{"id":21934,"date":"2006-12-29T19:21:18","date_gmt":"2006-12-29T19:21:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/29\/a-pena-de-morte-como-o-aborto-sao-crimes-abominaveis\/"},"modified":"2006-12-29T19:21:18","modified_gmt":"2006-12-29T19:21:18","slug":"a-pena-de-morte-como-o-aborto-sao-crimes-abominaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-pena-de-morte-como-o-aborto-sao-crimes-abominaveis\/","title":{"rendered":"\u00abA pena de morte como o aborto s\u00e3o crimes abomin\u00e1veis\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Ao avaliar o ano de 2006, o Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, apela \u00e0 defesa da vida <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) &#8211; O mundo hodierno parece sem esperan\u00e7a e o desencanto apoderou-se dos portugueses. O que poderia ter sido feito para que esta falta de confian\u00e7a fosse ultrapassada? D. Jorge Ortiga (JO) &#8211; Uma leitura superficial da sociedade portuguesa provoca um sentido de contrastes evidentes. Por um lado, nota-se uma ostenta\u00e7\u00e3o e desejo de felicidade imediata; por outro, reconhece-se uma consci\u00eancia de crise preocupante. Exteriormente somos iguais aos pa\u00edses mais ricos e somos for\u00e7ados a reconhecer que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave. AE \u2013 Perante esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente tomar medidas? JO &#8211; Parece-me que a sociedade portuguesa necessita, com urg\u00eancia, da promo\u00e7\u00e3o dum humanismo integral. Trata-se duma redescoberta do sentido da felicidade, aceitando que s\u00f3 os valores podem construir um futuro de seguran\u00e7a e tranquilidade. O relativismo promete muito e oferece muito pouco. S\u00f3 a coragem de recentralizar a nossa hist\u00f3ria num projecto de fidelidade ao passado, adaptando a nossa cultura \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es da modernidade, permitir\u00e1 que caminhemos rumo ao verdadeiro e aut\u00eantico progresso. AE \u2013 Esse \u00abaut\u00eantico progresso\u00bb foi uma das conclus\u00f5es da Semana Social promovida pela CEP. Uma iniciativa importante onde se abordou uma \u00abSociedade criadora de emprego\u00bb? JO \u2013 Mergulh\u00e1mos, com a ajuda de personalidades provenientes de v\u00e1rios quadrantes, na problem\u00e1tica do trabalho, como direito de todos, e das diversas situa\u00e7\u00f5es que ele provoca. As opini\u00f5es foram elaboradas num clima de liberdade e profundidade dignas dum grande Congresso. As Actas, que est\u00e3o a ser ultimadas, ser\u00e3o um instrumento de trabalho maravilhoso para regressarmos ao tesouro da Doutrina Social da Igreja. Com elas poderemos encontrar um itiner\u00e1rio para come\u00e7armos a pensar na celebra\u00e7\u00e3o do 40.\u00ba anivers\u00e1rio da \u00abPopulorum Progressio\u00bb e no 20.\u00ba da \u00abSollicitudo Rei Socialis\u00bb.   <b>Divulgar a Doutrina Social da Igreja<\/b> AE \u2013 Este Patrim\u00f3nio da Doutrina Social da Igreja dever\u00e1 ser mais divulgado para n\u00e3o cair no esquecimento? JO \u2013 Temos um patrim\u00f3nio que os crist\u00e3os mais empenhados e comprometidos devem conhecer. S\u00f3 deste modo criaremos as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para um mundo mais justo e mais humano. Quando tomamos consci\u00eancia dos conte\u00fados da Doutrina Social da Igreja, sentimo-nos for\u00e7ados a reconhecer a incapacidade de os comunicar. Quando os anunciamos e propomos, provocamos admira\u00e7\u00e3o nos chamados vanguardistas. Trata-se, por isso, dum compromisso pastoral s\u00e9rio a assumir: anunciar uma Doutrina Social que n\u00e3o \u00e9 conhecida. AE \u2013 Tal como fizeram algumas figuras hist\u00f3ricas da Igreja que este ano foram recordadas. Caso de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, D. Sebasti\u00e3o Soares de Resende e o Pe. Am\u00e9rico. JO &#8211; A hist\u00f3ria de Portugal \u00e9 rica de personalidades que n\u00e3o passaram para os anais do passado. Continuam vivas e deveriam ser recordadas. Trata-se de refer\u00eancias que nunca podem ser esquecidas. Estas e outras n\u00e3o s\u00e3o meros objectos de orgulho para a Igreja. S\u00e3o profecias vivas com as quais teremos de aprender a servir o homem. Foram profetas no seu tempo e continuam a ser luzeiros. Assim sejamos capazes de dar continuidade ao seu testemunho e testamento.  <b>A Igreja ser\u00e1 sempre uma promotora da Vida<\/b> AE \u2013 Ao fazermos uma revis\u00e3o do ano podemos dizer que a problem\u00e1tica da vida esteve sempre presente nos trabalhos da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. O mote esteve e est\u00e1 centrado na vida? JO &#8211; A Igreja foi e ser\u00e1 sempre uma promotora da Vida e da Vida com qualidade. Sabemo-nos enviados para que todos tenham a vida e motivados por este dever n\u00e3o deixamos de denunciar situa\u00e7\u00f5es que consideramos err\u00f3neas e continuaremos a estar presentes com a palavra e com o testemunho duma caridade operativa. Public\u00e1mos documentos onde pretendemos usar uma linguagem muito clara e acess\u00edvel a todos. AE \u2013 Publicaram os documentos e apelaram \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos movimentos nesta causa? JO &#8211; Motivamos os nossos leigos e movimentos para uma participa\u00e7\u00e3o numa campanha que deve ser serena e objectiva. Queremos que as comunidades cres\u00e7am na sensibilidade para acolher e responder a todos os \u00abcasos\u00bb oriundos desta problem\u00e1tica. Resumindo, o empenho na causa da vida significa que acreditamos num valor humano inviol\u00e1vel que ningu\u00e9m pode desconsiderar. Sempre preocupados pelas causas humanas, queremos dar ao cristianismo um rosto de aten\u00e7\u00e3o aos problemas com respostas que transmitam tranquilidade e serenidade a todos.  <b>Desejos para 2007<\/b> AE \u2013 Com o ano de 2007 \u00e0 porta h\u00e1 desejos concretos para a igreja portuguesa? JO &#8211; A paz, como sinal da felicidade, est\u00e1 na raiz das nossas pretens\u00f5es. Sabemos, por\u00e9m, que ela resulta da promo\u00e7\u00e3o e da defesa da dignidade da pessoa humana. Espero, por isso, que, nas nossas op\u00e7\u00f5es pastorais nos comprometamos nesta aventura de dar dignidade a toda a Vida \u2013 desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte \u2013 e \u00e0 vida de todos com um carinho e aten\u00e7\u00e3o particular aos mais d\u00e9beis. O Santo Padre falava duma \u00abecologia social\u00bb, articulando a ecologia, como respeito pela natureza, com a ecologia humana numa aten\u00e7\u00e3o a todos.  Bento XVI recorda ainda que a dignidade da pessoa passa pelo reconhecimento de direitos. Quero sublinhar particularmente, dois: o direito \u00e0 vida e \u00e0 liberdade religiosa. Acolho esta mensagem e gostaria de a ver concretizada entre n\u00f3s. Da\u00ed que pe\u00e7o licen\u00e7a para fazer duas cita\u00e7\u00f5es que assumo como desejos particulares para este ano 2007. Vejo aqui interpela\u00e7\u00f5es que os portugueses devem assumir como suas e a que as autoridades deveriam dedicar uma aten\u00e7\u00e3o especial. 1 &#8211; \u00abQuanto ao direito \u00e0 Vida, cabe denunciar o destro\u00e7o de que \u00e9 objecto na nossa sociedade: junto \u00e0s v\u00edtimas dos conflitos armados, do terrorismo e das mais diversas formas de viol\u00eancia, temos as mortes silenciosas provocadas pela fome, pelo aborto, pelas pesquisas sobre os embri\u00f5es e pela eutan\u00e1sia. O aborto e as pesquisas sobre os embri\u00f5es constituem a nega\u00e7\u00e3o directa da atitude de acolhimento do outro que \u00e9 indispens\u00e1vel para se estabelecerem rela\u00e7\u00f5es de paz est\u00e1veis\u00bb (Mensagem, n. 5). Urge que os que acreditam no homem continuem a sua reflex\u00e3o serena sobre a maravilha do dom da vida e se empenhem num an\u00fancio digno e respeitoso desta verdade inviol\u00e1vel. 2 \u2013 No campo da liberdade religiosa, o Santo Padre sublinha que se trata dum direito humano fundamental \u201ccom graves repercuss\u00f5es