{"id":21845,"date":"2006-12-22T15:18:58","date_gmt":"2006-12-22T15:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/22\/o-natal-cristao-ofende\/"},"modified":"2006-12-22T15:18:58","modified_gmt":"2006-12-22T15:18:58","slug":"o-natal-cristao-ofende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-cristao-ofende\/","title":{"rendered":"O Natal crist\u00e3o ofende?"},"content":{"rendered":"<p>Todos os dias chegam \u00e0s redac\u00e7\u00f5es relatos de epis\u00f3dios com pol\u00e9mica \u00e0 volta da celebra\u00e7\u00e3o do Natal. Pres\u00e9pios deitados fora, c\u00e2nticos e festejos natal\u00edcios proibidos, filmes que n\u00e3o podem ser exibidos: o Ocidente deixa-se dominar pelo medo e esconde os s\u00edmbolos crist\u00e3os, invocando a laicidade e a necessidade de n\u00e3o ofender os que n\u00e3o professam essa f\u00e9. O jornal \u201cP\u00fablico\u201d, na sua edi\u00e7\u00e3o de hoje, procura explica\u00e7\u00f5es para o facto.  Alfredo Teixeira, professor de Antropologia e Sociologia da Religi\u00e3o na Universidade Cat\u00f3lica, identifica diferentes fen\u00f3menos a partir dos epis\u00f3dios conhecidos. Re-significa\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas natal\u00edcias, invas\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico pelo Estado, rejei\u00e7\u00e3o da narrativa simb\u00f3lica do Natal enquanto patrim\u00f3nio cultural comum de uma sociedade que &#8220;n\u00e3o \u00e9 perten\u00e7a de ningu\u00e9m&#8221; &#8211; s\u00e3o algumas das ideias avan\u00e7adas para explicar os epis\u00f3dios que t\u00eam surgido a p\u00fablico.  Paulo Mendes Pinto, professor de Hist\u00f3ria das Religi\u00f5es na Universidade Lus\u00f3fona, que se assume como ateu &#8211; &#8220;para se ser ateu, \u00e9 necess\u00e1ria alguma religiosidade&#8221;, diz -, considera que se est\u00e1 perante um &#8220;fundamentalismo&#8221; que pretende &#8220;excluir a religi\u00e3o&#8221;.  Ao longo das \u00faltimas semanas, muitas foram as hist\u00f3ria rocambolescas que vieram a lume, a respeito da \u201cn\u00e3o celebra\u00e7\u00e3o\u201d do Natal crist\u00e3o. O F\u00f3rum Andaluz da Fam\u00edlia concedeu o Pr\u00e9mio Herodes 2006 \u00e0 directora de uma escola p\u00fablica em Mijas (M\u00e1laga, Espanha), que colocou no lixo um pres\u00e9pio feito por alunos da disciplina de Religi\u00e3o, argumentando que numa escola p\u00fablica de um pa\u00eds laico &#8220;n\u00e3o s\u00e3o permitidos s\u00edmbolos religiosos&#8221;. Tamb\u00e9m em Espanha, na escola Hilarion Gimeno (Sarago\u00e7a), foi decidido que n\u00e3o haveria festa de Natal, para n\u00e3o correr o risco de ofender crian\u00e7as n\u00e3o-crist\u00e3s. No dia 1 de Dezembro, em Inglaterra, diversos respons\u00e1veis mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os afirmaram que as empresas que &#8220;interditam&#8221; o Natal, receando ofender crentes n\u00e3o-crist\u00e3os, arriscam-se a provocar reac\u00e7\u00f5es anti-mu\u00e7ulmanas. De acordo com a AFP, o F\u00f3rum de Crist\u00e3os e Mu\u00e7ulmanos dirigiu uma carta a presidentes de c\u00e2mara apelando a que n\u00e3o sejam abandonados os s\u00edmbolos crist\u00e3os do Natal. H\u00e1 oito anos, a c\u00e2mara de Birmingham (centro de Inglaterra) decidiu mesmo renomear o tempo natal\u00edcio como &#8220;Winterval&#8221; &#8211; ou intervalo de Inverno.  Numa feira tradicional de Natal, em Chicago, as autoridades municipais tinham objectado \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos promocionais do filme rec\u00e9m-estreado O Nascimento de Cristo (The Nativity Story) no Christkindlmarket alem\u00e3o, por considerar que o filme poderia ofender os n\u00e3o-crist\u00e3os. O jornal do Vaticano, L\u2019Osservatore Romano, apresentou este Domingo uma pe\u00e7a em que apelava \u00e0 defesa dos s\u00edmbolos do Natal, em especial o pres\u00e9pios, criticando os que procura apagar &#8220;todas as suas tradi\u00e7\u00f5es&#8221; e fazer da \u00e9poca &#8220;uma simples festa de prazeres e indiferen\u00e7a&#8221;. Num artigo assinado pelo jornalista Mario Gabriele Giordano pode ler-se que na Europa, &#8220;e particularmente em Inglaterra, assiste-se a uma verdadeira &#8220;guerra contra o Natal&#8221;. &#8220;Uma guerra que tende a apagar todas as tradi\u00e7\u00f5es de Natal&#8221;, refere o jornal. &#8220;O que suscita mais a perplexidade \u00e9 o desaparecimento definitivo de qualquer refer\u00eancia religiosa&#8221; em cart\u00f5es impressos para a \u00e9poca, substitu\u00eddos por &#8220;bonecos de neve e renas, e j\u00e1 n\u00e3o a estrela do pres\u00e9pio, os magos ou outras imagens do g\u00e9nero&#8221;. &#8220;Quando se rompe o sil\u00eancio circunspecto que envolve esta \u2018guerra contra o Natal\u2019, afirma-se que tudo \u00e9 justificado pela necessidade de n\u00e3o ofender a sensibilidade dos n\u00e3o-crentes ou de fi\u00e9is de outras religi\u00f5es&#8221;, acrescenta o texto. Do \u201cBom Natal\u201d \u00e0s \u201cBoas Festas\u201d, do pres\u00e9pio \u00e0 \u00c1rvore de Natal, a substitui\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos natal\u00edcios tradicionais \u00e9 objecto de preocupa\u00e7\u00e3o junto do Vaticano. O \u201cNatal sem Jesus\u201d \u00e9, para o jornalista, um sinal de \u201chipocrisia e de medo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os dias chegam \u00e0s redac\u00e7\u00f5es relatos de epis\u00f3dios com pol\u00e9mica \u00e0 volta da celebra\u00e7\u00e3o do Natal. 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