{"id":218325,"date":"2021-10-04T16:07:48","date_gmt":"2021-10-04T15:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=218325"},"modified":"2021-10-04T16:09:34","modified_gmt":"2021-10-04T15:09:34","slug":"a-cruz-escondida-157","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-157\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria dram\u00e1tica de um rapaz crist\u00e3o for\u00e7ado a fugir do Afeganist\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-218327\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411.jpg\" alt=\"\" width=\"1096\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411.jpg 1096w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-396x260.jpg 396w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-1024x673.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-768x505.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-1080x709.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-980x644.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/ACN-20210907-116411-480x315.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1096px) 100vw, 1096px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4>A angustiante viagem de Ali<\/h4>\n<p>Ali Ehsani tem 38 anos, \u00e9 advogado e coordenador de uma rede de solidariedade para refugiados. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, assistiu ao assassinato dos pais pelos talib\u00e3s. Tinha 8 anos quando foi for\u00e7ado a fugir do pa\u00eds. Na companhia de um irm\u00e3o, fez-se ao caminho. Foi uma longa e penosa viagem que s\u00f3 terminou em It\u00e1lia. O irm\u00e3o n\u00e3o sobreviveu. Em entrevista \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, Ehsani contou a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O regresso dos talib\u00e3s ao poder trouxe o Afeganist\u00e3o para o centro do mundo. Os telejornais mostraram cenas de p\u00e2nico no aeroporto de Cabul com milhares de pessoas procurando fugir. Ali Ehsani foi seguramente uma das pessoas que viu essas imagens. Ali sabia bem o significado do medo estampado em tantos rostos. O regresso dos talib\u00e3s ao poder avivou mem\u00f3rias dolorosas dos tempos em que a sua fam\u00edlia vivia a f\u00e9 em Cristo na clandestinidade. Tinha 8 anos quando o mundo desabou na sua vida. \u201cUm dia cheguei a casa, vindo da escola, e descobri que os talib\u00e3s tinham destru\u00eddo a nossa casa e matado os meus pais. O meu irm\u00e3o e eu fomos for\u00e7ados a fugir do Afeganist\u00e3o.\u201d Os pais tinham sido denunciados por um vizinho. Denunciados por serem crist\u00e3os. Foi uma viagem angustiante que os levou do Afeganist\u00e3o ao Paquist\u00e3o, Ir\u00e3o, Turquia e Gr\u00e9cia, at\u00e9 chegarem a It\u00e1lia. \u201cO meu irm\u00e3o morreu pelo caminho\u2026\u201d A fam\u00edlia de Ali vivia a sua f\u00e9 em segredo. O Afeganist\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds mu\u00e7ulmano com uma toler\u00e2ncia muito reduzida para as minorias religiosas, para os n\u00e3o sunitas. Com uma vis\u00e3o rigorosa do Isl\u00e3o, as mulheres s\u00e3o obrigadas a usar burka, os homens t\u00eam de deixar crescer a barba, num mundo de proibi\u00e7\u00f5es que torna a vida sufocante para a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o. Os pais de Ali sabiam disso e nunca falaram abertamente sobre a religi\u00e3o porque receavam que ele, ainda crian\u00e7a, os tra\u00edsse inadvertidamente. Um dia, os seus amigos perguntaram-lhe por que raz\u00e3o o pai n\u00e3o ia \u00e0 mesquita como todos os outros homens. \u201cFui para casa e perguntei-lhe. Ele pediu-me para n\u00e3o dizer a ningu\u00e9m que \u00e9ramos crist\u00e3os\u2026\u201d Mas o segredo foi descoberto e acabou em trag\u00e9dia.<\/p>\n<h4><strong>Boia de salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Ali tinha 8 anos. O irm\u00e3o era mais velho. Tinha 16. A viagem at\u00e9 It\u00e1lia, uma verdadeira odisseia, durou cinco anos. \u201cFoi angustiante\u201d, diz agora, como se fosse poss\u00edvel reduzir tudo a duas palavras. Ainda \u00e9 dif\u00edcil lembrar a morte do irm\u00e3o. Tinham apanhado um barco para chegar \u00e0 Gr\u00e9cia. O mar agitado acabou por ser a sepultura dele. Ali agarrou-se a uma botija de gasolina que transformou numa boia de salva\u00e7\u00e3o. \u201cSe Jesus existe, Ele salvar-me-\u00e1 de morrer afogado\u201d, foi o que pensou. Sobreviveu. Tinha 11 anos quando chegou a It\u00e1lia com ideias j\u00e1 muito concretas sobre o que queria fazer na vida: ser advogado para defender os mais fracos, os que estivessem em dificuldades, os que ficassem \u00f3rf\u00e3os, como ele. E nunca se esqueceu das suas ra\u00edzes, do seu pa\u00eds. Nunca se esqueceu de tentar ajudar outros que pudessem estar a viver tamb\u00e9m clandestinamente a sua f\u00e9 no Afeganist\u00e3o. E foi assim que descobriu outras pessoas que precisavam de ajuda. Uma hist\u00f3ria incrivelmente parecida com a sua. A televis\u00e3o ligada via sat\u00e9lite a um domingo a transmitir a Missa foi suficiente para que um vizinho denunciasse aquela fam\u00edlia. For\u00e7ados a fugir, esconderam-se numa esp\u00e9cie de abrigo, pagando protec\u00e7\u00e3o um guarda. \u201cGra\u00e7as \u00e0s autoridades italianas e do Vaticano, conseguimos tir\u00e1-los do pa\u00eds. Vivem agora em It\u00e1lia\u2026.\u201d Ali Ehsani conta como esses primeiros dias em liberdade foram vividos intensamente por esta fam\u00edlia. \u201cA primeira vez que puderam assistir \u00e0 Missa, ficaram t\u00e3o emocionados que s\u00f3 choravam. Foi profundamente comovente\u2026\u201d Eles confessaram que depois de tantos anos a viver a f\u00e9 na clandestinidade, sentiam-se como que a renascer. Depois desta fam\u00edlia j\u00e1 se seguiram outras tr\u00eas. Ao todo, foram oito mulheres, seis homens e sete crian\u00e7as. Todos foram resgatados. Todos est\u00e3o agora em liberdade.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria dram\u00e1tica de um rapaz crist\u00e3o for\u00e7ado a fugir do Afeganist\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-218325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=218325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218325\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=218325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=218325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=218325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}