{"id":21858,"date":"2006-12-26T12:29:52","date_gmt":"2006-12-26T12:29:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/26\/mensagem-de-natal-2\/"},"modified":"2006-12-26T12:29:52","modified_gmt":"2006-12-26T12:29:52","slug":"mensagem-de-natal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-2\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal"},"content":{"rendered":"<p>\u00abSalvator noster natus est in mundo\u00bb (Missal Romano)  \u00abHoje nasceu o nosso Salvador\u00bb! Esta noite, uma vez mais, escut\u00e1mos em nossas Igrejas este an\u00fancio que, apesar do transcurso dos s\u00e9culos, mant\u00e9m inalterado o seu fulgor. \u00c9 an\u00fancio celestial que convida a n\u00e3o temer porque se manifestou \u00abuma grande alegria que ser\u00e1 para todo o povo\u00bb (Lc 2,10). \u00c9 an\u00fancio de esperan\u00e7a porque d\u00e1 a conhecer que, naquela noite de mais de dois mil anos, \u00abna cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que \u00e9 o Cristo Senhor\u00bb (Lc 2,11). Ent\u00e3o, aos pastores acampados sobre as colinas de Bel\u00e9m e, hoje a n\u00f3s, habitantes de todo este nosso mundo, o Anjo do Natal repete: &#8220;Nasceu-vos hoje o Salvador; nasceu para v\u00f3s! Vinde, vinde para ador\u00e1-Lo!&#8221;.  Mas, tem ainda algum valor e significado um &#8220;Salvador&#8221; para o homem do terceiro mil\u00e9nio? Ser\u00e1 ainda necess\u00e1rio um &#8220;Salvador&#8221; para o homem que alcan\u00e7ou a Lua e Marte, e se disp\u00f5e a conquistar o universo; para o homem que investiga indefinidamente os segredos da natureza e chega at\u00e9 decifrar os c\u00f3digos maravilhosos do genoma humano? Necessita de um Salvador o homem que inventou a comunica\u00e7\u00e3o interactiva, que navega no oceano virtual da Internet e, gra\u00e7as \u00e0s mais modernas tecnologias dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 fez da Terra, esta grande casa comum, uma pequena aldeia global? Apresenta-se confiante e auto-suficiente art\u00edfice do pr\u00f3prio destino, fabricante entusiasta de indiscut\u00edveis sucessos este homem do vig\u00e9simo primeiro s\u00e9culo.  Parece, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Nesta \u00e9poca de abund\u00e2ncia e de consumo desenfreado, ainda se morre de fome e de sede, de doen\u00e7a e de pobreza. Ainda existe quem \u00e9 servo, explorado e ofendido na sua dignidade; quem \u00e9 v\u00edtima do \u00f3dio racial e religioso, e \u00e9 impedido, por intoler\u00e2ncias e discrimina\u00e7\u00f5es, por intromiss\u00f5es pol\u00edticas e coer\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e morais, de professar livremente a pr\u00f3pria f\u00e9. H\u00e1 quem v\u00ea o pr\u00f3prio corpo e dos seus seres queridos, especialmente crian\u00e7as, destro\u00e7ado pelo uso das armas, pelo terrorismo e por todo o tipo de viol\u00eancia numa \u00e9poca em que se invoca e proclama o progresso, a solidariedade e a paz para todos. Ou mais, que dizer daquele que, privado de esperan\u00e7a, \u00e9 obrigado a deixar a pr\u00f3pria casa e a p\u00e1tria para encontrar noutra parte condi\u00e7\u00f5es de vida dignas para o homem? Que fazer para ajudar quem \u00e9 enganado pelos falsos profetas de felicidade, quem \u00e9 fr\u00e1gil nas rela\u00e7\u00f5es e incapaz de assumir responsabilidades est\u00e1veis para o pr\u00f3prio presente e para o futuro, encontra-se percorrendo o t\u00fanel da solid\u00e3o e, com frequ\u00eancia, termina escravo do \u00e1lcool e da droga? Que pensar de quem escolhe a morte pensando de exaltar a vida?  Como n\u00e3o pensar que, mesmo do fundo desta humanidade satisfeita e desesperada, levanta-se um clamor aflitivo de ajuda? \u00c9 Natal: hoje entra no mundo \u00aba luz verdadeira, que todo o homem ilumina\u00bb (Jo 1,9). \u00abO Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s\u00bb (Ib. 1,14), proclama Jo\u00e3o evangelista. Hoje, precisamente hoje, Cristo vem novamente \u00abentre os Seus\u00bb e a quem o recebe d\u00e1 \u00abo poder de se tornar filho de Deus\u00bb; ou seja, oferece a possibilidade de ver a gl\u00f3ria divina e de compartilhar a alegria do Amor, que em Bel\u00e9m fez-se carne por n\u00f3s. Hoje mesmo, &#8220;o nosso Salvador nasceu no mundo&#8221;, porque sabe que precisamos d\u2019Ele. N\u00e3o obstante as numerosas formas de progresso, o ser humano permaneceu igual ao de sempre: uma liberdade dividida entre bem e mal, entre vida e morte. \u00c9 precisamente ali, no seu \u00edntimo, naquilo que a B\u00edblia chama de &#8220;cora\u00e7\u00e3o&#8221;, donde ele tem sempre necessidade de ser &#8220;salvo&#8221;. E, talvez, na \u00e9poca actual p\u00f3s-moderna, tem ainda mais necessidade de um Salvador, porque a sociedade em que vive tornou-se ainda mais complexa, e mais enganosas tornaram-se as amea\u00e7as para a sua integridade pessoal e moral. Quem pode defend\u00ea-lo sen\u00e3o Aquele que o ama, a ponto de sacrificar na cruz o seu Filho unig\u00eanito como Salvador do mundo?  &#8220;Salvator noster&#8221;, Cristo \u00e9 o Salvador, tamb\u00e9m do homem de hoje. Quem far\u00e1 ressoar em cada canto da Terra, de modo cred\u00edvel, esta mensagem de esperan\u00e7a? Quem se empenhar\u00e1 a fim de que seja reconhecido, tutelado e promovido o bem integral da pessoa humana, como condi\u00e7\u00e3o da paz, respeitando cada homem e cada mulher na pr\u00f3pria dignidade? Quem ajudar\u00e1 a compreender que com boa vontade, sensatez e modera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel evitar que os contenciosos se agravem e, assim, lev\u00e1-los a solu\u00e7\u00f5es justas? Com viva apreens\u00e3o penso, neste dia de festa, na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, ferida por numerosos e graves crises e conflitos, e fa\u00e7o votos que se abra a perspectivas justas e duradouras de paz, no respeito dos direitos inalien\u00e1veis dos povos que a comp\u00f5em. Deposito nas m\u00e3os do divino Menino de Bel\u00e9m os sinais do di\u00e1logo retomado entre Israelitas e Palestinos, que nos foi poss\u00edvel testemunhar nestes dias, e a esperan\u00e7a de novos reconfortantes progressos. Confio que, depois de tantas v\u00edtimas, destrui\u00e7\u00f5es e incertezas, sobreviva e prospere um L\u00edbano democr\u00e1tico, aberto aos outros, em di\u00e1logo com as culturas e as religi\u00f5es. Fa\u00e7o um apelo a todos os que t\u00eam em m\u00e3os os destinos do Iraque, a fim de que cesse a inaudita viol\u00eancia que ensanguenta o Pa\u00eds e seja assegurada, a cada um dos seus habitantes, uma exist\u00eancia normal. Invoco a Deus para que no Sri Lanka se ou\u00e7a, entre as partes beligerantes, o anseio das popula\u00e7\u00f5es por um futuro de fraternidade e de solidariedade; para que no Darfur e em qualquer parte da \u00c1frica acabem de vez os conflitos fratricidas, se cicatrizem logo as feridas abertas na carne daquele Continente e se consolidem os processos de reconcilia\u00e7\u00e3o, de democracia e de desenvolvimento. Conceda o divino Menino, Pr\u00edncipe da Paz, que se extingam aqueles focos de tens\u00e3o que tornam incerto o futuro de outras partes do mundo, tanto na Europa como na Am\u00e9rica Latina.  &#8220;Salvator noster&#8221;: esta \u00e9 a nossa esperan\u00e7a; este \u00e9 o an\u00fancio que a Igreja faz ressoar tamb\u00e9m neste Natal. Com a Encarna\u00e7\u00e3o, lembra o Conc\u00edlio Vaticano II, o Filho de Deus uniu-se de certa forma a cada homem (cf. Gaudium et spes, 22). O Natal \u00e9, pois, tamb\u00e9m o natal do corpo, como observava o Pont\u00edfice S\u00e3o Le\u00e3o Magno. Em Bel\u00e9m nasceu o povo crist\u00e3o, corpo m\u00edstico de Cristo no qual cada membro est\u00e1 unido intimamente ao outro por uma total solidariedade. O nosso Salvador nasceu para todos. Devemos proclam\u00e1-lo n\u00e3o somente com palavras, mas tamb\u00e9m com toda a nossa vida, dando ao mundo o testemunho de comunidades unidas e abertas, nas quais reina a fraternidade e o perd\u00e3o, a acolhida e o servi\u00e7o rec\u00edproco, a verdade, a justi\u00e7a e o amor.  Comunidade salvada por Cristo. Esta \u00e9 a verdadeira natureza da Igreja, que se nutre da sua Palavra e do seu Corpo eucar\u00edstico. S\u00f3 redescobrindo o dom recebido a Igreja pode testemunhar a todos o Cristo Salvador; f\u00e1-lo-\u00e1 com entusiasmo e ardor, no pleno respeito de toda tradi\u00e7\u00e3o cultural e religiosa; f\u00e1-lo-\u00e1 com alegria sabendo que Aquele que anuncia nada priva daquilo que \u00e9 autenticamente humano, mas leva-o ao seu completamento. Na verdade, Cristo vem somente para destruir o mal: o pecado. O resto, todo o resto Ele eleva e aperfei\u00e7oa. Cristo n\u00e3o nos salva da nossa humanidade, mas atrav\u00e9s dela; n\u00e3o nos salva do mundo, mas veio no mundo para que o mundo seja salvo por meio d\u2019Ele (cf. Jo 3,17).  Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, onde quer que estejam, chegue a v\u00f3s esta mensagem de alegria e de esperan\u00e7a: Deus se fez homem em Jesus Cristo, nasceu da Virgem Maria e renasce hoje na Igreja. \u00c9 Ele quem traz para todos o amor do Pai celestial. \u00c9 Ele o Salvador do mundo! N\u00e3o temam, abri vosso cora\u00e7\u00e3o, acolhei-O, para que o seu Reino de amor e de paz se torne heran\u00e7a comum de todos.  Feliz Natal!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abSalvator noster natus est in mundo\u00bb (Missal Romano) \u00abHoje nasceu o nosso Salvador\u00bb! 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