{"id":216295,"date":"2021-09-08T16:54:33","date_gmt":"2021-09-08T15:54:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=216295"},"modified":"2021-09-08T16:58:36","modified_gmt":"2021-09-08T15:58:36","slug":"saber-aprender-a-confiar-lhe-o-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-confiar-lhe-o-essencial\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A confiar-Lhe o essencial"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 claro para cada crist\u00e3o como pode a ora\u00e7\u00e3o servir, concretamente, para que o nosso estilo de vida seja mais ecol\u00f3gico? Imaginemos que a nossa ora\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo. Ser\u00e1 que essa desperta o nosso sentido ecol\u00f3gico da vida espiritual por estarmos quietos e, por isso, polu\u00edmos menos? Faz sentido para mim pensar em \u201chorizontes de significado\u201d, \u201csentido crist\u00e3o do nosso agir\u201d, e tantas outras express\u00f5es belas e profundas que me ocorrem quando penso no efeito que a dimens\u00e3o espiritual da nossa vida pode ter sobre a dimens\u00e3o ecol\u00f3gica concreta que nos afectar\u00e1 a todos nos pr\u00f3ximos anos. Mas n\u00e3o \u00e9 claro ainda como pode o agir concreto produzir tanto efeitos materiais, como espirituais, que sejam testemunh\u00e1veis e nos coloquem no caminho de uma uni\u00e3o cada vez mais forte, profunda e plena com Deus. N\u00e3o \u00e9 essa uni\u00e3o com Ele a maior raz\u00e3o de qualquer ora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<figure id=\"attachment_216296\" aria-describedby=\"caption-attachment-216296\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-216296\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/vero-photoart-9OflqNWhcrE-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-216296\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Vero Photoart em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lembro-me bem da experi\u00eancia dos grupos de ora\u00e7\u00e3o do Renovamento Carism\u00e1tico e da import\u00e2ncia de recome\u00e7armos a louvar a Deus porque a nossa ora\u00e7\u00e3o centrava-se demasiadamente em pedir e nas nossas necessidades. A ora\u00e7\u00e3o de louvor \u00e9 mais natural que brota dos nossos l\u00e1bios quando rezamos com a cria\u00e7\u00e3o porque a imagem que temos da natureza \u00e9 a da beleza e essa inspira sempre a gratid\u00e3o dentro de n\u00f3s. Mas, quando pedimos algo em ora\u00e7\u00e3o, reconhecemos perante Deus qu\u00e3o limitados somos. H\u00e1 muito que se passa \u00e0 nossa volta que n\u00e3o compreendemos, causando apreens\u00e3o e receio. Nem sempre sabemos o que pedir sem querer fazer de Deus uma m\u00e1quina de snacks onde esperamos receber o que pag\u00e1mos com a nossa ora\u00e7\u00e3o. Depois, como n\u00e3o recebemos o que pedimos, batemos com o p\u00e9 na m\u00e1quina \u00e0 espera que o snack caia. Podemos n\u00e3o ter essa inten\u00e7\u00e3o, mas por vezes, a nossa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pede a Deus, pedincha. Talvez signifique a necessidade de repensar o que significa pedir. Creio que vale a pena explorar: pedir como confiar.<\/p>\n<p>Quando confio as chaves do meu carro a algu\u00e9m que conhe\u00e7o pouco para que conduza por mim, realizo um acto de confian\u00e7a. Sei que isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil porque uma vez estive numa situa\u00e7\u00e3o em que estava a fazer uma viagem e comecei a sentir alguma ansiedade. Comigo tinha um jovem amigo que sabia conduzir, mas preferi parar um pouco para respirar fundo que confiar-lhe as chaves do carro. O acto de confiar \u00e9 um acto de entrega e ced\u00eancia do controlo e isso n\u00e3o \u00e9 nada trivial. Por isso, quando rezamos a Deus, dialogamos com Ele ao Seu modo, e confiamos a Ele o nosso relacionamento com a cria\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o que estamos realmente a confiar?