{"id":222245,"date":"2021-11-24T09:00:38","date_gmt":"2021-11-24T09:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=222245"},"modified":"2021-11-22T13:01:13","modified_gmt":"2021-11-22T13:01:13","slug":"lusofonias-alegrias-e-angustias-de-glasgow","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-alegrias-e-angustias-de-glasgow\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Alegrias e ang\u00fastias de Glasgow"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-222247\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/LUSOFONIAS-Glasgow-29-11-2021-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A COP26 encheu Glasgow de l\u00edderes pol\u00edticos, cientistas, jornalistas e activistas sociais e ambientais, durante 14 intensos dias. Houve mesmo prolongamento de um dia para se chegar a um Acordo que se desenhava quase imposs\u00edvel nesta 26\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Clima. Mas ele foi assinado, mesmo que os resultados tenham ficado aqu\u00e9m do esperado e, sobretudo, muito longe do necess\u00e1rio. Contudo \u2013 quase todos o disseram \u2013, h\u00e1 no ar uma nesga de optimismo, porque o Acordo Final \u00e9 aberto e haver\u00e1 um novo prolongamento no Egipto em 2022. At\u00e9 l\u00e1, h\u00e1 que tentar aplicar com seriedade o que de positivo esta Cimeira trouxe \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vi, li e ouvi muitas reac\u00e7\u00f5es. Comecemos pelos l\u00edderes. Cito s\u00f3 o Secret\u00e1rio-Geral da ONU, entidade organizadora. Fez o ponto da situa\u00e7\u00e3o actual do planeta e lembrou que estamos no limiar da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica e \u00e9 preciso reduzir a zero as emiss\u00f5es de gazes com efeito de estufa, tentando descer o aquecimento global para 1,5% at\u00e9 ao fim do s\u00e9culo. Desabafou que o nosso fr\u00e1gil planeta est\u00e1 preso por um fio e que \u00e9 urgente gritar \u2018basta!\u2019, mas deixou uma palavra final de esperan\u00e7a: \u2018Estamos na luta das nossas vidas. Nunca desistiremos. Nunca recuaremos. Continuaremos a avan\u00e7ar\u2019. Isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se os l\u00edderes dos pa\u00edses mais poderosos do mundo aceitarem agir com urg\u00eancia e coragem pol\u00edtica, valor bastante ausente da Cimeira onde emergiram mais interesses que respeito pela dignidade e direitos das pessoas.<\/p>\n<p>Os activistas e jornalistas acham que o Acordo Final deixou todos desconfort\u00e1veis. H\u00e1 quatro frentes de inc\u00eandio a combater: tomar medidas de mitiga\u00e7\u00e3o do aquecimento global resultante das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas; a adapta\u00e7\u00e3o das economias e h\u00e1bitos sociais \u00e0s energias mais limpas; o financiamento destes ajustes, a assegurar sobretudo aos pa\u00edses mais pobres; e a justi\u00e7a clim\u00e1tica, aceitando recompensar quem tem mais perdas e sofre mais danos, provocados pelos desastres ambientais\u2026<\/p>\n<p>Todos notaram (e isto foi repetido \u00e0 saciedade) que as aus\u00eancias dos Presidentes da China, da R\u00fassia e do Brasil foram p\u00e9ssimos indicadores de um alheamento destes pa\u00edses em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 urg\u00eancia e import\u00e2ncia do tema em discuss\u00e3o. Parece \u00f3bvio a todos que, a continuar assim, o mundo sofrer\u00e1 o progressivo aumento do n\u00edvel das \u00e1guas do mar (que tornar\u00e1 inabit\u00e1vel uma parte do planeta e cobrir\u00e1 muito terreno ar\u00e1vel), mas tamb\u00e9m levar\u00e1 a fen\u00f3menos clim\u00e1ticos como furac\u00f5es, chuvas violentas, inc\u00eandios e secas, que tornar\u00e3o ainda mais pobres popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam a viver em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quando se fala do Acordo, salta logo \u00e0 conversa a emenda proposta pela \u00cdndia (e aceite) de evitar a machadada final na utiliza\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o como energia. Assim, em vez de \u2018elimina\u00e7\u00e3o progressiva\u2019 foi utilizada a palavra \u2018redu\u00e7\u00e3o\u2019, mostrando quanto certos pa\u00edses continuam a depender muito deste combust\u00edvel f\u00f3ssil. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 um consenso alargado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades de melhorar num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O t\u00e3o badalado financiamento para a mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o das economias n\u00e3o foi globalmente aprovado. Apontavam-se 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, mas apenas se nomeou uma comiss\u00e3o para avan\u00e7ar com esta dossier complexo. Talvez a maior vit\u00f3ria te\u00f3rica se obteve no \u00e2mbito do combate \u00e0 desfloresta\u00e7\u00e3o. Mais de cem pa\u00edses assinaram um acordo de compromisso para, at\u00e9 2030, acabar com o derrube das florestas. O Brasil inclui-se neste grupo, mas falta saber como passar \u00e0 pr\u00e1tica esta decis\u00e3o, t\u00e3o importante como dif\u00edcil de aplicar e controlar.\u00a0 E \u00e9 preciso, antes de mais, arranjar os 20 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares que s\u00e3o necess\u00e1rios para pagar a protec\u00e7\u00e3o das florestas.<\/p>\n<p>Os activistas sociais e ambientais disseram em Glasgow que s\u00e3o os direitos humanos e as quest\u00f5es do ecossistema que mais preocupam a sociedade civil. Os l\u00edderes pol\u00edticos parecem n\u00e3o valorizar esta dimens\u00e3o, adictos que est\u00e3o aos interesses econ\u00f3micos e empresariais. Tamb\u00e9m foi l\u00e1 dito que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o pode ser feita \u00e0 custa das comunidades locais e povos ind\u00edgenas. Da\u00ed que se toque no ponto nevr\u00e1lgico da quest\u00e3o: o modelo de desenvolvimento que se quer implementar. \u00c9 urgente colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar e nunca os interesses institu\u00eddos ou os lucros que se pretendem alcan\u00e7ar por qualquer pre\u00e7o. Por isso, mais de\u00a060 organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, incluindo o Movimento Laudato Si\u2019,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.indcatholicnews.com\/news\/43451\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta<\/a> onde se afirma que \u2018uma economia extractiva e insustent\u00e1vel, alimentada por combust\u00edveis f\u00f3sseis, est\u00e1 a provocar a crise clim\u00e1tica que est\u00e1 a destruir a cria\u00e7\u00e3o de Deus e a prejudicar os mais vulner\u00e1veis\u2019. H\u00e1 que mudar.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que as COPs s\u00e3o espa\u00e7os indispens\u00e1veis para o di\u00e1logo e a partilha de perspetivas diferentes, h\u00e1 que aceitar que a solu\u00e7\u00e3o para a crise clim\u00e1tica que nos vitima exige a ado\u00e7\u00e3o de um novo modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>As portas do futuro continuam abertas, apontando um longo caminho a percorrer. Mas, como canta Pedro Abrunhosa, \u2018vamos fazer o que ainda n\u00e3o foi feito (\u2026) porque amanh\u00e3 \u00e9 sempre tarde demais\u2019.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-222245-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/lusofonias-depoisdeGlasgow-26-11-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/lusofonias-depoisdeGlasgow-26-11-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/lusofonias-depoisdeGlasgow-26-11-2021.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony 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