{"id":21779,"date":"2006-12-19T17:17:18","date_gmt":"2006-12-19T17:17:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/19\/por-detras-da-festa-de-natal\/"},"modified":"2006-12-19T17:17:18","modified_gmt":"2006-12-19T17:17:18","slug":"por-detras-da-festa-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/por-detras-da-festa-de-natal\/","title":{"rendered":"Por detr\u00e1s da festa de Natal"},"content":{"rendered":"<p>As pr\u00e1ticas culturais ditam a sociedade em que vivemos, sendo estas alvos de mudan\u00e7as. Nesta \u00e9poca natal\u00edcia, facilmente se l\u00eaem sinais que apenas se associam a esta altura do ano. Por detr\u00e1s das pr\u00e1ticas desta \u00e9poca, est\u00e3o costumes mais antigos e que de alguma forma foram associados e apropriados culturalmente.  As prendas e ofertas no Natal s\u00e3o disso exemplo. \u201cAs pr\u00e1ticas da d\u00e1diva s\u00e3o estruturantes na cultura\u201d, assim afirma \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Alfredo Teixeira, professor de Antropologia e Sociologia da Religi\u00e3o na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. Todas as sociedades vivem essencialmente de trocas, sendo que o seu desenvolvimento das estruturas econ\u00f3micas foi regulando este acto, at\u00e9 dado ponto em que esta troca \u00e9 substitu\u00edda por intermedi\u00e1rios, como \u00e9 o caso do dinheiro.   Nas culturas h\u00e1 vest\u00edgios de festas onde se praticava esta actividade de d\u00e1diva e de troca, sendo que \u201co significado que \u00e9 atribu\u00eddo a este acto, diz respeito aos significados que se atribuiu ao dom\u201d, afirma Alfredo Teixeira. A d\u00e1diva neste contexto reveste-se de gratuidade, sendo que as pessoas oferecem a quem lhes oferece, dentro do seu quadro de rela\u00e7\u00f5es pessoais. \u201cO facto de as pessoas esconderem o valor dessa troca, abre espa\u00e7o para a promo\u00e7\u00e3o de outro tipo de valores num contexto festivo, para al\u00e9m da dimens\u00e3o econ\u00f3mica\u201d, sublinha o professor.   Os principais destinat\u00e1rios principais dessas trocas, nesta altura natal\u00edcia s\u00e3o as crian\u00e7as. Este facto \u201caponta para a valoriza\u00e7\u00e3o que a sociedade d\u00e1 \u00e0 dimens\u00e3o da vida\u201d, afirma uma vez que s\u00e3o as crian\u00e7as precisamente que est\u00e3o fora da dimens\u00e3o mercantil e econ\u00f3mica, sublinhando assim a gratuidade. \u201cSer\u00e1 uma forma tamb\u00e9m de apelar ao futuro e \u00e0 esperan\u00e7a\u201d.  A forma como se vivem as trocas \u201c\u00e9 marcada pela experi\u00eancia hist\u00f3rica que as sociedades fizeram do cristianismo, caracter\u00edsticas incorporadas nestas pr\u00e1ticas natal\u00edcias\u201d, afirma Alfredo Teixeira. Mas esta pr\u00e1tica excede em muito a experi\u00eancia crist\u00e3 das sociedades, sendo antes uma pr\u00e1tica das sociedades e das rela\u00e7\u00f5es em si, sendo por isso imposs\u00edvel de as datar. \u201cPorque estamos a datar o qu\u00ea? A festa crist\u00e3, as pr\u00e1ticas que antes do cristianismo se entendiam no contexto das sociedades?\u201d reflecte o Professor da UCP. \u201cO sentido que podem ter neste contexto social que vivemos e a sua leitura sob o ponto de vista crist\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o reduzidos\u201d. Assim o Natal assume a dimens\u00e3o de d\u00e1diva e troca enquanto rela\u00e7\u00e3o interpessoal.   Mas h\u00e1 outra dimens\u00e3o que \u00e9 importante sublinhar: \u201ca relev\u00e2ncia do dom\u00ednio dom\u00e9stico no contexto festivo\u201d, explica Alfredo Teixeira, pois segundo o professor em nenhuma outra festa \u201cas rela\u00e7\u00f5es interfamiliares est\u00e3o t\u00e3o desenvolvidas\u201d. A festa de Natal \u00e9 vivida no espa\u00e7o dom\u00e9stico, ao contr\u00e1rio da P\u00e1scoa que \u00e9 vivida na rua ou dos santos populares. \u201cAqui se celebram os valores b\u00e1sicos da sociedade, pois no espa\u00e7o familiar se encontra a experi\u00eancia da socializa\u00e7\u00e3o que organiza