sobre a conviv\u00eancia pac\u00edfica\u201d. Da\u00ed que seja justo constatar: \u201cExistem regimes que imp\u00f5em a todos uma \u00fanica religi\u00e3o, enquanto regimes indiferentes alimentam, n\u00e3o uma persegui\u00e7\u00e3o violenta, mas um sistem\u00e1tico desprezo cultural quanto \u00e0s cren\u00e7as religiosas\u201d. Nesta linha pe\u00e7o para que trabalhemos na promo\u00e7\u00e3o duma cultura e mentalidade que, em perspectiva religiosa, favore\u00e7a a paz e o encontro das culturas e religi\u00f5es. S\u00f3 num di\u00e1logo inter-religioso, s\u00e9rio e profundo, se alimentar\u00e1 a alegria de vivermos num mundo de fraternidade universal onde Deus une as consci\u00eancias e respeita a variedade dos cultos e religi\u00f5es.  <b>A pena de morte como o aborto s\u00e3o crimes abomin\u00e1veis<\/b> AE \u2013 A defesa da vida deveria ser um princ\u00edpio fulcral mas, recentemente, saiu a not\u00edcia que Saddam Hussein seria condenado \u00e0 morte. Se tal vier a acontecer, ser\u00e1 um atentado \u00e0 vida? JO &#8211; As not\u00edcias internacionais trazem-nos a casa problem\u00e1ticas em alguns pa\u00edses, a n\u00f3s, que vivemos a atmosfera de alegria e paz do Natal e nos preparamos para celebrar o Dia Mundial da Paz. Uma das not\u00edcias que mais nos preocupa e faz sofrer \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Iraque, terra de nascimento de Abra\u00e3o, o Pai dos crentes, venerado pelas religi\u00f5es monote\u00edstas \u2013 juda\u00edsmo, cristianismo e Islamismo. A eventualidade da execu\u00e7\u00e3o, por enforcamento, de Saddam Hussein, faz-nos pensar e, vivendo n\u00f3s, em Portugal, uma luta empenhada pela Vida, n\u00e3o podemos calar-nos ou sermos indiferentes face a algu\u00e9m que enfrenta a morte. No respeito integral pela legitimidade dos tribunais internacionais e pelo exerc\u00edcio do poder judicial de qualquer pa\u00eds, n\u00e3o resistimos, inspirados em gestos prof\u00e9ticos de Jo\u00e3o Paulo II e de Bento XVI, um na oposi\u00e7\u00e3o negociada \u00e0 guerra no Iraque, outro na aud\u00e1cia de visitar como pastor a Turquia, n\u00e3o podemos ser indiferentes ao que se est\u00e1 a passar.   AE \u2013 Mas Saddam era considerado um tirano? JO &#8211; Defendemos o valor sagrado da vida, seja do inocente indefeso seja do tirano sujeito \u00e0 injusti\u00e7a. A nossa mem\u00f3ria guarda a de inocentes condenados, a de tiranos absolvidos e tamb\u00e9m a de ditadores injusti\u00e7ados no pat\u00edbulo da vingan\u00e7a popular. A Igreja \u00e9 a favor da vida toda, em qualquer circunst\u00e2ncia e em qualquer etapa. A pena de morte como o aborto s\u00e3o crimes abomin\u00e1veis que contradizem a op\u00e7\u00e3o pela vida. O memor\u00e1vel Papa da Vida, Jo\u00e3o Paulo II, na sua \u00abEvangelium Vitae\u00bb e no Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, no meio de pol\u00e9micas mais sentimentais do que racionais, defende que \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d \u00e9 um mandamento apol\u00edtico que n\u00e3o consente excep\u00e7\u00f5es. Espero que Deus, o Deus de Abra\u00e3o, de Jesus e de Maom\u00e9, suspenda a espada da justi\u00e7a humana e impe\u00e7a que a justi\u00e7a se transforme numa hipot\u00e9tica mas real atitude de vingan\u00e7a que nunca ter\u00e1 fim. AE \u2013 Suspenda a espada e envie a paz JO &#8211; Nas palavras de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz que triunfe a ecologia da Paz. Invocamos S. Francisco de Assis, o homem da natureza e da fraternidade, para \u201conde houver \u00f3dio\u201d os homens de boa vontade, os amados de Deus, os crentes no Deus \u00fanico levem e semeiem a Paz, a Shalom. Que o mundo inteiro seja uma cidade da paz, incluindo a Terra Santa e o Iraque, a Nig\u00e9ria, Som\u00e1lia, Darfur, Sri Lanka e outros locais onde acontecem trag\u00e9dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao avaliar o ano de 2006, o Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. 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