{"id":218180,"date":"2021-10-03T09:30:22","date_gmt":"2021-10-03T08:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=218180"},"modified":"2021-10-02T18:52:03","modified_gmt":"2021-10-02T17:52:03","slug":"fratelli-tutti-1-o-aniversario-o-papa-assume-o-papel-que-esperariamos-dos-politicos-e-das-organizacoes-internacionais-carlos-farinha-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fratelli-tutti-1-o-aniversario-o-papa-assume-o-papel-que-esperariamos-dos-politicos-e-das-organizacoes-internacionais-carlos-farinha-rodrigues\/","title":{"rendered":"\u00abFratelli Tutti\u00bb\/1.\u00ba anivers\u00e1rio: \u00abO Papa assume o papel que esperar\u00edamos dos pol\u00edticos e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais\u00bb &#8211; Carlos Farinha Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p><em>Economista diz que houve um salto qualitativo na capacidade da Igreja diagnosticar problemas e propor solu\u00e7\u00f5es. Para o professor do ISEG, a enc\u00edclica publicada em 2020 confirma Francisco como a voz mais influente a n\u00edvel mundial, a \u00fanica que fala \u201cao conjunto da humanidade\u201d<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_218165\" aria-describedby=\"caption-attachment-218165\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-218165 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-218165\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>H\u00e1 um ano, j\u00e1 em plena pandemia, o Papa Francisco publicou a enc\u00edclica &#8216;Fratelli Tutti&#8217; &#8211; em portugu\u00eas &#8216;Todos Irm\u00e3os&#8217; &#8211; que aponta a fraternidade e a amizade social como caminhos para um mundo melhor, mais justo e pac\u00edfico. Este documento foi um contributo importante?<\/em><\/p>\n<p>Foi um contributo extremamente importante, porque tem uma dimens\u00e3o universal que extravasa claramente as fronteiras do catolicismo. Nesta enc\u00edclica o Papa interpela os cidad\u00e3os do mundo, independentemente de serem cat\u00f3licos ou n\u00e3o, de serem agn\u00f3sticos, ateus ou de outras religi\u00f5es. Portanto, h\u00e1 aqui uma mensagem que \u00e9, na minha opini\u00e3o, uma mensagem de preocupa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de esperan\u00e7a, que serve como referencial para a interven\u00e7\u00e3o dos homens no mundo.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, nesta enc\u00edclica o Papa interpela cada um de n\u00f3s a pensar, a debater, a tomar posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s principais quest\u00f5es com que se confronta a nossa sociedade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que s\u00e3o v\u00e1rias, e est\u00e3o interligadas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e3o interligadas. Olhando para o que tem sido a doutrina deste Papa, podemos claramente identificar uma continuidade, ver que h\u00e1 um caminho que vai da &#8216;Laudato Si&#8217; \u00e0 &#8216;Fratelli Tutti&#8217; que revela o empenhamento na identifica\u00e7\u00e3o dos problemas com que a sociedade se confronta, e revela uma coragem muito grande na cr\u00edtica a alguns lugares-comuns, a algumas pseudo-verdades que parecem imut\u00e1veis. E, o que me parece ainda mais relevante, revela uma capacidade de propor solu\u00e7\u00f5es e caminhos para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Penso que este \u00e9 o aspeto mais importante deste Papa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Isso foi bastante assumido na enc\u00edclica&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 assumido na enc\u00edclica. E se olharmos, numa forma mais retrospetiva, o que tem sido ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas a Doutrina Social da Igreja, acho que h\u00e1 aqui claramente um salto qualitativo, de uma capacidade de diagn\u00f3stico e de refletir, para uma capacidade de intervir, de fazer propostas, de suscitar a atividade humana para a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Papa reconhece, de alguma forma, que esta enc\u00edclica pode ser vista tamb\u00e9m como uma enc\u00edclica social. N\u00e3o \u00e9, obviamente, s\u00f3 uma enc\u00edclica social. Mas, eu diria mais, que esta enc\u00edclica tamb\u00e9m tem um conte\u00fado pol\u00edtico muito grande.