a vida de cada pessoa\u201d: tais como a confian\u00e7a na fam\u00edlia, a celebra\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o da vida num contexto familiar, as rela\u00e7\u00f5es intergeracionais que assumem hoje uma relev\u00e2ncia particular dado o aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida. \u201cA fam\u00edlia torna-se neste contexto um espa\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es de uma forma diversificada. Talvez n\u00e3o se tome consci\u00eancia do que se est\u00e1 a celebrar neste contexto, quando se promovem estas reuni\u00f5es. Est\u00e3o patentes as rela\u00e7\u00f5es que estabelecem\u201d, esclarece o professor.   Os s\u00edmbolos s\u00e3o outra caracter\u00edstica cultural mas com uma hist\u00f3ria mais recente. O Natal foi sendo vivido com diferentes s\u00edmbolos. \u201cActualmente existe o fen\u00f3meno de comunica\u00e7\u00e3o que conduz a uma homogeneiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do Natal\u201d, explica Alfredo Teixeira com exemplos: a \u00e1rvore de Natal h\u00e1 20 ou 30 anos era um s\u00edmbolo raro come\u00e7ando a existir em espa\u00e7os urbanos. Alfredo Teixeira aponta para uma homogeneiza\u00e7\u00e3o do Natal \u201cdevido \u00e0s imagens divulgadas pela comunica\u00e7\u00e3o social\u201d, aponta e acrescenta que tamb\u00e9m na dimens\u00e3o das d\u00e1divas isto se reflecte a mudan\u00e7a. \u201cNas culturas rurais ofereciam-se determinadas iguarias e do\u00e7arias, objectos alimentares de fabrico tradicional e artesanal\u201d, isto porque os s\u00edmbolos do Natal est\u00e3o ligados \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia pessoal das pessoas o que leva a que alguns s\u00edmbolos tenham desaparecido com as pr\u00e1ticas culturais e sociais que n\u00e3o sobreviveram, \u201csendo que os actuais s\u00edmbolos tamb\u00e9m a seu tempo, ir\u00e3o desaparecer\u201d.   O pres\u00e9pio passou por diferentes significados. Um aspectos a reter \u00e9 a sua miniaturiza\u00e7\u00e3o da vida pela sua representa\u00e7\u00e3o. \u201cA vida entra dentro de casa, concentrada num espa\u00e7o dom\u00e9stico\u201d reflecte o professor da UCP. Grande parte dos pres\u00e9pios hist\u00f3ricos que se conhecem s\u00e3o tradu\u00e7\u00e3o da a vida social quotidiana das \u00e9pocas em que foram feitos. \u201cH\u00e1 um mimetismo entre a representa\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio e o que \u00e9 a experi\u00eancia das pessoas\u201d afirma Alfredo Teixeira. Este aspecto foi-se diluindo com o passar do tempo, vis\u00edvel tamb\u00e9m no facto de os pres\u00e9pios n\u00e3o ter a import\u00e2ncia que tinham h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s. \u201cMuitos dos nossos contempor\u00e2neos, as crian\u00e7as por exemplo, t\u00eam j\u00e1 alguma dificuldade em reconhecer a narrativa crist\u00e3 do Natal\u201d, d\u00e1 conta o professor que reflecte que na medida em que as Igrejas nas sociedades deixam de ter a influ\u00eancia que tinham, e de ter a capacidade de organizar simbolicamente o natal, \u201cos significados crist\u00e3os do Natal v\u00e3o tornar-se cada vez mais dif\u00edceis de ler\u201d. Quer isto dizer que outros significados \u201cv\u00e3o invadindo esse terreno, sendo que a d\u00e1diva e a valoriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o dom\u00e9stico e das rela\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o aspectos estruturantes\u201d desta celebra\u00e7\u00e3o, embora alvo de mudan\u00e7a na forma como a vida vai sendo entendida.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pr\u00e1ticas culturais ditam a sociedade em que vivemos, sendo estas alvos de mudan\u00e7as. Nesta \u00e9poca natal\u00edcia, facilmente se l\u00eaem sinais que apenas se associam a esta altura do ano. Por detr\u00e1s das pr\u00e1ticas desta \u00e9poca, est\u00e3o costumes mais antigos e que de alguma forma foram associados e apropriados culturalmente. 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