{"id":21781,"date":"2006-12-19T17:47:03","date_gmt":"2006-12-19T17:47:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/19\/natal-festa-da-vida-2\/"},"modified":"2006-12-19T17:47:03","modified_gmt":"2006-12-19T17:47:03","slug":"natal-festa-da-vida-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-festa-da-vida-2\/","title":{"rendered":"Natal, festa da vida"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo de Beja <!--more--> No decorrer das esta\u00e7\u00f5es do ano a natureza vai-se vestindo e despindo de cores, climas e aspectos diversos, que marcam a vida das pessoas e das sociedades. Para al\u00e9m disso h\u00e1 acontecimentos do presente ou do passado, cuja mem\u00f3ria vai caracterizando a cultura dum povo, exprimindo-se em costumes e tradi\u00e7\u00f5es que animam a sua vida. Mas h\u00e1 acontecimentos que afectam a vida de muitos povos em quase todos os continentes. Podemos afirmar que o Natal crist\u00e3o \u00e9 um deles. No entanto, muitos vivem o Natal apenas naquilo que se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o cultural, mas n\u00e3o celebram o acontecimento que lhe deu origem e marcou as pessoas e culturas: o nascimento de Jesus em Bel\u00e9m, filho de Maria, o Salvador prometido ao povo hebreu para toda a humanidade. Gostaria de partilhar com os meus diocesanos alguns aspectos essenciais do verdadeiro Natal crist\u00e3o e as suas consequ\u00eancias para a vida daqueles que v\u00eaem no Menino de Bel\u00e9m o seu Senhor e Salvador. Estou convencido que o modo superficial e consumista como se vive esta quadra anual em nada contribui para a realiza\u00e7\u00e3o do bem estar pessoal nem para a coes\u00e3o social, antes acentua a insatisfa\u00e7\u00e3o individual e as desigualdades sociais. Ent\u00e3o, como celebrar o verdadeiro Natal?  <b>Natal, acolhimento da vida<\/b> Em primeiro lugar, mesmo quem n\u00e3o acolhe o Menino nascido h\u00e1 cerca de dois mil anos em Bel\u00e9m como Salvador da humanidade, se est\u00e1 aberto \u00e0 vida, sente que a decad\u00eancia e a morte n\u00e3o poder\u00e3o ter a \u00faltima palavra na hist\u00f3ria do mundo. Por isso est\u00e1 disposto a acolher o dom da vida e a contribuir para que a vida prevale\u00e7a. No Natal, quando a natureza se despe e a noite se alonga, o homem da esperan\u00e7a tem necessidade de afirmar a for\u00e7a da vida. No Menino de Bel\u00e9m, acolhido na simplicidade e na f\u00e9 de Maria, dos pastores e de todos os que nele acreditaram atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, afirmamos a vit\u00f3ria da vida sobre a morte e da nossa voca\u00e7\u00e3o a participar da alegria da criatura que v\u00ea a sua esperan\u00e7a realizada. Mas h\u00e1 tanta gente a destruir a vida, na sua fase inicial, no seu desenvolvimento e na sua metamorfose final! Basta mencionar o aborto, a fome, a viol\u00eancia, a guerra, a eutan\u00e1sia, etc. S\u00f3 celebra com autenticidade o Natal quem acolhe a vida como um dom, sem fazer selec\u00e7\u00e3o de quem merece viver.  <b>Vencer a cultura do ego\u00edsmo<\/b> Cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 filha do seu tempo, com tudo o que isso implica. Podemos dizer que esta gera\u00e7\u00e3o, agora na fase da vida activa, respira uma cultura da afirma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, da consci\u00eancia subjectiva em tens\u00e3o com a forte globaliza\u00e7\u00e3o da humanidade, que remete a pessoa para a impot\u00eancia de construir livremente um projecto de sociedade baseado na verdade e no bem comum. Esta experi\u00eancia empurra a pessoa para o pequeno mundo duma realiza\u00e7\u00e3o de bem estar subjectivo, sem aten\u00e7\u00e3o aos outros e ao seu pr\u00f3prio futuro. A esp\u00e9cie humana e a natureza caminham para a sua autodestrui\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o houver mudan\u00e7a de rumo. O tempo \u00e9 curto. Os anos procriativos de uma gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o limitados e passam depressa. A mentalidade ego\u00edsta e a cultura de morte s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da vida e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. N\u00e3o \u00e9 preciso ser futurologista para prever o decl\u00ednio da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Compreendemos os dramas e os medos de muitas mulheres, deixadas s\u00f3s pelos seus companheiros e pela sociedade, quando se v\u00eaem confrontadas com a possibilidade de ser m\u00e3es, de conceber e dar \u00e0 luz um novo ser humano. Precisamos de ajudar a mulher a aceitar e assumir a nobre voca\u00e7\u00e3o de ser m\u00e3e, de ser colaboradora imprescind\u00edvel na regenera\u00e7\u00e3o da sociedade. N\u00e3o \u00e9 facilitando libertar-se do novo ser humano que se gera no seu ventre, que contribu\u00edmos para a felicidade da mulher. Mas h\u00e1 um longo caminho a percorrer na educa\u00e7\u00e3o sexual respons\u00e1vel, nas leis laborais e sociais de apoio \u00e0 maternidade, na despolui\u00e7\u00e3o do ambiente e da cultura de morte das sociedades ocidentais.  <b>Acolher o outro com simplicidade, sem preconceitos<\/b> Por outro lado vivemos hoje num mundo multicultural em constante mobilidade. Temos todos de aprender a acolher o outro, o diferente, com simplicidade, sem preconceitos e sem medo. Celebrar o Natal de verdade implica acolher a todos os que v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s e tentar construir com eles uma fam\u00edlia humana, fraterna e solid\u00e1ria. O outro \u00e9 nosso irm\u00e3o, filho de Deus, e n\u00e3o nosso inimigo, concorrente ou escravo. Tamb\u00e9m neste aspecto precisamos de evoluir muito, para que desapare\u00e7am os guetos, os racismos, as marginaliza\u00e7\u00f5es, pois o Pr\u00edncipe da paz nasceu para todos.  Precisamos de apoiar a fam\u00edlia humana, a come\u00e7ar pela nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia de sangue, para que pais, filhos, av\u00f3s e netos, os membros de todas as gera\u00e7\u00f5es se sintam co-respons\u00e1veis pelo bem uns dos outros e n\u00e3o se abandonem na solid\u00e3o, s\u00f3 por motivos econ\u00f3micos e de bem estar pessoal. H\u00e1 valores que s\u00e3o mais preciosos que o dinheiro e o lazer.  <b>Partilhar o dom da vida e n\u00e3o apenas os presentes<\/b> Se a fam\u00edlia funcionar bem, se souber transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es os valores essenciais da vida humana, ent\u00e3o os seus membros encontrar-se-\u00e3o muitas vezes e estar\u00e3o atentos uns aos outros, aos seus problemas, e n\u00e3o apenas por altura do Natal. Mais que presentes materiais, \u00e9 importante que partilhemos a vida, o tempo, a alegria, a conviv\u00eancia, a aten\u00e7\u00e3o m\u00fatua, numa palavra, o amor. Sem esta partilha n\u00e3o acontece Natal.  <b>Superar o stress, o consumo e a ostenta\u00e7\u00e3o<\/b> O mist\u00e9rio do Natal de Bel\u00e9m convida \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, \u00e0 admira\u00e7\u00e3o do Menino, da M\u00e3e, do ambiente, das circunst\u00e2ncias do nascimento e do seu significado. Para isso precisamos de parar um pouco, de vencer a tenta\u00e7\u00e3o do consumo, da ostenta\u00e7\u00e3o, da ambi\u00e7\u00e3o, para evitarmos o stress e conseguirmos tempo uns para os outros e para Deus. Para ajudar \u00e0 reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o pessoal e em fam\u00edlia na \u00e9poca de Natal, deixo aqui duas passagens da B\u00edblia, uma do Antigo e outra do Novo Testamento: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz&#8230; Pois nasceu uma crian\u00e7a, Deus mandou-nos um menino, que ser\u00e1 o nosso rei. Ele ser\u00e1 chamado de \u201cConselheiro Maravilhoso\u201d, \u201cDeus Poderoso\u201d, \u201cPai Eterno\u201d, \u201cPr\u00edncipe da Paz\u201d (Is. 9, 2-6). Mas a todos quantos o receberam, aos que cr\u00eaem nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes n\u00e3o nasceram de la\u00e7os de sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus. A Palavra fez-se homem e veio habitar no meio de n\u00f3s, e n\u00f3s contemplamos a sua gl\u00f3ria, como gl\u00f3ria do filho \u00fanico do Pai, cheio de gra\u00e7a e de verdade (Jo 1, 12-14).   Neste sentido e na firme esperan\u00e7a de que todos os homens e mulheres de boa vontade saber\u00e3o acolher este dom de Deus e tirar as consequ\u00eancias para a sua vida pessoal, familiar e social, desejo a todos um Santo Natal e um ano de 2007 de crescimento espiritual e tamb\u00e9m de realiza\u00e7\u00e3o dos bons sonhos para a plenitude da vida, na paz e na alegria.  <i>\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,154,171,193,206,267],"class_list":["post-21781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-crianca","tag-diocese-de-beja","tag-educacao","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}