{"id":21862,"date":"2006-12-26T12:47:11","date_gmt":"2006-12-26T12:47:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/26\/jesus-e-o-messias-de-deus\/"},"modified":"2006-12-26T12:47:11","modified_gmt":"2006-12-26T12:47:11","slug":"jesus-e-o-messias-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jesus-e-o-messias-de-deus\/","title":{"rendered":"\u201cJesus \u00e9 o Messias de Deus\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Noite de Natal <!--more--> 1. O Menino que nasceu em Bel\u00e9m \u00e9 o Messias prometido. A esperan\u00e7a da vinda do Messias como interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na Hist\u00f3ria do povo com quem fez alian\u00e7a, \u00e9 fortemente reavivada na profecia de Isa\u00edas. E o an\u00fancio feito pelos Anjos aos Pastores, naquela noite em Bel\u00e9m, \u00e9 messi\u00e2nico: \u201cAnuncio-vos uma grande alegria para todo o Povo: nasceu-vos, hoje, na cidade de David, um Salvador, que \u00e9 Cristo Senhor\u201d (Lc. 2,10-11). \tO nascimento de Jesus \u00e9, para o Povo da Alian\u00e7a, o cumprimento da grande promessa de Deus. Por isso, \u00e9 motivo de alegria para todo o povo. Cristo \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o definitiva da fidelidade de Deus.  \tA origem desta promessa tem a ver com a fun\u00e7\u00e3o dos reis de Israel que, em nome de Deus, conduziam o Povo na fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, construindo um Reino onde abundassem a justi\u00e7a e a paz. Os reis eram, no esp\u00edrito da Alian\u00e7a, os pastores de Israel. A infidelidade dos reis, levou a que Deus lhes retirasse essa dignidade de serem os pastores do Seu Povo. O Profeta Ezequiel diz a esses pastores de Israel que Deus lhes retirar\u00e1 o cuidado do Seu rebanho, e que Ele, o pr\u00f3prio Deus, tomar\u00e1 conta do Seu rebanho: \u201csuscitarei para p\u00f4r \u00e0 sua frente um pastor que os apascentar\u00e1, o meu servo David\u201d (Ez. 34,23). \tO Santo Rei David ficar\u00e1 na mem\u00f3ria de Israel como um rei justo, que apesar do seu pecado, foi pastor de Israel. O an\u00fancio do Rei Justo, verdadeiro Pastor de Israel, aparece sempre ligado \u00e0 heran\u00e7a espiritual de David. Na tradi\u00e7\u00e3o oficial, o Messias ser\u00e1 um descendente de David, que ser\u00e1 um bom pastor de Israel, e o conduzir\u00e1 \u00e0 fidelidade ao pacto de alian\u00e7a. \tO drama espiritual de Israel consiste em viver a sua hist\u00f3ria em tens\u00e3o, entre os descendentes de David, os reis segundo a carne, que se tornaram \u201cmaus pastores\u201d e a esperan\u00e7a no verdadeiro descendente de David, que Deus far\u00e1 surgir no tempo oportuno, a plenitude do tempo, e que ser\u00e1 o \u201cBom Pastor\u201d, que instaurar\u00e1 um Reino de Justi\u00e7a e de Paz. H\u00e1 momentos em que esta tens\u00e3o se sente de maneira dram\u00e1tica. \u00c9 o caso do di\u00e1logo de Isa\u00edas com o Rei Acaz: o profeta tenta levar o rei a ser o \u201cbom pastor\u201d de Israel, num momento dif\u00edcil da sua hist\u00f3ria. Perante a recusa e a incredulidade do rei, o profeta anuncia essa outra descend\u00eancia de David: \u201cO pr\u00f3prio Senhor te dar\u00e1 um sinal. Ei-lo: a Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho, a quem chamar\u00e1 Emanuel\u201d (Is. 7,14). Este an\u00fancio \u00e9 t\u00e3o denso que \u00e9, para o profeta, quase uma realidade palp\u00e1vel. O Povo pode desejar um tempo de justi\u00e7a e de paz, \u201cporque um Menino nasceu para n\u00f3s, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os Seus ombros e ser\u00e1 chamado \u00abConselheiro Admir\u00e1vel\u00bb, Deus forte, Pai eterno, Pr\u00edncipe da Paz\u201d (Is. 9,5). Ao identificar a sua ac\u00e7\u00e3o junto do Povo, Isa\u00edas v\u00ea neste Menino aquele que cumpre a profecia de Ezequiel: o pr\u00f3prio Deus ser\u00e1 Rei e Pastor do Seu Povo. \tEsta tens\u00e3o entre a dupla descend\u00eancia de David prolonga-se at\u00e9 ao tempo hist\u00f3rico de Jesus. Todos desejam a vinda do Messias. Para uns, Ele seria um Rei forte, capaz de vencer os inimigos do Povo, mas descendente de David segundo a carne. Outros, as comunidades espirituais, os pobres e os simples, j\u00e1 n\u00e3o acreditavam que um rei terreno pudesse salvar Israel. Para eles o Messias tinha de ser um dom de Deus, um \u201cFilho do Homem\u201d que aparecesse sobre as nuvens do C\u00e9u. Jesus recusa sempre que se aplique a Si mesmo o messianismo oficial. S\u00f3 o aceita explicitamente no pret\u00f3rio de Pilatos, quando est\u00e1 a ser julgado. \u00c0 pergunta de Pilatos, \u201cportanto Tu \u00e9s Rei\u201d, Jesus responde: \u201cTu o dizes, Sou Rei. