{"id":21804,"date":"2009-12-23T16:21:58","date_gmt":"2009-12-23T16:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/a-lapinha-da-madeira-e-a-entronizacao-do-menino\/"},"modified":"2009-12-23T16:21:58","modified_gmt":"2009-12-23T16:21:58","slug":"a-lapinha-da-madeira-e-a-entronizacao-do-menino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-lapinha-da-madeira-e-a-entronizacao-do-menino\/","title":{"rendered":"A \u00ablapinha\u00bb da Madeira e a entroniza\u00e7\u00e3o do Menino"},"content":{"rendered":"<p>As representa&ccedil;&otilde;es do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos come&ccedil;aram a surgir desde o s&eacute;culo IV. No ano de 1223, S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da v&eacute;spera de Natal com os cidad&atilde;os de Assis de forma diferente: assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Gr&eacute;cio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para al&eacute;m disto tamb&eacute;m colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. Jos&eacute;. <br \/>Os pres&eacute;pios passaram a ser assim entendidos como uma pequena narrativa, inspirada nos relatos dos Evangelhos, mas a verdade &eacute; que em Portugal alguns deles representam uma outra interpreta&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica, mais ligada &agrave; entroniza&ccedil;&atilde;o do Menino.&nbsp;<br \/>A regi&atilde;o da Proven&ccedil;a (sul de Fran&ccedil;a) foi o grande centro de irradia&ccedil;&atilde;o do pres&eacute;pio com ra&iacute;zes medievais. No Natal, surge o Menino Jesus glorioso, triunfante, o Salvador, o Senhor e Rei do mundo. <br \/>Este pres&eacute;pio foi levado pelos portugueses para a Ilha da Madeira, para os A&ccedil;ores e para o Brasil. Em Portugal, ainda podemos ver este pres&eacute;pio no Baixo Alentejo e no Algarve. <br \/>O Pres&eacute;pio tradicional algarvio conserva as ra&iacute;zes medievais. &Eacute; um trono ou altar armado em escadaria. O Menino Jesus est&aacute; de p&eacute;, no cimo do trono. &Agrave; volta coloca-se verdura, Ramos de laranjeira. Na escadaria colocam-se laranjas e searinhas germinadas. <br \/>Cerca de 9 dias antes do Natal as fam&iacute;lias preparavam-se para &#8220;armar o Pres&eacute;pio&#8221; ou &#8220;armar o Menino&#8221;, geralmente em cima de uma c&oacute;moda na entrada da casa. Lavava-se a casa e colocava-se uma toalha branca com rendas sobre a dita c&oacute;moda, sobre a qual se armava um altar em escadaria, com 3 ou mais degraus, tamb&eacute;m eles cobertos por toalhas bordadas ou rendas. No topo do trono era colocado o Menino. <br \/>Para tornar a decora&ccedil;&atilde;o mais rica, eram adicionadas laranjas, com a respectiva rama, e searinhas de trigo. A coloca&ccedil;&atilde;o destes elementos tinha tamb&eacute;m o prop&oacute;sito de que o Menino aben&ccedil;oasse as colheitas do pr&oacute;ximo ano. <br \/>No in&iacute;cio da d&eacute;cada de oitenta o Pe. Jos&eacute; da Cunha Duarte, p&aacute;roco de S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel iniciou a recolha das imagens feitas pelos pinta-santos algarvios. Na Igreja Matriz arma-se o pres&eacute;pio tradicional, em escadaria, com laranjas e searinhas e o Menino em cima do trono. A igreja tamb&eacute;m se reveste de panos como foi tradi&ccedil;&atilde;o nos s&eacute;culos XVIII e XIX. <\/p>\n<p><strong>Lapinha<\/strong> <br \/>Na Madeira, este pres&eacute;pio &eacute; conhecido como &ldquo;lapinha&rdquo;. O Menino Jesus est&aacute; de p&eacute;, no cimo do trono. &Agrave; volta coloca-se verdura e na escadaria coloca-se fruta com as &ldquo;searinhas&rdquo;. Uma lamparina acesa est&aacute; sempre presente. <br \/>As lapinhas madeirenses s&atilde;o armadas sobre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos dec&iacute;metros de altura, de tr&ecirc;s lan&ccedil;os cont&iacute;guos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. A imagem apresenta-se com coroa, ceptro real, manto, mundo na m&atilde;o, para assinalar a realeza e a senhoria de Cristo, de acordo com o esp&iacute;rito medieval. <br \/>Este &eacute; um patrim&oacute;nio dom&eacute;stico entre as tradi&ccedil;&otilde;es do Natal, que ocupa lugar primacial no seio das fam&iacute;lias crist&atilde;s, e liga tradi&ccedil;&otilde;es religiosas &agrave; vida e natureza locais. Desde a Idade M&eacute;dia, resiste a todas as inova&ccedil;&otilde;es, embora com adapta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias de cada local, como sejam as ornamenta&ccedil;&otilde;es com os ramos do arbusto &ldquo;alegra-campo&rdquo; e dos fetos &ldquo;cabrinhas&rdquo;. <br \/>Na Madeira s&atilde;o ainda montadas as chamadas &ldquo;rochinhas&rdquo;, com papel pintada sobre uma estrutura que suporta o pres&eacute;pio, ajudando dar a ideia dos montes e vales, com os t&iacute;picos socalcos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As representa&ccedil;&otilde;es do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos come&ccedil;aram a surgir desde o s&eacute;culo IV. No ano de 1223, S. 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