{"id":21979,"date":"2007-01-03T10:45:41","date_gmt":"2007-01-03T10:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/03\/favorecer-a-fantasia-da-caridade\/"},"modified":"2007-01-03T10:45:41","modified_gmt":"2007-01-03T10:45:41","slug":"favorecer-a-fantasia-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/favorecer-a-fantasia-da-caridade\/","title":{"rendered":"Favorecer a \u00abfantasia da caridade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja prepara-se para a celebra\u00e7\u00e3o do 93\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado <!--more--> Se existe um sector pastoral da ac\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s onde se verifica a &#8220;fantasia da caridade&#8221; \u00e9 precisamente aquele das migra\u00e7\u00f5es. Temos vindo a assistir &#8211; numas dioceses mais do que outras &#8211; a uma s\u00e9rie de ac\u00e7\u00f5es brotadas da caridade mais gratuita e incans\u00e1vel, n\u00e3o obstante as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o, de incultura\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, pr\u00f3prias do relacionamento entre pessoas de culturas, religi\u00f5es e l\u00ednguas diferentes. Na procura de respostas para necessidades prementes a n\u00edvel social e cultural, muitos crist\u00e3os redescobriram a fraternidade b\u00edblica e encontram-se em processo de realfabetiza\u00e7\u00e3o da universalidade da sua f\u00e9 em Jesus Cristo. Ele quer acolher-nos no estrangeiro que pede acolhimento e um lugar na comunidade. Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, caracterizada por diversificadas e intensas vagas de imigrantes para Portugal e de portugueses rumo ao estrangeiro, os crist\u00e3os t\u00eam-se multiplicado em surpreendentes solidariedades concretas, em eficazes eventos de acolhimento e em liturgias mission\u00e1rias de integra\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0s ac\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos &#8211; que encontra ainda resist\u00eancia em algumas comunidades &#8211; pessoas e organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas t\u00eam-se debru\u00e7ado sobre a legisla\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas administrativas, fruto da altern\u00e2ncia politica e irrespons\u00e1vel de certos governos, que t\u00eam impedido &#8220;o direito a viver em fam\u00edlia&#8221;. A teimosa e securit\u00e1ria manuten\u00e7\u00e3o de diferentes regimes jur\u00eddicos para &#8220;permanentes&#8221; e &#8220;residentes&#8221;, alimentados por vistos, prazos excessivos e restri\u00e7\u00f5es injustas, as exig\u00eancias discricion\u00e1rias para a concess\u00e3o do &#8220;reagrupamento familiar&#8221; e a discrimina\u00e7\u00e3o no acesso a apoios familiares t\u00eam impedido o &#8220;desenvolvimento harm\u00f3nio&#8221; das fam\u00edlias imigrantes, sobretudo, aquelas de pa\u00edses &#8220;estrangeiros&#8221; \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, designados comummente por pa\u00edses terceiros.    <b>O migrante \u00e9, antes de tudo, fam\u00edlia<\/b> Na vis\u00e3o da Igreja, a fam\u00edlia tem sido o &#8220;observat\u00f3rio privilegiado&#8221; atrav\u00e9s do qual tem procurado uma percep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e actual das migra\u00e7\u00f5es na complexidade de fen\u00f3meno humano, social e religioso. O imigrante que chega, o emigrante que parte, muito antes de entende-lo como indiv\u00edduo, ele \u00e9, sobretudo, fam\u00edlia. A hist\u00f3ria das Comunidades Portuguesas, desde as primeiras gera\u00e7\u00f5es, e o apostolado de seus mission\u00e1rios, tem muito a dizer \u00e0 procura pastoral que a Igreja faz para implementar recursos para a defesa dos direitos familiares dos imigrantes, para o acompanhamento e garantia da transmiss\u00e3o dos valores da f\u00e9, cultura e tradi\u00e7\u00e3o.   \u00c9 por causa do bem-estar da fam\u00edlia, que algu\u00e9m deixa a sua terra para procurar noutras paragens as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que lhe permitem o desenvolvimento humano. \u00c9 por causa de um projecto familiar fracassado ou em crise que algu\u00e9m parte, cada vez mais pessoas sozinhas, entre as quais muitas mulheres, na esperan\u00e7a de um recome\u00e7o promissor. \u00c9 por causa do futuro dos filhos ou do presente de pais idosos que algu\u00e9m decide &#8220;viajar&#8221; para terras desconhecidas para que n\u00e3o falte o essencial \u00e0 dignidade. \u00c9 por causa da fam\u00edlia que se aceita viver numa casa indigna, ter uma mesa menos farta, fazer trabalhos que ningu\u00e9m mais quer, ser exclu\u00eddo de alguns direitos sociais e poupar pondo em risco a pr\u00f3pria sa\u00fade porque envia quase tudo o que ganha para investir na qualidade de vida dos familiares que ficaram na terra. A decis\u00e3o de migrar \u00e9, na maioria das vezes, um l\u00facido pensar mais nos outros do que propriamente em si.   <b>Aliviar as feridas do cora\u00e7\u00e3o tornando-se pr\u00f3ximo<\/b> \u00c9 \u00e0 &#8220;fam\u00edlia migrante&#8221; que o Papa Bento XVI dedica a sua Mensagem para o 93\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado, a ser assinalado pela Igreja, no pr\u00f3ximo domingo 14 de Janeiro. Este \u00e9 um tema comum e recorrente noutras mensagens por ser fulcral na vis\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o da Igreja. \u00c9, sem d\u00favida, no contexto da mobilidade humana hodierna, seja nas migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas ou volunt\u00e1rias, seja nas tempor\u00e1rias ou permanentes, seja no seio da Uni\u00e3o Europeia ou fora das suas fronteiras, que a fam\u00edlia \u00e9 alvo das maiores amea\u00e7as e perigos de &#8220;desagrega\u00e7\u00e3o&#8221; dos valores da vida, do amor e cultura. As fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de mobilidade vivem a mesma problem\u00e1tica hodierna de qualquer outra fam\u00edlia. Por\u00e9m, pelo facto de &#8220;ser estrangeira&#8221; c\u00e1 ou l\u00e1, aumenta a vulnerabilidade, amea\u00e7a a unidade, a transmiss\u00e3o dos valores e favorece a xenofobia e a discrimina\u00e7\u00e3o espacial, laboral e racial.   A Igreja permanece atenta: \u00e0 dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre familiares, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o mesmo se provis\u00f3ria, \u00e0 solid\u00e3o afectiva, ao isolamento na comunidade local, \u00e0 falta da rede solid\u00e1ria familiar, ao div\u00f3rcio crescente, aos filhos nascidos fora do casamento, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e pais solteiros, \u00e0s uni\u00f5es de facto, \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, aos idosos abandonados, aos filhos \u00f3rf\u00e3os, \u00e0s mulheres prostitu\u00eddas por causa dos filhos, \u00e0s vitimas do tr\u00e1fico de pessoas ou escravid\u00e3o causada pelos pr\u00f3prios familiares, aos doentes e estudantes. No entanto, \u00e9 especialmente, a crise na pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de &#8220;fam\u00edlia&#8221; &#8211; conceito em muta\u00e7\u00e3o &#8211; favorecida por legisla\u00e7\u00f5es laicas e &#8220;individualistas&#8221;, que exigem da parte da Igreja uma maior reflex\u00e3o transversal e proximidade pastoral. A ser feita atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos laicais de espiritualidade familiar, de campanhas de valoriza\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, da aposta profunda na catequese familiar e forma\u00e7\u00e3o dos jovens e noivos, e de sinais concretos vis\u00edveis &#8211; equipas e centros paroquias &#8211; de acolhimento humano para com os matrim\u00f3nios mistos com disparidade de culto, as fam\u00edlias monoparentais e os divorciados recasados, entre outros. Compete \u00e0 Igreja, afirma o Papa na sua mensagem, de maneira atenta e eficaz aliviar as &#8220;feridas do cora\u00e7\u00e3o&#8221;.   As migra\u00e7\u00f5es motivam a redescoberta da fam\u00edlia como &#8220;comunidade de la\u00e7os&#8221; onde, mesmo sem certos cl\u00e1ssicos contornos institucionais, se ousa viver, em estado de voca\u00e7\u00e3o e santidade, numa terra estrangeira habitada por v\u00e1rios padr\u00f5es familiares, os verdadeiros valores do amor, da vida, da tradi\u00e7\u00e3o, da cultura e se favorece o verdadeiro desenvolvimento humano de cada membro da fam\u00edlia.  <i>Rui Pedro, Director OCPM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja prepara-se para a celebra\u00e7\u00e3o do 93\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,127,189,199,206,246,258,269,314],"class_list":["post-21979","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-direitos-humanos","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-liturgia","tag-migracoes","tag-ocpm","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21979"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21979\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}