{"id":220526,"date":"2021-10-31T09:30:10","date_gmt":"2021-10-31T09:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=220526"},"modified":"2021-10-31T22:37:04","modified_gmt":"2021-10-31T22:37:04","slug":"solidao-maior-parte-das-pessoas-nao-conhece-os-vizinhos-do-proprio-predio-mario-pinto-coelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidao-maior-parte-das-pessoas-nao-conhece-os-vizinhos-do-proprio-predio-mario-pinto-coelho\/","title":{"rendered":"Solid\u00e3o: \u00abMaior parte das pessoas n\u00e3o conhece os vizinhos do pr\u00f3prio pr\u00e9dio\u00bb &#8211; M\u00e1rio Pinto Coelho"},"content":{"rendered":"<p><em>Na aproxima\u00e7\u00e3o do Dia dos Fi\u00e9is Defuntos, a Renascen\u00e7a e a Ecclesia conversam com o Provedor da Irmandade da Miseric\u00f3rdia e S\u00e3o Roque de Lisboa<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_220412\" aria-describedby=\"caption-attachment-220412\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-220412 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/mario-pinto-coelho-provedor-da-irmandade-da-misericordia-e-de-sao-roque-de-lisboa-foto-ricardo-fortunato-rr-15608088a-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-220412\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Fortunato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entre as atividades a que a Irmandade se dedica est\u00e1 o acompanhamento das cerim\u00f3nias f\u00fanebres de quem morre sozinho. Chocou saber recentemente que de outubro do ano passado a outubro deste ano quase duplicou o n\u00famero de pessoas cujo corpo n\u00e3o foi reclamado por ningu\u00e9m ao Instituto de Medicina Legal. Esse aumento surpreendeu-vos?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 o ano passado o n\u00famero foi um pouco maior do que \u00e9 habitual. N\u00f3s acompanhamos estes funerais desde maio de 2004, e nos anos anteriores foram na ordem dos 130, 150. O ano passado tivemos 194, o que j\u00e1 foi substancialmente mais. Este ano, at\u00e9 17 de outubro, foram 214, mas no dia seguinte j\u00e1 eram 215, agora j\u00e1 s\u00e3o mais de 220.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma realidade em que muitos n\u00e3o pensam, mas que existe: pessoas que vivem sozinhas, que acabam por morrer e o corpo n\u00e3o \u00e9 reclamado. A pandemia agravou estas situa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, porque n\u00f3s\u00a0acompanhamos quer funerais Covid, quer n\u00e3o Covid, e este n\u00famero tem certamente a ver tamb\u00e9m com aqueles que foram atingidos pela doen\u00e7a. Muitas vezes n\u00e3o temos conhecimento do nome da pessoa, quanto mais da origem ou da hist\u00f3ria, mantemo-nos afastados, n\u00e3o queremos conhecer e n\u00e3o nos d\u00e3o a conhecer. Portanto, n\u00e3o podemos dizer que a percentagem foi maior ou menor por Covid. Efetivamente aumentou, e\u00a0sabemos que muitos dos que acompanh\u00e1mos foram mortes por Covid.<\/p>\n<p><em>O abandono na hora da morte \u00e9 transversal a todas as idades? Porque um dos dados que revelaram foi o das crian\u00e7as. N\u00e3o se fala muito nisso. Aconteceu sempre, ou tamb\u00e9m se agravou neste ano?<\/em><\/p>\n<p>Tem acontecido sempre, todos os anos, quer crian\u00e7as, quer nados-mortos. Em 14 anos acompanh\u00e1mos 80 e tal crian\u00e7as. Amanh\u00e3 e depois de amanh\u00e3 vamos acompanhar cinco crian\u00e7as que morreram, uma com dois dias, outra com duas horas. Nados mortos este ano at\u00e9 nem houve muitos, mas h\u00e1 anos em que h\u00e1 bastantes, mais de uma dezena.<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que funciona este acompanhamento que fazem? S\u00e3o contactados pelo Hospital para que sejam recolhidos esses corpos e seja feito o funeral?