{"id":217006,"date":"2021-09-19T09:31:50","date_gmt":"2021-09-19T08:31:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=217006"},"modified":"2021-09-19T10:39:35","modified_gmt":"2021-09-19T09:39:35","slug":"pandemia-reforcou-importancia-da-imprensa-regional-e-de-proximidade-paulo-ribeiro-presidente-da-aic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pandemia-reforcou-importancia-da-imprensa-regional-e-de-proximidade-paulo-ribeiro-presidente-da-aic\/","title":{"rendered":"Pandemia refor\u00e7ou import\u00e2ncia da imprensa regional e de proximidade \u2013 Paulo Ribeiro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/ECCLESIA aborda consequ\u00eancias da pandemia no jornalismo e a forma como institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente a Igreja Cat\u00f3lica, se reinventaram neste contexto. Uma conversa que tem como pano de fundo as Jornadas Nacionais de Comunica\u00e7\u00e3o Social, que decorrem a 23 e 24 de setembro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em> <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-216982 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Paulo-ribeiro_aiic-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste momento j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ter uma ideia aproximada dos efeitos mais negativos que a pandemia teve no setor, sobretudo no que respeita ao impacto econ\u00f3mico?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter essa radiografia, gostar\u00edamos de ter reunido em Assembleia-Geral, mas devido \u00e0s conting\u00eancias pand\u00e9micas \u2013 e para evitar que os associados percorressem o pa\u00eds para estar presencialmente numa reuni\u00e3o -, essa reflex\u00e3o foi adiada, at\u00e9 porque vamos ter elei\u00e7\u00f5es na Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (AIC), tamb\u00e9m. Obviamente, temos contactado os nossos associados e a recolher alguns testemunhos, relativamente aos efeitos que a pandemia tem provocado no setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 o risco de algumas publica\u00e7\u00f5es fecharem?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 houve algumas publica\u00e7\u00f5es, mais pequenas, que fecharam portas, porque n\u00e3o conseguiram, devido \u00e0 pandemia\u2026 No ano passado, sobretudo, houve uma paralisa\u00e7\u00e3o dos correios e muitas das publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o distribu\u00eddas atrav\u00e9s do servi\u00e7o postal. Essa paralisa\u00e7\u00e3o, no pico da pandemia, arrastou-se durante algum tempo, com o confinamento, e houve alguns t\u00edtulos que n\u00e3o conseguiram continuar. Quem estava \u00e0 frente j\u00e1 tinha alguns anos, a idade n\u00e3o permitiu aguentar o impacto, a necessidade de gin\u00e1stica por parte dos meios para poder ultrapassar as dificuldades\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 necessidade de sangue novo, no jornalismo de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, h\u00e1 necessidade de sangue novo, de renova\u00e7\u00e3o. A Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 pode dividir-se em dois setores distintos: um relacionado com a imprensa que versa o assunto religioso, exclusivamente, e n\u00e3o tem venda em banca, pelo que \u00e9 atrav\u00e9s de assinatura que o \u00f3rg\u00e3o confessional gere e distribui \u2013 apesar de alguns terem feito, e muito bem, uma migra\u00e7\u00e3o para o digital, de forma que haja uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, atualiza\u00e7\u00e3o, uma resposta \u00e0 procura por parte dos leitos, tendo em conta a import\u00e2ncia que hoje tem o digital.<\/p>\n<p>Depois temos outro setor muito importante, que emprega mais gente, que \u00e9 a imprensa regional. Temos t\u00edtulos muito importantes no panorama nacional que s\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e que t\u00eam uma marca na sociedade onde est\u00e3o localizados. \u00c9 necess\u00e1rio que haja renova\u00e7\u00e3o dos seus quadros, um refrescamento a n\u00edvel editorial, e isso tem acontecido, na generalidade, s\u00f3 n\u00e3o acontece mais por falta de meios. Nesse aspeto, o tecido econ\u00f3mico, a realidade econ\u00f3mica do pa\u00eds condiciona em muito essa evolu\u00e7\u00e3o, com mais qualidade, que se pede nos dias de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E ao n\u00edvel do jornalismo, que consequ\u00eancias h\u00e1 a reter da pandemia? As institui\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica souberam adaptar-se?