{"id":219971,"date":"2021-10-24T09:30:12","date_gmt":"2021-10-24T08:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=219971"},"modified":"2021-10-23T20:20:41","modified_gmt":"2021-10-23T19:20:41","slug":"a-missao-esta-na-vida-onde-quer-que-a-gente-esteja-ou-faca-padre-pedro-fernandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-missao-esta-na-vida-onde-quer-que-a-gente-esteja-ou-faca-padre-pedro-fernandes\/","title":{"rendered":"\u00abA miss\u00e3o est\u00e1 na vida, onde quer que a gente esteja ou fa\u00e7a\u00bb &#8211; padre Pedro Fernandes"},"content":{"rendered":"<p><em>No Dia Mundial das Miss\u00f5es, Ecclesia e Renascen\u00e7a conversam com o provincial portugu\u00eas dos Espiritanos a partir da Tanz\u00e2nia, onde decorre o Cap\u00edtulo Geral da Congrega\u00e7\u00e3o. O di\u00e1logo inter-religioso e a justi\u00e7a e paz s\u00e3o \u00e1reas priorit\u00e1rias, conta o religioso, que fala ainda da sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e do impacto da pandemia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_219973\" aria-describedby=\"caption-attachment-219973\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-219973 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/DSC_0446_Pedro-Fernandes_Reframed-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-219973\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Espiritanos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Termina este domingo o Cap\u00edtulo Geral dos Mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo, onde foi eleito o novo Superior a n\u00edvel mundial &#8211; que \u00e9 pela primeira vez um africano -, mas foi igualmente eleito um portugu\u00eas para o &#8220;governo&#8221; mundial da Congrega\u00e7\u00e3o: o padre Tony Neves \u00e9 um dos novos Assistentes Gerais. \u00c9 uma escolha importante, tamb\u00e9m do ponto de vista de Portugal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 importante sobretudo do ponto de vista da Congrega\u00e7\u00e3o. Normalmente o m\u00e9todo de elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo que garante a representatividade das v\u00e1rias sensibilidades, a n\u00edvel cultural e lingu\u00edstico, de distribui\u00e7\u00e3o pelo mundo e de tipo de miss\u00e3o, essa escolha tem a ver com isso mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O novo Superior Geral \u00e9 o padre Alain Mayama, de 50 anos, natural do Congo Brazzaville. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de pela primeira vez ser um religioso africano a liderar a Congrega\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial?<\/em><\/p>\n<p>Se calhar tem uma import\u00e2ncia mais simb\u00f3lica do que outra coisa. A nossa Congrega\u00e7\u00e3o foi fundada para a primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, para os mais pobres, e tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a em \u00c1frica. Um dos nossos fundadores tinha uma especial predile\u00e7\u00e3o por \u00c1frica, isso fez com que muitos dos pa\u00edses africanos que hoje t\u00eam igrejas pujantes, desenvolvidas, tenham sido evangelizadas sobretudo por espiritanos, ou com uma presen\u00e7a muito forte dos espiritanos. Um dos frutos dessa realidade \u00e9 que hoje a Congrega\u00e7\u00e3o, na verdade, \u00e9 maioritariamente africana. A elei\u00e7\u00e3o de um africano como Superior Geral \u00e9 uma consequ\u00eancia natural dessa realidade. Hoje temos uma percentagem de africanos na Congrega\u00e7\u00e3o que ultrapassa os 50%, portanto, essa \u00e9 uma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, o padre Alain \u00e9 algu\u00e9m que tem uma experi\u00eancia larga em v\u00e1rios tipos de miss\u00e3o: trabalhou nos Estados Unidos, foi formado tamb\u00e9m na Nig\u00e9ria, \u00e9 congol\u00eas, teve uma longa experi\u00eancia de presen\u00e7a em Roma e de trabalhos ao n\u00edvel da lideran\u00e7a na Congrega\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios lugares, portanto, \u00e9 algu\u00e9m que conhece bastante bem a Congrega\u00e7\u00e3o em diferentes registos culturais e lingu\u00edsticos, e em diferentes realidades mission\u00e1rias, e isso \u00e9 uma grande mais-valia para algu\u00e9m que assume a lideran\u00e7a suprema de uma Congrega\u00e7\u00e3o como a nossa, que \u00e9 uma Congrega\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e internacional.