{"id":21594,"date":"2006-12-11T12:00:48","date_gmt":"2006-12-11T12:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/11\/imaculada-conceicao-retorno-ao-paraiso-perdido\/"},"modified":"2006-12-11T12:00:48","modified_gmt":"2006-12-11T12:00:48","slug":"imaculada-conceicao-retorno-ao-paraiso-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imaculada-conceicao-retorno-ao-paraiso-perdido\/","title":{"rendered":"Imaculada Concei\u00e7\u00e3o retorno ao para\u00edso perdido"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Teodoro na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o <!--more--> S\u00e3o Paulo na carta aos Ef\u00e9sios, como ouvimos proclamar na 2\u00aa leitura, escreveu que Deus \u201cnos escolheu antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo para sermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade, na sua presen\u00e7a\u201d.  A beleza da Igreja \u00e9 a santidade dos seus filhos, vivendo em comunh\u00e3o uns com os outros, porque, Deus ama a todos.  Em oposi\u00e7\u00e3o ao modelo de santidade estabelecido por Deus, encontramos Ad\u00e3o e Eva a se esconderem no para\u00edso, porque, ap\u00f3s o pecado, t\u00eam medo de se encontrarem com o seu Criador. O pecado separa Ad\u00e3o de Eva e de Deus, rompe a unidade original que \u00e9 recuperada em Maria, a nova Eva e m\u00e3e do Redentor.  A Festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que estamos a celebrar, antecipa a alegria do Natal, convida-nos a amar a beleza, mostrando em Maria seu verdadeiro modelo. Ela sempre foi santa e irrepreens\u00edvel, em caridade. N\u00e3o convinha que a m\u00e3e do Redentor de todos os homens fosse nalguns momentos da sua vida sujeita ao pecado e ao mal. Deus interveio, para atrav\u00e9s dos m\u00e9ritos de Jesus, a redimir desde a sua Concei\u00e7\u00e3o. Esta ac\u00e7\u00e3o santificadora de Deus \u00e9 expressa por S\u00e3o Paulo: \u201cescolheu-nos antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo para sermos santos e irrepreens\u00edveis\u2026\u201d. Em Maria realizou-se plenamente este plano de Deus que, para n\u00f3s, passa pela convers\u00e3o e penit\u00eancia.  Maria \u00e9 a grande novidade de Deus para um mundo que tem crise de sentido e sente uma inquieta\u00e7\u00e3o profunda. Cresce o medo e diminui o gosto e a procura da verdade e do bem. O homem \u00e9 atormentado por um sentido de ang\u00fastia como individuo e como povo. Aumenta o desejo de omnipot\u00eancia e diminui o respeito da dignidade humana, condena-se a massifica\u00e7\u00e3o cultural mas serve-se da mentira como arma para destruir o advers\u00e1rio.  A Festa da Imaculada d\u00e1-nos um sentido de paz e confian\u00e7a e apresenta-nos em Maria o retorno ao para\u00edso perdido, a promessa salvadora de Deus e Sua confian\u00e7a no homem.   <b>Sociedade pluralista e secularizada<\/b> 2. Como anunciar hoje no seio da sociedade europeia em que estamos inseridos, o valor da beleza da santidade, quando a religi\u00e3o \u00e9 apresentada por alguns como um facto privado, e o homem pretende viver como se Deus n\u00e3o existisse?  A seculariza\u00e7\u00e3o, que abalou o sentido da presen\u00e7a de Deus no mundo, n\u00e3o toca na ess\u00eancia da Igreja, mas colocou-lhe novos desafios e d\u00e1-lhe oportunidade de reflectir na melhor forma de anunciar o evangelho. N\u00e3o podemos afirmar que a Igreja n\u00e3o tenha influ\u00eancia nas democracias ocidentais que admiram a sua fun\u00e7\u00e3o social, as exig\u00eancias pelo bem comum, a solidariedade, a \u00e9tica, o sentido dos exclu\u00eddos, o terceiro mundo. Mas o centro do Evangelho \u00e9 Deus que salva o homem.  A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o no sentido profano, mas est\u00e1 submetida \u00e0s exig\u00eancias do mundo contempor\u00e2neo. A credibilidade das pessoas e das estruturas da Igreja s\u00e3o importantes para a sua miss\u00e3o evangelizadora assim como o conhecimento das pessoas e a comunica\u00e7\u00e3o com elas numa linguagem adequada. O evangelho dirige-se \u00e0s pessoas, mas o seu an\u00fancio vai de encontro a uma sociedade que se apresenta como neutra ou laica.  Vivemos numa sociedade pluralista e secularizada, algumas pessoas t\u00eam f\u00e9 e vivem segundo as normas da sua f\u00e9, outras s\u00e3o religiosas mas sem pr\u00e1tica religiosa, uma outra parte, que aumenta cada vez mais, orgulha-se da sua laicidade e seculariza\u00e7\u00e3o e rejeita Deus e a Igreja. Para estar presente na sociedade pluralista, a Igreja precisa de preparar crist\u00e3os para dialogar com a \u201cintelligentia\u201d. Deve afastar atitudes de arrog\u00e2ncia, n\u00e3o tentar impor-se pela for\u00e7a do direito, mas atrav\u00e9s de um di\u00e1logo sereno, longo e dif\u00edcil, com uma grande estima pelo valor da liberdade do indiv\u00edduo. Cada homem \u201c\u00e9 uma hist\u00f3ria sagrada\u201d, onde nasce uma f\u00e9 livre, manifesta-se o mist\u00e9rio de Deus.  