{"id":21975,"date":"2007-01-03T10:23:48","date_gmt":"2007-01-03T10:23:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/03\/ano-novo\/"},"modified":"2007-01-03T10:23:48","modified_gmt":"2007-01-03T10:23:48","slug":"ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-novo\/","title":{"rendered":"<i>Ano Novo<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>A passagem de ano&#8230; uma experi\u00eancia de limita\u00e7\u00e3o e da incapacidade de controlar a hist\u00f3ria <!--more--> \u00c9 muito dif\u00edcil adivinhar o que se escondeu por detr\u00e1s  do rosto, traje e ritmo, na celebra\u00e7\u00e3o da passagem de ano. Dos que partiram para longe e dos que ficaram. Dos que se ocultaram na agita\u00e7\u00e3o de an\u00f3nimos em salas, pra\u00e7as, ruas e castelos de fantasia inventados para a circunst\u00e2ncia. Tudo na escorregadia passagem do tempo que, \u00e0 esquina, tanto promete e nada garante. Que ser\u00e1 afinal um ano que passa, um n\u00famero que muda e conduz \u00e0 exaust\u00e3o f\u00edsica, psicol\u00f3gica, econ\u00f3mica, os agentes deste ritual complexo que a todos envolve e questiona? No momento de falar todos tartamudeiam os mesmos lugares comuns nos desideratos para um Ano Novo. Mas todos, possivelmente, encobrem um oceano de inquieta\u00e7\u00f5es, anseios, procuras, incertezas, medos rec\u00f4nditos. Trata-se de espantar os monstros que podem surgir na neblina de cada novo minuto que o rodar do tempo transporta. Ningu\u00e9m \u00e9 dono do tempo e dos factos. As not\u00edcias escorrem, com uma sensualidade estranha, sobre os naufr\u00e1gios, os acidentes de estrada, os fogos, os crimes, os cataclismos e as l\u00e1grimas de tantos fustigados pela dor. E sabemos que muitos dramas ficaram por dizer e muitas alegrias por contar. E tantos acontecimentos de festa e ternura tratados com o desprezo de causas insignificantes. O que d\u00e1 import\u00e2ncia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos acontecimentos e os transforma em liturgia \u00e9 a sua capacidade de se projectarem para al\u00e9m do seu tempo real. E esse valor mede-se pela intensidade com que se vivem. A passagem de ano tem realmente um significado dentro de cada ser humano que experimenta a sua limita\u00e7\u00e3o de tempo e a sua incapacidade de controlar a hist\u00f3ria. Sempre no \u00edmpeto irreprim\u00edvel de felicidade. H\u00e1 algo de transcendente dentro de cada ser como voca\u00e7\u00e3o de infinito que o leva a olhar o imediato como medida estreita para os horizontes que interiormente vislumbra. A chegada do Ano Novo parece-se muitas vezes, exteriormente, com um Carnaval selvagem e uma explos\u00e3o celebrativa pr\u00f3xima da histeria. Mas esconde anseios no cora\u00e7\u00e3o de cada ser que o remetem \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o humana de infinito. As fronteiras do absurdo e do sublime confundem-se por vezes na complexa condi\u00e7\u00e3o humana. Aos crist\u00e3os incumbe colocar o tempo, o espa\u00e7o e divertimento no seu lugar certo. Com a for\u00e7a dum esp\u00edrito que olha e celebra o longe. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A passagem de ano&#8230; uma experi\u00eancia de limita\u00e7\u00e3o e da incapacidade de controlar a hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[246],"class_list":["post-21975","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21975\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}