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este Cap\u00edtulo Geral realiza-se de oito em oito anos. Nesta altura em que conversamos j\u00e1 h\u00e1 prioridades mission\u00e1rios definidas?<\/em><\/p>\n<p>As prioridades mission\u00e1rias, na verdade, s\u00e3o as de sempre, s\u00e3o a primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a e paz, etc. H\u00e1 uma \u00eanfase especial dado ao di\u00e1logo inter-religioso, sobretudo num mundo como o nosso, contempor\u00e2neo, em que as quest\u00f5es religiosas, da paz e da justi\u00e7a s\u00e3o t\u00e3o candentes, parece absolutamente priorit\u00e1rio que a abertura a outras culturas e sensibilidade religiosas esteja no horizonte primeiro da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja. Portanto, o di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 uma das prioridades fundamentais.<\/p>\n<p>Por outro lado, num mundo com cada vez mais assimetrias e realidades sociais e culturais, marcadas muitas vezes pela extrema pobreza, vamos dando conta de que os compromissos pela justi\u00e7a e paz se tornam tamb\u00e9m absolutamente priorit\u00e1rios. Portanto, estas duas grandes \u00e1reas s\u00e3o \u00e1reas de prioridade, claramente, para a Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A miss\u00e3o \u00e9 associada ao primeiro an\u00fancio da f\u00e9, mas a verdade \u00e9 que quem est\u00e1 no terreno procura sempre alargar os campos da miss\u00e3o, sobretudo hoje. Falou das quest\u00f5es da justi\u00e7a social, da paz, mas a Congrega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem uma preocupa\u00e7\u00e3o com a ecologia, um tema cada vez mais presente. A prioridade mission\u00e1ria \u00e9 cada vez mais colocada como uma forma de acompanhar a vida concreta dos povos onde se encontram os mission\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Diria que sempre foi, e as diferentes dimens\u00f5es da miss\u00e3o &#8211; o primeiro an\u00fancio, a pr\u00f3pria dimens\u00e3o lit\u00fargica, a catequese, o acompanhamento das comunidades crist\u00e3s j\u00e1 estabelecidas, etc. &#8211; nunca se separou, e n\u00e3o se pode separar, desse compromisso com a humanidade enquanto tal.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o pelo cuidado da Casa Comum, em sintonia total com a &#8216;Laudato Si&#8217; e o magist\u00e9rio do Papa Francisco, e as quest\u00f5es da justi\u00e7a e paz, do di\u00e1logo inter-religioso, as quest\u00f5es sociais do desenvolvimento &#8211; outra grande dimens\u00e3o da miss\u00e3o hoje -, tudo isso est\u00e1 entrela\u00e7ado, e na verdade nada disso faz sentido isoladamente. Quando nos preocupamos com a solicitude de Deus pela humanidade, estamos a preocupar-nos com todas as dimens\u00f5es que fazem parte da vida da humanidade.<\/p>\n<p>O an\u00fancio do Evangelho, explicitamente, n\u00e3o pode nunca separar-se de todas as outras dimens\u00f5es ao servi\u00e7o da pessoa humana, toda, de uma maneira muito inclusiva, sob pena de se desvirtuar esse an\u00fancio. Portanto, hoje a presen\u00e7a dos institutos mission\u00e1rios \u00e9, sobretudo, marcada por essa proximidade, por esse entrela\u00e7ar-se com as realidades do povo em que nos inserimos e que nos acolhe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma realidade que \u00e9 transversal a todo o mundo, neste momento, que \u00e9 realidade da pandemia. O Papa na sua mensagem para este Dia Mundial das Miss\u00f5es, que foi publicada neste momento cr\u00edtico, apela a uma &#8220;miss\u00e3o de compaix\u00e3o&#8221; e a &#8220;mission\u00e1rios de esperan\u00e7a\u201d como resposta \u00e0 crise provocada pela Covid-19. \u00c9 um desafio que \u00e9 preciso assumir ainda?