<\/p>\n<p>Na realidade dever\u00edamos confiar tudo o que afecta o nosso comportamento e os nossos relacionamentos. Quando dizemos que Jesus salva, o que queremos dizer com isso? Estaremos \u00e0 espera de uma for\u00e7a invis\u00edvel que tire o nosso p\u00e9 do acelerador? Estaremos \u00e0 espera de que os canos da nossa casa ajustem por for\u00e7as misteriosas o nosso caudal de \u00e1gua quando tomamos banhos demasiado longos? Estaremos \u00e0 espera que a bateria se mantenha, misteriosamente, nos 100% para podermos continuar a navegar pela vida digital? N\u00e3o vejo grande l\u00f3gica numa abordagem consumista da ac\u00e7\u00e3o salvadora de Jesus. Na sua ess\u00eancia, Jesus vem <em>salvar os nossos relacionamentos.<\/em> Pois, se h\u00e1 realidade que todos sentimos \u00e9 o dano relacional que existe entre n\u00f3s e o mundo natural.<\/p>\n<p>Ao longo de centenas de anos escav\u00e1mos um fosso entre n\u00f3s e a natureza. E o efeito mais profundo que a ora\u00e7\u00e3o pode fazer para que Jesus salve o nosso relacionamento com o mundo natural \u00e9 o de nos despertar a consci\u00eancia para sabermos dialogar com a natureza. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de continuar a rezar, supostamente, com a cria\u00e7\u00e3o quando, no fundo, pouco efeito produz sobre o nosso relacionamento com essa. E do mesmo modo que os ap\u00f3stolos se voltaram para Jesus e disseram \u2014 <em>\u00abensina-nos a rezar\u00bb<\/em> \u2014 tamb\u00e9m n\u00f3s, hoje, poder\u00edamos pedir-Lhe para nos ensinar a dialogar com o mundo natural. \u00c9 tudo uma quest\u00e3o de linguagem. E ningu\u00e9m compreende a l\u00edngua do outro se n\u00e3o souber estar presente.<\/p>\n<p>A natureza est\u00e1 sempre presente se n\u00e3o nos isolarmos dela, sistematicamente, com quatro paredes. Por outro lado, a nossa pressa em chegar de um lado para o outro desabituou-nos da sabedoria contida no acto de desacelerar, parar, observar, estabelecer presen\u00e7a e, depois, entrar em di\u00e1logo. Num di\u00e1logo, se n\u00e3o houver uma linguagem comum, n\u00e3o nos conseguimos fazer entender. Sempre me questionei qual a linguagem comum que n\u00f3s partilhamos com a natureza. Ser\u00e1 a linguagem da sobreviv\u00eancia, onde o mote \u00e9 cada um por si? Poderia ser e se n\u00f3s falarmos assim com o mundo natural, o mundo natural falar\u00e1 assim connosco. \u00c9 preciso uma linguagem que seja universal e conhe\u00e7o apenas uma com esse potencial: o amor.<\/p>\n<p>Se a linguagem matem\u00e1tica se escreve com s\u00edmbolos, a linguagem do amor escreve-se e fala-se com gestos. Actos concretos pautados pela melodia da empatia, da doa\u00e7\u00e3o e da reciprocidade. No amor, o di\u00e1logo vai para al\u00e9m dos racioc\u00ednios, da intelectualidade dos nossos discursos e da l\u00f3gica com que articulamos o nosso modo de pensar e (atrevo-me e contra mim falo) de rezar. O amor sintetiza a raz\u00e3o com a emo\u00e7\u00e3o com a surpresa com a transcend\u00eancia. O amor desafia a mente e at\u00e9 a matem\u00e1tica quando ao dividir por dois ou mais, cresce e une.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o com a natureza exigem presen\u00e7a e imers\u00e3o no mundo natural. Pode haver bichos que incomodam, ou calor e ar h\u00famido que dificultam o respirar, mas cada espa\u00e7o natural \u00e9 uma catedral onde Deus manifesta a Sua presen\u00e7a se soubermos aprender a confiar-Lhe o essencial. Esse essencial varia de pessoa para pessoa. E pode variar ao longo do nosso caminho espiritual. Da \u00faltima vez que me deixei imergir no mundo natural confiei a Deus tudo o que n\u00e3o compreendo. N\u00e3o tanto \u00e0 espera da luz do entendimento que o Seu Esp\u00edrito nos d\u00e1 se Ele quiser, mas esperava antes a paz pelo desapego da preocupa\u00e7\u00e3o entregue. E depois de um momento curto de sil\u00eancio, sorri.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-216295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216295\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}