{"id":221513,"date":"2021-11-14T09:30:06","date_gmt":"2021-11-14T09:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=221513"},"modified":"2021-11-12T16:00:30","modified_gmt":"2021-11-12T16:00:30","slug":"uma-pessoa-pobre-antes-de-ser-pobre-e-pessoa-maria-joaquina-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-pessoa-pobre-antes-de-ser-pobre-e-pessoa-maria-joaquina-madeira\/","title":{"rendered":"\u00abUma pessoa pobre, antes de ser pobre \u00e9 pessoa\u00bb \u2013 Maria Joaquina Madeira"},"content":{"rendered":"<p><em>Vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza analisa situa\u00e7\u00e3o em Portugal, onde as remunera\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cdemasiado baixas\u201d e \u201cn\u00e3o basta ter trabalho para n\u00e3o ser pobre\u201d<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_221514\" aria-describedby=\"caption-attachment-221514\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-221514 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-5-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-221514\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Tem sido importante o papel do Papa Francisco na luta contra a pobreza?<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco \u00e9 uma pessoa com uma lucidez extraordin\u00e1ria, um homem do nosso tempo, que pisou o terreno e se aproximou dos pobres. Todos os seus escritos e a sua palavra s\u00e3o caminhos que se abrem. \u00c9 uma estrelinha que nos alumia relativamente a este mundo que produz pobres no seu funcionamento, em que a pobreza transporta as pessoas para uma situa\u00e7\u00e3o de risco para a sua dignidade pessoal, para as suas condi\u00e7\u00f5es de vida e para a sua sobreviv\u00eancia. \u00c9 uma palavra cheia de autoridade, genuinidade e verdade. Ele fala do que sabe e sabe do que fala, e temos s\u00f3 que agradecer que ele seja o profeta dos nossos dias.<\/p>\n<p><em>Para quem est\u00e1 no terreno &#8211; independentemente de serem, ou n\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s &#8211; o Papa \u00e9 um aliado importante nesta luta?<\/em><\/p>\n<p>Sim. O Papa Francisco \u00e9 um grande embaixador e defensor da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, o substrato da sua mensagem \u00e9 o cumprimento dos direitos: todos somos iguais nas oportunidades, todos devemos participar, tomar parte nesta sociedade, e a pobreza \u00e9 uma forma de n\u00e3o participar, de n\u00e3o estar inclu\u00eddo. \u00c9 sempre um mal para as pr\u00f3prias pessoas que sofrem o problema da exclus\u00e3o social e da pobreza, mas \u00e9 tamb\u00e9m mau para a sociedade, porque a sociedade \u00e9 um corpo vivo.<\/p>\n<p>Todos fazemos falta \u00e0 sociedade, todos somos produtores, consumidores, todos devemos, de uma forma coesa e unida, construir este mundo de uma forma participada, usufruindo dos direitos, mas tamb\u00e9m temos deveres relativamente \u00e0 sociedade em que vivemos. Portanto, a palavra do Papa \u00e9 sempre uma palavra muito assertiva, como agora se costuma dizer, muito dirigida ao que \u00e9 essencial.<\/p>\n<p><em>Na mensagem para este Dia Mundial dos Pobres o Papa diz que a pobreza &#8220;n\u00e3o \u00e9 fruto do destino&#8221;, e que \u00e9 decisivo aumentar a sensibilidade para esta realidade. Ainda h\u00e1 muitos estere\u00f3tipos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza e aos pobres?<\/em><\/p>\n<p>Sim, ainda existem muitos estere\u00f3tipos. Ali\u00e1s,\u00a0esta mensagem, que li atentamente, \u00e9 um programa de a\u00e7\u00e3o: est\u00e1 l\u00e1 tudo dito, da forma bonita como o Papa Francisco sabe dizer,\u00a0sempre ancorada em princ\u00edpios, numa \u00e9tica da cidadania e dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>De facto,\u00a0uma sociedade tamb\u00e9m se avalia pela forma como trata os seus cidad\u00e3os, e a pobreza tem uma raz\u00e3o de ser, n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade, n\u00e3o nos acontece porque o destino assim quis. Acontece porque a m\u00e3o humana, nos seus deveres e obriga\u00e7\u00f5es &#8211; seja ao n\u00edvel pol\u00edtico, seja a outros n\u00edveis -, por vezes n\u00e3o \u00e9 centrada no interesse e nas necessidades das pessoas,\u00a0mas noutros interesses, do poder, do dinheiro, do ganhar mais, etc.