<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim. Continuamos a perceber com muita clareza as consequ\u00eancias da pandemia e a express\u00e3o ainda presente dessa pandemia, e isso \u00e9 muito evidente, n\u00e3o apenas na Europa, mas em todo mundo.<\/p>\n<p>Aqui na Tanz\u00e2nia, curiosamente, esperava uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com esse assunto, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente como noutros lugares\u2026 No entanto, o problema existe igualmente, as consequ\u00eancias econ\u00f3micas e sociais continuam muito presentes, e continua a marcar muito a vida dos mission\u00e1rios e a vida da Igreja nas zonas ditas mais perif\u00e9ricas, mais pobres, ou onde os recursos materiais e humanos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o abundantes. Isso \u00e9 efetivamente uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pandemia tamb\u00e9m afetou muito a Congrega\u00e7\u00e3o dos Espiritanos e as vossas miss\u00f5es, em termos de v\u00edtimas? Tiveram de redimensionar projetos?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 dias tivemos um momento de ora\u00e7\u00e3o no cemit\u00e9rio dos mission\u00e1rios em Bagamoyo, que \u00e9 a primeira miss\u00e3o da \u00c1frica de Leste, e quisemos marcar esse momento recordando os muitos mission\u00e1rios que morreram jovens e que est\u00e3o ali sepultados. Nessa celebra\u00e7\u00e3o houve um momento de mem\u00f3ria de todos os confrades espiritanos que morreram durante a pandemia. Eu confesso que sabia que tinha havido alguns pa\u00edses do mundo profundamente flagelados a este n\u00edvel, mas fiquei impressionado pelo tempo que demorou a ler a longa lista de mission\u00e1rios que tinham morrido v\u00edtimas da pandemia na Europa, em pa\u00edses como a Fran\u00e7a e como a Irlanda &#8211; houve um per\u00edodo em que morriam v\u00e1rios por semana, foi uma coisa muito dolorosa -, mas um pouco por todo o mundo, em \u00c1frica tamb\u00e9m, e n\u00e3o apenas mission\u00e1rios, mas gente profundamente ligada \u00e0 nossa Congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Efetivamente, o impacto que a pandemia tem tido na nossa miss\u00e3o \u00e9 enorme, desde logo por isso mesmo, porque h\u00e1 mission\u00e1rios que morreram ou ficaram gravemente doentes, mas tamb\u00e9m pelo impacto social e econ\u00f3mico que as popula\u00e7\u00f5es a quem servimos sofreram e continuam a sofrer, e isso evidentemente tem uma consequ\u00eancia de maior dificuldade na presen\u00e7a mission\u00e1ria junto dessas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De que forma \u00e9 que o impacto da pandemia tamb\u00e9m vai afetar os pr\u00f3ximos tempos em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>No que se refere aos espiritanos tivemos, apesar de tudo, um impacto m\u00ednimo, gra\u00e7as a Deus n\u00e3o houve v\u00edtimas mortais nem situa\u00e7\u00f5es particularmente dif\u00edceis. No entanto, ao n\u00edvel da nossa miss\u00e3o, sim, fomo-nos dando conta de que franjas importantes das popula\u00e7\u00f5es a quem mais diretamente servimos foram profundamente afetadas. Estou a pensar, por exemplo, nos imigrantes.