{"id":22011,"date":"2007-01-04T11:41:20","date_gmt":"2007-01-04T11:41:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/04\/apresentacao-do-movimento-norte-pela-vida\/"},"modified":"2007-01-04T11:41:20","modified_gmt":"2007-01-04T11:41:20","slug":"apresentacao-do-movimento-norte-pela-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apresentacao-do-movimento-norte-pela-vida\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o do Movimento \u00abNorte pela Vida\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Pedro Aguiar-Branco <!--more--> Vivemos tempos em que &#8211; se exige uma milit\u00e2ncia activa contra o pessimismo, contra a atrac\u00e7\u00e3o pela futilidade, contra a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ideol\u00f3gico, contra a eleva\u00e7\u00e3o do pragmatismo ao patamar dos valores a preservar.  Vivemos tempos em que  &#8211; se exige a afirma\u00e7\u00e3o de uma sociedade din\u00e2mica, crente nas suas potencialidades, com vontade de elevar a sua auto estima, confiante na sua capacidade de ultrapassar as agruras sociais e econ\u00f3micas em que se move.  Vivemos tempos em que &#8211; se exige a eleva\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 dimens\u00e3o que est\u00e1 para l\u00e1 da do indiv\u00edduo, que rompe as fronteiras do egocentrismo narc\u00edsico de cada um &#8211; que leva \u00e0 exclus\u00e3o do outro &#8211; e que  condiciona a sua afirma\u00e7\u00e3o como ser eminentemente social \u2013 tra\u00e7o estruturante e distintivo da sua condi\u00e7\u00e3o humana.  Tempos estes &#8211; os nossos tempos &#8211; que nos enrodilham na teia dos interesses materiais que preenchem as motiva\u00e7\u00f5es do nosso quotidiano, que nos consomem na esfera, pequena, do bem estar dos nossos, na ilus\u00e3o de que o mundo se contem por a\u00ed.  Tempos estes \u2013 os nossos tempos \u2013 que colocam \u00e0 curta dist\u00e2ncia de um clique na Internet  a informa\u00e7\u00e3o sobre mundo desesperado que nos comprime &#8211; e deveria merecer a nossa solidariedade &#8211; mas que pela f\u00e1cil confus\u00e3o do real com o virtual, nos faz ceder ao conforto intelectual de acreditar que, ao navegarmos de p\u00e1gina para p\u00e1gina, desaparecem, tamb\u00e9m a\u00ed, os problemas que momentaneamente atormentaram as nossas consci\u00eancias.  Tempos estes \u2013 os nossos tempos \u2013 que tudo querendo para n\u00f3s, esquecem, com arrog\u00e2ncia, que foi o sacrif\u00edcio, o esp\u00edrito de luta, a dedica\u00e7\u00e3o e a perseveran\u00e7a de outros, antes de n\u00f3s, que trouxe o n\u00edvel de bem estar de que hoje usufru\u00edmos.   Somos, no entanto, os agentes destes tempos. Em n\u00f3s reside a din\u00e2mica que mant\u00e9m, altera, constr\u00f3i ou destr\u00f3i o que de bem ou mal a nossa sociedade ir\u00e1 legar aos que a seguir a n\u00f3s vir\u00e3o. Os tais nossos filhos a quem \u2013 num chav\u00e3o politicamente correcto \u2013 dizemos querer entregar um mundo melhor, mais rico, mais solid\u00e1rio e com mais oportunidades de realiza\u00e7\u00e3o.  Mas\u2026temos revelado mesmo essa capacidade de abnega\u00e7\u00e3o? Em n\u00f3s reside a responsabilidade pela sustenta\u00e7\u00e3o dos alicerces de uma sociedade que preserve como o primeiro dos seus valores, como o pressuposto de todos os outros,  o direito \u00e0 vida. Direito indispon\u00edvel que s\u00f3 raz\u00f5es de excep\u00e7\u00e3o poder\u00e3o comprimir e ao qual devem ser conferidas todas as condi\u00e7\u00f5es para a sua afirma\u00e7\u00e3o de modo digno.  Mas\u2026temos mesmo exercitado essa responsabilidade de sustenta\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que para l\u00e1 do d\u00e9fice das contas p\u00fablicas um outro, mais profundo e corrosivo, n\u00e3o se tem consolidado, paulatina e firmemente, na nossa sociedade: o d\u00e9fice da nossa participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, da nossa exig\u00eancia comunit\u00e1ria, da nossa preocupa\u00e7\u00e3o activa com o devir comum ?  