<\/p>\n<p>O Papa diz sempre que a prioridade s\u00e3o as pessoas, o centro s\u00e3o as pessoas, n\u00e3o podemos ter uma economia que mata &#8211; s\u00e3o palavras dele, bem fortes! Temos de ter, de facto, uma interven\u00e7\u00e3o que a todos os n\u00edveis ponha a pessoa no centro, as pessoas e as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Eu gosto muito de ligar as fam\u00edlias, porque as pessoas individualmente s\u00f3 s\u00e3o felizes se tiverem rela\u00e7\u00f5es de afeto, elos de afetividade das fam\u00edlias, que neste momento s\u00e3o multiformes. Mas, a rela\u00e7\u00e3o de afetos, os apegos, a sua identidade, passa por a\u00ed, e a fam\u00edlia e a pessoa andam sempre a par.\u00a0Se tratarmos da fam\u00edlia e das pessoas como se fossem o centro da nossa economia e desenvolvimento, poderemos, talvez, evitar esta situa\u00e7\u00e3o de grande desigualdade em que o mundo est\u00e1, e Portugal tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa insiste muito na necessidade de tornar os pobres protagonistas do seu pr\u00f3prio desenvolvimento, e n\u00e3o apenas destinat\u00e1rios de pol\u00edticas de terceiros. \u00c9 importante haver esta sensibilidade?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, e mais uma vez o Papa tocou no ponto: as pol\u00edticas, como as a\u00e7\u00f5es, os projetos e os programas, devem ser dirigidos \u00e0s pessoas. Gandhi dizia &#8216;tudo o que fizeres por mim sem mim \u00e9 contra mim&#8217;. Eu acho que \u00e9 lapidar esta forma de dizer quanto\u00a0\u00e9 essencial\u00a0&#8211; n\u00e3o \u00e9 importante, \u00e9 essencial &#8211;\u00a0que as pr\u00f3prias pessoas que experimentam os problemas, neste caso o da exclus\u00e3o e da pobreza, sejam parte das solu\u00e7\u00f5es, porque t\u00eam um pensamento e s\u00e3o capazes de refletir sobre o tema, e porque sem a sua participa\u00e7\u00e3o e envolvimento nas medidas e nos programas, poucos resultados se tem.<\/p>\n<p>As pessoas s\u00e3o sujeitos, isto \u00e9:\u00a0a pessoa pobre, antes de ser pobre \u00e9 pessoa, e como pessoa, cidad\u00e3o de corpo inteiro, tem direitos e deveres, tamb\u00e9m de participar.<\/p>\n<p>Participar \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o e um direito, e isso faz toda a diferen\u00e7a relativamente at\u00e9 aos resultados que iremos alcan\u00e7ar nas nossas pol\u00edticas, projetos e a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os dados mais recentes indicam que h\u00e1 em Portugal cerca de 2 milh\u00f5es de pobres. O que \u00e9 que est\u00e1 a faltar, ou a falhar, no combate \u00e0 pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o da pobreza n\u00e3o \u00e9 nova em Portugal, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que herd\u00e1mos de um sistema pol\u00edtico e administrativo que no seu pr\u00f3prio funcionamento exclu\u00eda da sociedade &#8211; e quando digo sociedade, digo das decis\u00f5es pol\u00edticas, das pol\u00edticas p\u00fablicas, das organiza\u00e7\u00f5es. Ao funcionar de uma forma limitada, acaba por excluir do acesso muitas pessoas.<\/p>\n<p>Depois, o nosso n\u00edvel remunerat\u00f3rio dos cidad\u00e3os \u00e9 muito baixo, como sabemos. Ainda temos um sal\u00e1rio m\u00ednimo de 665 euros.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><em>Poder\u00e1 aumentar para 705 euros no pr\u00f3ximo ano.<\/em><\/p>\n<p>Vamos ver. Mas, para se ter uma ideia:\u00a0dos 56% de pessoas dos 18 aos 64 anos em risco de pobreza, cerca de metade tinha um rendimento de 330 euros por m\u00eas, isto em idade ativa. E estou a falar s\u00f3 da pobreza monet\u00e1ria,\u00a0porque\u00a0as estat\u00edsticas que existem ainda s\u00e3o muito s\u00f3 no aspeto material ou monet\u00e1rio. Mas, temos 330 mil crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, que naturalmente pertencem a fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, portanto, h\u00e1 uma insufici\u00eancia das nossas pol\u00edticas p\u00fablicas, das nossas organiza\u00e7\u00f5es, e h\u00e1 falta de oportunidades.