{"id":21944,"date":"2007-01-02T10:23:53","date_gmt":"2007-01-02T10:23:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/02\/a-pessoa-humana-coracao-da-paz-2\/"},"modified":"2007-01-02T10:23:53","modified_gmt":"2007-01-02T10:23:53","slug":"a-pessoa-humana-coracao-da-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-pessoa-humana-coracao-da-paz-2\/","title":{"rendered":"&#8220;A Pessoa humana, cora\u00e7\u00e3o da Paz&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo da Guarda na Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus <!--more--> 1. Celebramos hoje, na oitava do Natal, a Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus e tamb\u00e9m o Dia Mundial da Paz. Iniciamos um novo ano sob o signo da protec\u00e7\u00e3o de Maria Sant\u00edssima e prontos para acolher nas nossas vidas, de pessoas e de comunidades, o sublime dom de Deus que \u00e9 a Paz.  Neste Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI convida-nos a voltar a nossa aten\u00e7\u00e3o para a Pessoa humana entendida como o verdadeiro cora\u00e7\u00e3o da Paz. Isto quer dizer que s\u00f3 haver\u00e1 paz quando cada pessoa humana for apreciada, valorizada em si mesma, quando os seus direitos forem por inteiro respeitados e lhe forem criadas todas as condi\u00e7\u00f5es materiais e de outras ordens necess\u00e1rias ao seu desenvolvimento perfeito e integral. E ao colocarmos a pessoa humana no cora\u00e7\u00e3o da Paz, vemos, primeiro que tudo, a urg\u00eancia de defender para ela o direito \u00e0 vida. Pois, que podem interessar todos os outros bens se faltar o suporte-base de todos eles que \u00e9 a exist\u00eancia? O direito a viver leva consigo o direito a ter uma vida digna, de que faz parte a liberdade, incluindo a capacidade de decidir sobre o seu pr\u00f3prio futuro e de participar nas decis\u00f5es que envolvem o futuro da sociedade e do mundo. Implica o direito \u00e0 igualdade fundamental de natureza entre todas as pessoas, de tal maneira que ningu\u00e9m possa ser discriminado por raz\u00f5es de cultura, cor da pele, op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e religiosas ou outras. Implica ainda que sejam recusadas compreens\u00f5es redutoras daquilo que \u00e9 o ser humano, nomeadamente a recusa de o compreender reduzido \u00e0 sua componente material e econ\u00f3mica. Colocar a pessoa humana no centro de todas as decis\u00f5es, pol\u00edticas ou outras, exige tamb\u00e9m um redobrado respeito pela natureza, que \u00e9 o &#8220;habitat&#8221; natural de todas e cada uma das pessoas. Hoje \u00e9 cada vez mais decisiva a consci\u00eancia de que o futuro da qualidade de vida das pessoas passa por defender a natureza, os seus recursos, que h\u00e3o-de servir para as gera\u00e7\u00f5es actuais e para as que vir\u00e3o depois de n\u00f3s. Colocar a pessoa no centro exige que os direitos humanos sejam defendidos e promovidos quer pelos Estados, quer por institui\u00e7\u00f5es para tal vocacionadas, de \u00e2mbito nacional e tamb\u00e9m internacional. O que est\u00e1 em causa na constru\u00e7\u00e3o da paz \u00e9, em primeiro lugar, garantir a todas e cada uma das pessoas o direito \u00e0 vida e vida com a m\u00e1xima qualidade poss\u00edvel.   2. A Palavra de Deus, neste primeiro dia do Ano e solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus, come\u00e7a por nos falar da necessidade que todos temos de contar com a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina em todos os momentos da nossa vida. Sentirmos que somos permanentemente acompanhados e aben\u00e7oados por Deus \u00e9 a realidade mais importante de toda a nossa vida e dar\u00e1 sempre mais peso positivo e valor acrescentado ao tempo que somos chamados a viver como a grande oportunidade para a nossa salva\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m para o autor do Livro dos N\u00fameros, entre os maiores bens inclu\u00eddos na b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 o dom da paz; paz que, como diz o Papa Bento XVI, na sua mensagem para o Dia de hoje, \u00e9 ao mesmo tempo um dom e uma responsabilidade. Ela \u00e9 um dom que vem de Deus, mas a exigir compromisso s\u00e9rio de todos os cidad\u00e3os para que sejam erradicadas do meio das rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos todas as raz\u00f5es que possam conduzir \u00e0 guerra.  