<\/p>\n<p>Temos uma institui\u00e7\u00e3o criada por n\u00f3s, que \u00e9 o CEPAC, Centro Padre Alves Correia, que serve pessoas em situa\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o, particularmente aquelas que n\u00e3o est\u00e3o ainda em situa\u00e7\u00e3o de regulariza\u00e7\u00e3o documental, que s\u00e3o uma popula\u00e7\u00e3o extremamente fragilizada, porque muitos deles n\u00e3o t\u00eam emprego, n\u00e3o t\u00eam reconhecimento legal nem espa\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o, muitos n\u00e3o conhecem sequer a l\u00edngua. Se em toda a sociedade sentimos o impacto terr\u00edvel que a pandemia criou, essas pessoas sim, est\u00e3o mesmo na linha da frente das v\u00edtimas, n\u00e3o apenas da doen\u00e7a, diretamente, mas das consequ\u00eancias econ\u00f3micas, da situa\u00e7\u00e3o de isolamento em que agora se encontram, etc. E o CEPAC tem tido, naturalmente, como outras institui\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter social, um desafio tremendo em atender todas estas pessoas: a ajuda alimentar multiplicou-se, a ajuda documental e o apoio psicol\u00f3gico, para muitas delas, tem aumentado, mas da nossa parte os recursos s\u00e3o mais ou menos os mesmos, at\u00e9 menores\u2026 Nesse sentido, esta pandemia tem tido um impacto importante em Portugal, sim, mesmo ao n\u00edvel da miss\u00e3o espiritana.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O CEPAC funciona na zona da Estrela, em Lisboa. Pelo que nos conta, as necessidades e a procura de ajuda t\u00eam sido crescentes. Precisam de apoio para esta miss\u00e3o social?<\/em><\/p>\n<p>Sim, com certeza. Dispomos de um quadro de colaboradores permanentes, temos um conjunto grande de volunt\u00e1rios e mais volunt\u00e1rios s\u00e3o bem-vindos. Debatemo-nos com dificuldades econ\u00f3micas, para o apoio a todas estas pessoas; damo-nos conta de que mais possibilidades houvesse, a n\u00edvel de recursos humanos e financeiros, mais pessoas poder\u00edamos atender. A impress\u00e3o que temos \u00e9 que o crescimento da resposta social a esta situa\u00e7\u00f5es poderia ser quase infinita, se houvesse possibilidades infinitas. Sim, \u00e9 um desafio lancinante e \u00e0s vezes sentimo-nos bastante impotentes, para lhe fazer face.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 v\u00e1rios movimentos de leigos integrados na Fam\u00edlia Espiritana (LIAM, Jovens Sem Fronteiras), nesta espiritualidade e carisma pr\u00f3prios. \u00c9 uma colabora\u00e7\u00e3o fundamental?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro que sim. A miss\u00e3o \u00e9 conjunta, \u00e9 de todos, \u00e9 da Igreja, a miss\u00e3o somos n\u00f3s. Estes movimentos de que falou, a Liga Intensificadora da A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria (LIAM), os Jovens Sem Fronteiras e outras realidades da fam\u00edlia espiritana, s\u00e3o express\u00f5es de compromisso na Igreja local e na sociedade que querem visibilizar e concretizar a dimens\u00e3o da miss\u00e3o na vida crist\u00e3 que \u00e9, pela sua natureza, mission\u00e1ria. A LIAM, em particular, tem mais de 85 anos de exist\u00eancia, \u00e9 um movimento pioneiro, porque tendo a marca de uma espiritualidade mission\u00e1ria, de uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa, \u00e9 desde o princ\u00edpio um movimento de inser\u00e7\u00e3o paroquial. Isso traduz-se, basicamente, por crist\u00e3os comprometidos, dentro da sua par\u00f3quia, a trabalhar ao servi\u00e7o da sensibiliza\u00e7\u00e3o e consciencializa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da comunidade, para que todos se sintam verdadeiramente comprometidos com a miss\u00e3o \u2013 perto, nas suas par\u00f3quias, nas suas Igrejas locais, e longe, uma vez que a miss\u00e3o \u2018ad extra\u2019 continua a ser uma parte importante, uma dimens\u00e3o importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem 52 anos de idade, j\u00e1 celebrou os 25 anos de sacerd\u00f3cio. O que \u00e9 que o levou a querer ser mission\u00e1rio espiritano?<\/em><\/p>\n<p>Posso dar uma s\u00e9rie de raz\u00f5es: a sensibilidade \u00e0s quest\u00f5es da justi\u00e7a e da paz, a perce\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o e da primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, a perce\u00e7\u00e3o de um mundo que, maioritariamente, continua a n\u00e3o conhecer Jesus Cristo e que precisa de o encontrar \u2013 n\u00e3o de uma forma proselitista, mas no contexto e no registo pr\u00f3prio do di\u00e1logo, do acolhimento, da busca da verdade, que n\u00f3s acreditamos estar em Jesus Cristo e que tamb\u00e9m acreditamos estar nas culturas e nos povos que nos acolhem. Por isso, eles podem reconhecer Jesus como seu salvador.