{"id":21644,"date":"2006-12-13T10:37:32","date_gmt":"2006-12-13T10:37:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/13\/um-novo-humanismo\/"},"modified":"2006-12-13T10:37:32","modified_gmt":"2006-12-13T10:37:32","slug":"um-novo-humanismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-novo-humanismo\/","title":{"rendered":"Um novo humanismo"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Vila Real <!--more--> Durante s\u00e9culos, os crist\u00e3os celebravam somente a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor  em cada Domingo. Mais tarde introduziram a festa do Natal como in\u00edcio do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  O nascimento de Jesus  na gruta de Bel\u00e9m \u00e9 referido na B\u00edblia sem qualquer pompa ou fantasia terrena. Mas a celebra\u00e7\u00e3o desse Nascimento  n\u00e3o \u00e9 a mera refer\u00eancia das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas do mesmo antes surge  enriquecida dos  elementos lit\u00fargicos e afectos crist\u00e3os Aconteceu ao Natal o que acontece a todos os factos  que atingem o cora\u00e7\u00e3o humano:  para  manifestar a sua alegria, o homem recorre a  gestos sens\u00edveis, \u00e0s refei\u00e7\u00f5es familiares, aos encontros de amigos, \u00e0 troca de gentilezas. E  assim  a festa do Natal aparece necessariamente envolta em aspectos comerciais e rela\u00e7\u00f5es familiares. A quest\u00e3o \u00e9 que essas manifesta\u00e7\u00f5es se mantenham no seu lugar, como prolongamento do acontecimento religioso central e sem o esconder.   Esse acontecimento religioso basilar \u00e9 o facto hist\u00f3rico de Jesus Cristo como  Filho de Deus  que se fez homem verdadeiro sem deixar de ser Deus, percorrendo as etapas naturais de um ser humano, incluindo a concep\u00e7\u00e3o e o nascimento e a condi\u00e7\u00e3o de menino. Esse \u00e9 o grande acontecimento da hist\u00f3ria do mundo:  Deus e  Homem unidos numa s\u00f3 pessoa, eles que na hist\u00f3ria do mundo foram entendidos como separados, indiferentes e at\u00e9 hostis um ao outro. O Natal revela o verdadeiro rosto de Deus \u2013 o Deus amigo dos homens, sempre voltado para n\u00f3s, interessado pelo mundo, e feito Emmanuel, Deus connosco; e revela o rosto do homem &#8211; algu\u00e9m vocacionado para a uni\u00e3o e intimidade com Deus, gerando-se assim  na terra um humanismo  novo. Sem o Natal, somos tentados a pensar em Deus como algu\u00e9m alheio ao mundo, e a pensar no homem como uma paix\u00e3o in\u00fatil ou um errante permanente. A um Deus distante corresponde um homem fragilizado. Exactamente por o Natal ser um acontecimento t\u00e3o grande, as filosofias racionalistas tiveram sempre a tend\u00eancia de  mutilar o Natal dessa grandeza, cortando-lhe a novidade fundamental, para fazer dele uma simples festa da fam\u00edlia e  conv\u00edvio social, trocando o essencial pelo acidental. Essa tend\u00eancia reveste hoje dimens\u00f5es quase oficiais na embriaguez consumista  e no reducionismo  mental da cultura laicizante. Essa mentalidade manifesta-se at\u00e9 na linguagem vaga de palavras abstractas,  no recurso a elementos po\u00e9ticos da natureza, e a f\u00f3rmulas de sonhos  e utopias com que  se desejam boas festas. Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a testemunhar a beleza e a verdade hist\u00f3rica do Natal, salvando-o da polui\u00e7\u00e3o laica e comercial para que ele nos salve a n\u00f3s mesmos e \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. Sem o Natal de Jesus, a humanidade  desumanizar-se-ia, a come\u00e7ar pela pr\u00f3pria fam\u00edlia e pelas crian\u00e7as. Significativamente, o texto b\u00edblico do Natal traz sempre  pr\u00f3xima do pres\u00e9pio a sombra de Herodes.  Por isso, os meus votos s\u00e3o, em primeiro lugar,  que a celebra\u00e7\u00e3o  do Natal seja plenamente assumida em actos sacramentais de ora\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o ao Filho de Deus que se fez  homem verdadeiro. E, depois, como reflexo dessa descida divina, se partilhe com as crian\u00e7as, os pobres, os doentes,  os idosos, os presos, os que vivem marginalizados,  gestos humanos  que fa\u00e7am sentir a alegria da presen\u00e7a de Deus. Mesmo que a abund\u00e2ncia n\u00e3o seja muita, h\u00e1 sempre a possibilidade de partilhar o que se tem com aqueles que t\u00eam menos e a alegria que da\u00ed se colhe ultrapassar\u00e1 as limita\u00e7\u00f5es   econ\u00f3micas.  Na esperan\u00e7a desta  proximidade divina e humana , votos de Santo Natal e de Bom Ano Novo. <i>Joaquim Gon\u00e7alves, Bispo de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,183,206,267],"class_list":["post-21644","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-vila-real","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21644"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21644\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}