{"id":21951,"date":"2007-01-02T13:03:25","date_gmt":"2007-01-02T13:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/02\/igreja-de-aveiro-seja-ancora-e-farol-para-todos\/"},"modified":"2007-01-02T13:03:25","modified_gmt":"2007-01-02T13:03:25","slug":"igreja-de-aveiro-seja-ancora-e-farol-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-de-aveiro-seja-ancora-e-farol-para-todos\/","title":{"rendered":"Igreja de Aveiro seja \u00e2ncora e farol para todos"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de Entrada na diocese de Aveiro de D. Ant\u00f3nio Francisco Santos <!--more--> Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o S\u00e9 catedral, 8 de dezembro de 2006 \u00abFeliz a na\u00e7\u00e3o cujo Deus \u00e9 o Senhor, o povo que Ele escolheu como Sua heran\u00e7a\u00bb (Salmo 33 (32), 12). <b>1. AO DEUS ETERNO E SANTO &#8211; NA UNIDADE DO TEMPO E DA HIST\u00d3RIA<\/b> H\u00e1 precisamente um ano, concelebrava, na Bas\u00edlica de S. Pedro, a Eucaristia da Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Maria. Evocava-se, nessa celebra\u00e7\u00e3o, presidida pelo Santo Padre Bento XVI, o 40.\u00ba anivers\u00e1rio do encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II. Eu recordava, nesse mesmo dia, o anivers\u00e1rio da minha ordena\u00e7\u00e3o presbiteral e louvava a Deus pela gra\u00e7a de o festejar na comunh\u00e3o, que a proximidade f\u00edsica tornava ainda mais intensa, com o sucessor de Pedro e com bispos, sacerdotes e fi\u00e9is de todo o mundo, congregados em Roma. \u00c9 nesta unidade do tempo e da hist\u00f3ria e na comunh\u00e3o da Igreja que, diariamente, acolho a vida e a f\u00e9, a voca\u00e7\u00e3o e o minist\u00e9rio deixando-me modelar e guiar por Deus que \u00e9 Amor &#8211; Deus caritas est (1Jo 4,8). \u00c9 o Deus eterno e santo, uno e trino, que \u201cfaz maravilhas\u201d (Salmo) e que \u00e9 Bendito porque \u201cnos aben\u00e7oou com todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais em Cristo\u201d (2\u00aa Leitura); \u00e9 esse Deus que me envia como bispo \u00e0 Igreja de Aveiro para continuar, em ininterrupta sucess\u00e3o apost\u00f3lica, a miss\u00e3o dos pastores que me antecederam. A  todos quero recordar, louvar e agradecer na pessoa de D. Ant\u00f3nio Baltasar Marcelino meu imediato predecessor, semeador sempre dedicado, generoso e incans\u00e1vel da Boa Nova do Reino e construtor interpelativo e corajoso de um di\u00e1logo necess\u00e1rio e l\u00facido da Igreja com a sociedade do nosso tempo. Sinto estar tamb\u00e9m, connosco, D. Manuel de Almeida Trindade que, no recolhimento do sil\u00eancio e da ora\u00e7\u00e3o, continua a ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a Igreja de que tomou posse como Bispo a 8 de Dezembro de 1962 e que hoje serve com a dilig\u00eancia da oferta duma vida amadurecida. Deus envia-me para esta diocese, j\u00e1 rica de hist\u00f3ria Agrade\u00e7o-vos o acolhimento caloroso e fraterno que desde o primeiro momento me dispensastes. A ningu\u00e9m perguntarei \u201cdonde vem, quem \u00e9 e o que faz\u201d. Para mim cada um de v\u00f3s \u00e9 um irm\u00e3o. Convosco sou crist\u00e3o; para v\u00f3s sou bispo. \u00c9 neste esp\u00edrito que vos sa\u00fado, irm\u00e3os sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos, religiosas, consagrados, seminaristas e leigos, individualmente ou integrados em minist\u00e9rios e movimentos apost\u00f3licos. Sa\u00fado igualmente todas as fam\u00edlias e institui\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o diocesano, e n\u00e3o esque\u00e7o que este ano pastoral vos est\u00e1 particularmente dedicado. Sa\u00fado-vos car\u00edssimos jovens e crian\u00e7as, realidade