<\/p>\n<p>Numa sociedade em que, como a pr\u00f3pria enc\u00edclica refere, temos uma crise de valores, uma crise de princ\u00edpios, o Papa assume-se aqui como a principal, e talvez a \u00fanica voz que \u00e9 capaz de suscitar um apelo ao conjunto da humanidade. Ele assume o papel que n\u00f3s esperar\u00edamos dos pol\u00edticos, das organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Face, eu diria, ao fracasso de muitas das nossas institui\u00e7\u00f5es e \u00e0 insufici\u00eancia de a\u00e7\u00f5es &#8211; basta pensarmos, por exemplo, na Uni\u00e3o Europeia e no que s\u00e3o as Na\u00e7\u00f5es Unidas -, o Papa nesta enc\u00edclica vai muito mais longe e tem a coragem de propor propostas de altera\u00e7\u00e3o. E, como referi no in\u00edcio, isso \u00e9 fundamental, quer sejamos cat\u00f3licos ou outra coisa qualquer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar numa enc\u00edclica publicada em plena pandemia, e o Papa diz que a resposta \u00e0 crise sanit\u00e1ria n\u00e3o poder\u00e1 resultar num novo &#8220;consumismo febril&#8221;, nem em &#8220;novas formas de autoprote\u00e7\u00e3o ego\u00edsta&#8221;, o que parece ter sido bastante prof\u00e9tico. A pandemia obrigou, de facto, a repensar a forma como se produz e consome, ou as dificuldades v\u00e3o continuar a agravar-se?<\/em><\/p>\n<p>Estou parcialmente de acordo com isso, porque acho que a capacidade de evidenciar os principais problemas com que nos confrontamos j\u00e1 estava claramente identificada na &#8216;Laudato Si&#8217;: a ideia de uma economia que mata, a ideia da destrui\u00e7\u00e3o da &#8216;Casa Comum&#8217;, a ideia de que temos uma econom<em>ia que n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o do homem, tudo isso vinha da\u00ed&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Papa fala muitas vezes no &#8216;Deus dinheiro&#8217;.<\/em><\/p>\n<p>A pandemia tem um papel importante nesta enc\u00edclica, neste sentido: se tudo isso era identific\u00e1vel e j\u00e1 estava na enc\u00edclica anterior, a pandemia veio p\u00f4r a nu muitos dos aspetos que antes estavam pelo menos semiocultos.<\/p>\n<p>A pandemia teve, e est\u00e1 a ter, consequ\u00eancias grav\u00edssimas em torno das quest\u00f5es da pobreza e da desigualdade, mas tamb\u00e9m em torno dos valores. Quando, por exemplo, hoje assistimos \u00e0 discuss\u00e3o sobre a dissemina\u00e7\u00e3o das vacinas a n\u00edvel mundial, n\u00e3o h\u00e1 exemplos maiores do ego\u00edsmo baseado no individualismo, na separa\u00e7\u00e3o entre pessoas de primeira e pessoas de segunda, do que aqueles que a pandemia nos trouxe.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_218164\" aria-describedby=\"caption-attachment-218164\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-218164\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-218164\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ali\u00e1s, o Papa foi um dos primeiros a levantar a voz contra essa desigualdade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Portanto, a pandemia \u00e9 importante porque tornou mais claros e mais gravosos, em termos de situa\u00e7\u00e3o social, muitos dos aspetos que j\u00e1 antes tinham sido claramente identificados.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui uma consist\u00eancia na vis\u00e3o do Papa que eu acho que \u00e9 indiscut\u00edvel. Mas h\u00e1, apesar dessa consist\u00eancia e dessa continuidade, aspetos novos. Por exemplo, quando o Papa se pronuncia sobre o que \u00e9 a pol\u00edtica e o que deve ser a pol\u00edtica nos nossos dias, essa vis\u00e3o claramente reflete a vis\u00e3o do que est\u00e1 a acontecer durante o per\u00edodo da pandemia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Vai at\u00e9 um pouco contracorrente \u00e0quilo que \u00e9 popularmente aceite e assumido, de ver a pol\u00edtica como uma atividade menor, quase desprez\u00edvel e cheia de corrup\u00e7\u00e3o, e o Papa diz que do ponto de vista da \u00e9tica ocidental, do pr\u00f3prio cristianismo, a pol\u00edtica \u00e9 uma forma de exerc\u00edcio da caridade no seu mais alto n\u00edvel. \u00c9 interessante, mas que falta concretizar?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que na enc\u00edclica existem duas ideias muito claras: n\u00f3s hoje temos um d\u00e9fice de pol\u00edtica assente em valores, ponto 1; ponto 2, a forma de ultrapassar isto \u00e9, como o pr\u00f3prio Papa refere, a dignifica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. Ou seja, a pol\u00edtica tem de ser dignificada para que efetivamente possa assumir a sua miss\u00e3o mais nobre, que \u00e9 defender o conjunto da sociedade, construir uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante quando o Papa diz que as perguntas que hoje temos de p\u00f4r aos pol\u00edticos &#8211; e que cada pol\u00edtico deve colocar a si mesmo &#8211; s\u00e3o: &#8216;quanto amor colocarei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixarei na vida da sociedade? Que la\u00e7os reais constru\u00ed?