{"id":222325,"date":"2021-11-22T18:09:35","date_gmt":"2021-11-22T18:09:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=222325"},"modified":"2021-11-22T18:30:55","modified_gmt":"2021-11-22T18:30:55","slug":"a-cruz-escondida-164","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-164\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria de Jeraiva, um jovem num campo de refugiados na Nig\u00e9ria<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-222329\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ACN-20170328-52270a-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3><strong>Um milagre na desgra\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>Jeraiva n\u00e3o consegue esquecer o dia em que a sua aldeia, na Nig\u00e9ria, foi atacada por terroristas. A viol\u00eancia foi tal que teve de fugir para se salvar. Tinha apenas 14 anos. Agora, j\u00e1 com 22, vamos encontr\u00e1-lo a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, num campo para deslocados internos em Benin. Para Jeraiva, ter conseguido chegar ali com vida foi um milagre. Um milagre na desgra\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de tr\u00eas mil pessoas. Muitos s\u00e3o jovens ainda. No campo de deslocados em Benin, no sul da Nig\u00e9ria, todos t\u00eam alguma hist\u00f3ria dram\u00e1tica para contar. Jeraiva passou os \u00faltimos oito anos neste campo. At\u00e9 parece que sempre viveu ali, mas n\u00e3o. A sua vida mudou quando tinha 14 anos. A aldeia onde vivia foi atacada por homens armados. Foi um dos muitos ataques da autoria dos terroristas do Boko Haram. Desde 2009 que j\u00e1 lan\u00e7aram centenas de ataques, raptaram milhares de pessoas, mataram e destru\u00edram. Dezenas de aldeias foram quase riscadas do mapa. A aldeia onde vivia Jeraiva foi uma delas. As casas foram assaltadas e queimadas. Jeraiva fugiu. Imagine-se o terror que ter\u00e1 sentido. Era apenas um rapaz de 14 anos. Segundo ele, os terroristas queimaram as casas mesmo com pessoas l\u00e1 dentro. Dois dos seus irm\u00e3os n\u00e3o ter\u00e3o conseguido escapar\u2026 Jeraiva fugiu. \u201cPouco tempo depois, ouvi dizer que raptaram a minha m\u00e3e e alguns dos meus irm\u00e3os e levaram-nos para a floresta de Sambisa\u2026\u201d Para Jeraiva aqueles foram seguramente os dias mais dif\u00edceis da sua vida. \u201cN\u00e3o conhecia ningu\u00e9m, tudo o que encontrasse para comer, comia, onde pudesse dormir, mesmo que estivesse no mato, dormia.\u201d Jeraiva contou a sua hist\u00f3ria a Johan Viljoen, director do Instituto de Paz Denis Hurley, da \u00c1frica do Sul, que esteve recentemente em Benin, na Nig\u00e9ria, a recolher testemunhos de deslocados, de v\u00edtimas da viol\u00eancia dos terroristas do Boko Haram, mas tamb\u00e9m dos pastores mu\u00e7ulmanos Fulani, que t\u00eam vindo a transformar-se numa das principais amea\u00e7as \u00e0 comunidade crist\u00e3 neste pa\u00eds africano. Jeraiva estava sozinho, sem dinheiro, desesperado. \u201cVi muito, especialmente cad\u00e1veres\u2026 fiquei muito traumatizado. Na verdade, pensei que ia enlouquecer\u2026\u201d<\/p>\n<h3><strong>Sobreviver ao medo<\/strong><\/h3>\n<p>Ainda hoje \u00e9 assaltado com toda a viol\u00eancia por essas mem\u00f3rias. \u201cAcordo \u00e0 noite e tenho \u2018flashbacks\u2019, recorda\u00e7\u00f5es do que vi, deixando-me com muito medo.\u201d Sozinho, sem not\u00edcias da fam\u00edlia, Jeraiva ouviu falar num campo para deslocados gerido por um Pastor, um homem da Igreja. O campo pareceu-lhe, pelo que contaram, um local onde poderia estar a salvo n\u00e3o s\u00f3 dos terroristas mas tamb\u00e9m dos seus medos e ang\u00fastias. N\u00e3o foi f\u00e1cil chegar a Benin, ao campo de deslocados internos junto a esta cidade no sul do pa\u00eds. Mas conseguiu. Jeraiva diz que ter conseguido chegar ali com vida foi um milagre. De tal forma que nunca mais se esqueceu da data: dia 10 de Outubro de 2014, fez agora precisamente sete anos. Por ali vivem mais de tr\u00eas mil pessoas. Por ali n\u00e3o h\u00e1 a amea\u00e7a dos terroristas mas falta quase tudo. \u201cOs nossos grandes problemas s\u00e3o a alimenta\u00e7\u00e3o, o financiamento escolar e as instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Temos milhares de pessoas aqui, e as pessoas adoecem com mal\u00e1ria e febres, porque com todos os mosquitos que temos ao redor do acampamento, h\u00e1 uma alta taxa de mal\u00e1ria\u2026\u201d H\u00e1 muitas pessoas infectadas com mal\u00e1ria e apenas um pequeno centro de sa\u00fade. Um centro de sa\u00fade onde faltam os medicamentos\u2026 Para Jeraiva, que j\u00e1 se habituou de alguma forma a viver por ali, \u00e9 urgente tratar das quest\u00f5es da sa\u00fade. \u201cAs crian\u00e7as mais pequenas, as mulheres e os jovens adoecem e n\u00e3o temos nada. Precisamos de um hospital e precisamos de profissionais que venham tratar de n\u00f3s\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>A Funda\u00e7\u00e3o AIS apoia projectos de ajuda aos refugiados e deslocados internos em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Ajude a AIS nesta miss\u00e3o junto dos que perderam tudo o que tinham, como Jeraiva. Ajude a dar-lhes um futuro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Jeraiva, um jovem num campo de refugiados na Nig\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-222325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222325\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}