{"id":216331,"date":"2021-09-09T10:36:46","date_gmt":"2021-09-09T09:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=216331"},"modified":"2021-09-09T10:36:46","modified_gmt":"2021-09-09T09:36:46","slug":"amar-e-poder-ser-amado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/amar-e-poder-ser-amado\/","title":{"rendered":"Amar \u00e9 poder ser amado"},"content":{"rendered":"<p><em>Henrique da Costa Ferreira, presidente da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-197845 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>As leituras da missa de hoje (domingo, 05-09-2021) sugerem o direito de <strong><em>todos, todas e tods<\/em><\/strong> \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o pessoal, profissional, social, cultural e pol\u00edtica, seja qual for a condi\u00e7\u00e3o familiar, social, econ\u00f3mica, cultural, religiosa, \u00e9tnica e pol\u00edtica de cada um(a). A partir de agora, passarei a usar o masculino para incluir os tr\u00eas g\u00e9neros.<\/p>\n<p>Particularmente a ep\u00edstola do Ap\u00f3stolo Santiago constitui um apelo \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o, acolhimento e integra\u00e7\u00e3o de todos, sejam iguais ou diferentes, sejam mais pobres ou com maior estatuto s\u00f3cio-econ\u00f3mico.<\/p>\n<p><strong>A mensagem das tr\u00eas leituras \u00e9 um discurso do dever-ser que deve ser entendido como um imperativo categ\u00f3rico<\/strong>: a igualdade de direitos e de deveres pode ser modalizada para a sua concretiza\u00e7\u00e3o absoluta, a n\u00edvel individual e social, mas n\u00e3o pode ser discutida nos seus fundamentos.<\/p>\n<p>Estes fundamentos s\u00e3o constitu\u00eddos <strong>pela igual condi\u00e7\u00e3o da natureza humana perante Deus (todos os homens nascem livres e iguais),<\/strong> \u00e0 nascen\u00e7a, nas\u00e7a-se portugu\u00eas ou indiano, afeg\u00e3o ou franc\u00eas. Por\u00e9m, as sociedades \u2013 todas elas \u2013 encarregaram-se de estabelecer uma hierarquia de estatutos correspondentes a determinados valores e bens, escalonados em fun\u00e7\u00e3o dos interesses da casta que domina o Poder, na sociedade e no Estado. Repare-se que essa hierarquia, mesmo nas democracias econ\u00f3micas e sociais, n\u00e3o \u00e9 estabelecida em fun\u00e7\u00e3o de um ideal de sociedade mas em fun\u00e7\u00e3o dos interesses dos mais poderosos e influentes, mesmo quando j\u00e1 existe um sistema pol\u00edtico e \u00e9tico-normativo plasmado em constitui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Concederemos apenas que estas suavizam o exerc\u00edcio do poder de controlo social pelos mais poderosos e influentes.<\/p>\n<p>Se viv\u00eassemos numa sociedade de santos, n\u00e3o ter\u00edamos estes problemas, como sugeriu Rousseau em <em>Contrato Social<\/em> pois todos os homens viveriam, \u00e0 partida, numa sociedade perfeita<strong>. O problema \u00e9 que as sociedades humanas s\u00e3o t\u00e3o constitu\u00eddas por santos e por \u00abab\u00e9is\u00bb como por diabos e por \u00abcaims\u00bb.<\/strong> A teoria do bom selvagem, de Rousseau e Itard, n\u00e3o tem validade emp\u00edrica porque nunca ningu\u00e9m viu uma sociedade nem perfeita nem aproximadamente perfeita. Temos apenas sociedades, umas mais perfeitas do que outras.<\/p>\n<p>E em que consistir\u00e1 a maior perfei\u00e7\u00e3o de umas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras? Consiste na abertura e na possibilidade de todos os indiv\u00edduos chegarem aos estatutos mais altos da hierarquia social mediante trabalho, m\u00e9rito, organiza\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia em detrimento da origem familiar, do estrato social de origem e de fatores esp\u00farios como cunhas, amizades e oportunismos de v\u00e1ria ordem como v\u00edrgulas burocr\u00e1ticas e leis universais com um s\u00f3 destinat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste princ\u00edpio, <strong>as sociedades mais perfeitas aceitam e acolhem os diferentes, os deserdados da fortuna e da sorte, os refugiados.<\/strong> Acolhem-nos, educam-nos e induzem-nos no sistema de procura e de luta pela integra\u00e7\u00e3o no mercado do trabalho e de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e social. Estas sociedades n\u00e3o diferenciam nem modalizam direitos, apenas vinculam estes ao cumprimento de deveres. <strong>As palavras da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem, repetidas sistematicamente pelo Papa Francisco &#8211; \u00abTodos somos iguais em direitos e deveres\u00bb s\u00e3o o mote para uma sociedade pac\u00edfica e inclusora de todos<\/strong>.<\/p>\n<p>E o que faremos com os que n\u00e3o podem ainda cumprir deveres? Preparamo-los para os cumprir mediante apoio econ\u00f3mico-social, educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e inicia\u00e7\u00e3o ao mercado do trabalho e da iniciativa individual.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que cada pa\u00eds n\u00e3o pode acolher acima das suas possibilidades econ\u00f3micas e sociais mas n\u00e3o pode ficar indiferente a situa\u00e7\u00f5es de fome, de sede e de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia<strong>. Matar a fome e a sede e curar as feridas s\u00e3o a mensagem \u00abimperativo categ\u00f3rico\u00bb da met\u00e1fora do Bom Samaritano. <\/strong>Depois, iniciar-se-\u00e1 o processo de educa\u00e7\u00e3o\/reeduca\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o econ\u00f3mica, social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Todos poderemos, um dia, cair numa situa\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7a. Temos todos o dever de lutar para que nunca caiamos nela fomentando o sacrossanto princ\u00edpio da reciprocidade (Imanuel Kant) pelo qual fazemos ao outro o que gostar\u00edamos que ele nos fizesse a n\u00f3s se estiv\u00e9ssemos na situa\u00e7\u00e3o dele. Depois, estaremos atentos e censuraremos e reprimiremos desvios.<\/p>\n<p><strong>Olhando \u00e0 nossa volta, afinal, a nossa sociedade n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o imperfeita! Mas j\u00e1 custou muito atingirmos este estado de (im)perfei\u00e7\u00e3o. Por isso, conv\u00e9m n\u00e3o o desperdi\u00e7ar.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique da Costa Ferreira, presidente da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":197845,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[173],"class_list":["post-216331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216331\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/197845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}