do presente, esperan\u00e7a da Igreja, herdeiros do futuro e certeza de um amanh\u00e3 cheio de luz, de encanto e de f\u00e9 em Aveiro. O meu pensamento e a minha ora\u00e7\u00e3o colocam, desde esta primeira hora, no Cora\u00e7\u00e3o de Deus, todos quantos, fragilizados pelo sofrimento, pela doen\u00e7a ou pelas incertezas e prova\u00e7\u00f5es da vida, n\u00e3o est\u00e3o connosco, mas a quem eu me sinto enviado, com os mesmos sentimentos do bom samaritano do Evangelho (Lc 10, 29-37). Volto-me, assim, com redobrado afecto, atrav\u00e9s de v\u00f3s e da comunica\u00e7\u00e3o social &#8211; cujo trabalho muito prezo e cuja presen\u00e7a muito agrade\u00e7o &#8211; para os pobres e doentes, para os idosos sem ningu\u00e9m e para as v\u00edtimas da injusti\u00e7a e da viol\u00eancia, do esquecimento, da solid\u00e3o, do abandono. Para todos v\u00f3s, queridos irm\u00e3os, orientarei, em perman\u00eancia, a minha solicitude pastoral e a minha solidariedade crist\u00e3. Sa\u00fado as autoridades judiciais, civis, militares e acad\u00e9micas que me honram com a sua presen\u00e7a e a quem asseguro total disponibilidade para trabalhar, no respeito pela diversidade e especificidade de miss\u00f5es e de objectivos,  com esp\u00edrito de leal e eficaz colabora\u00e7\u00e3o em ordem ao progresso de Aveiro, cidade e diocese, e ao bem das suas gentes, meta que \u00e9 comum a todos.                                                                                                                                                                               Conduzem-me a esta querida Igreja de Aveiro e acompanham-me, nesta hora, v\u00e1rias Igrejas irm\u00e3s com os seus Pastores, sacerdotes e fi\u00e9is em t\u00e3o grande e expressivo n\u00famero: a Igreja de Lamego onde, na minha par\u00f3quia natal de Tendais, concelho de Cinf\u00e3es, recebi o baptismo e em cuja Catedral fui ordenado presb\u00edtero por D. Ant\u00f3nio Xavier Monteiro e bispo por D. Jacinto Tom\u00e1s Botelho, meu mestre, irm\u00e3o e amigo; a Igreja de Fran\u00e7a onde trabalhei v\u00e1rios anos ao servi\u00e7o da pastoral da emigra\u00e7\u00e3o e em miss\u00e3o de estudos; a Igreja de Braga, sede metropolitana a que pertencemos e que hoje, uma vez mais, me envolve com o carinho e a dedica\u00e7\u00e3o inexced\u00edveis a que me habituou nos dias, breves mas intensos, que ali vivi, como bispo auxiliar, em comunh\u00e3o t\u00e3o fraterna com o Senhor Arcebispo Primaz, D. Jorge, e com o Senhor D. Antonino. Sa\u00fado, tamb\u00e9m, o Senhor Arcebispo em\u00e9rito D. Eurico Nogueira e o Senhor D. Carlos Pinheiro, assim como todos os irm\u00e3os bispos cuja presen\u00e7a me sensibiliza, ajuda e encoraja. \u00c9 devida uma particular refer\u00eancia e um sentido testemunho de gratid\u00e3o ao Senhor D. Lu\u00eds Quintero Fi\u00faza, Bispo de Orense, em Espanha.  Sa\u00fado com afecto cordial e comunh\u00e3o fraterna os representantes de outras confiss\u00f5es crist\u00e3s que com a Igreja de Aveiro e comigo quisestes partilhar a alegria e a ora\u00e7\u00e3o desta hora. As Cartas Apost\u00f3licas, que consignam a Bula da minha nomea\u00e7\u00e3o e expressam a comunh\u00e3o de f\u00e9 e a colegialidade episcopal e apost\u00f3lica, vinculam-me ao Santo Padre Bento XVI a quem testemunho a minha uni\u00e3o fraterna e a minha obedi\u00eancia filial e que sei e sinto muito pr\u00f3ximo pela presen\u00e7a dedicada de Monsenhor Luigi Roberto, representante do Senhor N\u00fancio Apost\u00f3lico em Portugal  <b>2 &#8211; NOSSA SENHORA,  A ESTRELA  DO  MAR,  NOSSA M\u00c3E<\/b> Escolhi este dia para iniciar o servi\u00e7o pastoral nesta amada Igreja de Aveiro, rezando frente