<\/p>\n<p>Todos conhecemos aquela par\u00e1bola t\u00e3o simb\u00f3lica que diz que para mudar a situa\u00e7\u00e3o das pessoas \u2018n\u00e3o basta dar o peixe, \u00e9 preciso ensinar a pescar\u2019. N\u00f3s, \u00e0s vezes, fazemos muito assistencialismo &#8211; ali\u00e1s, o Papa fala disso &#8211; para resolver o problema das pessoas pobres, mas isso \u00e9 transit\u00f3rio, gasta-se, consome-se. N\u00e3o \u00e9 por a\u00ed. Temos de encarar a situa\u00e7\u00e3o da pobreza de uma forma multidimensional, com o envolvimento de todos os setores. Porque n\u00e3o basta s\u00f3 dar o peixe, tem de se ensinar a pescar. E mais: tem de haver rio e tem de haver peixe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_221517\" aria-describedby=\"caption-attachment-221517\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-221517\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-221517\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Os dados sobre a pobreza em Portugal mostram que h\u00e1 uma parte significativa das pessoas que mesmo tendo trabalho &#8211; mesmo pescando -, os rendimentos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para sair da situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o cerca de 11 por cento.<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que se inverte esta situa\u00e7\u00e3o? Porque j\u00e1 nem sequer essa velha par\u00e1bola parece estar a funcionar\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o basta ter trabalho para n\u00e3o ser pobre, e isto \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es que nos distingue da maior parte dos pa\u00edses da Europa. Isso significa que\u00a0a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 demasiado baixa.\u00a0Tamb\u00e9m ser\u00e1 demasiado baixa porque n\u00e3o temos as qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, porque as nossas micro e m\u00e9dias empresas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam capacidade para poder pagar mais. Portanto,\u00a0h\u00e1 todo um tecido social que precisa de ser revitalizado, de ter mais energia para poder elevar o n\u00edvel de vida das pessoas, de uma forma geral.<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos meses foi definida uma Estrat\u00e9gia Nacional de Combate \u00e0 Pobreza, que esteve em consulta p\u00fablica at\u00e9 ao final de outubro. No parecer que deu sobre este documento, a Rede Europeia Anti-Pobreza diz que a meta estabelecida at\u00e9 2030 \u00e9 &#8220;pouca ambiciosa&#8221;. Podia ser mais? Em que sentido?<\/em><\/p>\n<p>A Estrat\u00e9gia neste momento est\u00e1 em tra\u00e7os muito largos, s\u00e3o as grandes linhas que v\u00e3o orientar e definir as prioridades dos problemas que v\u00e3o ser considerados priorit\u00e1rios. Estamos \u00e0 espera de que haja um novo documento que concretize melhor, porque ali est\u00e3o as linhas de orienta\u00e7\u00e3o, precisamos de saber que medidas v\u00e3o ser postas em pr\u00e1tica para concretizar aqueles objetivos, e precisamos de saber as metas ao fim de dois, quatro ou cinco anos, para podermos ter uma ideia mais objetiva da forma como vamos atingir esses objetivos, e sabermos que recursos e meios v\u00e3o ser postos ao servi\u00e7o da implementa\u00e7\u00e3o dessa Estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Os objetivos s\u00e3o sempre curtos relativamente \u00e0s necessidades. Mas, a Estrat\u00e9gia identifica como priorit\u00e1rio o grupo das crian\u00e7as e dos jovens adultos.<\/p>\n<p><em>\u00c9 um ponto positivo?<\/em><\/p>\n<p>Claramente positivo, e vai haver muitas medidas nesse sentido. Inclusive, a Comiss\u00e3o Europeia tamb\u00e9m est\u00e1 preocupada com esse grupo populacional, porque temos de apostar nas crian\u00e7as para o seu desenvolvimento e bem-estar&#8230;<\/p>\n<p><em><br \/>\n\u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o que permite quebrar os ciclos de pobreza?