&#8217;. Ou seja, h\u00e1 aqui um apelo fort\u00edssimo a uma dignifica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, o que s\u00f3 pode ser feito com base em princ\u00edpios de solidariedade e, na express\u00e3o do Papa, em &#8216;princ\u00edpios de fraternidade&#8217;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Mundial contra a Fome, que seria financiado pelas despesas militares, mas na realidade nada, ou quase nada se avan\u00e7ou. Seria uma medida importante?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que temos de repensar grande parte das nossas pol\u00edticas, e estou completamente de acordo com o Papa quando diz que a pol\u00edtica atualmente &#8211; a pol\u00edtica no sentido dos decisores mundiais &#8211; carece de uma vis\u00e3o que ponha o homem e a dignidade do homem em primeiro plano. Olhamos para o problema das vacinas, ou para o problema de tr\u00e1gico dos imigrantes&#8230;<\/p>\n<p>Eu acho muito interessante o Papa, a certa altura, referir na enc\u00edclica que \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos j\u00e1 numa terceira guerra mundial, s\u00f3 que ela \u00e9 fragmentada.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui, de facto, um apelo que tem por base esta ideia muito simples: somente atrav\u00e9s da solidariedade e da fraternidade conseguimos construir um mundo mais justo, e construir esse mundo mais justo \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 para acabar com a guerra, para cada um de n\u00f3s valorizar a pessoa humana, mas tamb\u00e9m para &#8211; e a\u00ed remeto novamente para a enc\u00edclica anterior &#8211; readquirir um equil\u00edbrio entre aquilo que n\u00f3s fazemos, a nossa atividade, a nossa economia e os recursos que est\u00e3o \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. No fundo, a ideia da defesa da Casa Comum.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A enc\u00edclica tamb\u00e9m critica o ressurgimento dos discursos de \u00f3dio, xen\u00f3fobos, populistas, agora ainda mais propagados com as redes sociais e as plataformas digitais. H\u00e1 consci\u00eancia destes riscos que se correm ou a situa\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a piorar?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que, claramente, n\u00f3s ainda temos uma perce\u00e7\u00e3o muito limitada do impacto destes riscos. A certa altura, o Papa tem uma express\u00e3o muito interessante: a globaliza\u00e7\u00e3o tornou-nos todos mais pr\u00f3ximos, mas tornou-nos todos mais isolados, mais sozinhos. No fundo, o que temos hoje no mundo \u00e9 \u2013 associado \u00e0 quebra de valores de que falei h\u00e1 pouco, citando a enc\u00edclica \u2013 o individualismo, o ego\u00edsmo como dominantes, tornaram-se mainstream.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 verdade na economia, eu sou particularmente sens\u00edvel a essas quest\u00f5es: hoje, quando olhamos para a economia, temos a ideia de que aquilo que \u00e9 o modo de funcionamento normal \u00e9 o individualismo, o ego\u00edsmo, a identifica\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos individuais, muitas vezes em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades coletivas. Claramente, aqui essa mudan\u00e7a tem de ser feita e tem de se combater a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nossa sociedade, hoje, vive \u2013 e temos experi\u00eancias recentes, basta olhar para o que foi Trump, e para a nossa realidade portuguesa, onde existe muita desinforma\u00e7\u00e3o \u2013 um processo que ainda n\u00e3o \u00e9 completamente claro e percet\u00edvel, quer na forma como funciona quer nas suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Quando temos uma desvaloriza\u00e7\u00e3o dos meios de informa\u00e7\u00e3o\u2026 Estamos aqui numa r\u00e1dio, que claramente tem um papel a desempenhar na nossa sociedade, com crit\u00e9rios de verdade e de honestidade na informa\u00e7\u00e3o. Ora, o problema \u00e9 que, de forma paralela, hoje temos m\u00faltiplos canais alternativos, onde essas regras n\u00e3o se aplicam. Portanto, a forma como teremos de gerir isso \u00e9 tamb\u00e9m um desafio no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa tamb\u00e9m tem tido iniciativas no \u00e2mbito da economia, como a \u2018Economia de Francisco\u2019, que tem desafiado as novas gera\u00e7\u00f5es a repensarem o modelo econ\u00f3mico &#8211; ali\u00e1s, no momento em que transmitimos esta entrevista, domingo, 3 de outubro, j\u00e1 decorreu um novo encontro transmitido a partir de Assis para todo o mundo. Tem acompanhado este movimento? Acredita que est\u00e1 iniciado o caminho para uma economia mais amiga do homem e do meio ambiente?