<\/p>\n<p>A perce\u00e7\u00e3o dos grandes desafios da miss\u00e3o, se calhar, \u00e9 algo que, humanamente, esteve na origem da minha voca\u00e7\u00e3o. Mas ela \u00e9 sempre uma iniciativa de Deus \u2013 tinha tantas raz\u00f5es para n\u00e3o ser mission\u00e1rio, tantas situa\u00e7\u00f5es que poderiam ter marcado o fim dessa voca\u00e7\u00e3o \u2013 e \u00e9 mesmo uma quest\u00e3o de f\u00e9, porque Deus est\u00e1 presente e nos vai acompanhando em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida, conduzindo-nos nas op\u00e7\u00f5es que quer fazer connosco, em di\u00e1logo com a nossa liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fez o est\u00e1gio mission\u00e1rio na Guin\u00e9-Bissau e esteve depois em miss\u00e3o v\u00e1rios anos em Mo\u00e7ambique (de 1996 a 2009). O que \u00e9 que o marcou mais nestas experi\u00eancias fora de Portugal?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o realidades bastante diferentes, na Guin\u00e9-Bissau estava numa miss\u00e3o de absoluta primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, coincidiu com a minha presen\u00e7a l\u00e1 o batismo dos oito primeiros crist\u00e3os, numa aldeia do interior, distante de todo o mundo e toda a cultura ocidental que conhecemos\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma experi\u00eancia que deve ser muito emocionante, para um mission\u00e1rio\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, fascinante. A minha nomea\u00e7\u00e3o como padre foi em Mo\u00e7ambique, onde fiquei 13 anos, sempre em miss\u00f5es do interior, fortemente marcadas por essa dimens\u00e3o da primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 sempre uma dimens\u00e3o fascinante, e ao mesmo tempo pela inser\u00e7\u00e3o em comunidades crist\u00e3s a nascer, de primeira, segunda gera\u00e7\u00e3o, agora j\u00e1 de terceira gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marcou-me mesmo esta experi\u00eancia fant\u00e1stica de perceber a presen\u00e7a de Deus e a vitalidade da Igreja em tantos contextos diferentes, com culturas, l\u00ednguas, modos de express\u00e3o diversos. Isso ajuda imenso a relativizar as nossas certezas absolutas, a colocar na sua verdadeira dimens\u00e3o coisas que nos parecem fundamentais, mas que talvez n\u00e3o o sejam assim tanto, mesmo a n\u00edvel material, econ\u00f3mico\u2026 Foi um grande enriquecimento para mim, tornei-me mais rico vivendo em situa\u00e7\u00f5es que, materialmente, economicamente, eram de maior pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser superior provincial dos Espiritanos em Portugal \u00e9 uma forma diferente de estar ao servi\u00e7o e de fazer miss\u00e3o? Portugal tamb\u00e9m \u00e9 uma terra de miss\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma maneira diferente, obviamente, viver em Portugal n\u00e3o \u00e9 o mesmo do que viver em Mo\u00e7ambique, os trabalhos s\u00e3o sempre diferentes, mas o essencial \u00e9 que a miss\u00e3o est\u00e1 na vida, onde quer que a gente esteja, o que quer que fa\u00e7a, com quem quer que a gente tenha de interagir, a\u00ed mesmo est\u00e1 a miss\u00e3o, a\u00ed mesmo est\u00e1 o lugar de Deus, a colocar-nos em comunica\u00e7\u00e3o, uns com os outros. Isso \u00e9 que \u00e9 a miss\u00e3o, Deus a fazer-nos comunicar, a partir dos seus olhos, percebendo o quanto Ele se envolve nos nossos compromissos. Isso \u00e9 miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser provincial hoje, em Portugal, \u00e9 um desafio, sem d\u00favida, porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de dificuldades, problemas, e tamb\u00e9m