{"id":21769,"date":"2006-12-19T13:04:55","date_gmt":"2006-12-19T13:04:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/19\/o-roteiro-da-paz-de-bento-xvi\/"},"modified":"2006-12-19T13:04:55","modified_gmt":"2006-12-19T13:04:55","slug":"o-roteiro-da-paz-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-roteiro-da-paz-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"O roteiro da paz de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>No cerne da sua mensagem do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro DE 2007, sobre os grandes temas da actualidade, o Papa Bento XVI colocou a Pessoa humana, cora\u00e7\u00e3o da paz. Com esse tema como centro da medita\u00e7\u00e3o introduz o apelo das Escrituras num verdadeiro &#8220;roteiro da paz&#8221; que orienta \u00e1reas como o direito \u00e0 vida e \u00e0 liberdade religiosa, a igualdade de natureza de todas as pessoas, a &#8220;ecologia da paz&#8221;, o papel dos Direitos humanos e Organiza\u00e7\u00f5es internacionais, o Direito internacional humanit\u00e1rio, o direito interno dos Estados e o papel da Igreja em defesa da pessoa humana  Afastado dos conservadores que h\u00e1 uma d\u00e9cada nos explicavam o &#8220;fim-da-hist\u00f3ria&#8221; e que agora insistem no &#8220;choque de civiliza\u00e7\u00f5es&#8221; como &#8220;o sentido da hist\u00f3ria&#8221;, Bento XVI introduz &#8220;sentido na hist\u00f3ria&#8221; atrav\u00e9s das Escrituras. Os problemas e as crises fundamentais da actualidade envolvem muito mais do que &#8220;atrasos&#8221; na adapta\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia humana a novas situa\u00e7\u00f5es &#8211; o que poderia ser resolvido tant bien que mal por &#8220;novas moralidades&#8221; e &#8220;novas cidadanias&#8221;. O problema \u00e9 que a auto-interpreta\u00e7\u00e3o do homem actual tem que ser libertada das enormes expectativas imanentistas que criam a insatisfa\u00e7\u00e3o com a ordem instalada mas que renegam a &#8221; gram\u00e1tica&#8221; do direito natural. Perante estas expectativas imanentistas, Bento XVI introduz a esperan\u00e7a de que a paz seja (2)&#8221;um dom e uma miss\u00e3o&#8221;, a &#8220;cria\u00e7\u00e3o de um universo ordenado&#8221; e a &#8220;reden\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria humana&#8221;.(3) Existe uma &#8220;gram\u00e1tica&#8221; escrita no cora\u00e7\u00e3o do homem pelo seu divino Criador com as normas do direito natural. O reconhecimento e o respeito pela lei natural s\u00e3o a base para o di\u00e1logo entre os crentes das diversas religi\u00f5es e os n\u00e3o crentes. (4). O dever de respeitar a dignidade de cada ser humano, em cuja natureza se reflecte a imagem do Criador, tem como consequ\u00eancia que n\u00e3o se possa dispor da pessoa arbitrariamente, cabendo denunciar os atentados contra (5) as v\u00edtimas dos conflitos, do terrorismo e das formas de viol\u00eancia, provocadas pela fome, pelo aborto e pela eutan\u00e1sia. S\u00e3o de denunciar (6) as desigualdades no acesso a bens essenciais, como a comida, a \u00e1gua, a casa, a sa\u00fade; e, por outro lado, as cont\u00ednuas desigualdades entre homem e mulher no exerc\u00edcio dos direitos humanos fundamentais. (7). S\u00e3o inadmiss\u00edveis a explora\u00e7\u00e3o de mulheres tratadas como objectos e as numerosas formas de falta de respeito pela sua dignidade; (8). A experi\u00eancia demonstra que toda a atitude de desprezo pelo ambiente provoca danos \u00e0 conviv\u00eancia humana, e vice-versa. (9). A destrui\u00e7\u00e3o do ambiente, e a apropria\u00e7\u00e3o violenta dos recursos da terra geram conflitos e guerras. (10). S\u00e3o inadmiss\u00edveis as concep\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas que pregam a guerra em nome de Deus. (11). S\u00e3o inadmiss\u00edveis tamb\u00e9m &#8220;pela indiferen\u00e7a face \u00e0quilo que constitui a verdadeira natureza do homem. (12). \u00c9 ineficaz que os direitos humanos sejam propostos como absolutos, mas com um fundamento apenas relativo. Como disse o mahatma Gandhi: &#8220;O Gange dos direitos desce do Himalaia dos deveres&#8221; (13). A Declara\u00e7\u00e3o Universal de 1948 \u00e9 um compromisso moral assumido por toda a humanidade que fortalece a autoridade dos Organismos internacionais para defenderem os direitos fundamentais da pessoa e dos povos. (14). O direito internacional humanit\u00e1rio, e os instrumentos de seguran\u00e7a nacional devem combater a &#8220;praga do terrorismo&#8221;. (15). A vontade de alguns Estados de possu\u00edrem armas nucleares deve ser contrariada por acordos internacionais que visem a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o, e pelo esfor\u00e7o de procurar a definitiva aboli\u00e7\u00e3o.  Este grandioso roteiro da paz do Papa Bento XVI demarca-se claramente das vis\u00f5es optimistas de que estamos numa d\u00e9cada de expans\u00e3o da democracia, da economia de mercado e das tentativas de paz pelo direito. Tamb\u00e9m n\u00e3o alimenta o pessimismo dos que referem a perman\u00eancia de guerras n\u00e3o declaradas, genoc\u00eddios, pobreza continuada, novos fundamentalismos, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, desemprego e esvaziamento do significado do trabalho, e doen\u00e7as sociais como o SIDA e o consumo das drogas. Conforme os ensinamentos das Cartas Enc\u00edclicas Popu-lorum progressio e Sollicitudo rei socialis, proclama um humanismo integral com que a Igreja defende a transcend\u00eancia da pessoa humana e com que d\u00e1 continuidade ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico com outras religi\u00f5es.  <i>Mendo Castro Henriques Dir. Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Instituto da Defesa Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cerne da sua mensagem do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro DE 2007, sobre os grandes temas da actualidade, o Papa Bento XVI colocou a Pessoa humana, cora\u00e7\u00e3o da paz. 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