<\/em><\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que quando a pessoa morre na rua, nos hospitais, em casa, em pens\u00f5es ou quartos alugados, vai para o Instituto de Medicina Legal. A\u00ed o processo dura pelo menos 30 dias para avalia\u00e7\u00e3o, se foi crime ou qualquer outra morte n\u00e3o natural. Quando efetivamente o processo administrativo fica resolvido, o Instituto de Medicina Legal entra em contacto com uma ag\u00eancia funer\u00e1ria que \u00e9 contratada pela Miseric\u00f3rdia de Lisboa. A SCML, de tr\u00eas em tr\u00eas anos, faz um concurso p\u00fablico entre as ag\u00eancias funer\u00e1rias, ganha uma, e durante esses tr\u00eas anos \u00e9 essa ag\u00eancia que faz os funerais, n\u00e3o s\u00f3 daqueles que acompanhamos, mas tamb\u00e9m daqueles que morrem nos lares e institui\u00e7\u00f5es da Santa Casa.<\/p>\n<p>A Medicina Legal entra em contacto com a ag\u00eancia, e quando n\u00e3o h\u00e1 acompanhamento de ningu\u00e9m &#8211; porque se as pessoas morrerem nos equipamentos da Santa Casa, as pessoas que os tratavam, que s\u00e3o a sua \u00faltima fam\u00edlia, acompanham-nos sempre -, mandam um email dizer que amanh\u00e3, ou depois amanh\u00e3, no cemit\u00e9rio do Alto de S\u00e3o Jo\u00e3o, Benfica ou Carnide, h\u00e1 um funeral \u00e0s tantas horas. S\u00e3o normalmente \u00e0s horas de trabalho, 10h00 da manh\u00e3, ou 15h00. A partir da\u00ed, entramos em contacto com a nossa equipa,\u00a0temos permanentemente 17 irm\u00e3os e volunt\u00e1rios que acompanham estes funerais, vemos quem est\u00e1 dispon\u00edvel e no dia pr\u00f3prio estar\u00e1 no cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 pouco disse que n\u00e3o se interessam muito por explorar a hist\u00f3ria pessoal de cada um. H\u00e1 a tend\u00eancia de pensar que estas situa\u00e7\u00f5es acontecem s\u00f3 com sem-abrigo, mas n\u00e3o, atingem muitas pessoas que vivem simplesmente sozinhas?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Este ano at\u00e9 nem houve muitos sem-abrigo. S\u00e3o pessoas que, por idade ou por doen\u00e7a, morrem nos v\u00e1rios locais que referi. Tem a ver com muitas causas, uma tem a ver com o ditado portugu\u00eas que diz &#8216;casa onde n\u00e3o haja p\u00e3o, todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o&#8217;, s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e de habitabilidade. Depois, a droga tamb\u00e9m \u00e9 um fator importante, o desajustamento, as doen\u00e7as psicol\u00f3gicas e mentais, as doen\u00e7as f\u00edsicas. Os outros s\u00e3o resultado da pobreza, v\u00e3o para os hospitais, que est\u00e3o cheios de camas ocupadas com pessoas idosas que os filhos deixam l\u00e1, e que muitas vezes at\u00e9 alteram as moradas para n\u00e3o serem contactados, para n\u00e3o terem de ir buscar os pais ou familiares para casa, porque n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es nem de os receber, nem de os acompanhar, e portanto ficam no hospital.<\/p>\n<p>Aqui\u00a0era necess\u00e1rio haver um volume grande de unidades de cuidados continuados integrados, mas como sabem em Lisboa \u00e9 muito raro.\u00a0A Miseric\u00f3rdia de Lisboa tem neste momento tr\u00eas equipamentos, um j\u00e1 com v\u00e1rios anos, na Aldeia do Juzo, em Cascais, a Unidade\u00a0de Cuidados Continuados\u00a0Maria Jos\u00e9 Nogueira Pinto, que foi quem teve a iniciativa, e que tem 40 camas. Tem tamb\u00e9m um pavilh\u00e3o no Hospital Pulido Valente, a Unidade de S\u00e3o Roque, com 41 camas, e agora j\u00e1 est\u00e1 a funcionar o antigo Hospital da Estrela, que \u00e9 a Unidade Rainha D. Leonor, que vai ter 91 camas. Estes n\u00fameros s\u00e3o grandes, mas s\u00e3o infinitamente pequenos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades da cidade em termos de cuidados continuados e paliativos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um problema que parece estar subjacente a todos, que \u00e9 o problema da solid\u00e3o. Vive-se e morre-se s\u00f3 em Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>Muito, muito, e cada vez mais, at\u00e9 pela longevidade. Como sabe, at\u00e9 h\u00e1 meia d\u00fazia de anos a esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida seria de 70, 80 anos. Ainda ontem soube, numa reuni\u00e3o com o Provedor da SCML, que em Portugal existem 5000 idosos com mais de 100 anos. H\u00e1 dois anos eram 3000. O problema da solid\u00e3o e da falta de apoio \u00e9 enorme.