{"id":220367,"date":"2021-11-02T15:00:25","date_gmt":"2021-11-02T15:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=220367"},"modified":"2021-11-03T16:02:42","modified_gmt":"2021-11-03T16:02:42","slug":"fieis-defuntos-sociedade-lida-com-a-morte-de-forma-incapaz-cirurgica-e-inconsequente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fieis-defuntos-sociedade-lida-com-a-morte-de-forma-incapaz-cirurgica-e-inconsequente\/","title":{"rendered":"Fieis Defuntos: Sociedade lida com a morte de forma \u00abincapaz\u00bb, \u00abcir\u00fargica e inconsequente\u00bb (c\/v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p><em>Respons\u00e1vel pelo Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual da Arquidiocese de Braga pede \u00abnormaliza\u00e7\u00e3o do luto\u00bb, uma \u00abpastoral das ex\u00e9quias\u00bb e revela que a pandemia nada mudou sobre tema da morte mas exp\u00f4s incapacidades<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_75799\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Bm-yeAzlXUg?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>Braga, 02 nov 2021 (Ecclesia) \u2013 O padre Jorge Vila\u00e7a, diretor do Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual da Arquidiocese de Braga, disse que a pandemia veio \u201cexpor\u201d a incapacidade e a forma \u201ccir\u00fargica e inconsequente\u201d com que a sociedade lida com a morte.<\/p>\n<p>\u201cSobre a morte, considero que (a pandemia) exp\u00f4s uma evid\u00eancia: Que n\u00f3s n\u00e3o somos capazes de, com seriedade, com esperan\u00e7a, falarmos de um tema que afeta todos. S\u00f3 exp\u00f4s o que estava escondido\u201d, sublinha \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o sacerdote respons\u00e1vel, h\u00e1 10 anos, pelo centro criado em Braga.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei se a pandeia alterou a conce\u00e7\u00e3o de finitude mas considero que j\u00e1 existia uma anonimiza\u00e7\u00e3o, uma tentativa de pintar a realidade. Como sociedade, temos uma abordagem \u00e0 morte, cir\u00fargica e inconsequente\u201d, evidencia, indicando um \u201ccrime de aus\u00eancia, por omiss\u00e3o, no antes e no depois\u201d.<\/p>\n<p>O padre Jorge Vila\u00e7a, coordenador da Pastoral da Sa\u00fade na arquidiocese, sustenta que o acompanhamento em Portugal \u00e0 sa\u00fade mental \u201c\u00e9 claramente insuficiente\u201d, que esta realidade \u201cj\u00e1 existia antes do Covid-19\u201d, e que os n\u00fameros que agora emergem exp\u00f5em uma situa\u00e7\u00e3o ignorada.<\/p>\n<p>A pandemia, continua, veio \u201cexpor o que j\u00e1 existia antes\u201d: \u201cAs nossas feridas, as aus\u00eancias, as fragilidades. N\u00e3o sei se mudou assim tanto a nossa conce\u00e7\u00e3o da morte\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O sacerdote fala num \u201cequ\u00edvoco\u201d quando o tema \u00e9 a \u201cmorte\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs mi\u00fados, frente a um computador, matam mil inimigos mas se dissermos para ele ir ao funeral do av\u00f4, eles n\u00e3o gostam. H\u00e1 um equ\u00edvoco \u2013 lidar com o tema da morte mas n\u00e3o lidar com a morte dos meus ou a minha. Lidamos com a morte todos os dias, mas um tema diferente \u00e9 a minha morte. E aqui percebem-se quadros de ansiedade em mi\u00fados que n\u00e3o conseguem enfrentar a morte de um familiar ou de um animal\u201d, explica.