ao t\u00famulo de Santa Joana Princesa, nossa Padroeira e beijando o ch\u00e3o sagrado da sua S\u00e9 Catedral, porque a vida, a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal e o minist\u00e9rio episcopal a que fui chamado remetem-me, sem cessar, para a M\u00e3e \u201ca grande Crente que, repleta de confian\u00e7a se coloca nas m\u00e3os de Deus, abandonando-se \u00e0 Sua vontade\u201d (Bento XVI- Homilia de 8.12.2005). Invoco-A com terna devo\u00e7\u00e3o filial desde o primeiro momento do meu minist\u00e9rio episcopal em Aveiro e n\u2019Ela contemplo o rosto e o cora\u00e7\u00e3o da minha M\u00e3e, a mulher humilde e crente, sol\u00edcita e corajosa que, no sil\u00eancio e no sofrimento da doen\u00e7a, constitui para mim uma gra\u00e7a e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua moldura da minha vida, orienta\u00e7\u00e3o do meu caminho e do sentido do meu minist\u00e9rio. Obrigado, M\u00e3e.  Quando, na conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, o Papa Paulo VI declarava a Virgem Maria \u201cM\u00e3e da Igreja\u201d, todos os padres conciliares &#8211; entre eles D. Manuel de Almeida Trindade, bispo de Aveiro -, no mesmo instante e de modo espont\u00e2neo se levantaram e aplaudiram de p\u00e9, prestando homenagem, num s\u00f3 sentir, \u00e0 M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e. A m\u00e3e e os filhos s\u00e3o sempre insepar\u00e1veis. Esta uni\u00e3o \u00e9 um hino \u00e0 vida: \u00e0 vida das pessoas e \u00e0 vida da Igreja; \u00e0 vida desta querida Diocese de Aveiro que escolheu a Igreja dedicada a Nossa Senhora da Gl\u00f3ria para sua Catedral. Indelevelmente unidas a Cristo, Nossa Senhora e a Igreja s\u00e3o igualmente insepar\u00e1veis entre si. Em Cristo, a Igreja tem a sua origem, a sua fonte e o seu fundamento; em Maria, tem o seu paradigma e o seu modelo. A Virgem Imaculada configura a Igreja, acompanha-a e protege-a nos seus caminhos. V\u00f3s sois, Senhora, a \u201cstella maris\u201d, a aurora da salva\u00e7\u00e3o e Gl\u00f3ria da nossa Catedral, em cujo Cora\u00e7\u00e3o santo e imaculado nos acolhemos, como em rega\u00e7o materno. V\u00f3s sois a M\u00e3e terna e aben\u00e7oada, testemunha por excel\u00eancia de uma f\u00e9 inquebrant\u00e1vel, a Quem confio esta muito amada Igreja de Aveiro e a quem me consagro como seu bispo e humilde servo.   <b>3 &#8211;  UM  MINIST\u00c9RIO DE ESPERAN\u00c7A<\/b> A Palavra de Deus da liturgia deste dia apresenta-nos a Virgem de Nazar\u00e9, jovem humilde e digna, escolhida de Deus, imaculada e cheia de gra\u00e7a, morada pura, viva e santa do Esp\u00edrito Santo e M\u00e3e do Messias que estava para vir: Ele, o Redentor do Homem. Por outro lado, a narra\u00e7\u00e3o po\u00e9tico-sapiencial do G\u00e9nesis (I Leitura), prop\u00f5e-nos a chave de interpreta\u00e7\u00e3o do sentido redentor da luta entre o homem e a serpente, entre a humanidade e os poderes do mal, entre a cultura da vida, da beleza e da esperan\u00e7a e a cultura do medo, do vazio e da morte. A \u201cdescend\u00eancia da Mulher\u201d sair\u00e1 vencedora desta luta no palco da hist\u00f3ria: Nossa Senhora \u00e9 o primeiro sinal dessa vit\u00f3ria. Maria est\u00e1 presente na aurora dos grandes dias da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: no proto-evangelho das origens, na plenitude dos tempos em que a promessa se cumpre no Natal do Messias e no nascimento da Igreja no Pentecostes. A nossa reden\u00e7\u00e3o e o caminho libertador da humanidade e da hist\u00f3ria come\u00e7am a aproximar-se no \u201cSim\u201d, no Fiat generoso e livre desta Mulher que aceita ser a M\u00e3e do Salvador. A sauda\u00e7\u00e3o do Anjo inicia o advento