{"id":220028,"date":"2021-10-25T10:01:42","date_gmt":"2021-10-25T09:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=220028"},"modified":"2021-12-02T10:48:57","modified_gmt":"2021-12-02T10:48:57","slug":"tu-es-o-que-sabes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tu-es-o-que-sabes\/","title":{"rendered":"\u201cTu \u00e9s o que sabes?\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-213729 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Pergunta dif\u00edcil! \u201cTu \u00e9s o que sabes?\u201d foi uma interpela\u00e7\u00e3o que pude escutar recentemente a um te\u00f3logo num v\u00eddeo online. Esta quest\u00e3o \u00e9 de todo importante. Diria mesmo, essencial. Desde logo porque interpela-nos a perceber se a minha ess\u00eancia e a minha identidade se reflecte e se identifica no que real e verdadeiramente sei e conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Na verdade, eu sei bem mais do que realmente sou. Isto \u00e9 mau&#8230;! E \u00e9 mau porque sei que tenho de ser aquilo ou aqueloutro e, efectivamente, n\u00e3o sou. H\u00e1 uma \u201cd\u00e9calage\u201d, uma diferen\u00e7a enorme entre o que sei e o que sou. \u00c9, pois, para mim, e talvez para alguns de n\u00f3s, simultaneamente, um problema e um desafio. \u00c9 algo que devo e que tenho de resolver. Cabe- me igualar ambas as realidades numa \u00fanica e mesma realidade, isto \u00e9, o que sou e o que sei.<\/p>\n<p>Vejamos este exemplo: sei que tenho de ser bom, amigo e generoso com todos, \u201cser santo como Deus \u00e9 santo\u201d. Por\u00e9m, teimosamente, n\u00e3o o sou. Sei e sabemos mais do que somos! Isto d\u00f3i! D\u00f3i porque sei e sabemos que tenho e temos de unir a sabedoria \u00e0 nossa ess\u00eancia, torn\u00e1-la numa identidade unit\u00e1ria e unitiva.<\/p>\n<p>Posso correr o risco de viver o tempo que me \u00e9 dado viver sem nunca me aperceber da discrep\u00e2ncia entre o sou e o que sei. Confesso que esta mesma pergunta \u2013 \u201ctu \u00e9s o que sabes?\u201d<\/p>\n<p>\u2013 me tem feito t\u00e3o bem, uma vez que me inquire intimamente, me faz perguntar se serei ou n\u00e3o uma fraude, se terei ou n\u00e3o seguido de perto o caminho de Jesus, se sou ou n\u00e3o o que sei e o que devo e\/ou estou destinado a ser.<\/p>\n<p>Julgo que se trata de um processo duro e gradual para uma reconfigura\u00e7\u00e3o que se deseja e se exige. S\u00f3 com humildade, com perseveran\u00e7a, com disciplina, com sofrimento e com a gra\u00e7a de Deus poderemos ser o que sabemos, e vice-versa. N\u00e3o podemos escamotear uma realidade: o sofrimento. \u201cO pr\u00e9mio do amor \u2013 como belamente afirma o Padre Paulo Ricardo \u2013 \u00e9 o sofrimento\u201d. Permitam que explique da seguinte maneira: pense na pessoa em que tenha a certeza que o amou incondicionalmente. Talvez a sua resposta seja a sua m\u00e3e (ou outra pessoa que lhe seja importante). Mas garanto-lhe que essa pessoa sofreu muito por si. Quem muito sofre por n\u00f3s, muito nos ama. Assim se compreende o que afirmei acima: o pr\u00e9mio do amor \u00e9 o sofrimento. Vejamos, em analogia, o caso de Jesus Cristo. Deus, na sua magnific\u00eancia e omnipot\u00eancia, por amor inef\u00e1vel e inenarr\u00e1vel ao ser humano quis encarnar a nossa natureza humana, fazer-se um connosco para que, com Ele e n\u2019Ele, pud\u00e9ssemos ser redimidos e santificados. O seu amor \u00e9 t\u00e3o grande que se deixou sofrer \u00e0s nossas m\u00e3os da forma mais vilipendiosa e violenta. Mas, a pergunta coloca-se-nos de imediato: qual a raz\u00e3o? Porqu\u00ea? Ora, porque muito nos ama, muito sofre por n\u00f3s. Repito: o pre\u00e7o do amor \u00e9 o sofrimento. N\u00e3o quero fazer apologia ao sofrimento por si. Antes, recordar que o acto mais profundo de amor implica, inevitavelmente, o acto de sofrer.<\/p>\n<p>E num tempo marcado por uma nova \u2018grande\u2019 amea\u00e7a que n\u00e3o vem de fora, mas de dentro, que n\u00e3o \u201cvem das armas, vem do irrealismo e do simplismo das ideias que alguns nos querem autocraticamente impor. E vem tamb\u00e9m da apatia dos que j\u00e1 n\u00e3o defendem nada nem ningu\u00e9m e da desist\u00eancia e da falta de compar\u00eancia dos muitos que, discordando e dissidindo, se calam, se rendem, se conformam\u201d (Jaime Nogueira Pinto, IN. <em>Observador <\/em>15.10.2021).<\/p>\n<p>\u00c9, pois, chegada a hora de concretizar o desejo prof\u00e9tico do grande poeta na busca por uma exist\u00eancia plena: &#8220;S\u00ea todo em cada coisa. P\u00f5e quanto \u00e9s no m\u00ednimo que fazes. Para ser grande, s\u00ea inteiro: nada teu exagera ou exclui. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive&#8221; (Fernando Pessoa, com o seu heter\u00f3nimo Ricardo Reis, em \u201cOdes\u201d).<\/p>\n<p><em>Manuel Ribeiro, Padre<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213729,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-220028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220028\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}