{"id":22102,"date":"2007-01-09T10:51:01","date_gmt":"2007-01-09T10:51:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/09\/o-embriao-e-um-ser-humano\/"},"modified":"2007-01-09T10:51:01","modified_gmt":"2007-01-09T10:51:01","slug":"o-embriao-e-um-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-embriao-e-um-ser-humano\/","title":{"rendered":"O Embri\u00e3o \u00e9 um Ser Humano"},"content":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o fala dos argumentos cient\u00edficos que permitem falar na constitui\u00e7\u00e3o de um novo ser <!--more--> Um embri\u00e3o, qualquer embri\u00e3o, \u00e9, no campo das ci\u00eancias biol\u00f3gicas, a forma corporal mais simples de todo o ser vivo que se reproduz pela conjuga\u00e7\u00e3o de um corpo masculino com um corpo feminino, conjuga\u00e7\u00e3o que permite o encontro e a fus\u00e3o dos g\u00e2metas que cada corpo produz  &#8211;  espermatoz\u00f3ide e ov\u00f3cito.  Antes da Ci\u00eancia nos ensinar esta verdade j\u00e1 o senso comum das pessoas simples o sabia: vendo como dos ovos, aquecidos no ninho, sai, passado algum tempo, uma ave, a conclus\u00e3o era a de que o ovo era o princ\u00edpio do corpo vivo que sa\u00eda da casca partida, j\u00e1 pronto para tratar da sua vida. Era uma conclus\u00e3o evidente. Ningu\u00e9m a punha em d\u00favida.  No caso dos humanos as coisas eram mais dif\u00edceis porque o ovo, resultante da uni\u00e3o de homem e mulher, pelo encontro e fus\u00e3o dos g\u00e2metas, n\u00e3o \u00e9 posto num ninho mas vai, ele pr\u00f3prio, deslocar-se da trompa, na qual foi constituindo, at\u00e9 ao \u00fatero da mulher onde vai nidar (fazer ninho) e desenvolver-se, at\u00e9 ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviver no mundo exterior. Este desenvolvimento era, assim, ocultado e invis\u00edvel. O senso comum das pessoas simples n\u00e3o podia conhec\u00ea-lo com rigor, mas os muitos mitos populares sobre a gravidez mostram que havia uma forte convic\u00e7\u00e3o de ali se estar a criar um corpo, que at\u00e9 podia ser prejudicado se a m\u00e3e fizesse isto ou aquilo\u2026  A investiga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e o espantoso desenvolvimento das t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o do desenvolvimento do embri\u00e3o, em especial a cine-ecografia a tr\u00eas dimens\u00f5es e a cores,  durante os noves meses de vida no ninho materno, trouxeram para o conhecimento cient\u00edfico verdades indiscut\u00edveis. E s\u00f3 por obscurantismo inaceit\u00e1vel pode, hoje, algu\u00e9m p\u00f4-las em d\u00favida. O obscurantismo cient\u00edfico, antes t\u00e3o criticado e por boas raz\u00f5es, parece que come\u00e7a agora a ter adeptos entre os mesmos que eram os seus maiores inimigos.  \u00c9 seguro, no plano cient\u00edfico, que espermatoz\u00f3ide e \u00f3vulo transportam no seu hemi-genoma a informa\u00e7\u00e3o g\u00e9nica necess\u00e1ria e suficiente para a constitui\u00e7\u00e3o de um novo ser humano; e que esta constitui\u00e7\u00e3o ocorre logo no final do processo de articula\u00e7\u00e3o dos dois hemi-genomas postos em contacto no interior do ov\u00f3cito Este processo, cujo preciso condicionalismo bioqu\u00edmico n\u00e3o \u00e9, ainda, totalmente conhecido, demora poucas horas  que s\u00e3o o maravilhoso tempo de constitui\u00e7\u00e3o de um novo ser vivo.  \u00c9 seguro, cientificamente, que, uma vez constitu\u00eddo, este novo genoma humano inicia imediatamente o processo biol\u00f3gico que caracteriza a vida : o embri\u00e3o unicelular divide-se em duas c\u00e9lulas e avan\u00e7a, progressivamente, para o desenvolvimento. Viver e desenvolver-se \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do embri\u00e3o, porque tudo o que \u00e9 vivo apela a viver. Para o embri\u00e3o se desenvolver, a sua informa\u00e7\u00e3o g\u00e9nica exprime-se e dialoga com o meio envolvente, revelando que possui tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio e suficiente  para dirigir o seu pr\u00f3prio crescimento. \u00c9 um ser vivo aut\u00f3nomo, no plano bol\u00f3gico.  \u00c9 seguro, ainda, para a ci\u00eancia biol\u00f3gica mais avan\u00e7ada, que o meio envolvente  &#8211;  leia-se  a biologia materna  &#8211; estabelece rela\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas com as mol\u00e9culas do genoma e modula  a express\u00e3o g\u00e9nica , sem a modificar no essencial, mas afei\u00e7oando-a  e ampliando-a. Por isso os seres humanos s\u00e3o iguais no essencial e s\u00e3o diferentes no acess\u00f3rio. Iguais, porque todos partilham o mesmo genoma, j\u00e1 totalmente decifrado actualmente; diferentes, porque em cada corpo concreto s\u00e3o acolhidas express\u00f5es diversas do mesmo genoma. O embri\u00e3o, mesmo ainda unicelular, apenas zigoto, \u00e9 a primeira apresenta\u00e7\u00e3o de uma forma corporal humana e todos n\u00f3s por ela come\u00e7amos. Esta forma n\u00e3o mais vai deixar de se modificar, ao longo do tempo, para poder defender a sua pr\u00f3pria vida, at\u00e9 que um dia perde a batalha pela vida e morre.  \u00c9 seguro, para os biologistas, que este processo de desenvolvimento \u00e9 fr\u00e1gil e est\u00e1 sujeito a riscos ao longo de todos os momentos da sua evolu\u00e7\u00e3o natural, como \u00e9, infelizmente, a regra de todas as formas de vida , animal e vegetal. Por isso exige, numa \u00e9tica puramente naturalista, um cuidado e um afecto particulares. A ele se aplicam os grandes princ\u00edpios \u00e9ticos da benefic\u00eancia, n\u00e3o malefic\u00eancia, autonomia e justi\u00e7a. E tamb\u00e9m o grande princ\u00edpio da vulnerabilidade, que nos imp\u00f5e a discrimina\u00e7\u00e3o positiva a favor dos fr\u00e1geis e indefesos. Temos de promover o melhor bem do embri\u00e3o, n\u00e3o podemos causar-lhe mal, temos de o respeitar na sua autonomia biol\u00f3gica e temos de usar, para com ele, de equidade, n\u00e3o o instrumentalizando para benef\u00edcio de quem quer que seja.   Cabe \u00e0 mulher gr\u00e1vida esta magn\u00edfica oportunidade de exercer, com toda a dignidade biol\u00f3gica e \u00e9tica, um papel radical e radicalmente humano que \u00e9 o de defender o novo ser vivo da esp\u00e9cie humana, que nela vive e se desenvolve, contra tudo e contra todos os que possam amea\u00e7ar o direito absoluto \u00e0 vida e ao desenvolvimento de que o novo ser \u00e9 titular.  S\u00f3 ela o sabe e pode cumprir Neste momento, muitos milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo, algumas em condi\u00e7\u00f5es de extrema dureza e crueldade, o est\u00e3o a cumprir, serenamente, arrostando com tudo o que poderia desvi\u00e1-las deste grandioso destino biol\u00f3gico e cultural que lhes cabe viver. Merecem, por isso, todo o nosso respeito e devo\u00e7\u00e3o.  Uma sociedade humana, moderna e civilizada, s\u00f3 pode aumentar este respeito e devo\u00e7\u00e3o e est\u00e1 obrigada a tudo fazer para que todas as mulheres gr\u00e1vidas possam honrar o seu compromisso com a vida, com alegria, felicidade e determina\u00e7\u00e3o.  N\u00e3o \u00e9 aprovando leis para fazer cair as mulheres gr\u00e1vidas na tenta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o honrarem o seu compromisso com a vida que se protege e respeita a mulher gr\u00e1vida.  Uma solu\u00e7\u00e3o de morte n\u00e3o \u00e9 nunca uma homenagem \u00e0 vida. E o embri\u00e3o \u00e9, de toda a evid\u00eancia cient\u00edfica, um ser vivo da esp\u00e9cie humana a que todos nos orgulhamos de pertencer. <i>Daniel  Serr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o fala dos argumentos cient\u00edficos que permitem falar na constitui\u00e7\u00e3o de um novo ser<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-22102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}