<\/em><\/p>\n<p>Foi dif\u00edcil, mas penso que, sobretudo na imprensa regional, que tem jornalistas permanente na rua a acompanhar o pulso da comunidade onde est\u00e3o localizados, todos se souberam adaptar, no sentido de aproveitar as tecnologias. No confinamento, atrav\u00e9s do trabalho em casa, conseguiram rapidamente adaptar-se \u00e0 realidade. N\u00e3o creio que tenha havido algum jornal que tenha deixado de ser publicado, de forma constante, devido \u00e0 pandemia ou devido ao confinamento.<\/p>\n<p>Houve um per\u00edodo em que, de facto, tivemos conhecimento de t\u00edtulos que n\u00e3o foram editados porque a gr\u00e1fica ficou condicionada ou a publicidade caiu a pique, devido ao encerramento do com\u00e9rcio, sobretudo o de proximidade. Isso levou a que os jornais n\u00e3o tivesse capacidade de produzir os seus t\u00edtulos, mas adaptaram-se para o online, n\u00e3o deixaram de produzir e n\u00e3o deixaram o leitor sem not\u00edcias da sua comunidade, da sua terra.<\/p>\n<p>Alerto para a import\u00e2ncia que, cada vez mais, a imprensa regional assume neste per\u00edodo, porque foi o \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o levou at\u00e9 \u00e0s pessoas a informa\u00e7\u00e3o concreta da realidade que se estava a viver na sua comunidade, no seu concelho, na sua regi\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Face a essa import\u00e2ncia, de que fala, o Estado foi a tempo de cumprir o seu papel no apoio \u00e0s publica\u00e7\u00f5es, neste per\u00edodo de pandemia?<\/em><\/p>\n<p>Sim e n\u00e3o\u2026 O \u201csim\u201d devemo-lo ao presidente da Rep\u00fablica, que alertou para a import\u00e2ncia da imprensa, sobretudo da imprensa regional, e deu esse eco no pa\u00eds, tendo recebido inclusivamente os respons\u00e1veis de v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o Social, da imprensa, da r\u00e1dio, da televis\u00e3o, entre as quais a AIC. Foi motivador, de facto, ter esse apoio do chefe de Estado.<\/p>\n<p>Da parte do Estado houve uma iniciativa importante, que a AIC j\u00e1 h\u00e1 muito vinha defendendo e que em boa hora o governo p\u00f4s em pr\u00e1tica, que foi a aplica\u00e7\u00e3o da lei da publicidade institucional, com a compra antecipada de publicidade do Estado aos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o nacionais, entre os quais figuraram tamb\u00e9m os da imprensa regional e da AIC. Isso foi importante, ainda que tenha demorado muito tempo at\u00e9 que a medida fosse implementada, s\u00f3 quase no final do ano passado \u00e9 que essa verba chegou -, ainda que n\u00e3o tenha sido um volume muito grande, mas foi uma ajuda substancial. Houve \u00f3rg\u00e3os de Comunica\u00e7\u00e3o Social que, pela primeira vez, receberam publicidade institucional do Estado.<\/p>\n<p>Talvez nem todos tenham essa perce\u00e7\u00e3o, mas existe uma legisla\u00e7\u00e3o que diz que parte da publicidade do Estado deve ser investida nos \u00f3rg\u00e3os de Comunica\u00e7\u00e3o Social regionais e locais, sejam r\u00e1dios, jornais ou portais. Isso raramente acontecia, mas com esta campanha contribu\u00edmos ativamente, juntamente com a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Imprensa, e ajudamos o Governo, a pedido deste, a montar esta opera\u00e7\u00e3o que permitiu que, no final do ano, muitos \u00f3rg\u00e3os de Comunica\u00e7\u00e3o Social recebessem o apoio financeiro do Estado. N\u00e3o foi uma esmola, foi um servi\u00e7o, a contrapartida de um servi\u00e7o que n\u00e3o comprometeu em nada a independ\u00eancia de cada um destes \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Era exatamente essa pergunta que ia fazer em seguida. Ali\u00e1s, diz-se que uma imprensa muito dependente de apoios n\u00e3o \u00e9 totalmente livre. Publicou um artigo h\u00e1 um ano, em que pergunta por que deve o Estado apoiar a Imprensa? E em que garante a independ\u00eancia dos t\u00edtulos. Mas, a realidade, n\u00e3o ser\u00e1 um pouco diferente?