<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 necess\u00e1ria, absolutamente, porque infelizmente\u00a0a pobreza passa de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, est\u00e1 provado que assim \u00e9. J\u00e1 se estudou que s\u00f3 ao fim de cinco gera\u00e7\u00f5es \u00e9 que muitas vezes se quebra o ciclo da pobreza, por isso \u00e9 necess\u00e1rio apostar nas crian\u00e7as, porque ao apostar nas crian\u00e7as estamos a apostar nas fam\u00edlias com crian\u00e7as. Ali\u00e1s,\u00a0as fam\u00edlias com duas crian\u00e7as e com mais do que tr\u00eas, s\u00e3o as fam\u00edlias que neste momento s\u00e3o mais atingidas pela pobreza. H\u00e1 a\u00ed, de facto, um foco incontorn\u00e1vel para agir.<\/p>\n<p>O Papa Francisco tamb\u00e9m diz muito que as pessoas s\u00e3o um poliedro de necessidades. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter materialmente, e do ponto de vista do rendimento, \u00e9 ter acesso \u00e1 educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><em>O Papa insiste muito na ideia da dignidade&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Da dignidade. Um programa ou uma estrat\u00e9gia tem de ser multissectorial &#8211; educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, bem estar, cultura, habita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 t\u00e3o crucial, \u00e9 o 1\u00ba direito.\u00a0N\u00e3o podemos atacar a pobreza s\u00f3 numa dimens\u00e3o. \u00c9 complexo, mas \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio, e a Estrat\u00e9gia diz claramente &#8211; vamos ver se isso depois se traduz na pr\u00e1tica &#8211; que a pobreza \u00e9 um des\u00edgnio nacional.<\/p>\n<p><em><br \/>\nAcredita que ser\u00e1 poss\u00edvel ter o combate \u00e0 pobreza como um des\u00edgnio nacional?<\/em><\/p>\n<p>Quero acreditar, sim, quero acreditar. Vamos ver, agora temos uma mudan\u00e7a de governo, tamb\u00e9m \u00e9 preciso termos isso em conta. H\u00e1 sempre uma quebra de continuidade, mas penso que\u00a0neste momento \u00e9 incontorn\u00e1vel que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel\u00a0admitir\u00a0&#8211; como a quest\u00e3o do ambiente, da salvaguarda da natureza &#8211;\u00a0que entre n\u00f3s h\u00e1 pessoas que vivem com tantas dificuldades que n\u00e3o t\u00eam acesso aos direitos b\u00e1sicos.\u00a0Como povo e sociedade n\u00e3o podemos ignorar, de maneira nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia coletiva?<\/em><\/p>\n<p>E naturalmente que tamb\u00e9m a\u00ed tem de haver uma a\u00e7\u00e3o junto da sociedade, da sua mobiliza\u00e7\u00e3o para isso, porque como sabemos a tomada de decis\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m est\u00e1 muito condicionada pela consci\u00eancia social da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_221516\" aria-describedby=\"caption-attachment-221516\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-221516\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-221516\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco de alguns aspetos da Estrat\u00e9gia de Combate \u00e0 Pobreza, que prev\u00ea a subida do Complemento Solid\u00e1rio para idosos. Para al\u00e9m desta medida, o que \u00e9 que \u00e9 preciso para proteger os mais velhos de um contexto de pobreza econ\u00f3mica e solid\u00e3o, para que os seus \u00faltimos anos de vida sejam mais dignos?<\/em><\/p>\n<p>Todos os dias vamos sabendo not\u00edcias que nos d\u00e3o o retrato do que est\u00e1 a acontecer&#8230; naturalmente que h\u00e1 a\u00ed uma a\u00e7\u00e3o muito cir\u00fargica dirigida \u00e0s pessoas mais velhas, sobretudo as vivem s\u00f3s, e com mais idade, que est\u00e3o muitas vezes muito isoladas. Podem estar isoladas e n\u00e3o estar na solid\u00e3o, mas o sentimento de solid\u00e3o \u00e9 um sentimento de abandono, de ter sido esquecida, de ser invis\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c0s vezes saber que \u00e9 a \u00fanica pessoa a viver numa rua, tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda muito&#8230;<\/em><\/p>\n<p>E se for \u00e0s aldeias! Quem \u00e9 que est\u00e1 nas aldeias a viver neste momento? \u00c0s vezes s\u00e3o