{"id":21662,"date":"2006-12-13T15:05:50","date_gmt":"2006-12-13T15:05:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/13\/presepio-historico-reabre-ao-publico-no-museu-do-azulejo\/"},"modified":"2006-12-13T15:05:50","modified_gmt":"2006-12-13T15:05:50","slug":"presepio-historico-reabre-ao-publico-no-museu-do-azulejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presepio-historico-reabre-ao-publico-no-museu-do-azulejo\/","title":{"rendered":"Pres\u00e9pio hist\u00f3rico reabre ao p\u00fablico no Museu do Azulejo"},"content":{"rendered":"<p>A partir de hoje o p\u00fablico que se dirigir ao Museu Nacional do Azulejo vai poder encontrar uma das obras primas da escultura portuguesa do s\u00e9culo XVIII. Trata-se do Pres\u00e9pio da Madre de Deus.  N\u00e3o h\u00e1 registo exacto do n\u00famero de pe\u00e7as que poderiam formar o pres\u00e9pio da Madre de Deus. Presentemente \u00e9 composto por 42 pe\u00e7as, com diferentes tamanhos (de 15cm a 70cm), as quais comp\u00f5em um dos primeiros exemplares de grandes pres\u00e9pios em terracota, que corresponde bem ao gosto portugu\u00eas pelos pres\u00e9pios. A Sagrada Fam\u00edlia, um conjunto de anjos que tocam, a adora\u00e7\u00e3o dos pastores, os reis magos que aparecem em \u00faltimo plano ainda a cavalgar em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sagrada fam\u00edlia fazem parte do conjunto. Caracter\u00edstica desta obra tamb\u00e9m \u00e9 o facto de as figuras serem retratadas tal como eram no princ\u00edpio do S\u00e9c. XVIII: o campon\u00eas que trata dos queijos, outro que toca sanfona, um casal de camponeses com as crian\u00e7as, criando uma grande associa\u00e7\u00e3o com a realidade da \u00e9poca.  \u201cH\u00e1 um realismo barroco na forma verdadeira como tudo \u00e9 descrito, mas tudo est\u00e1 cheio de um esp\u00edrito muito voluptuoso, os tecidos s\u00e3o muito belos, as figuras muito bonitas, sendo tamb\u00e9m um ve\u00edculo de espiritualidade para todo o conjunto\u201d, descreve Paulo Henriques, Director do Museu Nacional do Azulejo. O restauro demorou alguns anos. Neste processo \u201cfomos \u00e0 descoberta das cores iniciais das figuras\u201d, relata, num trabalho levado a cabo por uma restauradora. O pres\u00e9pio tem uma dimens\u00e3o teatral, porque as pe\u00e7as que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas s\u00e3o maiores e as que se encontram mais distante s\u00e3o mais pequenas, igualando assim o efeito da perspectiva. Desmontada em 1830, esta obra integrou o patrim\u00f3nio do Estado, dado o encerramento das institui\u00e7\u00f5es mon\u00e1sticas, e encontrava-se no Museu Nacional de Arte Antiga. O pres\u00e9pio foi reunido e conservado, chegando em grande parte at\u00e9 aos nossos dias. \u201cA circunst\u00e2ncia feliz agora permite o regresso \u00e0 Casa do Pres\u00e9pio que existe no Convento da Madre de Deus\u201d, sublinha o Director do Museu Nacional do Azulejo. \u201cSempre houve um espa\u00e7o que se chamava a casa do pres\u00e9pio, sendo um espa\u00e7o reservado que albergava o pres\u00e9pio no antigo Convento de Clarissas da Ordem de S\u00e3o Francisco, que iniciou o culto pelos pres\u00e9pios\u201d, acrescenta. Esta pe\u00e7a tinha um grande peso na institui\u00e7\u00e3o dentro dos objectos rituais e lit\u00fargicos tinha um peso central. \u00c9 uma obra muito importante que se encontrava na Capela de Santo Ant\u00f3nio, \u201cregressa agora ao seu lugar de origem. Vamos poder usufruir de uma pe\u00e7a de escultura que \u00e9 uma obra prima da escultura portuguesa\u201d, frisa Paulo Henriques.   <b>Tradi\u00e7\u00e3o portuguesa<\/b> H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de escultura em terracota em Portugal. O Director do Museu nacional do Azulejo afirma que este exemplar, a partir de hoje, dispon\u00edvel ao p\u00fablico, ser\u00e1 dos primeiros exemplares de grandes pres\u00e9pios em terracota, correspondendo bem ao gosto portugu\u00eas pelos pres\u00e9pios. Feitos de barro cozido, modelados por m\u00e3os de grande mestre, levam um preparo de gesso para receber a pintura de grande rigor e qualidade. Por \u00faltimo recebem uma folha de ouro.  O s\u00e9culo XVIII \u00e9 considerado o s\u00e9culo de ouro dos pres\u00e9pios portugueses, modelados pelos Franciscanos, Dominicanos e portugueses vindos recentemente de It\u00e1lia onde tinham estudado por conta de fidalgos. Os frades de Alcoba\u00e7a e de Mafra, as escolas de Lisboa e do Alentejo, e artistas como Joaquim Machado de Castro e Alexandre Guisti tomaram- se famosos nesta \u00e9poca.  Machado de Castro, artista de Coimbra nascido em 1731, \u00e9 um dos mais conhecidos escultores de pres\u00e9pios, tendo modelado in\u00fameros trabalhos deste g\u00e9nero, cheios de fantasia, humanismo e imagina\u00e7\u00e3o. Ant\u00f3nio Ferreira foi outro barrista da mesma \u00e9poca que modelou figurinhas cheias de fantasia, que se encontram no convento da Cartuxa de Laveiras e no da Madre de Deus em Lisboa. No s\u00e9culo XIX as guerras que se fizeram sentir em Portugal fizeram com que n\u00e3o houvesse ambiente para se fazerem pres\u00e9pios. A extin\u00e7\u00e3o de conventos levou a que muitos pres\u00e9pios desaparecessem. Em algumas casas particulares nobres, os seus pres\u00e9pios tamb\u00e9m se perderam, no entanto ficaram frequentemente as figuras principais: o Menino, a Virgem, S. Jos\u00e9, o burro e a vaca. No s\u00e9culo XX e at\u00e9 hoje as tradi\u00e7\u00f5es dos pres\u00e9pios n\u00e3o desapareceram. Um pouco por todo lado esta tradi\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se com recurso a uma genu\u00edna criatividade e, por vezes at\u00e9, alguma aventura.  O gosto pelo pres\u00e9pio que marca esta \u00e9poca do ano, tem caracter\u00edsticas na sua descri\u00e7\u00e3o que se estendem aos dias de hoje: pequenos epis\u00f3dios que n\u00e3o se relacionando directamente com a cena central, ajudam a retractar o quotidiano da \u00e9poca \u201cchegando mesmo a contar uma hist\u00f3ria para al\u00e9m da cena principal\u201d declara Paulo Henriques. A roupa e os tecidos, s\u00e3o caracter\u00edsticas deste tipo de pres\u00e9pios, sendo tamb\u00e9m documento da \u00e9poca em que a obra foi feita.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de hoje o p\u00fablico que se dirigir ao Museu Nacional do Azulejo vai poder encontrar uma das obras primas da escultura portuguesa do s\u00e9culo XVIII. Trata-se do Pres\u00e9pio da Madre de Deus. N\u00e3o h\u00e1 registo exacto do n\u00famero de pe\u00e7as que poderiam formar o pres\u00e9pio da Madre de Deus. 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