{"id":216428,"date":"2021-09-10T17:56:37","date_gmt":"2021-09-10T16:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=216428"},"modified":"2021-09-10T20:26:53","modified_gmt":"2021-09-10T19:26:53","slug":"o-abjeto-politicamente-correto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-abjeto-politicamente-correto\/","title":{"rendered":"O abjeto politicamente correto"},"content":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_167647\" aria-describedby=\"caption-attachment-167647\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-167647\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-167647\" class=\"wp-caption-text\">Padre Miguel Neto<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 coisa de uns dois anos, num di\u00e1logo com uma pessoa, ela interpelou-me, querendo saber se eu era um presb\u00edtero conservador, tradicionalista ou progressista. Prontamente respondi: nunca fui, nem sou nada disso. Sou \u201cpapista\u201d. Sempre estive, estou e penso sempre estar (a n\u00e3o ser que tenha um surto psic\u00f3tico) em comunh\u00e3o com o Santo Padre, fazendo das suas palavras e diretrizes caminho orientador para chegar Deus e anunciar o Evangelho. Essa pessoa voltou a interpelar-me: -\u00abEnt\u00e3o, mas n\u00e3o tem vontade e opini\u00e3o pr\u00f3pria?\u00bb Eu respondi: &#8211; \u00abTenho. E exponho essa vontade e opini\u00e3o nos locais e momentos pr\u00f3prios. Da mesma forma que algu\u00e9m quando critica publicamente a sua fam\u00edlia tem vergonha da sua identidade, qualquer crist\u00e3o, mais ainda quem tem responsabilidades p\u00fablicas, quando critica publicamente o Papa tem vergonha da sua Igreja e n\u00e3o est\u00e1 em comunh\u00e3o\u00bb. A conversa ficou por aqui, com um longo silencio revelador de tanta inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este pensamento n\u00e3o surge simplesmente agora, momento em que as cr\u00edticas mais ferozes ao Papado v\u00eam do interior da Igreja. \u00c9 algo vem desde o in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo com Ap\u00f3stolos. Quem n\u00e3o se lembra da cena em que Pedro corrige Jesus (Mc 8, 31 \u2013 33). E Jesus imediatamente salienta que os planos do Ap\u00f3stolo s\u00e3o os dos homens e n\u00e3o de Deus. Corrigir os des\u00edgnios e as diretrizes de Deus \u00e9 tantas vezes um desejo de um homem aparentemente em comunh\u00e3o com Nosso Senhor, mas que n\u00e3o tem em mente as coisas de Dele, mas as dos homens! Pedro aprendeu e pode ser o primeiro Papa.<\/p>\n<p>Diversas correntes, opini\u00f5es, movimentos que clamavam pela mudan\u00e7a ou pela estagna\u00e7\u00e3o sempre houve no seio da Igreja. Foi assim que surgiu a reforma protestante, antecedida por outros pensadores bo\u00e9mios e ingleses. O maior erro de Wycliffe, Huss, Lutero, Calvino entre outros foi terem provocado a sua sa\u00edda da Igreja e rompido a comunh\u00e3o com Roma. J\u00e1 no s\u00e9c. XX importantes te\u00f3logos, entre eles Teilhard de Chardin e Henri de Lubac, antes do Concilio Vaticano II, clamavam por uma mudan\u00e7a na Igreja. Foram v\u00e1rias vezes corrigidos por Roma e eles, como bons padres Jesu\u00edtas, obedeceram \u00e0 Igreja. No entanto, s\u00e3o dos te\u00f3logos mais citados nos documentos do Concilio Vaticano II.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ultimamente essa contesta\u00e7\u00e3o tem surgido atacando algo a que os cr\u00edticos convencionaram chamar \u201co politicamente correto\u201d. E isso, para uns, \u00e9 algo pecaminoso, \u00e9, por exemplo, estar de acordo com o sistema vigente, defender o que eles chamam de climatologia, manter-se em silencio sobre a chamada ideologia do g\u00e9nero (ainda n\u00e3o consegui descobrir o que \u00e9), sobretudo nas escolas, \u00e9 n\u00e3o ter reservas sobre o di\u00e1logo inter-religioso ecum\u00e9nico. Enfim, grande parte dos assuntos que est\u00e3o na agenda do Papa Francisco fazem parte desse denominado \u201cpoliticamente correto\u201d na boca dos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o come\u00e7amos a ver cada vez mais crist\u00e3os na redes sociais a atacar esse \u201cpoliticamente correto\u201d e, assim, t\u00eam uma agenda paralela ao Santo Padre. Se o Papa Francisco se preocupa com o refugiados, eles alegam que temos de nos preocupar com as nossas fronteiras e identidade crist\u00e3, fazendo prociss\u00f5es com as bandeiras dos v\u00e1rios reis. Se o Papa Francisco nos alerta para o cuidado com a casa comum e o equilibro do planeta, eles v\u00e3o \u201cprovar\u201d que sempre houve calor no ver\u00e3o e frio no inverno. Se o Papa Francisco pede que n\u00e3o excluamos ningu\u00e9m e estejamos atentos aos novos tipos de agregados familiares, para de alguma maneira haver a palavra e o amor de Deus a chegar l\u00e1, eles t\u00eam que lutar para que tipo de gente seja esquecido da sociedade.<\/p>\n<p>Num mundo onde tudo \u00e9 r\u00e1pido, eficaz e instant\u00e2neo conv\u00e9m seguir as palavras que Papa Bento XVI nos deixou na sua ultima mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, sobre a as atitudes que o crist\u00e3os devem ter e como devemos ser neste mundo digital. Para Bento XVI \u00aba autenticidade dos fi\u00e9is, nas redes sociais, \u00e9 posta em evid\u00eancia pela partilha da fonte profunda da sua esperan\u00e7a e da sua alegria: a f\u00e9 em Deus, rico de miseric\u00f3rdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste n\u00e3o apenas na express\u00e3o de f\u00e9 expl\u00edcita, mas tamb\u00e9m no testemunho, isto \u00e9, no modo como se comunicam \u201cescolhas, prefer\u00eancias, ju\u00edzos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando n\u00e3o se fala explicitamente dele\u201d. Um modo particularmente significativo de dar testemunho \u00e9 a vontade de se doar a si mesmo aos outros atrav\u00e9s da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas quest\u00f5es e nas suas d\u00favidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da exist\u00eancia humana. A apari\u00e7\u00e3o nas redes sociais do di\u00e1logo acerca da f\u00e9 e do acreditar confirma a import\u00e2ncia e a relev\u00e2ncia da religi\u00e3o no debate p\u00fablico e social\u00bb.<\/p>\n<p>Pedro calou-se diante da repreens\u00e3o de Jesus. Talvez fosse bom calarmo-nos mais vezes diante das palavras do Santo Padre. Porque, das duas uma: ou sabemos mais do que ele, que foi escolhido pelo Esp\u00edrito Santo, ou n\u00e3o acreditamos que foi o Espirito Santo que o escolheu atrav\u00e9s dos cardeais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":167647,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[185],"class_list":["post-216428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-do-algarve"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216428\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}