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel afirma a necessidade de se \u201cnormalizar o luto\u201d e pede uma pastoral das ex\u00e9quias pois, afirma, ser esse o momento em que as pessoas \u201cest\u00e3o abertas a uma mensagem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um direito \u00e0 tristeza, ao choro, \u00e0 desesperan\u00e7a e \u00e0 revolta, inclusive contra Deus. Os chav\u00f5es de uma certa positividade balofa impedem o luto. Sabemos que do ponto de vista t\u00e9cnico, o luto precisa de valida\u00e7\u00e3o de sentimentos, sendo esse o primeiro passo para uma rela\u00e7\u00e3o e para a elabora\u00e7\u00e3o do que tem em si\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual recebe cerca de 300 pessoas anualmente, num trabalho que o padre Jorge Vila\u00e7a indica ser um servi\u00e7o \u201cinutilit\u00e1rio\u201d, uma vez que \u201cn\u00e3o tem retorno imediato\u201d, sendo, no entanto, uma porta aberta para um caminho de liberta\u00e7\u00e3o, promovido pelo escutar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um servi\u00e7o de escuta terap\u00eautica orientado pela espiritualidade crist\u00e3. A escuta, mesmo civilmente falando, produz felicidade. A escuta, por si s\u00f3, produz sentido; Quando aliada \u00e0 espiritualidade crist\u00e3, abre um manancial de liberta\u00e7\u00e3o\u201d, indica.<\/p>\n<p>Para o padre da diocese de Braga, escutar deveria ser preocupa\u00e7\u00e3o primeira da Igreja.<\/p>\n<p>\u201cNas \u00faltimas enc\u00edclicas que o Papa Francisco escreveu, ele afirma a necessidade da escuta cerca de 100 vezes. Em 2019, disse aos bispos que deveriam ser ap\u00f3stolos da escuta. Quando o Papa Francisco nos diz \u00abescutem\u00bb, precisamos de uma terap\u00eautica da escuta, (e est\u00e1 a pedir) para termos calma na interven\u00e7\u00e3o; Ele est\u00e1 a dizer-nos que estamos a servir muitos senhores ao mesmo tempo. Precisamos de ap\u00f3stolos da escuta. S\u00f3 temos de entender: ele diz \u00absentem-se\u00bb, porque a escuta faz-se sentada, e sobretudo, com o dom mais precioso que temos que se chama tempo\u201d, explica.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pede uma escuta de \u201ctu a tu, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o\u201d, capaz de \u201cconseguir perceber a dimens\u00e3o da hist\u00f3ria divina na hist\u00f3ria humana\u201d.<\/p>\n<p>Ao Centro acorrem \u201clutos n\u00e3o elaborados, patol\u00f3gicos, e muitas pessoas que sentem que n\u00e3o encontram na liturgia ou nas a\u00e7\u00f5es rituais comuns respostas para a sua f\u00e9\u201d, mas tamb\u00e9m pessoas em processo de div\u00f3rcio.<\/p>\n<p>\u201cQuando confrontados com um casamento que falhou, toda a vida perde sentido. E a Igreja o que me diz? Excomunga-me? H\u00e1 muito \u00abdiz que disse\u00bb e as pessoas querem encontrar algu\u00e9m, com rosto e nome, e que fale e fa\u00e7a caminho junto\u201d, explica.<\/p>\n<p>Assinalar a Solenidade dos Fi\u00e9is Defuntos permite, um ano e meio depois de despedidas sem os \u201clugares da morte\u201d provocadas pela pandemia, \u201clocalizar os mortos, senti-los e homenage\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>\u201c(Acontece) n\u00e3o apenas uma dimens\u00e3o religiosa importante mas uma dimens\u00e3o terap\u00eautica, termos a oportunidade de novamente estarmos juntos, junto de algu\u00e9m que j\u00e1 partiu e da sua mem\u00f3ria. Os cemit\u00e9rios fazem falta aos vivos, n\u00e3o aos defuntos. As pessoas v\u00e3o voltar (aos cemit\u00e9rios) porque precisam de sentir a morte de quem lhe morreu\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>A entrevista ao padre Jorge Vila\u00e7a vai estar em destaque no programa ECCLESIA, emitido hoje, na RTP2.<\/p>\n<p><em>PR\/LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel pelo Centro de Escuta e Acompanhamento Espiritual da Arquidiocese de Braga pede \u00abnormaliza\u00e7\u00e3o do luto\u00bb, uma \u00abpastoral das ex\u00e9quias\u00bb e revela que a pandemia nada mudou sobre tema da morte mas exp\u00f4s incapacidades<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":187093,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[89,3],"tags":[660,566],"class_list":["post-220367","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque2","category-nacional","tag-fieis-defuntos","tag-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220367\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}