{"id":21780,"date":"2006-12-19T17:38:10","date_gmt":"2006-12-19T17:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/19\/ele-esta-no-meio-de-nos\/"},"modified":"2006-12-19T17:38:10","modified_gmt":"2006-12-19T17:38:10","slug":"ele-esta-no-meio-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ele-esta-no-meio-de-nos\/","title":{"rendered":"\u00abEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Angra <!--more--> \u00c9 Natal, com o apelo \u00e0 coragem da esperan\u00e7a, para renascer e recome\u00e7ar, comprometer-se na vida e pela vida. Efectivamente, o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o de Deus, que celebramos no Natal, faz-nos acreditar na vida, d\u00e1 sentido \u00e0 vida, garante o triunfo final da vida.  Quero, pois, nestas festas natal\u00edcias, saudar todos os a\u00e7orianos das ilhas e da di\u00e1spora, fazendo minhas as palavras do Anjo aos pastores, na noite de Natal: \u00abN\u00e3o temais, pois anuncio-vos uma grande alegria (\u2026): hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que \u00e9 o Messias Senhor\u00bb (Lc 2, 10).   1. O Menino, nascido em Bel\u00e9m h\u00e1 dois mil anos, veio trazer-nos a vida e a vida com abund\u00e2ncia para todos. \u00c9 isso mesmo o que exprime a exuber\u00e2ncia festiva desta quadra natal\u00edcia, que, apesar de alguns excessos, se justifica, precisamente, porque celebra o Mist\u00e9rio inaudito de um Deus, que \u00abencarna\u00bb na realidade da vida humana, com a debilidade da gratuidade, para que ela seja plenamente humana. Em Bel\u00e9m, o Alt\u00edssimo n\u00e3o se manifesta na Sua Omnipot\u00eancia, mas na fragilidade de \u00abum menino envolto em panos e deitado numa manjedoura\u00bb (Lc 2, 12). O que contrariava as expectativas messi\u00e2nicas de um libertador pol\u00edtico. \u00c9 a imagem de um Deus, que est\u00e1 para al\u00e9m de tudo o que possamos pensar e dizer d\u2019Ele. \u00abDeus \u00e9 t\u00e3o grande, que se pode fazer pequeno; \u00e9 de tal maneira poderoso, que se pode fazer inerme e vir ao nosso encontro como crian\u00e7a indefesa\u2026; \u00e9 t\u00e3o bom, que pode renunciar ao Seu esplendor divino e descer a um est\u00e1bulo, para que O possamos encontrar\u00bb (Bento XVI).  2. \u00abE o Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s\u00bb (Jo 1, 14). \u00c9 a express\u00e3o lapidar, com que o evangelista Jo\u00e3o resume o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o de Deus. O modo como Deus \u00abencarnou\u00bb p\u00f5e em causa, n\u00e3o s\u00f3 a imagem que tantas vezes fazemos d\u2019Ele, mas tamb\u00e9m a ideia que temos da Sua presen\u00e7a salvadora na nossa vida e na hist\u00f3ria humana. \u00abEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u00bb &#8211; repetimos na Liturgia, referindo-nos ao Verbo de Deus Encarnado. \u00c9 uma Presen\u00e7a humilde e discreta, mas real: na Palavra e nos Sacramentos, nos ministros ordenados e na comunidade dos fi\u00e9is, no rosto de cada irm\u00e3o, nos acontecimentos da vida e na hist\u00f3ria do mundo.  Encarnando, Deus tornou-Se o Emanuel: Deus-Connosco, companheiro da viagem da vida, com os seus sucessos e fracassos, as suas conquistas e incapacidades. Faz-Se encontrar, tanto na Liturgia da Igreja, como na refrega da vida. Podemos bem dizer que \u00abextra mundum, nulla salus\u00bb &#8211; fora do mundo, n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o \u2013 como afirmava o famoso te\u00f3logo holand\u00eas, E. Schillebeeckx, parafraseando o conhecido axioma cl\u00e1ssico, referido \u00e0 Igreja. \u00c9 que a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 hist\u00f3ria humana. Realiza-se nela e atrav\u00e9s dela. A ideia de um Deus sem mundo ou de uma Igreja confinada na sacristia, contraria o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o de Deus, que nos desafia a encarnar a f\u00e9 na vida. A f\u00e9 n\u00e3o nos protege dos problemas e das dificuldades. N\u00e3o facilita, compromete. N\u00e3o nos exime de combater e de arriscar, para que se realize o que se espera e ainda n\u00e3o se v\u00ea. Como afirma a Carta aos Hebreus, \u00aba f\u00e9 \u00e9 garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que n\u00e3o se v\u00eaem\u00bb (Heb 11, 19).   3. Encarnar a f\u00e9 na vida consiste em \u00abapostar\u00bb em Deus, que age na hist\u00f3ria de forma misteriosa, que nem sempre compreendemos e tantas vezes nos custa aceitar. \u00abSi comprehendis, non est Deus\u00bb &#8211; adverte Santo Agostinho: \u00abSe o compreendesses, n\u00e3o seria Deus\u00bb. \u00abA Deus jamais algu\u00e9m O viu\u00bb &#8211; diz-nos S. Jo\u00e3o (Jo 1, 18). Mas torna-Se vis\u00edvel no Filho Encarnado, que O revela como Amor. Por isso, n\u00e3o obstante tudo o que acontece no mundo e na nossa vida, acreditamos que Ele nos quer bem e quer o nosso bem, ainda que o Seu sil\u00eancio seja incompreens\u00edvel. \u00abDeus \u00e9 Amor\u00bb (1 Jo 4, 16). Apesar de todas as trevas, Ele \u00e9 que \u00abtem o mundo nas Suas m\u00e3os\u2026 Esse amor divino \u00e9 a luz \u2013 fundamentalmente a \u00fanica \u2013 que ilumina, incessantemente, um mundo \u00e0s escuras e nos d\u00e1 a coragem de viver e de agir\u00bb (Bento XVI). N\u00e3o adianta muito queixar-se de como o Natal \u00e9 celebrado hoje. N\u00f3s \u00e9 que fazemos o Natal, com o nosso testemunho e empenho, qual fermento que leveda a massa, luz que ilumina e fogo que aquece, sal que preserva da corrup\u00e7\u00e3o e d\u00e1 sabor \u00e0 vida. Celebrar o Natal de Jesus \u00e9 abra\u00e7ar a vida humana e a pr\u00f3pria humanidade, como Ele, com paix\u00e3o e at\u00e9 \u00e0 Paix\u00e3o, que \u00e9 a forma mais radical do amor.  Fa\u00e7amos nossa a ora\u00e7\u00e3o de S. Francisco: \u00abSenhor, fazei de mim instrumento da vossa paz\u00bb: que eu leve Amor, Perd\u00e3o e Uni\u00e3o, onde houver \u00f3dio, ofensa e disc\u00f3rdia; a luz da F\u00e9 e da Verdade, onde houver trevas; a Esperan\u00e7a e a Alegria, onde houver desespero e tristeza. S\u00e3o estes os meus votos de Boas Festas, neste Natal de 2006.  <i>+ Ant\u00f3nio, Bispo de Angra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,154,169,246,267,294],"class_list":["post-21780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-crianca","tag-diocese-de-angra","tag-liturgia","tag-natal","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21780\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}