{"id":21574,"date":"2006-12-09T12:35:44","date_gmt":"2006-12-09T12:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/09\/o-dom-de-um-coracao-novo\/"},"modified":"2006-12-09T12:35:44","modified_gmt":"2006-12-09T12:35:44","slug":"o-dom-de-um-coracao-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dom-de-um-coracao-novo\/","title":{"rendered":"O dom de um cora\u00e7\u00e3o novo"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria <!--more--> <b>\u201cO fruto mais precioso da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus \u00e9 o dom de um cora\u00e7\u00e3o novo\u201d<\/b> 1. Na Solenidade da Concei\u00e7\u00e3o Imaculada de Maria, celebramos o mais precioso fruto da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus: o dom de um \u201ccora\u00e7\u00e3o novo\u201d, mist\u00e9rio da gra\u00e7a concebida como for\u00e7a criadora de Deus, capaz de reconduzir a cria\u00e7\u00e3o \u00e0 sua definitiva plenitude. Essa \u00e9 a novidade crist\u00e3, alicer\u00e7ada na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Na Carta aos Ef\u00e9sios, S\u00e3o Paulo \u00e9 claro ao falar da dignidade crist\u00e3: em Cristo, \u201cDeus escolheu-nos, antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e irrepreens\u00edveis, em caridade, na Sua presen\u00e7a. Ele nos predestinou, conforme a benevol\u00eancia da Sua vontade, a fim de sermos Seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da Sua gl\u00f3ria e da gra\u00e7a que derramou sobre n\u00f3s, por Seu amado Filho\u201d (Efes. 1,3-6). Maria \u00e9 a primeira que foi chamada para ser santa e irrepreens\u00edvel, na presen\u00e7a do Senhor, pela gra\u00e7a de Jesus Cristo. A ordem da gra\u00e7a \u00e9 o segundo cap\u00edtulo da cria\u00e7\u00e3o e tem no centro Jesus Cristo. S\u00f3 Ele \u00e9 verdadeiramente gra\u00e7a e b\u00ean\u00e7\u00e3o, pois aprouve a Deus Pai refazer todas as coisas por meio d\u2019Ele. A plenitude de gra\u00e7a de Maria reflecte a plenitude de Cristo, fonte \u00fanica da gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o.  2. A plenitude de gra\u00e7a de Maria \u00e9 o primeiro fruto da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus, que h\u00e1-de acontecer no seu seio maternal, e realiza-se com aquela plenitude que a comunidade dos redimidos s\u00f3 atingir\u00e1 no C\u00e9u. No realismo da reden\u00e7\u00e3o e do seu acontecer progressivo na humanidade pecadora, Maria, a Imaculada desde o primeiro momento da exist\u00eancia, \u00e9 o an\u00fancio da perfei\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica para toda a Igreja. Ela torna-se, assim, no \u00edcone do tempo definitivo, objectiva\u00e7\u00e3o de todas as promessas e fundamento real da esperan\u00e7a. Nela escutamos, continuamente, o chamamento \u00e0 santidade, na jubilosa esperan\u00e7a de termos, um dia, um cora\u00e7\u00e3o imaculado, triunfo da gra\u00e7a de Cristo em cada um de n\u00f3s. Essa longa caminhada do pecado \u00e0 gra\u00e7a, do cora\u00e7\u00e3o duro a um cora\u00e7\u00e3o capaz do amor verdadeiro, fazemo-la com Cristo, como seus disc\u00edpulos. E nessa longa peregrina\u00e7\u00e3o vai connosco Maria como farol que aponta a meta, sendo connosco aquilo que, com ela, desejamos vir a ser. Neste seguimento de Jesus Cristo, ela \u00e9 a primeira disc\u00edpula, e foi-o, por vontade do Verbo, que h\u00e1-de ser seu Filho, desde o primeiro momento. \u00c9 essa atitude de disc\u00edpula que faz ressaltar o seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado, capaz de acolher o amor de Deus e de se abandonar totalmente ao Seu des\u00edgnio. A sua pr\u00f3pria maternidade, ponto alto da sua obedi\u00eancia e abandono do des\u00edgnio de Deus, enquadra-se na sua atitude de disc\u00edpula. Santo Agostinho escreveu de Maria: \u201cPorventura n\u00e3o fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que acreditou pela f\u00e9 e concebeu pela f\u00e9, que foi escolhida para que dela nascesse a salva\u00e7\u00e3o entre os homens, e que foi criada por Cristo antes de Cristo ter sido criado nela? Maria cumpriu, e cumpriu perfeitamente, a vontade do Pai; por isso, Maria tem mais m\u00e9rito por ter sido disc\u00edpula de Cristo do que por ter sido M\u00e3e de Cristo\u201d (PL. 46,937-938). Segundo estas palavras do grande Doutor, ser disc\u00edpula era voca\u00e7\u00e3o, ser M\u00e3e do Verbo de Deus, foi miss\u00e3o, tornada poss\u00edvel pela fidelidade da disc\u00edpula. Na nossa caminhada de disc\u00edpulos, peregrina\u00e7\u00e3o da nossa fidelidade, \u00e9 consolador termos Maria como companheira, oferecendo-nos no seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado o sinal atraente do nosso desejo e da nossa meta. Ela nos ampara na fidelidade \u00e0 nossa voca\u00e7\u00e3o de filhos de Deus, pois s\u00f3 assim, seremos capazes e dignos da miss\u00e3o que Deus confiou a cada um de n\u00f3s.  3. Esta nossa caminhada para a gra\u00e7a est\u00e1 ao nosso alcance porque Cristo venceu o pecado, tornando poss\u00edvel que cada um de n\u00f3s ven\u00e7a o pecado no seu cora\u00e7\u00e3o. A grande vit\u00f3ria \u00e9 de Jesus Cristo, que teve a Sua primeira manifesta\u00e7\u00e3o plena na Concei\u00e7\u00e3o Imaculada de Maria. Esta vit\u00f3ria foi anunciada logo no in\u00edcio. A narra\u00e7\u00e3o do primeiro pecado completa-se no an\u00fancio da vit\u00f3ria de Cristo sobre o pecado: a descend\u00eancia da mulher esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a da serpente enganadora. O texto sagrado s\u00f3 referiu o drama do pecado, porque podia anunciar a esperan\u00e7a da vit\u00f3ria sobre o pecado. De outro modo seria reconhecer o falhan\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o. Mas se a vit\u00f3ria \u00e9 do Filho da Mulher, esta, a Nova Eva, entra nessa luta e participa do triunfo da vit\u00f3ria. Foi dito \u00e0 serpente, s\u00edmbolo do dem\u00f3nio: \u201cEstabelecerei inimizade entre ti e a mulher (\u2026) e tu a atingir\u00e1s no calcanhar\u201d (Gen. 3, 15). A mulher que, na sua fraqueza, aparece como aliada da serpente no drama do pecado, ser\u00e1 a sua grande inimiga na luta da reden\u00e7\u00e3o. E este dilema tra\u00e7a o quadro do papel da mulher, em cada tempo e circunst\u00e2ncia. A sua dignidade e o seu papel na hist\u00f3ria afirma-se na escolha por lutar contra o mal; caso contr\u00e1rio ser\u00e1 a sua primeira v\u00edtima. Aceitando a sua parte de sofrimento e incompreens\u00e3o nesta luta, porque a serpente mord\u00ea-la-\u00e1 no calcanhar, s\u00edmbolo da sua capacidade de manter-se corajosamente de p\u00e9, ela ser\u00e1 protagonista da vit\u00f3ria do bem. S\u00f3 Deus conhece a medida em que a humanidade, nas suas conquistas positivas, as deve \u00e0 coragem e nobreza das mulheres que se mant\u00eam firmes, de p\u00e9, contra ventos e mar\u00e9s, protagonistas da luta pelo bem. Em Maria contemplamos a for\u00e7a de um Cora\u00e7\u00e3o Imaculado; esse cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o de mulher. Em F\u00e1tima, Nossa Senhora reconhece a for\u00e7a do seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado na luta contra o pecado: \u201cNo fim, o meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1\u201d. Nessa luta, todos os cora\u00e7\u00f5es puros, de modo especial os cora\u00e7\u00f5es de mulher, participam dessa for\u00e7a transformadora. 4. Mas onde reside a for\u00e7a de um cora\u00e7\u00e3o puro, \u201cum cora\u00e7\u00e3o novo\u201d, na linguagem dos Profetas? Antes de mais, porque s\u00e3o capazes de intimidade com Deus: acolher o Seu amor, escutar a Sua palavra, abandonar-se \u00e0 Sua vontade. A intimidade com Deus exige a pureza do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que ela \u00e9 progressiva, porque a transforma\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta e dolorosa. Os que deixaram manchar o seu cora\u00e7\u00e3o pela impureza do pecado, s\u00e3o incapazes de uma real intimidade com Deus. Ou deixam de rezar ou as suas preces ficam limitadas ao imediato da pequenez humana, das necessidades, das d\u00favidas, que p\u00f5em Deus ao servi\u00e7o do homem. A for\u00e7a dos cora\u00e7\u00f5es puros reside a\u00ed: eles s\u00e3o capazes de envolver a humanidade no insond\u00e1vel mist\u00e9rio do amor divino. Neles ganha realismo existencial a realeza de Deus e o triunfo do Reinado do Seu Filho, Jesus Cristo. Hoje, nesta celebra\u00e7\u00e3o, pe\u00e7amos fervorosamente a Deus, atrav\u00e9s da Mulher Imaculada, que Ele nos d\u00ea o dom de um \u201ccora\u00e7\u00e3o novo\u201d, que significa a vit\u00f3ria sobre o pecado pessoal e a luta decisiva contra a deriva de valores e perspectivas, no mundo em que vivemos. Que Ele preserve puro o cora\u00e7\u00e3o das nossas crian\u00e7as, dos nossos jovens, dos esposos, das m\u00e3es, que podem tocar na maternidade a pureza da vida. Que nos d\u00ea a todos coragem para lutar, porque \u00e9 de combate que se trata. Vencer\u00e3o os que mantiverem corajosamente puro o seu cora\u00e7\u00e3o. <i>D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,161,207,231],"class_list":["post-21574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-d-jose-policarpo","tag-fatima","tag-imaculada-conceicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}