<\/em><\/p>\n<p>Continuo com toda a certeza de que n\u00e3o foi esta publicidade do Estado que veio modificar o quer que seja ao n\u00edvel da independ\u00eancia dos t\u00edtulos da imprensa regional&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em tese, esta depend\u00eancia que, por norma se entende, n\u00e3o pode criar essa realidade, em que a depend\u00eancia constitui falta de liberdade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Vejamos ao contr\u00e1rio, que penso que talvez seja mais elucidativo. Desde que os jornais, ou as r\u00e1dios de cariz comercial foram fundados, a principal fonte de receita que permite o seu funcionamento \u00e9 a publicidade. Tem sido assim ao longo dos anos; sempre foi. O perigo de um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social estar dependente e ficar condicionado na sua forma de agir, e estar e comprometer o seu projeto editorial \u00e9 quando essa receita de publicidade vem de um s\u00f3 lado. Ou seja, se vier, em tese s\u00f3 do Estado, em tese admite-se que esse \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 dependente do Estado. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece. Os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, a imprensa regional tem um m\u00faltiplo leque de receitas, que s\u00e3o poucas, mas s\u00e3o distribu\u00eddas. N\u00e3o \u00e9 este apoio do Estado, ao contr\u00e1rio do que muitos podem fazer crer, que leva a que um jornal fique dependente. A mim preocupa-me mais, e j\u00e1 o disse em diversos f\u00f3runs; preocupa-me quando numa comunidade, num concelho pequeno, com um comercio tradicional muito d\u00e9bil &#8211; que \u00e9 o grande suporte publicit\u00e1rio de um jornal regional, ou de uma r\u00e1dio local &#8211; quando esse tecido desaparece e apenas os an\u00fancios da c\u00e2mara municipal daquele concelho passam a ser o suporte financeiro daquele \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social. A\u00ed \u00e9 que eu fico preocupado&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Essa depend\u00eancia \u00e9 que pode condenar a independ\u00eancia? <\/em><\/p>\n<p>Essa depend\u00eancia \u00e9 que pode deixar a publica\u00e7\u00e3o ficar ref\u00e9m. Da\u00ed que defenda que o Estado e n\u00f3s apresentamos em sede da Assembleia da Rep\u00fablica uma proposta que foi aprovada pelo parlamento no \u00e2mbito do aumento da comparticipa\u00e7\u00e3o do regime de comunica\u00e7\u00e3o das entidades publicas \u00e0 ERC; no \u00e2mbito das campanhas de publicidade institucional, para que haja mais transpar\u00eancia e mais apoios e nesse sentido advogamos que, quanto mais houver esta publicidade institucional, mais fortes est\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, os jornais regionais, e mais independ\u00eancia t\u00eam relativamente a tudo o que seja exterior ao pr\u00f3prio jornal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, o tempo do digital tamb\u00e9m proporcionam o avan\u00e7o das chamadas fake news (not\u00edcias falsas). Que papel est\u00e1 reservado \u00e0 AIC, no combate a este fen\u00f3meno?<\/em><\/p>\n<p>Temos procurado contribuir junto do Estado porque \u00e9 quem tem tamb\u00e9m meios, de forma que possam ser criadas mais condi\u00e7\u00f5es no combate \u00e0 iliteracia que consideramos que \u00e9 neste momento o problema n\u00famero um relativamente \u00e0 comunidade no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o conseguem distinguir o que \u00e9 uma chamada fake-news, o que \u00e9 um post numa rede social, de uma informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica que \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o cred\u00edvel e certificada. E nesse sentido, a pr\u00f3pria AIC \u00a0desenvolveu uma campanha juntamente com a API (Associa\u00e7\u00e3o portuguesa da Imprensa) e com o patroc\u00ednio da Visapress que \u00e9 a cooperativa que gere os direitos de autor na imprensa. E desenvolvemos este ano, como o ano da imprensa regional, uma campanha em que todos defendem ou devem defender que \u00e9 preciso manter a imprensa regional. Isto numa \u00f3tica de valorizar a informa\u00e7\u00e3o certificada, de proximidade para de facto combater as chamadas fake-news, a propaganda que s\u00f3 contribui para minar o Estado de Direito; s\u00f3 contribui para minar as institui\u00e7\u00f5es e para beneficiar pequenos grupos sectoriais e minar a nossa sociedade. E nesse sentido estamos muito focados e com muita aten\u00e7\u00e3o relativamente a esta forma de podermos combater as fake-news.