tr\u00eas ou quatro pessoas. H\u00e1, de facto, um isolamento geogr\u00e1fico, que naturalmente acentua esse sentimento de solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1 tudo para fazer, mas muito j\u00e1 se tem feito. Tenho acompanhado o programa <a href=\"https:\/\/rr.sapo.pt\/artigo\/134751\/projeto-radar-uma-rede-comunitaria-para-apoiar-a-populacao-65\">Radar<\/a>\u00a0na cidade de Lisboa,\u00a0que ao longo do ano passado foi \u00e0 casa das pessoas idosas com mais de 65 anos &#8211; aquelas que foram identificadas como vivendo s\u00f3s &#8211; para fazer o diagn\u00f3stico. Foram \u00e0 volta de 35 mil as pessoas que foram identificadas. Para esse trabalho fizeram-se redes comunit\u00e1rias, no sentido de cada comunidade se responsabilizar pelos seus mais velhos: foi \u00e0 farm\u00e1cia, \u00e0s lojas de bairro, aos atores da comunidade, \u00e0 freguesia, que s\u00e3o parceiros deste projeto, para que ao n\u00edvel local se acompanhe estas situa\u00e7\u00f5es e se d\u00ea o apoio que for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um trabalho que vai ser alargado a todo o pa\u00eds, desta forma organizada e sistem\u00e1tica, o que significa que todas as pessoas que est\u00e3o identificadas passam a ser periodicamente contactadas, para se acompanhar as suas necessidades, estabelecer as suas liga\u00e7\u00f5es com os servi\u00e7os sociais e de sa\u00fade, de maneira que sejam assistidas no momento certo. O Papa Francisco diz-nos &#8216;vamos ao encontro&#8217;. Temos de ir ao encontro, estas pessoas n\u00e3o saem de casa\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa fala muito da alian\u00e7a entre gera\u00e7\u00f5es&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim, e n\u00e3o podemos esperar que as pessoas venham ter connosco, \u00e9 necess\u00e1rio que vamos ao encontro delas, sintamos com elas estas necessidades. E tamb\u00e9m envolver os jovens nisto. Ali\u00e1s, j\u00e1 muitas par\u00f3quias e IPSS t\u00eam movimentos de jovens, com escolas, j\u00e1 temos muito do que devemos fazer.<\/p>\n<p>Eu costumo dizer que\u00a0Portugal \u00e9 um pa\u00eds que funciona em fun\u00e7\u00e3o das possibilidades, e n\u00e3o das necessidades. S\u00f3 chegamos onde podemos chegar, do ponto de vista financeiro, das equipas, dos recursos humanos. S\u00f3 podemos ir at\u00e9 ali, se sobrarem necessidades, n\u00e3o chegamos l\u00e1. Ora, temos de fazer ao contr\u00e1rio, temos de ver quais s\u00e3o as necessidades e tentar organizar os recursos e os meios, envolvendo a sociedade, porque os primeiros atores s\u00e3o os pr\u00f3prios cidad\u00e3os, somos n\u00f3s. E podemos fazer tanto, cada um de n\u00f3s, com o nosso vizinho&#8230; E j\u00e1 se faz, eu quero ser muito positiva e construtiva nisto! Mas tem de se fazer \u00e9 de forma sistem\u00e1tica e mais organizada, para que n\u00e3o fique ningu\u00e9m para tr\u00e1s. Este \u00e9 um grande princ\u00edpio que devemos levar \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas ser\u00e1 que as causas da pobreza em Portugal est\u00e3o bem identificadas? At\u00e9 que ponto o contexto e a regi\u00e3o em que cada pessoa ou fam\u00edlia vive est\u00e3o a ser tidos em conta no diagn\u00f3stico e no combate \u00e0 pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 v\u00e1rios n\u00edveis do combate&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E h\u00e1 muitas diferen\u00e7as no pa\u00eds&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Muitas diferen\u00e7as. Mas temos entidades que podem assumir essa responsabilidade. Somos um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 grande, n\u00e3o temos regi\u00f5es muito d\u00edspares, e h\u00e1 um sistema p\u00fablico de prote\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o que nos pode garantir que as coisas v\u00e3o ao s\u00edtio certo, porque temos o Governo Central e temos as autarquias, que t\u00eam fun\u00e7\u00f5es equiparadas ao governo nacional, ao seu n\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1 que trabalhar muito no aumento dos rendimentos, quer na prote\u00e7\u00e3o