Jesus Cristo, Pr\u00edncipe da paz, \u00e9 o grande dom de Deus \u00e0 humanidade, como nos lembra hoje a Carta aos G\u00e1latas. Ele vem para resgatar os seres humanos de todas as pris\u00f5es que os ligam a desumanidades e elev\u00e1-los \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus. \u00c9 a condi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus, e mesmo j\u00e1 o facto de todos sermos suas criaturas, a grande raz\u00e3o transcendente capaz de garantir a conc\u00f3rdia entre todos os homens e mulheres.  No Evangelho de hoje, n\u00f3s gostamos de nos rever na atitude dos Pastores, que v\u00e3o felizes adorar o Deus Menino, deitado na manjedoura, sob o olhar atento de Maria Sua M\u00e3e e de S. Jos\u00e9. Na sua simplicidade e na sua pobreza, souberam descobrir naquele Menino, envolto em panos como todos os outros e deitado numa manjedoura, o pr\u00f3prio Filho de Deus, Salvador da Humanidade. Tinha sido esse o sinal que lhes fora dado pelos anjos e eles foram capazes de o interpretar. Voltaram entusiasmados e com vontade de dizer a toda a gente as raz\u00f5es da sua alegria, que \u00e9 tamb\u00e9m alegria para toda a humanidade.   3. Hoje, Dia Mundial da Paz, como dissemos, somos convidados a colocar a Pessoa Humana como tal no centro das nossas aten\u00e7\u00f5es porque ela \u00e9, como diz o Papa Bento XVI, o cora\u00e7\u00e3o da Paz.  E queremos olhar para a pessoa humana com toda a sua dignidade e enquanto sujeito de direitos, o primeiro dos quais \u00e9 o direito \u00e0 vida. Sem o respeito sagrado por este direito fundamental de todas e cada uma das pessoas, o direito \u00e0 vida, os outros de nada valem.  A vida humana, de facto, \u00e9 a maravilha das maravilhas e, como tal, deve merecer n\u00e3o apenas o respeito e o cuidado de todos os cidad\u00e3os, mas tamb\u00e9m o empenho positivo do Estado e das leis na sua defesa e na sua promo\u00e7\u00e3o. A primeira fun\u00e7\u00e3o das leis que regulam a sociedade \u00e9 criar todas as condi\u00e7\u00f5es para que a vida humana, presente em todos e cada um dos cidad\u00e3os, se desenvolva e cres\u00e7a.  Ora, a vida em si mesma \u00e9 um longo processo, uma longa caminhada na hist\u00f3ria; tanto na hist\u00f3ria geral da humanidade como na hist\u00f3ria pessoal de cada ser humano.  No que \u00e0 hist\u00f3ria pessoal de cada um de n\u00f3s diz respeito, a nossa vida apresenta-se como um longo percurso, desde o seu in\u00edcio no seio materno at\u00e9 \u00e0 plenitude da sua realiza\u00e7\u00e3o que, pela F\u00e9, sabemos ter dimens\u00e3o de eternidade.  No in\u00edcio do seu processo, a nossa vida come\u00e7ou quando \u00e9ramos ainda s\u00f3 o embri\u00e3o, mas onde estavam j\u00e1 contidas todas as potencialidades para o seu desenvolvimento. Todas essas potencialidades estavam j\u00e1, do ponto de vista f\u00edsico, na maravilha do c\u00f3digo gen\u00e9tico, mas tamb\u00e9m l\u00e1 estavam do ponto de vista espiritual, pela for\u00e7a que vem da participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus.  Sendo assim, nunca \u00e9 l\u00edcito tratar com menos respeito a vida nas suas primeiras etapas de crescimento, sob pretexto de ainda n\u00e3o ser vida humana em toda a sua plenitude.  E aqui insere-se a tenta\u00e7\u00e3o e o drama do aborto. Sim, porque \u00e9 de verdadeiro drama que se trata, quando algu\u00e9m decide interromper a vida de um ser humano ainda n\u00e3o nascido, ou simplesmente colaborar nessa decis\u00e3o ou na sua execu\u00e7\u00e3o. Um drama que gera sofrimento espiritual indescrit\u00edvel, sobretudo na mulher que aborta.  