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Tomar consci\u00eancia desta realidade pode fazer com que haja uma resposta mais solid\u00e1ria da sociedade?<\/em><\/p>\n<p>Isto come\u00e7a logo no edif\u00edcio em que cada um habita.\u00a0A maior parte das pessoas n\u00e3o conhece os vizinhos do pr\u00f3prio pr\u00e9dio, porque sai de manh\u00e3 para o trabalho, e encontram-se quando muito no elevador, \u00e0 noite, quando voltam.<\/p>\n<p>Era importante, e as par\u00f3quias t\u00eam uma responsabilidade grande nisso, em encontrar volunt\u00e1rios, integrados por t\u00e9cnicos, que pudessem acompanhar, estar presentes, fazer um telefonema. Atualmente j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios modos e processos, a teleassist\u00eancia, mas n\u00e3o \u00e9 mesma coisa ter um telefone dispon\u00edvel, em caso de necessidade, ou ter algu\u00e9m que telefone a perguntar se precisa de apoio ou ajuda, criar-se aqui uma rede. J\u00e1 h\u00e1 algumas institui\u00e7\u00f5es, mas de facto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o que o problema cada vez mais tem, ainda \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p>Depois, o problema da habita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 grav\u00edssimo na cidade de Lisboa, e n\u00e3o s\u00f3, mas que n\u00e3o ajuda nada. E o problema da sa\u00fade e da disponibilidade de meios do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, tudo isto ajuda a criar dramas que depois acabam em isolamento e em morte, nestas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este acompanhar que fazem na hora da morte, dar um funeral digno a quem morre s\u00f3, \u00e9 o cumprir das obras de Miseric\u00f3rdia. \u00c9 um consolo importante?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o duas obras de Miseric\u00f3rdia, uma \u00e9 &#8220;enterrar os mortos&#8221;, e outra \u00e9 &#8220;rezar pelos vivos e pelos mortos&#8221;. N\u00f3s o que queremos com este acompanhamento \u00e9 dar \u00e0 pessoa que vai a enterrar a mesma dignidade que teria qualquer um de n\u00f3s, ou da nossa fam\u00edlia, se fosse o seu funeral. Efetivamente, muitas dessas pessoas n\u00e3o tiveram em vida, ou no final de vida, a dignidade que mereciam como filhos de Deus, e n\u00f3s oferecemo-nos para os acompanhar na sua \u00faltima morada e dar-lhes a dignidade, a ora\u00e7\u00e3o e as flores que teria outro qualquer funeral.<\/p>\n<p>Foi importante este caminho, porque, como sabem, antigamente iam todos para uma vala comum, mais tarde passou a haver o funeral do pobre.\u00a0Quando iniciamos este trabalho, as capelas que todos os cemit\u00e9rios t\u00eam, estavam ocupadas como armaz\u00e9ns, e n\u00f3s conseguimos que aos poucos reabrissem como capelas. Dou o exemplo da de Benfica, que estava completamente ocupada, h\u00e1 meia d\u00fazia de anos, e hoje \u00e9 uma capela muito bonita.\u00a0Ser na igreja, ou na capela, para al\u00e9m de ser o local pr\u00f3prio, d\u00e1 uma certa tranquilidade, outro respeito.<\/p>\n<p>O funeral, depois de fazer a sua entrada e o seu registo, vai para a capela do cemit\u00e9rio, e a\u00ed \u00e9 feita a encomenda\u00e7\u00e3o do corpo, porque estes funerais s\u00e3o sempre acompanhados ou por um sacerdote, ou por um ministro extraordin\u00e1rio de ex\u00e9quias, que faz a sua encomenda\u00e7\u00e3o na presen\u00e7a dos irm\u00e3os de S\u00e3o Roque. Na nossa presen\u00e7a, tudo se passa com a maior dignidade. \u00c0s vezes at\u00e9 pessoas que est\u00e3o no cemit\u00e9rio, e j\u00e1 nos conhecem pela frequ\u00eancia, v\u00eaem-se associar a n\u00f3s para rezar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Disse h\u00e1 pouco que s\u00e3o 17 volunt\u00e1rios que est\u00e3o nesta equipa. Algu\u00e9m que se sinta chamado a praticar esta obra de Miseric\u00f3rdia, como \u00e9 que pode fazer?