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/jornadas2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> jornadas<\/a> de Comunica\u00e7\u00e3o Social v\u00e3o discutir o impacto do confinamento na comunica\u00e7\u00e3o. Neste per\u00edodo considera que os jornalistas conseguirem ser voz, ou dar voz a quem sofre com a pandemia, ou o confinamento tamb\u00e9m condicionou muito a sua fun\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>O confinamento condicionou em muito a miss\u00e3o de proximidade. Temos de ser realistas e ser assertivos. Houve necessidade de os jornalistas resguardarem-se, sobretudo da Imprensa regional, que s\u00e3o reda\u00e7\u00f5es muito pequenas, e se um ou dois jornalistas ficassem doentes, ficava o pr\u00f3prio titulo comprometido no capitulo de n\u00e3o poder ser publicado. E isso s\u00e3o realidades que n\u00e3o podemos escamotear. E isso condicionou a mobilidade dos jornalistas. O jornalista durante o per\u00edodo do confinamento foi para a rua com muita dificuldade mas tentou resguarda-se a si e \u00e0 fam\u00edlia trabalhando em casa. Ali\u00e1s, era esse o alerta da parte das autoridades de sa\u00fade&#8230;.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas houve capacidade de reinven\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>E houve capacidade de reinven\u00e7\u00e3o. Era a\u00ed que queria chegar. Houve uma capacidade reinvent\u00edva de mesmo estando confinado n\u00e3o deixando de procurar noticiar aquilo que se estava a passar. Quando digo a proximidade \u00e9 a proximidade f\u00edsica. \u00c9 ir ao fim da rua, \u00e9 ir ao fim do bairro, \u00e9 ir ao extremo do concelho, \u00e9 viajar atrav\u00e9s da regi\u00e3o para ir ao contacto com as pessoas. Obviamente, se havia este confinamento, havia um resguardo maior, mas n\u00e3o deixamos de &#8211; \u00e9 essa a minha perce\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o deixamos de focar o essencial e de darmos conta daquilo que se estava a passar. E ali\u00e1s, considero que a imprensa regional foi muito bem acolhida pelas comunidades, e sobretudo um ponto muito importante em que o digital veio de facto contribuir em muito. Foi ao n\u00edvel das comunidades portuguesas espalhadas por todo o mundo que procuraram na imprensa regional, na imprensa do seu concelho na imprensa da sua regi\u00e3o saber como \u00e9 que as pessoas estavam a viver e a corresponder a este per\u00edodo t\u00e3o negro das nossas vidas que foi de facto o per\u00edodo mais agudo da pandemia. E isso n\u00f3s todos recebemos esse feedback e serviu para essa consolida\u00e7\u00e3o da marca da imprensa regional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Considera necess\u00e1ria a exist\u00eancia de um espa\u00e7o de encontro e de media\u00e7\u00e3o em que se possam maturar as propostas de v\u00e3o surgindo na Igreja Cat\u00f3lica? \u00c9 de pensar num jornal nacional de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/em><\/p>\n<p>Sim e sim. Penso que era importante termos de facto um jornal de \u00e2mbito nacional com a marca da inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3. At\u00e9 por estas fake-news, por estes grupos econ\u00f3micos que v\u00e3o saltitando e apoderando-se de grandes t\u00edtulos e de outros meios de comunica\u00e7\u00e3o e que condicionam obviamente tendo em conta a sua agenda; condicionam o espa\u00e7o informativo. E penso que a exemplo do que acontece com a Renascen\u00e7a, a exemplo do que acontece com a Ecclesia, a exemplo do que acontece com t\u00edtulos regionais como o &#8220;Di\u00e1rio do Minho&#8221; por exemplo, que s\u00e3o marcas importantes na nossa sociedade e temos provas dadas de que podemos fazer um jornalismo rigoroso mas consciente e com a aten\u00e7\u00e3o social que \u00e9 isso que se requer cada vez hoje em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/ECCLESIA aborda consequ\u00eancias da pandemia no jornalismo e a forma como institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente a Igreja Cat\u00f3lica, se reinventaram neste 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