Estamos de acordo em que toda a sociedade se deve empenhar, por todos os meios leg\u00edtimos ao seu alcance, para erradicar este drama. Mas tamb\u00e9m pensamos, em nome do car\u00e1cter sagrado da vida e da dignidade da mulher, que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o \u00e9 o caminho. Este drama do aborto \u00e9 j\u00e1 muito antigo, embora nas sociedades modernas tenha adquirido contornos espec\u00edficos. O que no aborto \u00e9 relativamente novo, embora tenhamos de considerar isso um grande retrocesso civilizacional, \u00e9 a tentativa de o normalizar, tirando-lhe a gravidade \u00e9tica de que se reveste.  Para sermos honestos, na abordagem deste grande problema humano temos de responder com coragem \u00e0 pergunta fundamental que \u00e9 a seguinte: o embri\u00e3o humano e o feto s\u00e3o ou n\u00e3o s\u00e3o um ser humano, desde o primeiro momento?  E para responder a esta pergunta, a \u00fanica que identifica o problema, o melhor \u00e9 deixar falar a ci\u00eancia. Ora os cientistas afirmam claramente o seguinte: desde os primeiros momentos da gesta\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o vital que se desenvolve progressivamente entre o feto e a m\u00e3e, afirmando aquele a sua alteridade em rela\u00e7\u00e3o a esta. Todos sabemos que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pr\u00f3pria de pessoas e entre pessoas.  Por isso, no estado actual da ci\u00eancia, come\u00e7a a n\u00e3o ser compreens\u00edvel que um Estado de Direito, cuja principal responsabilidade \u00e9 a defesa e a promo\u00e7\u00e3o da vida dos cidad\u00e3os, n\u00e3o tenha legisla\u00e7\u00e3o clara que proteja a vida desde o in\u00edcio; e pior ainda, que se disponha a legislar contra a vida nesta sua fase inicial.  Todavia, os factos comprovados pela ci\u00eancia dizem que o aborto \u00e9 sempre provocar a morte de um ser humano, no in\u00edcio da sua caminhada de vida pessoal.  Por aqui vemos com clareza que o aborto n\u00e3o pode ser considerado em si mesmo uma quest\u00e3o simplesmente religiosa, como pretendem fazer crer alguns defensores da sua legaliza\u00e7\u00e3o. Estes, com alguma frequ\u00eancia, remetem o problema para o foro \u00edntimo da consci\u00eancia, afirmando que, num Estado laico, onde h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, n\u00e3o se pode impor \u00e0 sociedade a dimens\u00e3o religiosa do problema. \u00c9 certo que os crist\u00e3os t\u00eam mais um motivo para defender a vida humana na qual eles sentem sempre o esplendor da beleza divina, mas n\u00e3o \u00e9 menos certo que a inviolabilidade da vida humana, desde o seu in\u00edcio at\u00e9 \u00e0 morte natural \u00e9 uma quest\u00e3o de direito natural e portanto que a todos obriga.  Por isso n\u00e3o podemos aceitar que no esclarecimento das consci\u00eancias e no debate p\u00fablico se queira transformar o aborto num problema simplesmente religioso ou de confronto entre a Igreja e o Estado. O que est\u00e1 em causa \u00e9 querer ou n\u00e3o querer optar pela cultura da vida, com todas as consequ\u00eancias, incluindo o alinhamento do Estado e das suas leis nesta cultura da vida. N\u00f3s somos pela cultura da vida decididamente e como crist\u00e3os estamos dispostos a colaborar com todas as pessoas de boa vontade para acolher todas as m\u00e3es em dificuldades ajudando-as a vencer a tenta\u00e7\u00e3o do aborto, sobretudo quando para l\u00e1 s\u00e3o empurradas por outras pessoas e mesmo por alguns segmentos da sociedade.  <i>+Manuel da Rocha Fel\u00edcio, Bispo da Guarda  1 de Janeiro de 2007 (Homilia na Catedral da Guarda)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo da Guarda na Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,165,168,189,267],"class_list":["post-21944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-direitos-humanos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}