<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m destes 17 volunt\u00e1rios, temos mais uma quantidade de pessoas que se ofereceram, mas muitas vezes n\u00e3o podem por raz\u00f5es familiares, h\u00e1 pessoas que s\u00f3 podem ao fim de semana. Antigamente tamb\u00e9m havia funerais ao fim de semana, agora a ag\u00eancia funer\u00e1ria privilegia a semana, portanto, de segunda a sexta \u00e9 que s\u00e3o os funerais. H\u00e1 um n\u00facleo que responde sempre, e temos sempre dado resposta.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do recente Dia Internacional para a Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza (17 outubro), uma senhora telefonou, porque viu as not\u00edcias, e disse que gostaria de participar, e vai agora, com outro irm\u00e3o, participar num funeral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falar da atividade e do que fazem, leva tamb\u00e9m a esse interesse. A que outras atividades \u00e9 que se dedica a Irmandade da Miseric\u00f3rdia de S\u00e3o Roque?<\/em><\/p>\n<p>A Irmandade, que nasceu em 1506, tem atualmente duas responsabilidades imensas, regidas por um decreto-lei que rege a Miseric\u00f3rdia de Lisboa: a manuten\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito crist\u00e3o, com que a rainha D. Leonor criou a Miseric\u00f3rdia de Lisboa em 1498; a segunda responsabilidade \u00e9 a do culto cat\u00f3lico em todas as igrejas e capelas pertencentes \u00e0 Santa Casa da Miseric\u00f3rdia, a come\u00e7ar pela igreja de S\u00e3o Roque.<\/p>\n<p>Temos tr\u00eas projetos a que damos a maior import\u00e2ncia, pela sua dimens\u00e3o: um \u00e9 o acompanhamento dos funerais; outro, com igual interesse, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o h\u00e1 18 anos, do Auto de Natal, que \u00e9 escrito todos os anos e com m\u00fasica in\u00e9dita. Trabalhamos com jovens e crian\u00e7as desde os cinco anos at\u00e9 mais velhos, com mais de 80, na representa\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. \u00c0s ter\u00e7as e quintas-feiras temos ensaio de um coro, nas instala\u00e7\u00f5es da Irmandade, com quase 40 pessoas idosas.<\/p>\n<p>O que \u00e9 importante neste trabalho \u00e9 o trabalho realizado ao longo dos meses, de setembro a dezembro, na descoberta, sobretudo dos jovens, do trabalhar em conjunto, da disciplina. Porque \u00e0s vezes estes jovens s\u00e3o de fam\u00edlias desestruturadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de jovens, crian\u00e7as e adultos ligados \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da Santa Casa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, das institui\u00e7\u00f5es da Miseric\u00f3rdia. A disciplina, a entreajuda, o esp\u00edrito de Natal, o seu significado, o descobrir que todos precisam de todos \u2013 sozinho n\u00e3o fa\u00e7o nada, no representar preciso do outro -, esse trabalho que \u00e9 feito por profissionais durante os quatro meses \u00e9 que \u00e9 importante e \u00e0s vezes descobrem-se voca\u00e7\u00f5es: hoje um dos nossos meninos do auto de Natal integra o coro oficial do Teatro Nacional de S\u00e3o Carlos, e temos outra rapariga que hoje trabalha com o Filipe La F\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m tem sido ocasi\u00e3o para descobrir talentos?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. H\u00e1 uns anos fizemos uma orquestra com 94 crian\u00e7as a tocar violino. Havia crian\u00e7as que tinham pouco jeito, mas sentimos que outras que se pudessem ter sido acompanhadas seriam hoje bons violinistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Onde \u00e9 que o Auto de Natal pode ser visto?