h\u00e1 coisas boas, que a gente vai tendo de gerir. Mas \u00e9 sobretudo essa experi\u00eancia da diversidade da rela\u00e7\u00e3o humana e da presen\u00e7a de Deus na nossa vida, na presen\u00e7a dos homens nestes caminhos de Deus, onde vamos sendo conduzidos \u00e0s vezes de maneira muito imprevis\u00edveis, na nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Como Provincial dos Espiritanos, e vice-presidente da CIRP \u2013 a Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal \u2013 como \u00e9 que v\u00ea o processo sinodal em curso na Igreja? Os Institutos de Vida Consagrada podem dar o seu contributo pr\u00f3prio?<\/em><\/p>\n<p>(O S\u00ednodo) parece-me uma das grandes maravilhas e um dos grandes desafios do pontificado do Papa Francisco. \u00c9 uma interpela\u00e7\u00e3o enorme a toda a Igreja, em particular aos institutos mission\u00e1rios, de facto. Temos de assumir com maior consci\u00eancia e com maior compromisso que a Igreja somos todos, todos n\u00f3s, e somos chamados efetivamente a participar, n\u00e3o apenas em posi\u00e7\u00e3o de subalternidade, mas em posi\u00e7\u00e3o de compromisso ativo. A nossa voz \u00e9 importante, o que Deus vai escrevendo nas nossas vidas e na intera\u00e7\u00e3o de todos, uns com os outros, \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 alguma coisa que marca a identidade dos institutos mission\u00e1rios, dos institutos religiosos, \u00e9 precisamente essa experi\u00eancia de comunh\u00e3o, de chamamento \u00e0 comunh\u00e3o, que fazemos e s\u00f3 \u00e9 aut\u00eantica se for transbordada, comunicada aos outros. A sinodalidade \u00e9 a comunh\u00e3o concretizada na forma como nos organizamos, na forma como pensamos os desafios e os dons da comunidade crist\u00e3, do mundo. A forma como nos escutamos, como fazemos dessa escuta o lugar e o ponto de partida para construir alguma coisa mais parecido com o que Deus quer de n\u00f3s, tanto a n\u00edvel da Igreja como a n\u00edvel da sociedade, da realidade humana. Em certo sentido, a sinodalidade \u00e9 a nossa miss\u00e3o, \u00e9 o rosto pr\u00f3prio do ser mission\u00e1rio, e diria at\u00e9 do ser Igreja. O Papa Francisco captou isso e est\u00e1 a transmiti-lo de uma maneira formid\u00e1vel, aos crist\u00e3os e ao mundo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1 animado, portanto, em rela\u00e7\u00e3o a este processo?<\/em><\/p>\n<p>Estou, realmente. H\u00e1 desafios a vencer, h\u00e1 problemas na Igreja, de resist\u00eancias, inclusive ao Papa Francisco e aos sinais de Deus, aos sinais dos tempos, e essas resist\u00eancias s\u00e3o bastante humanas, transversais \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja, porque sempre existiram, em certo sentido. Por outro lado, tem de haver coragem para as chamar pelo nome e para ir caminhando, no sentido de construir a comunh\u00e3o, a sinodalidade de que falamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial das Miss\u00f5es, Ecclesia e Renascen\u00e7a conversam com o provincial portugu\u00eas dos Espiritanos a partir da Tanz\u00e2nia, onde decorre o Cap\u00edtulo Geral da Congrega\u00e7\u00e3o. O di\u00e1logo inter-religioso e a justi\u00e7a e paz s\u00e3o \u00e1reas priorit\u00e1rias, conta o religioso, que fala ainda da sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e do impacto da pandemia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":219973,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[197,261],"class_list":["post-219971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-espiritanos","tag-missoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=219971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/219973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=219971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=219971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=219971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}