do Natal perene e anuncia a P\u00e1scoa definitiva. A Igreja \u00e9, no seu mist\u00e9rio, Encarna\u00e7\u00e3o continuada e presen\u00e7a no mundo do Ressuscitado, pelo Esp\u00edrito Santo. Para a Igreja peregrina, Maria \u00e9 a M\u00e3e de \u201cconsola\u00e7\u00e3o, de bondade e de esperan\u00e7a\u201d (Bento XVI, Ibidem). Na manh\u00e3 de Pentecostes sob o olhar materno de Maria e repletos dos dons do Esp\u00edrito Santo, os Ap\u00f3stolos venceram o medo, deixaram as suas terras e seguran\u00e7as, os seus barcos e redes e partiram. Partiram ao encontro das pessoas, fam\u00edlias e multid\u00f5es; ao encontro das aldeias, vilas e cidades, numa cont\u00ednua abertura at\u00e9 aos confins do mundo a partir da pr\u00f3pria viv\u00eancia do Evangelho. E as comunidades crist\u00e3s come\u00e7aram a surgir. E os pescadores do lago fizeram-se ao mar, para que aqui e agora acreditemos em Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, e ou\u00e7amos proclamar o Evangelho, abrindo clareiras de sabedoria e de esperan\u00e7a para a humanidade.  \u00c9 com o mesmo esp\u00edrito do Pentecostes que inicio a minha miss\u00e3o em Aveiro. Estou certo de que n\u00e3o esperais que eu fa\u00e7a os meus planos pastorais, mas sim que, como disc\u00edpulo de Cristo e apaixonado do Evangelho, me deixe conduzir pelo Esp\u00edrito da Sabedoria e da Comunh\u00e3o. Esta \u00e9 a hora de acolher Deus e de fazer meus os planos j\u00e1 assumidos e os programas oportunamente elaborados. Quero, todavia, desde j\u00e1, confiar \u00e0 vossa ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o algumas motiva\u00e7\u00f5es profundas e convic\u00e7\u00f5es firmes, que animar\u00e3o o meu viver e o meu minist\u00e9rio, para que este seja sempre minist\u00e9rio de esperan\u00e7a, de bondade, de comunh\u00e3o. Que eu saiba, Senhor, testemunhar a esperan\u00e7a crist\u00e3 e o \u00e2nimo evangelizador a partir desta S\u00e9, para que a Igreja de Aveiro seja \u00e2ncora e farol para todos, crentes e n\u00e3o crentes. Dai-me coragem, Senhor, para confirmar e conduzir, pela ora\u00e7\u00e3o e pela ac\u00e7\u00e3o, a Igreja que me confiastes, para que seja uma Igreja atenta \u00e0 Vossa voz e aberta aos problemas humanos, \u00e0s exig\u00eancias do nosso tempo e aos desafios da cultura. Ensinai-nos a todos a olhar para diante, a caminhar em frente, a \u201cfazer-nos ao largo\u201d, neste oceano imenso do mist\u00e9rio santo de Deus e da urg\u00eancia do Absoluto, dando prioridade \u00e0 cultura vocacional e \u00e0 sol\u00edcita e incessante procura do essencial, na vida e na miss\u00e3o dos sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos e leigos.  <b>4 \u2013 UM  MINIST\u00c9RIO DE BONDADE \u2013 SERVIDOR DAS BEM-AVENTURAN\u00c7AS<\/b> Sentado no Monte, diria de olhar voltado para a faina da pesca e para as lides do mar, Jesus proclama as bem-aventuran\u00e7as (Mt 5,1-12). Inscreveu, assim, este sonho na alma da multid\u00e3o que O seguia e imprimiu no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos este ideal nunca plenamente cumprido nem totalmente realizado, mas continuamente desejado e sempre procurado. Ser feliz \u00e9 o sonho do homem. Nesta cidade de nobres pergaminhos na defesa da liberdade e de reconhecido prest\u00edgio no campo do ensino, da ci\u00eancia e da investiga\u00e7\u00e3o, as bem-aventuran\u00e7as oferecem-nos, em linguagem que o tempo n\u00e3o desgasta e em paradigmas que os s\u00e9culos n\u00e3o destroem, uma das mais belas s\u00ednteses do Evangelho e Carta Magna de um humanismo integral, como proposta de paz, an\u00fancio de esperan\u00e7a e semente de renova\u00e7\u00e3o. Vivamos a boa nova e a beleza de um