<\/em><\/p>\n<p>No fim-de-semana anterior ao Natal, e as entradas s\u00e3o gratuitas. Antigamente a igreja de S\u00e3o Roque comportava 650 pessoas. No ano passado, com a pandemia e a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de lugares, transform\u00e1mos o Auto de Natal em filme, que foi depois projetado numa sala de cinema da cidade. Este ano esperamos que em dezembro tudo esteja quase ultrapassado e que, n\u00e3o sendo as 750 pessoas, possa ser metade. Nos participantes, entre crian\u00e7as e idosos, contamos com cerca de 150 a 200 pessoas.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os equipamentos da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia. Temos um protocolo que nos \u00e9 dado pelo decreto-lei que rege a Santa Casa. N\u00e3o trabalhamos exclusivamente com a SCML, mas como tem tantas val\u00eancias e milhares de utentes, que tudo o que for feito \u00e9 pouco em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de utentes e de val\u00eancias: os hospitais, as creches, as escolas, a forma\u00e7\u00e3o, os lares, os centros de dia\u2026 Tudo o que for feito \u00e9 sempre pouco.<\/p>\n<p>Tentamos integrar a\u00e7\u00f5es de solidariedade com a Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias e nas reuni\u00f5es do Patriarcado de Lisboa. Estamos presentes sempre que poss\u00edvel. Mas o trabalho na Miseric\u00f3rdia \u00e9 maior.<\/p>\n<p>A terceira val\u00eancia que gostaria de referir \u00e9 o acompanhamento que fazemos a 41 equipamentos sociais da Santa Casa: s\u00e3o 17 lares, cerca de 20 centros de dia, e as tr\u00eas Unidades de Cuidados Continuados\u00a0de que falei, onde temos responsabilidade no culto cat\u00f3lico e nas capelas pr\u00f3prias dos equipamentos, que h\u00e1 v\u00e1rios que t\u00eam, como a Mitra, Santa Isabel, o Hospital de Santana ou o hospital de Alcoit\u00e3o. S\u00e3o celebradas missas, confiss\u00f5es ou b\u00ean\u00e7\u00e3os dos doentes.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o existe capela, fazemos no refeit\u00f3rio ou numa sala grande, levamos todas as alfaias necess\u00e1rias, montamos um altar e s\u00e3o celebradas as Eucaristias nesses locais, com grande interesse e acompanhamento, sobretudo por parte dos idosos. Temos ainda o projeto \u2018Cantar \u00e0 varanda\u2019. Como n\u00e3o pod\u00edamos entrar nos equipamentos (na pandemia), fic\u00e1vamos do lado de fora a cantar.<\/p>\n<p>Um quarto projeto que nos interessa muito \u00e9 dirigido aos jovens entre os 10 e os 20 anos, mesmo que n\u00e3o tenham liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja, mas que sejam integrados e queiram participar nas Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa 2023. H\u00e1 que os ligar ao movimento e entusiasmar, e essa \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o nossa, que os nossos meninos tamb\u00e9m participem ativamente nas Jornadas.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 100 projetos que foram agora aprovados no programa de atividades da Irmandade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que pode ser consultado no site da Irmandade?<\/em><\/p>\n<p>Sim, temos o site (<a href=\"https:\/\/www.irmandadesaoroque.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.irmandadesaoroque.pt\/&amp;source=gmail&amp;ust=1635689225319000&amp;usg=AOvVaw2rLHqYZJpwbOZyw0JizD7o\">https:\/\/www.irmandadesaoroque.pt\/<\/a>) e publicaremos o programa com os projetos e a hist\u00f3ria da Irmandade com mais pormenores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na aproxima\u00e7\u00e3o do Dia dos Fi\u00e9is Defuntos, a Renascen\u00e7a e a Ecclesia conversam com o Provedor da Irmandade da Miseric\u00f3rdia e S\u00e3o Roque de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":220412,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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