{"id":217663,"date":"2021-10-01T09:00:30","date_gmt":"2021-10-01T08:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=217663"},"modified":"2021-10-04T10:32:03","modified_gmt":"2021-10-04T09:32:03","slug":"lusofonias-raptado-no-niger-e-libertado-no-mali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-raptado-no-niger-e-libertado-no-mali\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Raptado no N\u00edger e libertado no Mali"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-217665\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1214\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-400x253.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-1024x647.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-768x486.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-1536x971.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-1080x683.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-1280x809.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-980x620.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/P-GigiMaccali1-480x304.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Come\u00e7a hoje o m\u00eas mission\u00e1rio. O Papa Francisco, na mensagem para o Dia Mundial das Miss\u00f5es vai buscar inspira\u00e7\u00e3o no livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos quando, amea\u00e7ados de pris\u00e3o e morte, os disc\u00edpulos respondem: \u2018N\u00e3o podemos calar o que vimos e ouvimos\u2019 (Act 4, 20). Ora, o risco da miss\u00e3o, que vem dos in\u00edcios, continua bem aceso em muitas partes do mundo. Um dos casos mais mediatizados em It\u00e1lia, recentemente, \u00e9 o do P. Luigi Maccali, da Sociedade das Miss\u00f5es Africanas. Tive a alegria e felicidade de o ter encontrado e de ter ouvido, da sua pr\u00f3pria boca, a narrativa do rapto de que foi v\u00edtima.<\/p>\n<p>O P. Luigi foi raptado por jihadistas no N\u00edger e levado para o Mali. Ali viveria em pleno deserto, com algemas nos p\u00e9s, sem poder falar com ningu\u00e9m, durante mais de dois anos. Com a ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio e a Sequ\u00eancia do Esp\u00edrito Santo, aguentou firme at\u00e9 \u00e0 hora de uma liberta\u00e7\u00e3o que tardava em chegar. Pensando que cada dia seria o \u00faltimo, estava preparado para tudo. Percebeu, mais tarde, que o queriam como moeda de troca com outros prisioneiros. Como resultado da diplomacia italiana seria liberto, fazendo suspirar de al\u00edvio a sua fam\u00edlia, confrades e amigos\u2026e, claro est\u00e1, ele mesmo!<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou a 17 de setembro de 2018 na Miss\u00e3o de Bomoanga, no N\u00edger, perto da fronteira com o Burkina Faso. O P. Luigi foi raptado durante a noite. A \u00e1rea era isolada, mas aparentemente calma. Um grupo de jihadistas armados entrou na Miss\u00e3o e levaram-no \u00e0 for\u00e7a, em pijama. A sua via-sacra como ref\u00e9m durou at\u00e9 8 de outubro de 2020, data da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fiquei marcado pela forma serena com que contou esta hist\u00f3ria sempre com um sorriso nos l\u00e1bios e a fazer transparecer uma F\u00e9 \u00e0 prova de tudo. Primeiro andou quil\u00f3metros e quil\u00f3metros de moto, atravessando a fronteira para o Burkina e, depois de cruzar o pa\u00eds, chegaria ao Mali, em pleno deserto do Sahar\u00e1. A \u00faltima parte da viagem j\u00e1 a fez de carro. Confessa que foi o momento mais dram\u00e1tico do longo cativeiro pois, naquele 5 de outubro, foi algemado e atado a uma \u00e1rvore. Pensou que era o fim\u2026<\/p>\n<p>Estava constantemente vigiado por jovens armados com quem n\u00e3o havia grande lugar para conversa. Esteve sem celebrar a Eucaristia desde o rapto at\u00e9 \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o. Sentiu que foi a F\u00e9 que lhe deu esperan\u00e7a e raz\u00f5es para acreditar na liberta\u00e7\u00e3o. Todos os dias rezava o ros\u00e1rio e a Sequ\u00eancia do Esp\u00edrito Santo, ora\u00e7\u00f5es que sabia de cor. O Esp\u00edrito Santo e Maria foram os seus companheiros nesta viagem que tinha todos os condimentos para terminar em trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Foi a 7 de outubro que lhe deram a not\u00edcia da liberta\u00e7\u00e3o: Solenidade da Senhora do Ros\u00e1rio. Soube, ao chegar a Italia, que a sua fam\u00edlia, a par\u00f3quia e tantos milhares de pessoas por esse mundo fora, tinham rezado sem interrup\u00e7\u00e3o pela sua liberta\u00e7\u00e3o. A sua m\u00e3e, ao abra\u00e7a-lo, confessou que rezou dia e noite a Nossa Senhora e tinha a certeza absoluta de que o filho ia regressar s\u00e3o e salvo! Por isso, sentiu a obriga\u00e7\u00e3o de se deslocar a F\u00e1tima, para agradecer \u00e0 Senhora do Ros\u00e1rio esta gra\u00e7a de estar vivo e sempre em miss\u00e3o. F\u00ea-lo a 1 de agosto, visitando, de seguida a Casa Provincial dos Espiritanos em Lisboa.<\/p>\n<p>Descobriu, com espanto e alegria, que estes dois anos em que n\u00e3o fez nada foram os mais fecundos da sua vida mission\u00e1ria, tal a quantidade de dinamismos de ora\u00e7\u00e3o e solidariedade que o rapto gerou, um pouco por todo o mundo, desde a sua It\u00e1lia natal at\u00e9 \u00e0 China, envolvendo gente que nunca conheceu nem conhecer\u00e1.<\/p>\n<p>Ao fazer o balan\u00e7o destes anos, confessa que o que o mais fez sofrer foi a total aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o: ele estava vivo, mas a sua fam\u00edlia, confrades e amigos n\u00e3o o sabiam. E a ang\u00fastia aumentava cada dia que passava e isso fez muito mal a todos, sobretudo aos familiares mais directos e aos confrades.<\/p>\n<p>No fim do nosso encontro na Casa Provincial dos Espiritanos, tomamos um porto a acompanhar um bolo e descemos \u00e0 Capela onde o P. Luigi presidiu a uma breve ora\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A sua escolha recaiu sobre a Sequ\u00eancia do Esp\u00edrito Santo e o Magnificat de Nossa Senhora.<\/p>\n<p>Na hora de partir, tirou da mochila um pequen\u00edssimo saco e mostrou-nos as tr\u00eas \u00fanicas coisas que conseguiu trazer do cativeiro para It\u00e1lia: uma cruz feita de dois paus que encaixam; um ros\u00e1rio feito de um pano que lhe cobria a cabe\u00e7a do sol ardente do deserto; um elo da cadeia com que esteve preso durante quase dois anos\u2026<\/p>\n<p>Agora, o que mais lhe apetecia fazer era regressar ao N\u00edger, \u00e0 sua Miss\u00e3o e abra\u00e7ar um por um os seus paroquianos e amigos. Mas a situa\u00e7\u00e3o continua tensa e ele est\u00e1 proibido de o fazer. Assim, ir\u00e1 ficar um ano por It\u00e1lia, a recuperar a sa\u00fade (regressou magr\u00edssimo) e a avaliar e partilhar a sua experi\u00eancia. Depois, os superiores saber\u00e3o para onde o enviar em Miss\u00e3o, pois ele est\u00e1 pronto para partir rumo \u00e0 miss\u00e3o onde for mais necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estou j\u00e1 na Tanz\u00e2nia e o Cap\u00edtulo Geral dos Espiritanos come\u00e7a agora. Outubro vai ser mais um m\u00eas profundamente mission\u00e1rio.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-217663-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/lusofonias-p-maccali-01-10-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/lusofonias-p-maccali-01-10-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/lusofonias-p-maccali-01-10-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-217663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217663\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}