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade\u201d. Mas antes tinha deixado tudo claro: \u201co Meu Reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d (Jo. 18,36-37). \tJesus gostava de se chamar a Si mesmo o \u201cFilho do Homem\u201d, suscitando o entusiasmo em quantos seguiam essa tradi\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica. Mas enquanto estes esperavam um Messias a surgir triunfalmente sobre as nuvens do C\u00e9u, Jesus, verdadeiramente obra de Deus, nasce discretamente do seio virginal de Maria. \u201cUm Menino nasceu para n\u00f3s\u201d! Essa foi a surpresa de Bel\u00e9m.  \t2. O nascimento em Bel\u00e9m confirma a ascend\u00eancia dav\u00eddica do Messias, n\u00e3o segundo a carne, mas como novidade e surpresa de Deus, unificando as duas tradi\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas. Jesus pode chamar-se, a Si Mesmo, o \u201cFilho do Homem\u201d, porque Ele nasceu de Deus, foi gerado pelo Esp\u00edrito Santo, no seio virginal de Maria. Ele \u00e9, como os reis de Israel, o Messias, isto \u00e9, o ungido. Mas n\u00e3o o foi por nenhum sacerdote do templo, mas pelo pr\u00f3prio Deus, no momento em que a Sua divindade se exprimiu na humanidade. O mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua \u201cun\u00e7\u00e3o\u201d messi\u00e2nica. O pr\u00f3prio Jesus o afirma, designando-Se como \u201cAquele que o Pai consagrou (ungiu) e enviou ao Mundo\u201d (Jo. 10,36). \tAo nascer em Bel\u00e9m, Jesus afirma-Se como o prometido Rei Justo, descendente de David, que ser\u00e1 o \u201cBom Pastor\u201d e trar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o a Israel. Ao nascer de Deus e de Maria, afirma-Se como iniciativa salv\u00edfica de Deus, manifesta\u00e7\u00e3o da Sua eterna fidelidade. O an\u00fancio do Seu nascimento s\u00f3 podia ser feito aos \u201cpobres\u201d de Israel, neste caso os pastores. Os poderosos n\u00e3o estavam preparados para acolher este an\u00fancio. Eles est\u00e3o todos representados na figura do Rei Herodes, que ao ter not\u00edcia da hip\u00f3tese de ter nascido o Messias Rei, o considera um perigo e um advers\u00e1rio, a eliminar o mais rapidamente poss\u00edvel. \tEsta \u201ctens\u00e3o\u201d entre as duas maneiras de conceber a descend\u00eancia de David, acompanhar\u00e1 Jesus em toda a Sua vida terrena, e ser\u00e1 a causa da Sua morte. Foi considerado blasfemo porque Se considerou \u201cFilho de Deus\u201d. Ele n\u00e3o era o Messias que os poderosos do Povo estavam preparados para acolher. E os sumo-sacerdotes conseguiram fazer o que j\u00e1 Herodes tinha tentado com a matan\u00e7a dos inocentes. Esta tens\u00e3o h\u00e1-de atravessar a humanidade at\u00e9 \u00e0quele momento decisivo em que a Sua gl\u00f3ria se h\u00e1-de manifestar. At\u00e9 l\u00e1 permanece a pergunta: mas afinal quem \u00e9 Jesus Cristo? Uma personagem hist\u00f3rica, situada num contexto preciso? Mais um Profeta, com uma mensagem interessante? Ou \u00e9 a surpresa de Deus, manifesta\u00e7\u00e3o do Seu amor por n\u00f3s, um dom de Deus, um \u201cBom Pastor\u201d que nos traz a salva\u00e7\u00e3o? Como naquela noite em Bel\u00e9m, s\u00f3 os simples de cora\u00e7\u00e3o O poder\u00e3o acolher como o Mensageiro de Deus, o que nos traz a salva\u00e7\u00e3o; reconhecer como faz Paulo na Carta a Tito, que n\u2019Ele \u201cse manifestou a gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens\u201d (Tit. 2,11). S\u00f3 os cora\u00e7\u00f5es simples podem alegrar-se com Jesus como surpresa e dom de Deus. \u201cN\u00e3o temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o Povo: nasceu-vos, hoje, na cidade de David, um Salvador, que \u00e9 Cristo Senhor\u201d (Lc. 2,11). O an\u00fancio do Anjo abre para o mist\u00e9rio daquele Menino. \u00c9 o Messias. Chama-lhe o \u201cUngido\u201d. Mas ao chamar-lhe Senhor, abre o v\u00e9u do Seu segredo divino, e resume a Sua miss\u00e3o: glorificar a Deus e construir a paz. Esta paz \u00e9 obra do amor e encontra todo o seu esplendor na participa\u00e7\u00e3o do amor do Pai e do Filho. No momento solene da Sua P\u00e1scoa, plena realiza\u00e7\u00e3o da Sua miss\u00e3o messi\u00e2nica, Jesus reza ao Pai: \u201cGlorifiquei-Te sobre a terra, porque acabei a obra que Tu Me tinhas mandado realizar\u201d (Jo. 17,4). \u201cPai Santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um como N\u00f3s\u201d (Jo. 17,11). \u201cDeixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; n\u00e3o vo-la dou como o mundo a d\u00e1\u201d (Jo. 14,2-7).  3. Este \u00e9 um aviso, para os homens do nosso tempo, em noite de Natal. Nem todas as express\u00f5es de festa com que assinalamos esta quadra nos trazem a paz de Deus e a alegria do cora\u00e7\u00e3o. Acolhamos a surpresa do dom de Deus, que continua a ser-nos dada naquele Menino, nascido para n\u00f3s, express\u00e3o da paternidade amorosa de Deus.  S\u00e9 Patriarcal, 24 de Dezembro de 2006 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Noite de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,267,275],"class_list":["post-21862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}