{"id":222542,"date":"2021-11-25T17:33:20","date_gmt":"2021-11-25T17:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=222542"},"modified":"2021-11-27T14:09:01","modified_gmt":"2021-11-27T14:09:01","slug":"africa-67-das-mulheres-na-guine-bissau-ja-sofreu-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/africa-67-das-mulheres-na-guine-bissau-ja-sofreu-violencia\/","title":{"rendered":"\u00c1frica: 67% das mulheres na Guin\u00e9 Bissau \u00abj\u00e1 sofreu viol\u00eancia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Relat\u00f3rio promovido pela Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o mostra atos generalizados na sociedade, v\u00edtimas muito novas e dificuldade em denunciar atos, apesar de serem crimes p\u00fablicos<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_204804\" aria-describedby=\"caption-attachment-204804\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204804\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DOC.20210407.31138557.P1310002-1280x853.jpg 1280w, 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enquanto ela ainda \u00e9 crian\u00e7a, sendo que a maioria das pr\u00e1ticas de viol\u00eancia decorrem no seio familiar\u201d, constata Carla Pinto, representante da Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau, assegurando que \u201c\u00e9 urgente envolver e responsabilizar todos: homens, mulheres, l\u00edderes, pais, m\u00e3es, av\u00f3s, av\u00f4s, pela forma como educam e pelos seus resultados\u201d, indica um comunicado da FEC enviado hoje \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Neste estudo foram inquiridas 1022 mulheres, de 47 comunidades das regi\u00f5es de Gab\u00fa, Quinara, Bafat\u00e1 e Tombali, que partilharam a sua experi\u00eancia face \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica e viol\u00eancia baseada no g\u00e9nero, com o objetivo de caracterizar e diagnosticar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres no que se refere \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres e raparigas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio foi produzido no \u00e2mbito do projeto \u00abN\u00f4 Na Cuida di N\u00f4 Vida, Mindjer \u2013 Emancipa\u00e7\u00e3o e Direitos das Meninas e Mulheres na Guin\u00e9-Bissau\u00bb, implementado pelas Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamentais Mani Tese, FEC e ENGIM, com o apoio financeiro da Uni\u00e3o Europeia, da Kindermissionswerk, do Cam\u00f5es &#8211; Instituto da Coopera\u00e7\u00e3o e da L\u00edngua, I.P., da Otto per Mille, da Igreja Valdese e da Confer\u00eancia Episcopal Italiana.<\/p>\n<p>Os dados, conhecidos no Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia entre as Mulheres, mostram que \u201co casamento precoce \u00e9 uma pr\u00e1tica comum\u201d, chegando a atingir os 10% em meninas que casam antes dos 15 anos.<\/p>\n<p>\u201cA grande maioria (81%) assume ter-se casado por decis\u00e3o dos familiares e 35% engravidou antes dos 18 anos, evidenciando que o casamento for\u00e7ado e a gravidez precoce fazem parte da realidade de meninas e mulheres guineenses\u201d, pode ler-se no relat\u00f3rio da Situa\u00e7\u00e3o da Mulher na Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>O estudo mostra que \u201c44% das mulheres que t\u00eam ou j\u00e1 tiveram um parceiro, referem ter sofrido viol\u00eancia psicol\u00f3gica, 38% viol\u00eancia f\u00edsica, 22% viol\u00eancia sexual e cerca de 25% reportou sofrer viol\u00eancia econ\u00f3mica, verificando-se ainda que uma em cada tr\u00eas mulheres foi v\u00edtima de mais do que um tipo de viol\u00eancia\u201d, atos disseminados \u201cindependentemente da regi\u00e3o, etnia, religi\u00e3o ou escolaridade\u201d.<\/p>\n<p>Mas o relat\u00f3rio aponta que a viol\u00eancia n\u00e3o se restringe a mulheres \u201cque t\u00eam um relacionamento\u201d, uma vez que \u201c29% das mulheres inquiridas revelou j\u00e1 ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia por um n\u00e3o parceiro, sendo que 80% da viol\u00eancia tem origem no seio familiar, sendo o pai o principal agressor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO estudo revelou ainda que as mulheres sofrem de viol\u00eancia repetidamente, uma vez que os atos reportados aconteceram desde os 15 anos, e uma a quatro vezes, por um a tr\u00eas agressores diferentes\u201d, afirma.<\/p>\n<figure id=\"attachment_165829\" aria-describedby=\"caption-attachment-165829\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-165829\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/african-women-walking-along-road-2983081_1920-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/african-women-walking-along-road-2983081_1920-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/african-women-walking-along-road-2983081_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/african-women-walking-along-road-2983081_1920-768x512.jpg 768w, 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ainda que \u201c54 meninas e mulheres foram v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual e 47 v\u00edtimas de tentativas de viola\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A respons\u00e1vel da FEC, Carla Pinto, afirma que \u201cimporta alargar a responsabilidades de todos na educa\u00e7\u00e3o dos seus pares e na afirma\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u201d, de forma a quebrar \u201ceste ciclo de viol\u00eancia\u201d, pois, indica, uma comunidade n\u00e3o poder\u00e1 evoluir sem garantir os direitos b\u00e1sicos dos seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Sobre a Mutila\u00e7\u00e3o Genital Feminina [MGF], uma pr\u00e1tica que foi considerada crime na Guin\u00e9-Bissau desde 2011, o estudo apurou que 60% das mulheres inquiridas foi submetida a esta pr\u00e1tica \u2013 \u201c19% da amostra ainda acredita que a MGF traz algum benef\u00edcio\u201d, pode ler-se, devido a \u201crespeito (37,3%) e possibilidade de obter dinheiro e\/ ou bens materiais (14,5%)\u201d.<\/p>\n<p>O estudo indica a dificuldade de as v\u00edtimas \u201cdenunciarem os atos de viol\u00eancia\u201d, apesar de este ser considerado um crime p\u00fablico na Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>\u201cDas 687 mulheres inquiridas que sofreram pelo menos um ato de viol\u00eancia por parte do parceiro e\/ou n\u00e3o parceiro, apenas 21 reportaram \u00e0s autoridades policiais e em apenas um dos casos o agressor foi detido. 50% das v\u00edtimas considera a viol\u00eancia dom\u00e9stica aceit\u00e1vel e apenas 23% conhecer os servi\u00e7os e entidades que prestam apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia contra a mulher\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito mostra \u201ca urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es em favor da defesa dos direitos das mulheres e crian\u00e7as face \u00e0 viol\u00eancia\u201d e assume a necessidade de divulga\u00e7\u00e3o dos \u201cservi\u00e7os de apoio \u00e0 v\u00edtima, incluindo autoridades policiais, servi\u00e7os de sa\u00fade, servi\u00e7os jur\u00eddicos e de assist\u00eancia social \u00e9 essencial para garantir cuidados e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Sensibiliza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o sobre leis e educa\u00e7\u00e3o parental s\u00e3o caminhos indicados para a mudan\u00e7a, que, indica o estudo, devem ser operadas dentro das fam\u00edlias, nas comunidades e na sociedade guineense, \u201cmobilizando homens e l\u00edderes comunit\u00e1rios para a promo\u00e7\u00e3o da paz, bem-estar e harmonia no seio familiar\u201d.<\/p>\n<p>O estudo pede ainda \u201cresponsabiliza\u00e7\u00e3o e trabalho em rede de autoridades e entidades envolvidas\u201d.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio promovido pela Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o mostra atos generalizados na sociedade, v\u00edtimas muito novas e dificuldade em denunciar atos, apesar de serem crimes 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