social, quer na remunera\u00e7\u00e3o do trabalho, e isso \u00e9 claro. Talvez qualificando mais as pessoas, mas \u00a0tamb\u00e9m sabemos que h\u00e1 jovens muito qualificados que est\u00e3o a receber o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional\u2026 H\u00e1 que fazer um grande esfor\u00e7o para a dignifica\u00e7\u00e3o e a qualidade do trabalho. Depois h\u00e1 os servi\u00e7os p\u00fablicos indispens\u00e1veis da Habita\u00e7\u00e3o, que agora vamos ter tamb\u00e9m um programa espec\u00edfico para a dignifica\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, que envolve o PRR\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_221518\" aria-describedby=\"caption-attachment-221518\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-221518\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ecclesia10nov-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-221518\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A Rede Europeia Anti-Pobreza lan\u00e7ou recentemente uma campanha de sensibiliza\u00e7\u00e3o das autarquias pelo direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna. Como \u00e9 que est\u00e1 a correr? \u00c9 uma \u00e1rea de particular preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 a come\u00e7ar. As autarquias foram desafiadas a fazer um diagn\u00f3stico das necessidades para definir uma estrat\u00e9gia para a habita\u00e7\u00e3o digna, e nesta fase j\u00e1 est\u00e3o identificados os problemas. Tanto quanto sei as coisas est\u00e3o a correr dentro dos par\u00e2metros.<\/p>\n<p>Este programa destina-se \u00e0 dignifica\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e0 melhoria e qualifica\u00e7\u00e3o das habita\u00e7\u00f5es em todos os aspetos, desde a funcionalidade \u00e0s quest\u00f5es t\u00e9rmicas, que s\u00e3o um problema muito grave no pa\u00eds. \u00c9 mais a qualifica\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o do que propriamente constru\u00e7\u00e3o, e \u00e9 um programa que tem dois anos para ser concretizado, at\u00e9 2023. Penso que vamos ser capazes de, num curto espa\u00e7o de tempo, melhorar bastante as condi\u00e7\u00f5es de algumas habita\u00e7\u00f5es. S\u00e3o 126 mil, n\u00e3o cobrir\u00e1 todas as necessidades, mas ser\u00e1 importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 referiu o atual contexto pol\u00edtico que vivemos: o parlamento vai ser dissolvido e haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Receia que isto possa comprometer e fazer atrasar a aplica\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia Nacional de Combate \u00e0 Pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Quero crer que n\u00e3o. O problema \u00e9 reconhecido por todos, de que \u00e9 necess\u00e1rio haver um fio condutor de interven\u00e7\u00e3o. A Estrat\u00e9gia, mais do que aquilo que vai fazer \u00e9 a forma como vai fazer, a liga\u00e7\u00e3o entre todas as interven\u00e7\u00f5es. Vai com certeza haver um acompanhamento e uma avalia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, metas a atingir, um planeamento e uma interven\u00e7\u00e3o organizada. Porque a no\u00e7\u00e3o que se tem, quem anda pelo pa\u00eds, \u00e9 que h\u00e1 muita coisa a fazer-se, mas t\u00e3o dispersas umas das outras que \u00e0s vezes s\u00e3o redundantes. \u00c9 preciso p\u00f4r um bocadinho de ordem em tanto que se faz por essas autarquias, pelo territ\u00f3rio, e a Estrat\u00e9gia pode vir a racionalizar as interven\u00e7\u00f5es e a torn\u00e1-las mais eficazes e eficientes.<\/p>\n<p>Pode haver ajustes, mas quero crer que no seu essencial &#8211; at\u00e9 porque h\u00e1 que responder a determinadas obriga\u00e7\u00f5es relativamente \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, h\u00e1 compromissos assumidos -, a Estrat\u00e9gia vai ajudar \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, e corresponde a uma necessidade que todos reconhecemos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza analisa situa\u00e7\u00e3o em Portugal, onde as remunera\u00e7\u00f5es s\u00e3o 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