Cristianismo que n\u00e3o se cansa de proclamar as bem-aventuran\u00e7as: com alegria, com perseveran\u00e7a e com miseric\u00f3rdia. \u201cFeliz o povo que Ele escolheu para Sua heran\u00e7a\u201d\u2026 O mundo p\u00f3s-moderno precisa de encontrar na Igreja palavras, gestos, atitudes e vidas inteiras que anunciem e revelem que ser crist\u00e3o \u00e9 ser feliz, coerente, compreensivo, verdadeiro, desprendido, puro de cora\u00e7\u00e3o, livre, construtor da paz, justo e irm\u00e3o. Que esta Igreja de Aveiro continue a ser ousada na caridade e criativa nas raz\u00f5es e nos conte\u00fados da nossa alegria crist\u00e3, procurando sempre &#8211;  \u201camar a Deus e servir\u201d-, contribuindo, assim, para a santidade de todos n\u00f3s, para o bem da humanidade e para a beleza do mundo, onde o religioso reencontre lugar e cidadania.  <b>5 \u2013 UM  MINIST\u00c9RIO DE COMUNH\u00c3O<\/b> Jesus ensinou-nos a preparar e a preceder os momentos maiores e decisivos e os percursos de todas as horas com tempos de sil\u00eancio, de ora\u00e7\u00e3o e de contempla\u00e7\u00e3o. O Cen\u00e1culo e o Calv\u00e1rio, a Eucaristia e a Cruz revelam-nos a plenitude redentora da doa\u00e7\u00e3o de Cristo ao Pai, expressa nas palavras In manus Tuas (Lc 23,46) que assumi como meu lema episcopal. Convido-te, Igreja de Aveiro a contemplar as maravilhas de Deus, a confirmar e a ajudar a crescer na f\u00e9 a comunidade dos crentes. Convido-te, Igreja de Aveiro, a oferecer ao mundo a evangelizar, rumos e raz\u00f5es para escolher a vida, para acolher o dom de Deus e para assumir a dignidade da nossa filia\u00e7\u00e3o divina. Convido-te, Igreja de Aveiro a promover a fraternidade, a construir o progresso e a consolidar a justi\u00e7a social. Convido-te, Igreja de Aveiro, a abrir novos horizontes \u00e0 intelig\u00eancia, \u00e0 vida e \u00e0 cultura humanas.  Para n\u00f3s, a Eucaristia faz a Igreja, \u00e9 centro e v\u00e9rtice do nosso viver, fonte do servi\u00e7o incondicional \u00e0s causas do homem e profecia desse mundo de fraternidade e de justi\u00e7a. Somos uma diocese nova, rec\u00e9m-restaurada. Mas o caminho j\u00e1 percorrido \u00e9 grande e belo, com as etapas marcantes de dois S\u00ednodos diocesanos a cujos dinamismos me vinculo. \u00c9 meu dever assumi-los. \u00c9 meu desejo continu\u00e1-los. H\u00e1 vidas doadas a Deus, \u00e0 Igreja e ao Seu Povo, que hoje e sempre devemos recordar, agradecer e merecer. Nestas vidas doadas quero destacar a voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o dos sacerdotes. No padre-pastor est\u00e1 presente o bispo-pastor. Estar convosco, irm\u00e3os sacerdotes, \u00e9 estar com a diocese e viver, atrav\u00e9s de v\u00f3s, a comunh\u00e3o eucar\u00edstica e eclesial com os di\u00e1conos, consagrados e leigos. Asseguro-vos, a todos, disponibilidade atenta e acolhedora e incentivo sol\u00edcito e fraterno. Pe\u00e7o-vos, Senhor nosso Deus, por intercess\u00e3o de Nossa Senhora a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e de Santa Joana, Princesa de Portugal, nosso modelo de f\u00e9 e nossa Padroeira, que me ensineis a unir o magist\u00e9rio e a profecia, a mem\u00f3ria e o testemunho, a fidelidade \u00e0 hist\u00f3ria e a ousadia mission\u00e1ria de caminhos novos, a gratid\u00e3o e a esperan\u00e7a e, assim, nas belas express\u00f5es de S. Paulo, me fa\u00e7a \u201ctudo para todos\u201d e \u201ctudo fazendo por causa do Evangelho\u201d, por Cristo e no Esp\u00edrito, \u201cDeus seja tudo em todos\u201d (1Cor 9,22-23; 15,28). \u00c1men.  <i>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de Entrada na diocese de Aveiro de D. 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