Nestes tempos de f\u00e1cil, r\u00e1pida e vis\u00edvel possibilidade de interven\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00e3o tantos e tantos os meios \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para que seja tida em conta a nossa vontade \u2013n\u00e3o podemos sistematicamente imputar aos outros \u2013 em ladainha derrotista deprimente &#8211; a causa do mal de que todos, afinal, vamos sofrendo.  E \u00e9 esta capacidade pr\u00f3-activa que se espera no referendo que \u00e9 a raz\u00e3o do nosso encontro de hoje. Para que a sociedade possa conviver pacificamente na indiscut\u00edvel legitimidade da decis\u00e3o tomada.  Mas\u2026Caras amigas e amigos, Recuso-me a aceitar que sejamos incapazes, no nosso auto-governo colectivo, de reduzir a uma taxa marginal a aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es para que cada um nas\u00e7a e viva com a dignidade que \u00e9 devida a cada ser humano.  Recuso-me a aceitar que sejamos incapazes de educar, informar e prevenir de modo a que a liberdade e a responsabilidade na procria\u00e7\u00e3o andem, tamb\u00e9m a\u00ed, de m\u00e3os dadas.  Recuso-me a aceitar que recuemos civilizacionalmente, restabelecendo uma variante da pena de morte, de que nos orgulhamos de ter sido dos primeiros a abolir. Se acreditamos na ressocializa\u00e7\u00e3o do homem, ainda que delinquente grave, se investimos fartos recursos humanos, financeiros e log\u00edsticos no sentido da sua recupera\u00e7\u00e3o \u2013 tantas e tantas vezes com o sabor amargo da frustra\u00e7\u00e3o do resultado n\u00e3o obtido \u2013mais facilmente se justificar\u00e1 que invistamos, com acrescido empenho, na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para que uma maternidade se desenvolva e ocorra num ambiente saud\u00e1vel &#8211; para a m\u00e3e e para a crian\u00e7a \u2013 e uma educa\u00e7\u00e3o se prossiga, para esta, duma forma proporcionadora do seu desenvolvimento equilibrado.   Ceder na permiss\u00e3o da livre cessa\u00e7\u00e3o da gravidez \u00e9 aceitar que o Homem \u2013 n\u00f3s todos &#8211;  \u00e9 incapaz de criar as condi\u00e7\u00f5es para a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia como esp\u00e9cie. \u00c9 aceitar, afinal, que at\u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do que fere ou n\u00e3o a nossa dignidade humana fica apeada do quadro referencial dos nossos valores comuns, fica na livre disponibilidade de interesses particulares, desestruturando-se, assim, um elemento nuclear da nossa sociedade.  Acreditamos que esse n\u00e3o \u00e9 o caminho que conduz \u00e0 felicidade, individual e colectiva. A nossa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 contra ningu\u00e9m. N\u00e3o discrimina ningu\u00e9m. \u00c9 a favor da mulher, do homem, da crian\u00e7a, enfim, da vida. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o positiva, optimista e que acredita que depende tamb\u00e9m de n\u00f3s, sobretudo de n\u00f3s pr\u00f3prios, sermos amanh\u00e3 melhores do que somos hoje. Como outros fizeram no passado.  A nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada e s\u00f3lida na convic\u00e7\u00e3o, humilde na forma de se exprimir e tolerante na sua rela\u00e7\u00e3o com outros.   Nestes tempos complexos, a nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9, afinal, bem simples: a defesa inquebrant\u00e1vel do direito \u00e0 vida.  E, como diz Agustina: \u201c\u00e9 nas coisas simples que reside o segredo do sentimento humano\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Pedro Aguiar-Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,193,314],"class_list":["post-22011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-educacao","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}