<\/em><\/p>\n<p>Tenho acompanhado bastante a iniciativa e acho que a \u2018Economia de Francisco\u2019 tem um potencial transformador muito grande. Se calhar n\u00e3o de imediato, na economia, mas na forma como os jovens, em particular, passam a olhar para a economia e os problemas sociais. Isso \u00e9 extremamente importante.\u00b4<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_218161\" aria-describedby=\"caption-attachment-218161\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-218161\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-218161\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Sendo um movimento global, poder\u00e1 vir a dar frutos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Espero sinceramente que a \u2018Economia de Francisco\u2019 d\u00ea frutos, essencialmente na forma de olhar para o mundo e a sociedade. Os jovens t\u00eam uma capacidade de sonho e de transforma\u00e7\u00e3o que, provavelmente, n\u00f3s mais velhos j\u00e1 n\u00e3o temos. Ou temos de forma mais limitada\u2026<\/p>\n<p>Ser capaz de pensar essa mensagem de que a economia s\u00f3 faz sentido se ela voltar \u00e0s suas ra\u00edzes, tratar da Casa Comum, daquilo que \u00e9 a nossa perman\u00eancia neste planeta e a forma como podemos sobreviver. A\u00ed, toda a an\u00e1lise que o Papa Francisco faz a todo o processo dominante de submiss\u00e3o da pol\u00edtica \u00e0 economia, e da economia a uma vis\u00e3o baseada no lucro, na acumula\u00e7\u00e3o desenfreada de capital, \u00e9 um forte apelo \u00e0 reflex\u00e3o, pelo menos. Isso \u00e9 extremamente importante.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Dizia h\u00e1 pouco que a pandemia veio p\u00f4r a nu muitos aspetos que n\u00e3o estariam t\u00e3o \u00e0 vista de toda a gente. Olhando para Portugal, temos cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, e muitas dessas pessoas at\u00e9 trabalham. Teme-se que a pandemia venha agravar esta situa\u00e7\u00e3o. A pobreza \u00e9 uma fatalidade em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho quaisquer d\u00favidas de que a pandemia acentuou os principais fatores de pobreza e da desigualdade que existiam no nosso pa\u00eds e criou alguns fatores novos.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela desigualdade: n\u00e3o temos ainda indicadores muito firmes e quantific\u00e1veis da forma como as desigualdades se agravaram, mas se olharmos ao que foi o fecho das escolas durante largos per\u00edodos de tempo, isso teve um impacto em termos de desigualdade que foi terr\u00edvel. Mesmo quando tivemos os poderes p\u00fablicos e as escolas a fazer um esfor\u00e7o muito grande para tentar <em>atenuar isso, esse esfor\u00e7o \u00e9 necessariamente insuficiente\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O ponto de partida j\u00e1 era desigual\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu posso colocar em casa de todos os alunos um computador, agora, isso n\u00e3o impede que as condi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao ensino de uma fam\u00edlia em que os pais podem acompanhar os filhos, t\u00eam capacidade para o fazer e para os orientar, sejam completamente diferentes das de fam\u00edlias mais desfavorecidas, em que os pais, por muito que gostassem, n\u00e3o teriam capacidade para o fazer. Portanto, tivemos aqui um agravamento das desigualdades que foi muito grande, na minha opini\u00e3o, e pior do que isso, tem uma capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o no futuro que \u00e9 assustadora. Queiramos ou n\u00e3o, a escola, o ensino em Portugal ainda \u00e9 o principal fator de elevador social, mas se pusermos uma palhinha na engrenagem, deixa de funcionar. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que as desigualdades se agravem. Podemos atenuar isso, depende muito, nesta fase que se espera de p\u00f3s-pandemia, do esfor\u00e7o de tentar atenuar os efeitos negativos, mas h\u00e1 aspetos que v\u00e3o perdurar no futuro.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Institui\u00e7\u00f5es como a C\u00e1ritas t\u00eam alertado que o pior em termos de crise econ\u00f3mica e social ainda est\u00e1 para vir. Concorda?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que h\u00e1 fatores de crise social associados a esta pandemia que ainda t\u00eam lenha para manter este fogo aceso. Apesar de tudo, quando comparamos com outras crises anteriores, h\u00e1 uma pequena diferen\u00e7a: desta vez, tivemos uma interven\u00e7\u00e3o muito ativa dos poderes p\u00fablicos, a tentar atenuar os principais fatores de pobreza. Isso n\u00e3o impede que continuemos a ter fatores de risco muito grandes. Se pensarmos em quest\u00f5es como as morat\u00f3rias, etc., que ainda n\u00e3o est\u00e3o completamente resolvidas, corremos o risco s\u00e9rio de agravamento da situa\u00e7\u00e3o social, ainda maior do que o que j\u00e1 tivemos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um rosto vis\u00edvel da pobreza que, embora n\u00e3o seja o mais significativo, tem uma grande carga simb\u00f3lica: as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo. Soubemos que o n\u00famero aumentou, h\u00e1 mais 1100 pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o, elevando para 8200 o total no pa\u00eds. Esses dados s\u00e3o preocupantes? Mostram j\u00e1 algumas das consequ\u00eancias da pandemia?<\/em><\/p>\n<p>Mostram. Os sem-abrigo s\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o de uma realidade que aconteceu muito em Portugal e \u00e9 preocupante: esta pandemia tem uma carater\u00edstica particular em termos de pobreza, porque a paragem global da atividade fez com que um conjunto muito significativo de formas at\u00edpicas de emprego, que existem na sociedade e muitas vezes funcionam como almofada face ao emprego formal, deixasse de existir. Isso trouxe para situa\u00e7\u00f5es de pobreza, de agravamento de pobreza, setores da popula\u00e7\u00e3o que habitualmente n\u00e3o eram a\u00ed considerados.<\/p>\n<p>Mais: exatamente porque eles tinham empregos at\u00edpicos, trabalhados n\u00e3o regulamentados, fora do circuito normal do mercado de trabalho, n\u00e3o s\u00f3 ficaram sem rendimentos, como se verificou que n\u00e3o estavam abrangidos pelos sistemas tradicionais de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o social. Essas pessoas levaram um embate maior. \u00c9 verdade que o Governo tentou e tivemos uma multiplicidade de medidas, porque de repente descobrimos que havia milhares e milhares de pessoas que n\u00e3o estavam abrangidos pelos sistemas tradicionais\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_218163\" aria-describedby=\"caption-attachment-218163\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-218163\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Carlos-Farinha-Rodrigues-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-218163\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A pandemia destapou toda uma fragilidade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Portanto, n\u00e3o me surpreende que nomeadamente os sem-abrigo \u2013 que dentro do contexto da pobreza s\u00e3o uma realidade muito complexa, em que n\u00e3o se pode falar num padr\u00e3o de pessoa sem-abrigo, porque h\u00e1 muitos padr\u00f5es, problemas muito diferentes \u2013 seja um dos aspetos em que se vai sentir mais\u2026<\/p>\n<p>Gostaria de terminar com um dos aspetos da enc\u00edclica \u2018Fratelli Tutti\u2019 que considero importante: a mensagem de esperan\u00e7a que o Papa nos deixa. Ele diz claramente que a esperan\u00e7a \u00e9 ousada e termina a pedir: caminhemos na esperan\u00e7a. Eu penso que esta \u00e9 uma mensagem important\u00edssima. Eu nunca acreditei que a pobreza fosse uma fatalidade e o que o Papa nos diz \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 fatalidade, a pobreza \u00e9 resultado da atividade humana e n\u00f3s temos capacidade de a alterar. Esta mensagem de esperan\u00e7a para todos n\u00f3s \u00e9 o aspeto mais importante que o Papa nos deixa nesta enc\u00edclica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista diz que houve um salto qualitativo na capacidade da Igreja diagnosticar problemas e propor solu\u00e7\u00f5es. 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