{"id":21852,"date":"2009-12-23T16:22:31","date_gmt":"2009-12-23T16:22:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/presepio-ha-seculos-na-nossa-casa-2\/"},"modified":"2009-12-23T16:22:31","modified_gmt":"2009-12-23T16:22:31","slug":"presepio-ha-seculos-na-nossa-casa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presepio-ha-seculos-na-nossa-casa-2\/","title":{"rendered":"Pres\u00e9pio: h\u00e1 s\u00e9culos na nossa casa"},"content":{"rendered":"<p>Falar do Natal implica falar de algumas tradi&ccedil;&otilde;es que nos procuram envolver neste esp&iacute;rito de festividade, pelo nascimento do Menino numa gruta de Bel&eacute;m. Quantos de n&oacute;s, crist&atilde;os, n&atilde;o passa um Natal sem que, num cantinho da casa, se arranje lugar para colocar, pelo menos, as tr&ecirc;s imagens principais do Pres&eacute;pio. O Menino Jesus, S&atilde;o Jos&eacute; e a Virgem Maria s&atilde;o o elenco principal deste &laquo;palco&raquo; onde h&aacute; 2000 anos atr&aacute;s nasceu Aquele que viria a ser chamado de &laquo;O Salvador&raquo;.<\/p>\n<p>A palavra &ldquo;pres&eacute;pio&rdquo; significa &ldquo;um lugar onde se recolhe o gado, curral, est&aacute;bulo&rdquo;. Segundo os Evangelhos, Maria e Jos&eacute; que seguiam viagem at&eacute; Bel&eacute;m, ter-se-&atilde;o abrigado num Est&aacute;bulo, tendo Maria a&iacute; o menino, que viria a chamar-se Jesus e mudar por completo a hist&oacute;ria da humanidade. Desta forma a designa&ccedil;&atilde;o de Pres&eacute;pio, passou a estar associada &agrave; representa&ccedil;&atilde;o do nascimento do Menino Jesus. O pres&eacute;pio faz, assim, parte da vida de muitos portugueses, numa tradi&ccedil;&atilde;o que chegou at&eacute; n&oacute;s pela m&atilde;o dos frades Franciscanos, embora sem uma data precisa.<\/p>\n<p>Em 1925 Lu&iacute;s Chaves lan&ccedil;ou para o dom&iacute;nio p&uacute;blico um manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa (cod; 14-A. 21-4, fl.3) no qual se podia ler que o primeiro pres&eacute;pio de Lisboa se encontrava no Convento do Salvador. Outro estudioso, Diogo Macedo, afirma tamb&eacute;m que no Convento Dominicano de S&atilde;o Salvador, no s&eacute;culo XVI, existia j&aacute; um pres&eacute;pio, e outro especialista brasileiro, Lu&iacute;s da C&acirc;mara Cascudo, afirma que nesse convento as freiras faziam pres&eacute;pios pelo menos desde 1391.<\/p>\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o contradit&oacute;rias, mas o que &eacute; certo &eacute; que h&aacute; um pres&eacute;pio quinhentista feito pelo escultor Bast&atilde;o D. Artiaga para a irmandade dos livreiros em 1558. Durante o s&eacute;culo XVI os pres&eacute;pios floresceram nas ordens mon&aacute;sticas e no s&eacute;culo seguinte apareceram nas igrejas, para na segunda metade dessa mesma cent&uacute;ria, as casas particulares da, capital armarem os seus pr&oacute;prios pres&eacute;pios. Durante o s&eacute;culo XVI a pintura portuguesa legou-nos uma s&eacute;rie de trabalhos onde se imortalizou o nascimento do Menino.<\/p>\n<p>O s&eacute;culo XVIII &eacute; considerado o s&eacute;culo de ouro dos pres&eacute;pios portugueses, modelados pelos Franciscanos, Dominicanos e portugueses vindos recentemente de It&aacute;lia onde tinham estudado por conta de fidalgos. Os frades de Alcoba&ccedil;a e de Mafra, as escolas de Lisboa e do Alentejo, e artistas como Joaquim Machado de Castro e Alexandre Guisti tomaram- se famosos nesta &eacute;poca.<\/p>\n<p>Os barristas desta &eacute;poca constru&iacute;ram personagens curiosas colocando-as em cen&aacute;rios um pouco exuberantes onde muitas vezes o est&aacute;bulo de Bel&eacute;m aparece apenas como uma pequena parte do mundo enorme que ali &eacute; representado.<\/p>\n<p>Machado de Castro, artista de Coimbra nascido em 1731, &eacute; um dos mais conhecidos escultores de pres&eacute;pios, tendo modelado in&uacute;meros trabalhos deste g&eacute;nero, cheios de fantasia, humanismo e imagina&ccedil;&atilde;o, que hoje podemos encontrar na S&eacute; Catedral de Lisboa, em Campolide ou mesmo na Bas&iacute;lica da Estrela, local onde podemos observar um dos mais famosos pres&eacute;pios, constitu&iacute;do por 500 figurinhas muito humanas e cheias de sentimentos. Ant&oacute;nio Ferreira foi outro barrista da mesma &eacute;poca que modelou figurinhas cheias de fantasia, que hoje se encontram no convento da Cartuxa de Laveiras e no da Madre de Deus em Lisboa.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XIX as guerras que se fizeram sentir em Portugal fizeram com que n&atilde;o houvesse ambiente para se fazerem pres&eacute;pios. A extin&ccedil;&atilde;o de conventos levou a que muitos pres&eacute;pios desaparecessem. Em algumas casas particulares nobres, os seus pres&eacute;pios tamb&eacute;m se perderam, no entanto ficaram frequentemente as figuras principais: o Menino, a Virgem, S. Jos&eacute;, o burro e a vaca.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XX e at&eacute; hoje as tradi&ccedil;&otilde;es dos pres&eacute;pios n&atilde;o desapareceram. Um pouco por todo lado esta tradi&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m-se com recurso a uma genu&iacute;na criatividade e, por vezes at&eacute;, alguma aventura.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea geogr&aacute;fica da diocese de Lisboa, a Vila de Alenquer, conhecida por muitos como a &laquo;vila pres&eacute;pio&raquo; pela sua peculiar colina, v&ecirc;-se povoada, no meio de luzes festivas, de um colorido pres&eacute;pio, com as figuras em madeira pintada da Virgem Maria, de S&atilde;o Jos&eacute;, do Menino, dos anjos, dos pastores, dos Reis Magos e dos animais. Imagens concebidas ao gosto dos pres&eacute;pios tradicionais portugueses. Esta &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o que se mant&eacute;m naquela vila desde o ano 1968, e este ano n&atilde;o foge &agrave; regra suscitando, &agrave; passagem, o olhar daquele que por ali circula.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar do Natal implica falar de algumas tradi&ccedil;&otilde;es que nos procuram envolver neste esp&iacute;rito de festividade, pelo nascimento do Menino numa gruta de Bel&eacute;m. Quantos de n&oacute;s, crist&atilde;os, n&atilde;o passa um Natal sem que, num cantinho da casa, se arranje lugar para colocar, pelo menos, as tr&ecirc;s imagens principais do Pres&eacute;pio. O Menino Jesus, S&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[122,174,190,213,267],"class_list":["post-21852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-brasil","tag-diocese-de-coimbra","tag-dominicanos","tag-franciscanos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}