ser garantida assist\u00eancia m\u00e9dica, segura, na cessa\u00e7\u00e3o dessa mesma gravidez como se de um simples acto m\u00e9dico se tratasse, exclusivamente referente \u00e0 mulher. Mas n\u00e3o \u00e9. A cessa\u00e7\u00e3o da gravidez quer sempre dizer a cessa\u00e7\u00e3o da vida de um outro. Por outro lado, nem se pode dizer que pelo facto de se tornar esta remo\u00e7\u00e3o um seguro acto cir\u00fargico, m\u00e9dico (como se se tratasse da remo\u00e7\u00e3o de um qualquer obst\u00e1culo ao bem estar da pessoa), se remova o que determinou a remo\u00e7\u00e3o. A elimina\u00e7\u00e3o do beb\u00e9 em condi\u00e7\u00f5es seguras para a m\u00e3e, em nada altera as circunst\u00e2ncias que determinaram a sua op\u00e7\u00e3o. As causas permanecem, os motivos ser\u00e3o sempre os mesmos, o desespero e a solid\u00e3o voltar\u00e3o a ocorrer sempre que uma nova gravidez volte a ocorrer. Em circunst\u00e2ncia alguma se v\u00ea no projecto de lei que enquadra o referendo, se ouve no discurso pol\u00edtico promotor da liberaliza\u00e7\u00e3o, se pode mesmo presumir das pol\u00edticas p\u00fablicas enunciadas, uma interven\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica por parte do Estado que represente pelo menos um investimento an\u00e1logo ao que ir\u00e1 ser feito para garantir o aborto legal, para remover de forma adequada, clinicamente segura, as causas que levam tantas mulheres a optar pela interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria das suas gravidezes. Bem pelo contr\u00e1rio, o que se sabe \u00e9 da falta de contraceptivos para serem distribu\u00eddos gratuitamente nos centros de sa\u00fade, da falta de consultas de planeamento familiar, da redu\u00e7\u00e3o das comparticipa\u00e7\u00f5es nos contraceptivos, da desprotec\u00e7\u00e3o da maternidade, da precariedade laboral, dos baixos n\u00edveis salariais, da precariedade da rede de apoios sociais, da aus\u00eancia de alternativas vi\u00e1veis, de um sistema de adop\u00e7\u00e3o e de acolhimento precoce de crian\u00e7as deficientes, da aus\u00eancia de um modelo educativo que integradamente prepare as pessoas para a rela\u00e7\u00e3o com os outros\u2026 O que se sabe \u00e9 que as verbas agora encontradas para financiar a garantia de um aborto seguro, legal e livre at\u00e9 \u00e0s dez semanas, n\u00e3o foram poss\u00edveis disponibilizar para apoiar as institui\u00e7\u00f5es que ao longo destes \u00faltimos anos (desde o referendo de 1998) foram surgindo, por iniciativa militante de cidad\u00e3os, para acolherem e apoiarem as mulheres gr\u00e1vidas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, exclus\u00e3o, abandono, solid\u00e3o, ou para receberem precocemente as crian\u00e7as carentes de acolhimento. Por outro lado, a consci\u00eancia de cada um n\u00e3o se altera, e ainda bem, porque uma lei quer limpar, lavar, retirar, do dom\u00ednio da relev\u00e2ncia \u00e9tica as primeiras dez semanas de vida de cada um. E n\u00e3o se alterando as consci\u00eancias, nem se alterando as condi\u00e7\u00f5es que objectivamente colocam as mulheres nestas situa\u00e7\u00f5es limite, a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e0s dez semanas n\u00e3o resolve nem remove o drama do aborto.  <i>Maria do Ros\u00e1rio Carneiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Ros\u00e1rio Carneiro defende que a legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o atenua nem retira o drama \u00e0 decis\u00e3o de morte de outro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,154],"class_list":["post-22272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-crianca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}