A Igreja numa sociedade pluralista, traz um contributo ao processo democr\u00e1tico a partir do evangelho, anunciado como palavra de Deus salvador. Nas sociedades livres, a f\u00e9 adquire-se cada vez mais pela liberdade de escolha, menos pela heran\u00e7a familiar. Prova-o o n\u00famero crescente dos que procuram o baptismo na idade adulta, entre eles, homens de neg\u00f3cios, intelectuais, artistas.  A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 partilhada de maneira pac\u00edfica e tradicional por uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o europeia, embora com diferen\u00e7as entre o norte e o sul. A seculariza\u00e7\u00e3o assume cada vez mais um a forma de descristianiza\u00e7\u00e3o. O Papa Bento XVI tem apresentado magn\u00edficas reflex\u00f5es sobre este tema.   <b>O c\u00e9u est\u00e1 fechado?<\/b> 3. Os tempos fortes da liturgia da Igreja colocam muitos desafios \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. O Natal foi invadido pela agressividade comercial e seus s\u00edmbolos, alguns deles adulterando figuras de santos como o Pai Natal a substituir S\u00e3o Nicolau, e a Befana na It\u00e1lia, a personificar a Epifania.  Em tempos de crise aparecem problemas de endividamentos e gastos para as fam\u00edlias e indiv\u00edduos. Os pequenos comerciantes sentem-se inseguros e esperam novo respiro nesta quadra festiva. Nalgumas sociedades pluralistas Cristo n\u00e3o aparece no Natal. Celebram a festa da esta\u00e7\u00e3o, com muitas ofertas, divertimentos e jantares.  A modera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma conquista dif\u00edcil. Entre n\u00f3s, o Natal de Jesus Cristo ainda prevalece nos ritos religiosos, alegrias e festas. Os pres\u00e9pios aparecem nas pra\u00e7as, centros comerciais e principalmente nas Igrejas e casas dos crist\u00e3os, os concertos de m\u00fasica lit\u00fargica e natal\u00edcia acontecem em toda a dioceses e a tradi\u00e7\u00e3o das Missas do Parto nunca esteve t\u00e3o viva e difusa, chegando mesmo \u00e0 Catedral. As ilumina\u00e7\u00f5es das cidades e campos t\u00eam um fundamento b\u00edblico &#8211; Cristo \u00e9 luz do mundo que vence a escurid\u00e3o da noite &#8211; embora entre n\u00f3s os temas sejam cada vez mais vazios de sentido religioso, exceptuando os anjos que vigiam a entrada da Catedral como os guardas o t\u00famulo de Cristo.  Os s\u00edmbolos e mentalidade consumista abundam por todos os lados, j\u00e1 fazem parte do tempo natal\u00edcio. N\u00e3o pretendem substituir o Menino Jesus nem se op\u00f5em ao pres\u00e9pio, s\u00e3o os \u00edcones da sociedade pluralista e secularizada que os empola at\u00e9 ao exagero.  Os homens, hoje, n\u00e3o encontram respostas para as suas perguntas sobre o mundo que constroem com suas m\u00e3os, mas esperam da Igreja respostas concretas e poss\u00edveis, expostas de maneira positiva, coerente com a situa\u00e7\u00e3o em que cada um se encontra. Dizia o Santo Padre aos Bispos su\u00ed\u00e7os na visita ad Limina deste ano que \u201ca tarefa fundamental da pastoral consiste em ensinar a rezar e em apreend\u00ea-lo pessoalmente cada vez mais\u201d.  Os que n\u00e3o rezam dizem que o C\u00e9u est\u00e1 fechado, mas para os crentes a vida n\u00e3o p\u00e1ra no limiar da morte. A Europa sofre de uma fome religiosa que nem sempre se exprime num vocabul\u00e1rio religioso. Criaram um Deus em conformidade com os pr\u00f3prios desejos e representa\u00e7\u00f5es. O Deus que fabricam n\u00e3o \u00e9 o Deus de Abra\u00e3o e de Jesus Cristo.  Santo Est\u00eav\u00e3o, ao morrer exclamou: \u201cVejo os C\u00e9us abertos e o Filho do Homem sentado \u00e0 direita de Deus\u201d (Act. 7, 53). Neste grito do primeiro m\u00e1rtir, cuja festa a Igreja colocou a seguir ao Natal, exprime-se a voca\u00e7\u00e3o mais importante da Igreja num tempo de crise e seculariza\u00e7\u00e3o.  O C\u00e9u est\u00e1 aberto, o homem pode entrar. Cristo desceu, como os anjos na escada de Jacob (Gen. 28, 12) para que n\u00f3s possamos subir at\u00e9 Deus. O primeiro ser humano, logo a seguir a Cristo, que penetrou no c\u00e9u aberto, foi Maria, a Imaculada M\u00e3e de Jesus, a Senhora toda santa e toda bela que veneremos como rainha de Portugal e dos nossos cora\u00e7\u00f5es.  \u201cO mundo ser\u00e1 salvo pela beleza\u201d escreveu o grande Dostoevskje, mas pode tamb\u00e9m perde-se se a n\u00e3o procura. O mundo salva-se se encontrar o Deus vivo que vem at\u00e9 nos e nos convida a sermos disc\u00edpulos na escola de Maria Imaculada, a Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.   Catedral do Funchal, 08 de Dezembro de 2006  <i>\u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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